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TEMPO DE GENTE GRANDE



                                                       

                Algumas lições batem à porta, tantas vezes de forma espontânea, que nem sempre se traduzem em aprendizado imediato. É tanto assim que situações que envolvem crianças, com muita frequência, são repletas de conteúdos importantes.

            Recentemente um desses pequeninos de 3 anos adentra a sala em que estava a sua mãe e, antes de deitar-se indignado em sua cama, bradou algo indignado, usando aquelas lindas substituições de consoantes: Nunta, nunta mais eu brinco com ele! “em se referindo ao irmão de 7 anos que protestava na sala aquela saída inesperada da brincadeira. O infante estava indignado por algo que não lhe foi permitido pelas regras e culpava o irmão mais velho em obstacular a sua participação.

            Utilizou a expressão “nunta mais” para dar ênfase ao grau de contrariedade jogando para uma conta ao infinito (Nunca mais) a sua possibilidade de retorno à brincadeira. Desnecessário dizer que passados dois ou três minutos e os dois estavam, às risadas, completamente absortos naqueles jogos que jamais tornariam a realizar juntos.

            Seria erro dizer que, guardadas as devidas proporções, essas ocorrências nos acometem na vida adulta devido à imaturidade espiritual que nos lança a qualidade de Espíritos infantis? É certo que em muitas ocasiões pessoas produzem graves prejuízos à vida de outrem abalando a convivência e gerando um clima que inviabiliza a caminhada. Sabemos que relatos que perduram existências de ódios e perseguições, posto que os afetos não se desfaçam com o advento do desencarne e da reencarnação, mesma regra para os Desafetos.

            Considerar os problemas humanos com a visão de longo prazo da vida espiritual, portanto eterna, pode ser um atenuante aos graves problemas que nos acometem no curto prazo de uma existência. Dois Espíritos que parem para analisar uma situação que os separou há alguns séculos certamente terão uma visão bem mais ampliada quanto à fragilidade de suas concepções antigas e o tempo lhes terá modificado a compreensão.

            O Livro dos Espíritos (q. 293) traz esse entendimento: “ Dois seres que foram inimigos na Terra conservarão os seus ressentimentos no mundo dos Espíritos?  — Não; compreenderão que sua dissensão era estúpida e o motivo, pueril. Apenas os Espíritos imperfeitos conservam uma espécie de animosidade, até que se purifiquem. Se não foi senão um interesse material o que os separou, não pensarão mais nele por pouco desmaterializados que estejam. Se não houver antipatia entre eles, o motivo da dissensão não mais existindo, podem rever-se com prazer. Comentário de Kardec:  Da mesma maneira que dois escolares, chegando à idade da razão, reconhecem a puerilidade de suas brigas infantis e deixam de se malquerer”.

            Entender o outro na diversidade pode ser a mais difícil tarefa a desempenhar. Certo que é necessário saber o que defendemos, e como defendemos os nossos princípios. Importa saber que haverá o tempo de ajuste e a verdade prevalecerá acima das opiniões. Fundamental preservar os afetos. Nunca é expressão vazia, pois a vida é SEMPRE. Usá-lo só se for com a acepção de uma criança e aí o Nunta se transforma em dois minutos.

       

 

 

 

 

               

 

 

 

 


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