sexta-feira, 18 de outubro de 2019

ESPÍRITAS, ESQUERDA VOLVER...!






“Por que pessoas boas se separam por causa da política e da religião?”
Jonathan Haidt. A Mente Moralista.

          Allan Kardec, quando em 1861, proferiu sua profissão de fé, afirmou que se separaria dos espíritas que favorecessem as dissidências, advertia, no entanto, que estas seriam passageiras, além de serem meios permitidos por Deus e pelos Espíritos Superiores para proporcionar testes para a fé espírita e dar a medida da sinceridade e tornar conhecidos aqueles que a espiritualidade realmente podia contar.
          Porquanto, analisa-se a conjuntura do movimento espírita brasileiro na atualidade, e observa-se a dissidência que se implantou, momentaneamente, a ideia que seja político-partidária, mas não a é; ela é simplesmente de caráter doutrinário. Allan Kardec tinha razão.
          Perante o desconforto que muitos espíritas sentem em decorrência dessa disparidade enorme é justo que se desenvolvam processos na tentativa de um entendimento plausível, já que todos têm como premissa o paradigma espírita, e também confessam a tão festejada fé raciocinada.

          O autor tem desenvolvido sistemáticos estudos de pesquisas não para justificar posições ou apontar erros. Entretanto, qualquer um que se arroja em tais empreendimentos, obviamente, tem a obrigação de apresentar as narrativas, suas fontes e conclusões espíritas.
A questão basilar para o divisionismo político-partidário que se consolidou no movimento espírita brasileiro (MEB) é doutrinário, em profundidade. E isso traz para o centro do debate as leis morais, especificamente, a Lei de Amor, Justiça e Caridade.
Jonathan Haidt, psicólogo sociocultural, especialista em psicologia da moralidade e das emoções morais e professor da Universidade de Virginia, decidiu investigar esse processo, partindo da indagação: Por que pessoas boas se separam por causa da política e da religião? Para isso, ele viajou para dezenas de países, inclusive para o Brasil, em todos os cinco continentes para encontrar a resposta, que está consolidada na sua obra A Mente Moralista. Ele explica o porquê do título da obra: “A Mente Moralista (e não Moral) para combinar com o sentido de que a natureza humana não é apenas intrinsecamente moral, é também intrinsecamente moralista, crítica e ajuizadora (julgadora).”
          A obra é recheada de pesquisas e experimentos que são importantes para quem queira entender o funcionamento da mente.
          Haidt concluiu que razão e intuição são duas formas de conhecimento, e a intuição é que dá as cartas e a razão corre atrás. A metáfora por ele criada é de que o indivíduo é um cavaleiro guiando um elefante. O elefante é todo o aparato sentimental e intuitivo e o cavaleiro é a parte racional. Algo parecido com a teoria do Inconsciente de Freud e Jung.
            Leia-se:

“Fique de olho nas intuições, e não encare os argumentos morais das pessoas como se fossem valores em si mesmos. Geralmente não passam de construções feitas de improviso, preparações para alcançar um ou mais objetivos estratégicos durante uma discussão.”

          A religião e a política são expressões das bases da psicologia moral e o seu entendimento pode unir as pessoas.
          A religião é para ele (provavelmente) uma adaptação evolucionária dos indivíduos, para que juntos, possam criar comunidades para compartilhamento com uma moral, e constata que os homens são egoístas e hipócritas politicamente corretos, capazes de enganar a si mesmos.
        A exemplo dos cinco tipos de receptores de sabor encontrados em cada papila gustativa da língua, o ser humano as tem também na mente, que são: o Cuidado, a Justiça, a Lealdade, a Autoridade e a Santidade. Esses “receptores de sabor” da moral universal seriam adaptações conquistadas em longo prazo às ameaças e oportunidades da vida social. Delas, e construindo interfaces com outras pesquisas, surgem as fundações da moralidade: Cuidado/Dano, Equidade/Trapaça, Lealdade/Traição, Autoridade/Subversão e Santidade/Degradação. Pensar essas fundações morais dialeticamente com a Doutrina Espírita, proporcionará o entendimento do que é ser espírita de esquerda ou direita.

