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ESPIRITISMO SEM TEMPLO, É POSSÍVEL VIVENCIAR?

 

A derrocada humanitária demonstrada no cerne do Movimento Espírita brasileiro desde a campanha eleitoral para a presidência da República, induziu diversas pessoas ao abandono da vivência espírita em centros aos quais se agregavam e trabalhavam coletivamente, por não suportarem o contrassenso de contemplarem dirigentes e palestrantes, apoiarem Jair Bolsonaro, o destruidor das referências crísticas.

Esta vivência também perpassou meu caminhar. Também não consegui amenizar os efeitos da decepção, e externei em escrita, neste blog.

Foi aí, nesta abertura de voz, que conheci o teor vibratório de muitas pessoas que se dizem espíritas e mesmo assim são agressivas, ou seja, estavam apoiando a campanha das armas por afinidade. Aprendi a lidar com os comentários violentos que vieram e tornei-me estudiosa não apenas aos moldes tradicionais, pois incluí estes comportamentos em minha plataforma analítica, razão pela qual escrevo sobre o tema.

Participando de vários grupos nas redes sociais, fui percebendo a anunciação de espíritas sem templos, pessoas que não querem abdicar do Espiritismo como orientação filosófica e referência de religiosidade, mas não conseguem mais voltar aos engajamentos. Como fazer para conciliar esta realidade política com as questões mediúnicas, por exemplo?

Talvez seja mais fácil para quem não lida com psicofonias, psicografias; como é o meu caso, por exemplo. Que posso não ir palestrar no centro espírita, mas posso escrever, fazer vídeos, etc. Será então justo que a bolha continue inalterada, favorecendo apenas aos adesos do bolsonarismo, a permanência nos centros espíritas?

Fiz alguns testes expondo textos críticos em um grupo de palestrantes espíritas, e as costumeiras respostas agressivas vieram muitas vezes. No entanto, também me passaram muitos tipos de materiais analíticos, pois como não escrevo com o fígado, mas com o cérebro, não perdi tempo com brigas inúteis.

Em um texto intitulado “Espíritas pegarão em armas para defender Bolsonaro?” recebi a seguinte resposta de um expositor: “Espíritas pegam em armas para defesa do Brasil”. Ninguém no grupo se espantou com tal declaração. Parecia encaixada na atmosfera. Vendo tal situação, como poderemos aconselhar uma pessoa que não coaduna com estas concepções a permanecerem nestas casas?

Fixação em condenar Lula e o uso de adjetivos impróprios, principalmente após as revelações trazidas a público nos últimos dias sobre a Lava-Jato mostrando que a divisão existe, está mantida e os espíritas bolsonaristas ficaram com os espaços físicos sob seu comando na maioria das situações.

Claro que não ocorre assim por todos os cantos do Brasil, pois ainda existem as casas espíritas sob liderança do bom senso, verdadeiros pontos de luz mostrando que ainda há razão no Movimento Espírita que atua no país. Mesmo assim o número dos espíritas sem templos onde possam encontrar espaços de estudos, trabalhos e vivências edificantes, é grande.

O que estará por acontecer neste Brasil, com vistas aos espíritas progressistas?

Se podemos nos reunir online para debates, estudos e acolhimento mútuo, o presencial poderá ser suprimido?

Quem são os donos das casas espíritas, afinal?

Comentários

  1. Eu também enfrentei a mesma hostilidade no meio espírita de Marília SP,mas somos legião e a racionalidade vencerá!

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