Pular para o conteúdo principal

VESTIDOS DE LUZ

 


Espíritos que somos, envergando transitoriamente um traje de carne, podemos ser avaliados por nossa aura. Por isso os benfeitores espirituais nos conhecem tão bem. Ainda que simulemos virtudes que não possuímos, jamais os iludiremos, porquanto eles veem como somos realmente, pela natureza de nossas vibrações.

Futuramente teremos instrumental ótico com suficiente sensibilidade para detectar, pela luminosidade, o que vai no coração humano. Então haverá substanciais transformações no relacionamento social, erradicando a mentira e a hipocrisia.

Imaginemos uma câmara de televisão com esse aperfeiçoamento... Seria o fim dos profissionais da política, dos pregadores farisaicos, dos comunicadores a serviço da conturbação e da desordem... No lar, um aparelho desses inviabilizaria o adultério; nos negócios, imperaria a honestidade; na vida social, a lisura, a sinceridade. Uma revolução!

A formação de uma aura luminosa, subordina-se ao nosso empenho no Bem, a eletricidade divina que ilumina nosso coração, revestindo-nos de luz. A esse propósito, lembramos a alegoria notável de Frank Capra, famoso cineasta americano, no filme A Felicidade Não Se Compra. É a história de um Espírito, candidato a anjo que, para ganhar suas asas – iluminar-se –, recebeu a missão de ajudar um valoroso empresário que, em virtude de grave problema financeiro, provocado por desonesto banqueiro, pretendia matar-se.

O vestibulando da angelitude foi encontrá-lo na véspera do Natal, à noite, prestes a saltar nas águas geladas de um rio. Fazendo-se visível e identificado, falou-lhe de sua missão e, sem nenhuma pretensão de demovê-lo comentou que sua morte seria um desperdício, porquanto ele era importante para muita gente.

Ante o ceticismo de seu protegido, que se sentia um fracassado, o amigo espiritual mostrou-lhe várias situações:

Num cemitério, a sepultura de um irmão, em data recuada.

– Ele não morreu. Está bem vivo! – reclamou o empresário.

– Teria morrido se você não o salvasse de afogamento, na adolescência. Lembra-se?

Mostrou-lhe uma solteirona tristonha e introvertida.

– Minha esposa! Está muito diferente. Ela não é assim...

– Seria se você não estivesse em sua vida, oferecendo-lhe a gratificante experiência de uma família numerosa e bem formada.

Após sucessivas evocações de um passado infeliz, não fora a felicidade de sua presença, foi-lhe mostrado o quadro mais dramático, quando, percorrendo a cidade, o empresário espantou-se por vê-la transformada em antro de perdição, invadida por casas de jogo e de prostituição.

– Essa não é minha cidade! – exclamou, aturdido.

– Tem razão. Sua cidade é diferente. Você fez a diferença, com seus empreendimentos, favorecendo a edificação de bairros com casas populares, afastando especuladores e agentes do vício...

Compreendeu, então, o homem que desistira de viver, que sua vida tinha um significado. Era preciso enfrentar a adversidade para continuar ajudando as pessoas como fizera sempre. E desistiu de morrer...

Persistia o problema financeiro, mas mudara sua maneira de apreciá-lo. Ainda que viesse a falência, não se permitiria falir como ser humano, disposto a enfrentar a adversidade. Regressou em estado de graça ao lar, repetindo, eufórico, às pessoas que encontrava: – Feliz Natal! Feliz Natal!

Em casa uma surpresa: os amigos, muitos amigos, uma multidão, cotizados, conseguiram o dinheiro suficiente para que a falência fosse evitada. Enquanto festejavam, o empresário, ouvindo um sino, comentou com a esposa: – Dizem que sinos repicando anunciam anjos que ganharam asas. E sorriu, feliz, considerando que seu protetor conquistara o desejado prêmio, salvando-o.

O encantador filme de Frank Capra demonstra que sempre poderemos ser importantes para alguém, por mais humilde seja nossa posição. Vale a pena viver por isso.

E tanto mais valerá quanto maior o nosso empenho no Bem, que nos habilitará a ajudar crescente quantidade de pessoas, com o que iluminaremos nossos caminhos, vestindo-nos de luz.

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

CROMOTERAPIA NA CASA ESPÍRITA: UM SISTEMA SEM AMPARO NA CODIFICAÇÃO KARDEQUIANA

    Sala de cromoterapia no Colônia Fraternal Bom Jesus - Centro Espírita no Ipiranga (SP)   Por Jorge Hessen                Periodicamente ressurge no movimento espírita a tentativa de justificar a implantação da cromoterapia nas atividades da Casa Espírita, apoiando-se em referências de Joanna de Ângelis, especialmente na obra  Plenitude . Entretanto, essa interpretação não encontra respaldo na Codificação e desconsidera o método científico-doutrinário estabelecido por Allan Kardec.             Em  Plenitude , Joanna de Ângelis menciona a helioterapia e faz alusões à cromoterapia no contexto da preservação da saúde física e psíquica. Em nenhum momento, porém, recomenda sua adoção como prática institucional do Espiritismo. Há profunda diferença entre reconhecer a existência de um recurso terapêutico e convertê-lo em atividade da Casa Espírita.