Cuidado/Dano – (Compaixão)
        É comum se afirmar que o amor de mãe é o mais próximo do amor de Deus. Até mesmo os répteis que são considerados frios, não só de sangue como também de coração, protegem os seus bebês após o nascimento.
       Essas duas fundações apoiam ideais de justiça social que enfatizam a compaixão pelos pobres e uma luta por igualdade política entre os subgrupos que constituem a sociedade. Os movimentos que lutam por justiça social são enfáticos na solidariedade, reunindo-se contra a opressão das elites dominantes entre os subgrupos que constituem a sociedade. Têm-se como exemplos as revoluções americana e francesa dos anos 60.
       O sofrimento dos filhos é o principal gatilho da fundação cuidado. Alguns estudiosos dessas fundações, também as definem por compaixão, e é essa definição que se adotará.
Bom lembrar a Parábola do Bom Samaritano, proferida por Jesus. O samaritano movido pela compaixão:
“E chegando-se atou as feridas, lançando nelas azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o a uma estalagem e teve cuidado dele. E ao outro dia
tirou dois denários, e deu-os ao estalajadeiro, e lhe disse: Tem-me cuidado dele; e quanto gastares demais, eu te satisfarei quando voltar. Qual destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões? Respondeu logo o doutor: aquele que usou com o tal de misericórdia. Então lhe disse Jesus: Pois vai, e faze tu o mesmo. (Lucas, X: 25-37).”
          As pesquisas apontaram que a matriz (matrix) moral dos progressistas na América e em outros lugares se alimenta mais da fundação Cuidado do que as matrizes dos conservadores. No caso específico, o cuidado dos eleitores de esquerda é mais universalista. Os eleitores de direita são mais diferentes, o cuidado é dirigido para aqueles que se sacrificaram pelo grupo. Ou seja, não é universalista; é mais local e mesclado com a lealdade. As pessoas à esquerda, em todos os países que examinamos, obtêm índices mais altos na fundação cuidado/dano do que as pessoas à direita do espectro político, conclui Haidt.

Equidade/Trapaça – (Justiça)
          Na questão n° 938 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec registrou o seguinte apontamento: “A Natureza deu ao homem a necessidade de amar e de ser amado. Um dos maiores prazeres que lhe seja concedido sobre a Terra é o de reencontrar corações que simpatizam com o seu.”, por isso somos seres altruístas, por fatalismo divino. No processo de evolução, o princípio inteligente necessitou do egoísmo para construir a sua individualização, até alcançar a condição de Espírito, ser inteligente da criação. Nessa condição, o Espírito em busca da sua individuação – plenitude espiritual – terá que lentamente vencer o egoísmo. Esse processo só se dá na vida de relação com os semelhantes. Os gatilhos originais do módulo Equidade são atos de cooperação ou egoísmo que as pessoas mostram na direção do próximo.
Haidt, em suas pesquisas para essa fundação, assim concluiu:

“Todos se preocupam com a equidade, mas existem dois tipos principais. À esquerda, a justiça geralmente implica em igualdade, mas à direita ela significa proporcionalidade – as pessoas devem ser recompensadas em proporção ao que contribuem, mesmo que isso proporcione resultados desiguais.”
  
Lealdade/Traição (Pertencimento)
          A característica marcante na fundação Lealdade é instinto tribal no indivíduo, o que o leva sistematicamente a formar grupos e equipes em busca da competição. Portanto, o gatilho original dessa fundação é qualquer coisa que diga a respeito do que é um integrante de uma equipe e quem é o traidor, principalmente quando há competições.
          As pesquisas apontaram a polarização nessa fundação como dano, ou ódio. Isso se evidenciou nos indivíduos que se agrupam na identidade esquerda, direita e centro. O amor aos companheiros leais é seguido por um ódio aos traidores, geralmente considerados piores que inimigos. Por essa relação amor e o ódio, não causa surpresa que a fundação Lealdade tenha um papel importante na política. Os eleitores de esquerda tendem para o universalismo e longe do nacionalismo, por isso muitas vezes têm problemas para se conectar aos eleitores que confiam na fundação Lealdade, pela forte vinculação à fundação Cuidado.

Autoridade/Subversão (Respeito à Ordem e Autoridade)
          Ao se observar em um galinheiro com machos-irmãos dentro do plantel, perceber-se-á que a autoridade entre eles nascerá natural, apesar do grau de parentesco. E isso se observará na organização e hierarquia de dominância entre tantas outras espécies, pois é esta a maneira mais objetiva de se pensar na fundação Autoridade. Esta relação de autoridade e subversão – mostrar-se pequeno e não ameaçador – se estende também às relações de comportamentos entre indivíduos subordinados. A falha em detectar os sinais de dominância para, em seguida, responder adequadamente, muitas vezes resulta em apanhar de quem manda, diz Haidt. É importante notar que a autoridade não pode ser confundida com poder nem moral.
O Espírito François-Nicolas-Madeleine, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, assevera:

“Quem quer que seja depositário de autoridade, seja qual for a sua extensão, desde a do senhor sobre o seu servo, até a do soberano sobre o seu povo, não deve olvidar que tem almas a seu cargo; que responderá pela boa ou má diretriz que dê aos seus subordinados e que sobre ele recairão as faltas que estes cometam, os vícios a que sejam arrastados em consequência dessa diretriz ou dos maus exemplos, do mesmo modo que colherá os frutos da solicitude que empregar para os conduzir ao bem.”

