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MORTE: DESCANSO ETERNO?

 

Imagem do filme "Nosso Lar".

         “(...) Não sei se ofendo os bons costumes; no entanto, as palavras “descanso eterno” nos cemitérios são a maior piada da paróquia.

         Procurem doar o que puderem para os vivos de nosso mundo. O que puderem: flores, velas, preces ou até mesmo “lágrimas”. Façam o que quiserem, mas auxiliem a alguém naqueles nomes de que se recordam. Um pão para quem está de panela vaga, uma peça de roupa usada para quem já não aguenta alfinete e remendo. (...).”

 

                                                                       ----xxxx----

 

            Esse texto é pinçado de uma mensagem do Espírito Jair Presente, de 01.11.1975, pela psicografia de Francisco C. Xavier, inserta na obra Somos Seis.

            Nele fica claro que a vida no plano espiritual pulsa pungente. Nada das blendícias que se consolidaram no imaginário coletivo, de anjos tocando harpas e bandolins. As expressões “Descanse em Paz” e “Descanso Eterno”, comumente lidas nos túmulos e homenagens aos mortos, nascem diante das atribulações que o Espírito encarnado enfrenta na sua jornada terrena.

            Os Reveladores Celestes são claros ao afirmar que a alma no instante da morte volta a ser Espírito e conserva a sua individualidade. A partir disso, a posição do Espírito no plano espiritual depende do seu respectivo grau evolutivo. Aqueles envolvidos em fluidos espessos sofrem as leis de atração e são inclinados para a matéria. Portanto, eles são felizes ou infelizes conforme os seus méritos, segundo o seu apego maior ou menor às questões de ordem material.

            Na questão nº 230 de “O Livro dos Espíritos”, está explícito que o Espírito evolui no além-túmulo de acordo com a sua vontade e o seu desejo, mas é só na vida corpórea que ele progride e põe em prática as novas ideias adquiridas.

            Por outro lado, atesta Léon Denis, que todo Espírito que deseja progredir, trabalhando na obra de solidariedade universal, recebe dos Espíritos mais elevados uma missão particular apropriada às suas aptidões e ao seu grau de adiantamento.

            Ele continua:

 

“Uns têm por tarefa receber os homens em seu regresso à vida espiritual, guiá-los, ajudá-los a se desembaraçarem dos fluidos espessos que os envolvem; outros são encarregados de consolar e instruir as almas sofredoras e atrasadas. Espíritos químicos, físicos, naturalistas, astrônomos prosseguem suas investigações, estudam os mundos, suas superfícies, suas profundezas ocultas, atuam em todos os lugares sobre a matéria sutil, que fazem passar por preparações por modificações destinadas a obras que a imaginação humana teria dificuldades em conceber; outros se aplicam às artes, ao estudo do Belo sob todas as suas formas; Espíritos menos adiantados assistem os primeiros nas suas tarefas variadas e servem-lhes de auxiliares.”

 

            Ainda, Denis:

 

“Grande número de Espíritos consagra-se aos habitantes da Terra e dos outros planetas, estimulando-os em seus trabalhos, fortalecendo os ânimos abatidos, guiando os hesitantes pelo caminho do dever. Aqueles que exerceram a Medicina e possuem o segredo dos fluidos curativos e reparadores ocupam-se mais especialmente dos doentes.”

 

            O Espírito Irmão Jacob, pela pena psicográfica de Francisco Cândico Xavier, na obra Voltei, em que ele narra a sua saga espiritual além-túmulo, confessa:

 

“O irmão Andrade, que me assinalava as mais íntimas apreciações, comentou o desengano de todas as criaturas que precedem da Terra esperando um céu de contemplações baratas, salientando que muitos Espíritos ociosos, na falsa apreciação da Divina Justiça, imploram indevido descanso no paraíso, à última hora da experiência terrestre, depois de haverem sorvido todos os venenos da ama na taça do corpo.”

 

            Em algumas obras da coleção do Espírito André Luiz, conhecida como “Nosso Lar”, constata-se que a vida na dimensão do Espírito pulsa e estua, donde se conclui que ali é a verdadeira vida, e que o além-túmulo é o reflexo, tão somente, da vida que se viveu na Terra, como bem atesta o Espírito Emmanuel, na obra E a Vida Continua:

 

“Quanto maior a cultura de um Espírito encarnado, mais dolorosos se lhe mostrarão os resultados da perda de tempo. Quanto mais rebelde a criatura perante a Verdade, mais aflitivas se lhe revelarão as consequências da própria teimosia.”

           

Já o Espírito André Luiz, na obra O Nosso Lar, é peremptório e enfático ao demonstrar como a vida na Terra ainda é encarada pela maioria dos Espíritos encarnados como uma ilusão. Diz ele:

 

“A vida não cessa. A vida é fonte eterna e a morte é o jogo escuro das ilusões. (...) Seria extremamente infantil a crença de que o simples “baixar do pano” resolvesse transcendentes questões do Infinito.

Uma existência é um ato.

Um corpo – uma veste.

Um século – um dia.

Um serviço – uma experiência.

Um triunfo – uma aquisição.

Uma morte – um sopro renovador.

Quantas existências, quantos corpos, quantos séculos, quantos serviços, quantos triunfos, quantas mortes necessitamos ainda?”

 

 

Referências:

DENIS. Léon. O problema do ser, do destino e da dor. Rio de Janeiro: FEB, 1993.

KARDEC, Allan. O Livro dos espíritos. São Paulo: LAKE, 2000.

XAVIER. Francisco C. E a vida continua. Rio de Janeiro: FEB, 1994.

_____________.  Nosso Lar. Rio de Janeiro: FEB, 1992.

_____________.  Somos seis. São Paulo: GEEM, 1980.

_____________. Voltei. Brasília: FEB, 2009.

 

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