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IGNORÂNCIA, O MAL MAIOR

 

 


 Doris Gandres

Há uma conhecida afirmação de Léon Denis de que “todos os males são oriundos da ignorância”. Ele não poderia estar mais certo. Quantos milhares, e poder-se-ia dizer milhões, de criaturas arrogam-se o direito de discorrer sobre assuntos que mal e mal conhecem, de que apenas ouviram falar, em geral de outros tantos que também não se deram ao trabalho de estudar e avaliar com seriedade aquilo sobre o que se externam sem nenhum pejo.

E isso acontece em boa parte das áreas do conhecimento humano. Forçoso é reconhecer que o Espiritismo não está livre nem isento desse problema... Bem pelo contrário. O que se vê grassar no meio espírita de incoerências, de declarações absurdas, de impropriedades, não apenas contrárias aos princípios espiritistas, mas sobretudo contrárias à razão, ao bom senso, à lógica mais simples, por intermédio de mensagens, faladas e escritas, de espíritos encarnados e desencarnados, é profundamente espantoso.

Parece-me incompreensível que aqueles que se dizem espíritas, ou assim se pretendem, aceitem e abracem tais falares, tais escritos, sem o menor cuidado quanto ao seu teor, particularmente quando oriundos dos “venerandos” do movimento espírita... Posturas, tanto de uns como de outros, dos que propagam tais tolices e sandices como dos que as aceitam cegamente, posturas essas absolutamente não condizentes mesmo com a propalada caridade, o amor ao próximo! E, ainda, muitas e muitas vezes em frontal desacordo com a moral, a ética, a justiça social, individual e coletiva! Textos claramente preconceituosos e discriminatórios!

O Espiritismo, claro e transparente, tem como escopo fundamental a busca da verdade e da ciência integral possíveis ao nosso entendimento nesta etapa evolutiva; para tanto, requer o estudo, a reflexão, a avaliação e a análise criteriosas, a crítica séria e lúcida; em nenhum momento Kardec recomenda abdicar dessas ferramentas que a inteligência que já atingimos nos possibilita.

Contudo, a ignorância e a omissão caprichosamente cultivadas por líderes vaidosos e instituições que almejam domínio e poder mantêm uma grande parte do meio espírita ainda sob o tacão do medo, gerando fanáticos e vacilantes acreditando que, assim “teleguiados” como há tantos séculos, diria milênios, isentam-se de responsabilidade e culpa...

Lembro as palavras do Professor José Herculano Pires, no prefácio do seu livro Curso Dinâmico de Espiritismo: “O Espiritismo não apela para explicações místicas. É com os pés na realidade que o Espiritismo avança em todos os sentidos”.

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