Haidt conclui suas pesquisas nessa fundação, afirmando:

“Tal qual a fundação lealdade, é mais fácil para a direita política lidar com esta fundação do que seria para a esquerda política, que frequentemente define a si mesma como oposta às hierarquias, desigualdades e poderes.”

          Embora todos os grupos se preocupem com essa fundação, os parâmetros de pesquisas e controvérsias políticas, os de esquerda são mais sensíveis aos sinais de violência e sofrimento do que os outros grupos.
          As pesquisas apontam que os eleitores progressistas estão preocupados com as minorias. Já os eleitores conservadores, em contraste, mantêm ideias mais tradicionais de liberdade como o direito de ficar em paz (sozinho), e frequentemente criticam programas sociais que usam o governo para se intrometer em suas liberdades a fim de proteger os grupos dos quais os progressistas mais se importam.

Santidade/Degradação (Virtude e Pureza)
          Os gatilhos originais dos principais módulos que compõem esta fundação incluem cheiros, visões e outros padrões sensoriais que predizem a presença de patógenos perigosos em objetos ou pessoas. O desafio adaptativo original que direcionou a evolução da fundação Santidade, portanto, foi a necessidade de evitar patógenos, parasitas e outras ameaças via proximidade ou toque físico. Se não tivéssemos o senso da repugnância, creio que também não teríamos o senso do sagrado.
          Entretanto, através dos tempos e das culturas esses gatilhos se tornaram variáveis e expansíveis, ao ponto do surgimento do Sagrado e do Profano. Segundo as pesquisas, os progressistas obtêm maior pontuação nas medidas de neofilia (também conhecida como “abertura para a experiência”), não apenas para novos alimentos, mas também para novas pessoas, músicas e ideias. Os conservadores são mais elevados em neofobia (fechados para as experiências novas); eles preferem manter o que é provado e verdadeiro, e eles se importam muito com a guarda de fronteiras e tradições.
          Haidt conclui que, como a Autoridade, a Santidade parece ser uma base fraca como fundação de moralidade, muito embora a fundação Santidade seja decisiva para criar relações entre indivíduos dentro de comunidades morais.
          A fundação Santidade é mais pesadamente evidenciada em religiosos de direita, mas é também evidenciada pela esquerda espiritualizada.
  
O espírita e o Espiritismo
           Allan Kardec afirma que as contradições espíritas são de duas fontes: os homens e os Espíritos. Ele adverte que essas contradições são em geral mais aparentes do que reais, que se referem mais à superfície do que o fundo dos problemas, e que por isso mesmo não têm importância.
          Essa segurança de Allan Kardec é oriunda pela forma que ele a formulou, como assinalou no Projeto 1868: é formulá-la em todas as suas partes e até nos mais mínimos detalhes, com tanta precisão e clareza, que é impossível se tornar qualquer interpretação divergente. E Kardec arremata:
“Somente o Espiritismo, bem entendido e bem compreendido, pode remediar esse estado de coisas e tornar-se, conforme disseram os Espíritos, a grande alavanca da transformação da Humanidade. (grifos meus).
          Vê-se, pois, que se existem correntes dissidentes, é natural que uma delas está equivocada doutrinariamente.
          Fala-se muito em Mundo de Transição, que sinaliza para uma sociedade nova, com a agonia da ordem de antanho. Ante a que vem e a que se vai, os espíritas se inclinam para a primeira. Somos evolucionistas, amamos a justiça, defendemos a verdade e trabalhamos ansiosos pelo bem, tanto individual como social: desejamos uma sociedade melhor e lutamos por seu pronto advento. Não cabe em conceitos dessa espécie uma visão retrógrada de sociedade.
         É!
         Dizem!
          Da mesma forma que muitos espíritas homenageiam a ditatura, a tortura, a misoginia, a xenofobia, que aí está, DIGO, com a cara descoberta, que o Socialismo é um galho da árvore frondosa que é a Doutrina Espírita.
          Léon Denis, ao afirmar os laços estreitos que ligam o Espiritismo ao Socialismo, define assim a sua concepção espírita de Socialismo:

“(...) o Socialismo é o estudo, a pesquisa e a aplicação de leis e meios susceptíveis de melhorar a situação material, intelectual e moral da Humanidade. Nessas condições são numerosas as nuances, as variedades de opiniões, de sistemas, desde o Socialismo Cristão até o Comunismo, e todo o homem cuidadoso com a sorte de seus semelhantes pode se dizer socialista, quaisquer que sejam, aliás, suas predileções.” (grifos meus).