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

O ESPIRITISMO É PROGRESSISTA

  “O Espiritismo conduz precisamente ao fim que se propõe todos os homens de progresso. É, pois, impossível que, mesmo sem se conhecer, eles não se encontrem em certos pontos e que, quando se conhecerem, não se deem - a mão para marchar, na mesma rota ao encontro de seus inimigos comuns: os preconceitos sociais, a rotina, o fanatismo, a intolerância e a ignorância.”   Revista Espírita – junho de 1868, (Kardec, 2018), p.174   Viver o Espiritismo sem uma perspectiva social, seria desprezar aquilo que de mais rico e produtivo por ele nos é ofertado. As relações que a Doutrina Espírita estabelece com as questões sociais e as ciências humanas, nos faculta, nos muni de conhecimentos, condições e recursos para atravessarmos as nossas encarnações como Espíritos mais atuantes com o mundo social ao qual fazemos parte.

LIVRE PENSAMENTO, LIVRE CONSCIÊNCIA

    Por Doris Gandres                     Há séculos e mais séculos vem a humanidade lutando dos mais diferentes modos e por meios os mais diversos por liberdade; no entanto, nem sempre usando as ações mais apropriadas que a pudessem conduzir à tão sonhada liberdade, ainda que somente no aspecto material, terreno...             Mesmo civilizações, nações e países onde muitas vezes, aparentemente, reina a liberdade, sob uma análise e uma observação mais acuradas, encontramos muitas circunstâncias, situações e condições onde vige pressão, opressão, cerceamento, coação e censura. E não podemos falar apenas do ponto de vista geral, social, de cidadania, de direitos humanos etc, mas também de segmentos religiosos e, nesse campo, lamentavelmente, o meio/movimento espírita não está excluído, o que me parece profundamente contraditório quando se tem algum conhecim...

CANDOMBLÉ, ESPIRITISMO E A LIBERDADE DE SER: O QUE A FALA DE MAJUR NOS ENSINA

  Por Wilson Garcia   A entrevista que a cantora Majur deu ao programa  Desculpa Alguma Coisa , com Tati Bernardi, vai muito além de um papo sobre música ou carreira. O que ela compartilhou ali é uma oportunidade rara para a gente refletir sobre coisas profundas: liberdade de consciência, identidade espiritual, pertencimento e intolerância religiosa.               Quando Majur conta como se aproximou do Candomblé, não está falando só de uma escolha religiosa. Ela fala de um processo de emancipação pessoal. Ao dizer que deixar o ambiente evangélico não significou abandonar Deus, mas sim se libertar de uma prisão, ela expõe algo que muita gente vive: a busca por uma espiritualidade que faça sentido com quem a gente realmente é.

LOBISOMEM: MITO OU REALIDADE?

    Por Americo N. Domingos Filho   Na tradição oral, em âmbito mundial, há o relato fantástico de um ser que se converte em lobo, em noites de lua cheia, e, sedento de sangue, sai em busca de suas vítimas para sugá-las. Ao amanhecer, assume de novo as características de uma pessoa comum. Essa lenda revela um ser amaldiçoado, que se torna parte homem e parte lobo, produzindo muito temor, principalmente nas crianças e, igualmente, em muitos adultos, especialmente os moradores de áreas rurais.

É HORA DE ESPERANÇARMOS!

    Pé de mamão rompe concreto e brota em paredão de viaduto no DF (fonte g1)   Por Alexandre Júnior Precisamos realmente compreender o que significa este momento e o quanto é importante refletirmos sobre o resultado das urnas. Não é momento de desespero e sim de validarmos o esperançar! A História do Brasil é feita de invasão, colonização, escravização, exploração e morte. Seria ingenuidade nossa imaginarmos que este tipo de política não exerce influência na formação do nosso povo.

CARPE DIEM!

“Deus pede hoje estrita conta do meu tempo E eu vou, do meu tempo dar-lhe conta. Mas como dar, sem tempo, tanto conta Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo? Frei Antonio das Chagas (1631-1682) Por Jorge Luiz (*)               O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulgou no dia 18 último, resultado de pesquisa que revela que em uma escala de 0 a 10, os brasileiros dão em média 7,1 para suas vidas. Esse nível colocaria o Brasil em 16º entre os 147 países pesquisados pela Gallup World Poll, que apontava uma felicidade média de 6,8 no Brasil em 2010.             O Nordeste é a região mais feliz do Brasil, com nota média de 7,38. Se fosse considerado um país, nós nordestinos ficaríamos em 9º na classificação global, entre belgas e finlandeses. Apesar de ser considerada a região mais rica do Brasil, o Sudoeste foi con...

THEODORO CABRAL

Por Luciano Klein (*) Natural de Itapipoca (imagem), Ceará, nasceu a 9 de novembro de 1891. Foram seus pais: Francisco Gonçalves Cabral e Maria de Lima Cabral. Pertencente a família pobre, emigrou para o Estado do Pará onde se iniciou na vida prática. Graças à sua inteligência e dedicação nos estudos, adquiriu conhecimentos gerais, notadamente de línguas, com rara facilidade, sem haver freqüentado qualquer curso além da escola primária. Estes mesmos atributos levaram-no ao jornalismo, no qual se projetou com rapidez e brilhantismo.