Pular para o conteúdo principal

SEM MUDANÇAS, NÃO HÁ FUTURO

 


            É comum que se faça confusão sobre o conceito de futuro debitando o seu significado de forma restrita tão somente à passagem do tempo. Sob esse ponto de vista o futuro parece revelar-se como sinônimo de amanhã, se considerada essa forma simplificada de aferição.

            Futuro se propõe como uma forma de progresso, permuta de etapa, processo gerador de aprendizado. Mudança. Sim, não há futuro sem mudança. A disposição estática é um atoleiro numa dobra viciosa do tempo, com absoluta permanência no ontem da história.

            Curiosamente nada há de garantia a respeito do futuro, porque o novo, por não ter sido ainda experimentado é envolvido num desafiante mistério que por si se demonstra um filtro que seleciona, pelas aptidões, aqueles que vão seguir o curso sem a completa visão do caminho que os aguarda com paisagens desconhecidas. Crenças, decisões e necessidades são pilares dessa aposta, mas principalmente a capacidade de observar através de prismas diferentes daqueles antigos. O prisma conhecido levará à repetição, não exatamente à mudança obrigatória que liberta a criatividade.

            No pensamento do escritor do livro “Choque do Futuro”(1970), Alvim Toffler (EUA – 1928-2016) “mudança é o processo no qual o futuro invade nossas vidas”, arrematando que a “mudança não é simplesmente necessária à vida, ela é a vida”. Toffler foi um precursor no final da década de 60 dos avanços da tecnologia digital, cuja influência transformou a forma de vida da sociedade humana.

            Na concepção amplificada da vida espiritual o futuro é a casa da eternidade, sendo que a eternidade é o “nunca acabar”.  Allan Kardec em A Gênese  (Cap. VI - Uranografia Geral – O Espaço e o Tempo), assim se refere à eternidade: “ O tempo é apenas uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias. A eternidade não é suscetível de nenhuma medida, do ponto de vista da duração; para ela, não há nem começo nem fim. Tudo é presente para ela”

Transitando nesse entendimento de eternidade, o Espírito imortal acaba por perceber que o elemento passivo de gerar a quebra da inercial existencial é necessariamente a mudança, cujos propósitos se encontram em gérmen na mente espiritual que se expõe no momento-vida ao exercício de buscar mecanismos inéditos (por isso nunca pensados) para alcançar patamares de soluções inéditas (por isso nunca vividas). E esse binômio mecanismo/soluções inéditas se traduzem na maior dificuldade quando as mentes estão estacionadas nas certezas que não servem ao progresso e à harmonia das pessoas.

Nada mais desafiador do que se buscar alternativas de paz para um mundo viciado em repetir experiências malfadadas de poder, abusos, desfaçatez, desigualdade. Compreende-se porque para tantos a mensagem de Jesus é palavrório para tão somente incrementar orações vazias. É que Jesus nos legou uma proposição eterna dirigida à mudança de comportamento social e íntimo, não exatamente um tratado para fomentar aparências. E como mudar significa lançar mão de uma nova estratégia, a maioria se contenta com a repetição do que já é conhecido. Postergar esse entendimento é jogar para amanhã uma transformação mágica que não virá, pois o futuro que ansiamos é a eternidade-hoje.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

TRÍPLICE ASPECTO: "O TRIÂNGULO DE EMMANUEL"

                Um dos primeiros conceitos que o profitente à fé espírita aprende é o tríplice aspecto do Espiritismo – ciência, filosofia e religião.             Esse conceito não se irá encontrar em nenhuma obra da codificação espírita. O conceito, na realidade, foi ditado pelo Espírito Emannuel, psicografia de Francisco C. Xavier e está na obra Fonte de Paz, em uma mensagem intitulada Sublime Triângulo, que assim se inicia:

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

“EU VI A CARA DA MORTE!”

      Por Jerri Almeida Em 1972, quando ingressou na faculdade de medicina, o Dr. Raymond   A.   Moody Jr., já havia coletado um número significativo de relatos de pessoas que estiveram entre a fronteira da vida com a morte. Essas experiências – cerca de 150 casos – coletadas e investigadas pelo Dr. Moody, deram origem à denominação E.Q.M., ou Experiências de Quase Morte, cujos relatos foram catalogados em três situações distintas:   1) pessoas que foram ressuscitada depois de terem sido declaradas ou consideradas mortas pelos seus médicos; 2) pessoas que, no decorrer de acidentes ou doenças ou ferimentos graves, estiveram muito próximas da morte; 3)   pessoas que, enquanto morriam, contaram a outras pessoas que estavam presentes o conteúdo de suas experiências naquele momento.