            O extraordinário criador de Sherlok Holmes, Arthur Conan Doyle, afirma:

“O homem é livre na medida em que coloca seus atos em harmonia com as leis universais. Para reinar a ordem social, o Espiritismo, o Socialismo e o Cristianismo devem dar-se as mãos; do Espiritismo pode nascer o Socialismo idealista”.

          Alexandre Luis de Sousa Nunes, em sua obra Cristianismo, Espiritismo e Socialismo, resultado do seu trabalho acadêmico ao curso de Licenciatura Plena em Geografia da Universidade de Pelotas, afirma:

“Este socialismo tem em Jesus e nos Apóstolos, bem como nos primeiros cristãos, o modelo moral para a implantação de uma sociedade mais justa para homens que são irmãos. Não existe um socialista-cristão ou espírita que não admita a importância da religião, sem com isso afirmar, no entanto, que devam ser o socialismo e o espiritismo religiões.”

          Humberto Mariotti, filósofo, poeta e dirigente espírita argentino, no prefácio da obra de Jacob Holzmann Neto, na obra Espiritismo e Marxismo, atesta:

“Daí que o autêntico Socialismo está na Ideia e no Espírito; vive em estado latente na natureza profunda dos seres e na realidade divina e criadora das Palavras do Nazareno. Pois não haverá autêntico socialismo sem a concepção espírita do homem e da sociedade, nem se aplacará a luta de classes enquanto a filosofia da história não souber que a criatura humana, como todo existente, evolui do menos ao mais por meio de uma palingenesia dinâmica e criadora que aproxima o homem a Deus, até transfigurá-lo totalmente como Espírito encarnado e desencarnado.”

          Manuel S. Porteiro, pensador e espírita argentino, considerado o fundador da sociologia espírita, adverte:

“Os espíritas, ao lutar pelo advento do socialismo, não creem que este seja uma forma estática de sociedade, mas seu conceito dialético, que não é o de Hegel nem o de Marx, senão o que abarca o espírito e a matéria, o mundo objetivo e o subjetivo, ou espiritual.”

          Poder-se-ia desfilar tantas outras passagens, bem como no corpo das obras básicas, em especial O Livro dos Espíritos, – Leis Morais – que se relacionam com o problema social, o que iria cansar a atenção do leitor.

          As pesquisas de Haidt são conclusivas. Para o espírita consciente das suas responsabilidades no plano social e espiritual, conciliadas com a lei superior da Evolução Humana, elas não oferecem quaisquer dúvidas. Para a Doutrina espírita, o homem é um ser social e o convoca ao ativismo social no contexto da sociedade onde se insere, com vistas a maior justiça e bem-estar social. Portanto, a Doutrina Espírita está longe de ser conservadora como muitos espíritas apregoam, nem tampouco conivente com latrocínios e iniquidades sociais. Ela é, no entanto, profundamente revolucionária e tem uma finalidade social que não se difere dos ideais mais avançados, senão pelo conceito espiritual, indefinidamente progressivo que se tem do ser humano.
          O espírita consciente, como bem demonstrou o quadro sinóptico das pesquisas de Haidt, deve repudiar o regime de exploração e de desprezíveis privilégios que se estendem sobre a Terra. A hipocrisia que ganha status de excelência, a justiça unilateral e ajustada aos interesses econômicos, o latrocínio dos governantes, que sem nenhum pudor administra o Estado direcionado para os interesses dos detentores de riqueza, aprofundando as desigualdades sociais. A destruição do patrimônio das nações e das conquistas de direitos dos trabalhadores exalta e legaliza uma virtude patriótica, patrocinada por delitos puníveis, assassinatos, roubos e a imoralidade castiga sem piedade delitos menores. Enfim, o espírita – pelo menos o que é de verdade – não pode deixar de repudiar tudo isso e o pior que existe neste mundo, por ignorância ou maldade dos homens.
          Manuel Porteiro sintetiza de forma poética o enredo do Socialismo Espírita, quando afirma:

“É o que, em Sociologia, se entende por igualdade econômica e social, as tendências socialistas perseguem, o Espiritismo sustenta em seus princípios e nós espíritas proclamamos como finalidade social e seguimos de perto nossa moral superior e com a crítica sadia, fecunda, da sociedade atual.”

