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A CIVILIZAÇÃO SE ENGRANDECE AO VENCER O PRECONCEITO

 


    O espírita jamais haverá de se espantar quando identifica que a Doutrina Espírita caminha a frente da transitoriedade em que ainda nos entrechocamos ao redor de conceitos e preconceitos. Há também de compreender que as lutas pela quebra de tabus que servem de pano de fundo para perseguições e constrangimentos àqueles considerados diferentes é uma necessária etapa à evolução do planeta e precisam ser travadas.

            Quando o mundo se abre para prestar atenção à celebração do orgulho LGBTQIA+, apesar de saber-se dos muitos focos de resistência em encarar com normalidade tais expressões, as manifestações de respeito e acolhimento a esse movimento traz ganhos civilizatórios indicando que a humanidade tende a ampliar o espectro de fraternidade.

         Lógico que essa conquista não se deu por efeito de mágica, mas ao custo de muita dor, agressões e injustiças. Afinal o desconhecimento da verdadeira essência do Espírito Imortal é um impedimento para a compreensão elástica ao que vemos estampado nessa colorida paisagem social. Por sua vez, o espírita entende que o longo processo de aprendizados impostos pelas milhares de encarnações é uma trajetória não linear, na qual o que menos importa é a aparência restando à essência como o objetivo a ser perseguido.

        A vida do Espírito é a Espiritual, vencido o longo ciclo nos diversos corpos que servem de vestimenta temporária, a qual deixa de ser necessária quando se alcança o nível de Puro Espírito. Até que se alcance essa condição haverá o Espírito de experienciar provas, expiações e missões obrigatórias ao seu progresso. Nenhuma trajetória será exatamente igual a outras, pois cada Espírito acaba por estabelecer o mapa que mais atenda aos seus anseios.

            As questões, a seguir, de O Livro dos Espíritos mostram como o Espiritismo põe luz ao debate civilizatório.” 88. Os Espíritos têm uma forma determinada, limitada e constante? – Aos vossos olhos, não; aos nossos, sim. Eles são, se o quiserdes, uma flama, um clarão ou uma centelha etérea(1)”. “200. Os Espíritos têm sexo? – Não como o entendeis, porque os sexos dependem da constituição orgânica. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na afinidade de sentimentos”. “201. O Espírito que animou o corpo de um homem pode animar o de uma mulher, numa nova existência e vice-versa? – Sim, pois são os mesmos espíritos que animam os homens e as mulheres”. “202. Quando somos Espíritos, preferimos encarnar num corpo de homem ou de mulher? – Isso pouco importa ao espírito; depende das provas que ele tiver que sofrer”. 361. De onde vêm para o homem as suas qualidades morais boas ou más? – São as do Espírito que nele está encarnado; quanto mais puro esse Espírito, mais o homem é propenso ao bem”.         

        Estamos vivendo um momento de grandes contrastes no planeta, onde a essência e a aparência digladiam. Estamos procurando a essência ou a aparência? O preconceito sempre vai mirar a aparência, porque ele é reducionista e não enxerga a essência que se lhe mantém invisível. Celebrar a diversidade é ter a visão de que a eternidade premia as boas execuções na vida. Cada Espírito encarnado deve ser visto e entendido pela sua capacidade de gerar o bem e apenas dessa forma. Nada mais deveria importar.       

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