PERDA LETAL DO DNA DA CIVILIDADE AMEAÇA O GLOBO

                                          Por Ana Cláúdia Laurindo Fenômenos climáticos estão gerando tempestades em partes do globo, e estas modificam paulatinamente algumas regiões da Terra. Cientistas observam, alertam. Animais migram e ameaçam o habitat de outras espécies. Plantas tóxicas são arrancadas e espalhadas para além do seu nicho conhecido. Novos comportamentos de cuidados são sugeridos ao ser humano. No entanto, a hecatombe cultural humana também espalha veneno e ameaça a espécie. O DNA da civilidade está sendo modificado.

É HORA DE ESPERANÇARMOS!

    Pé de mamão rompe concreto e brota em paredão de viaduto no DF (fonte g1)   Por Alexandre Júnior Precisamos realmente compreender o que significa este momento e o quanto é importante refletirmos sobre o resultado das urnas. Não é momento de desespero e sim de validarmos o esperançar! A História do Brasil é feita de invasão, colonização, escravização, exploração e morte. Seria ingenuidade nossa imaginarmos que este tipo de política não exerce influência na formação do nosso povo.

EXPERIÊNCIAS DE QUASE MORTE: QUANDO A CIÊNCIA CHEGA AO LIMITE

    Por Wilson Garcia   Um fenômeno real, um enigma persistente e os limites do paradigma neurológico   Apesar de todos os avanços da neurociência contemporânea, as Experiências de Quase Morte (EQMs) continuam a ocupar um território desconfortável entre o que a ciência consegue explicar e aquilo que ainda escapa aos seus modelos. A recente matéria publicada pelo UOL reconhece esse impasse de forma rara na divulgação científica: não há, até o momento, uma explicação conclusiva, consensual e plenamente satisfatória para o fenômeno. Esse reconhecimento, por si só, já representa um deslocamento importante. Durante décadas, EQMs foram tratadas como simples subprodutos do cérebro em colapso — alucinações, fantasias induzidas por anoxia, descargas químicas aleatórias. Hoje, esse discurso mostra sinais claros de esgotamento.

PERVERSAS CARTAS “CONSOLADORAS” E A NECESSIDADE DE RESPONSABILIDADE À LUZ DA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

  Por Jorge Hessen No Brasil há um fenômeno perturbador: mães enlutadas, devastadas pela perda de filhos, sendo iludidas por supostas comunicações mediúnicas produzidas por pessoa que se apresenta  como “intermediária” do além, mas que, na realidade, utiliza informações obtidas em redes sociais e bancos de dados digitais para simular mensagens espirituais.             Trata-se de prática moralmente repugnante e juridicamente questionável , que pode ser compreendida como verdadeiro estelionato do luto , pois explora o sofrimento extremo para obtenção de fama, prestígio ou vantagens materiais. É verdade que a Constituição Federal brasileira assegura a liberdade religiosa (art. 5º, VI), garantindo o livre exercício dos cultos e das crenças. Mas tal garantia não pode ser confundida com autorização para fraude . A própria ordem constitucional estabelece que ninguém está acima da lei e que a liberdade termina quando começa o direito do outro,...

09.10 - O AUTO-DE-FÉ E A REENCARNAÇÃO DO BISPO DE BARCELONA¹ (REPOSTAGEM)

            Por Jorge Luiz     “Espíritas de todos os países! Não esqueçais esta data: 9 de outubro de 1861; será marcada nos fastos do Espiritismo. Que ela seja para vós um dia de festa, e não de luto, porque é a garantia de vosso próximo triunfo!”  (Allan Kardec)                    Cento e sessenta e quatro anos passados do Auto-de-Fé de Barcelona, um dos últimos atos do Santo Ofício, na Espanha.             O episódio culminou com a apreensão e queima de 300 volumes e brochuras sobre o Espiritismo - enviados por Allan Kardec ao livreiro Maurice Lachâtre - por ordem do bispo de Barcelona, D. Antonio Parlau y Termens, que assim sentenciou: “A Igreja católica é universal, e os livros, sendo contrários à fé católica, o governo não pode consentir que eles vão perverter a moral e a religião de outr...

PARA ONDE VAMOS DEPOIS DA MORTE?

Se raciocinarmos com aqueles que acham, que do “pó viemos e para o pó voltaremos”, a resposta é simples, para a sepultura. Ao contrário, raciocinando com os que admitem a existência da alma, a resposta não é tão simples assim. Esse grupo formado por mais de noventa por cento da população do globo, se divide entre os que acreditam que após a morte a alma volta para o todo universal, perdendo sua individualidade, e os que defendem a sobrevivência da alma, porém individualizada, são os espiritualistas. Essa corrente não é unânime, uns admitem para a alma após a morte apenas dois caminhos: A salvação, se pensarem e uma maneira, e o fogo do inferno, se pensarem de maneira diferente. Outros admitem para a alma, além do Céu e o inferno um terceiro caminho, o Purgatório.   Ambas as vertentes, porém, aniquilam assim um dos atributos de Deus, a Justiça, e veem a divindade dirigindo um grande tribunal, inocentando uns e condenando outros, a nenhum permitindo uma chance seq...