          O Espiritismo não é uma ideologia nem de esquerda ou direita. O Espiritismo, assim como o socialismo, é universal. E quando se refere ao Socialismo e Espiritismo não se trata de fazer política partidária, nem de levar o Espiritismo para o campo político. Apesar de tudo isso, é preciso se entender que o Socialismo é para o Espiritismo, ante de tudo, um fato de caráter ético, muito embora seu advento através da ação política e social marcará uma etapa útil para o progresso do gênero humano, propiciando uma liberdade espiritual e econômica.
          Não há, portanto, doutrinariamente, espaço para dissidências como a que se instalou no seio do movimento espírita brasileiro. Os espíritas, que se acham dissonantes dos apelos aqui expostos, devem realizar autocrítica e, com humildade, perfilarem-se antes as exigências do Socialismo Espírita, entendendo que a revolução espírita não é um ato de violência, nem pode aceitar a violência, que é a negação do princípio da fraternidade, um crime contra o amor. A esse respeito, Humberto Mariotti assevera:

“Só a consciência da responsabilidade doutrinária, que resulta do conhecimento e da vivência da doutrina espírita, arma o homem para enfrentar a nova perspectiva política e revolucionária do Espiritismo.”


Bibliografia

DENIS, Léon. Socialismo e espiritismo.  São Paulo: CLARIM, 1924.
HAIDT, Jonathan. Mente moralista. Independently Published Books, 2018.
KARDEC, Allan. Obras póstumas. FEB: Rio de Janeiro, 1987.
_____________. O livro dos espíritos.
_____________. O evangelho segundo o espiritismo.
MARIOTTI, Humberto. O homem e a sociedade numa nova civilização.
NETO, JACOB H. Espiritismo e marxismo.  Minas Gerais: Pampulha.
PORTEIRO, Manuel. Conceito de sociologia espírita. PENSE. Edição Digital, 2008.




4 comentários:

  1. Caro amigo Jorge Luiz esse artigo me representa. Sendo repetitivo com alguns de seus textos, gostaria de ter escrito essas ilações, mas fico contente que você o tenha feito e me permitido degustar. É tudo tão simples que fica complexo entender porque as tergiversações em torno do tema. O fato de nos esforçarmos pela ideia de um mundo melhor para todos não deveria ser confrontada pela associação com as práticas que sabidamente solapam de milhares para entregar a alguns que de tanto acumularem já não precisam mais. É um entendimento equivocado das palavras de Jesus que assevera: "aos que muito têm mais lhes será dado, enquanto àqueles que pouco têm, até isso lhes será retirado". Somos seres sociais e políticos - não assumir essas qualidades nos torna isolados no próprio egoísmo e na solidão. Roberto Caldas

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  2. Perfeito. Uma vez eu conversando com uma amiga dissea ela que cheguei a conclusão que aqui no CE o movimento espírita é formado na sua grande maioria por ex militares. Parece que eles se engajaram na doutrina como uma "desculpa" pelos atos mal praticados e agora se abraçam para redimir os maus feitos na vida. E aí vem aquele ato de "caridade" ( confesso que nunca me senti confortável, isso é algo de dentro pra fora) de assistência a famílias carentes etc e não a caridade onde se pregue a justiça social. Diz aquele ditado que o brasileiro gosta de fazer caridade, mas não gosta de fazer justiça social. A caridade aplaca sua consciência pseudo cristã, enquanto a justiça social retira o ser da condição de inferioridade e passa para a condição de iguladade e isso eles não gostam. Querem mesmo é olhar de cima pra baixo.
    É bem verdade que vem mudando, mas muito o que vi no último ano dessa disputa esquerda/direita, esse falso moralismo, vem ainda da influência desses que foram em sua maioria precursores do espiritismo aqui no nosso Estado. Todos os centros que passei há essa influência.

    Com a leitura de teu artigo vejo mais ainda que estou do lado certo da história.
    Muita paz!✊🏻

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    1. Caro Fernando, muito importante a sua colaboração. É necessário pontuarmos questões dessa natureza. Não podemos ficar em cima do muro, em nome de uma falsa tolerância. Aliás, nesses aspectos Kardec recomenda nos fecharmos nos rigorosos limites da Doutrina. Jorge Luiz.

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  3. Caro Roberto, fico lisonjeado com suas palavras de incentivo. Mas o Espiritismo não permite interpretações divergentes. Precisamos entender que não se pode moldar a Doutrina Espírita às nossas opiniões e idiossincrasias.Abração! Jorge Luiz

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