Pular para o conteúdo principal

PAI É PARA SE GUARDAR NO LADO ESQUERDO DO PEITO¹



              



              Em A Canção da América, Milton Nascimento diz que amigo é para se guardar embaixo de sete chaves, no lado esquerdo do peito. Impossível discutir a essência da frase do magnífico compositor sem lhe dar razão em número, gênero e grau. Na agonia dos dias que se atropelam nada mais importante do que poder contar com um amigo na praça que, segundo a sabedoria popular, vale muito mais que dinheiro no bolso.
            Ser amigo é uma acepção que estabelece o mais profundo vínculo entre duas pessoas, muito acima das relações retratadas, de forma também importante, pelos papéis sociais aos quais todos nos adaptamos. Sucede que os papeis desempenhados não passarão de títulos sem significado se os nossos olhos não puderem alcançar, no outro que caminha ao lado, a figura espontânea do amigo.

            O amigo é alguém que se põe na estrada, não importa as circunstâncias em que esteja a estrada, quando percebe que pode atender a uma real necessidade daquele que é alvo de sua atenção e cuidado. Também é capaz de se expressar sem receio de ser mal interpretado quando discordar do motivo da ação do outro, apesar de jamais negar-se ao apoio construtivo àquele sempre que se fizer necessário.
            É fundamental compreender que o caminho da evolução sobre a Terra nos colocou na completa dependência do outro, visto que as nossas habilidades pessoais são limitadas para manter as necessidades da existência sem o concurso alheio. Precisamos do alimento, do vestuário, da construção civil, da educação, da energia elétrica e temos tantas outras demandas essenciais que seria impossível permanecermos vivos se não houvesse o outro para abastecer tantas prioridades, desde as mais simples àquelas mais complexas.
            O que pensar então, a respeito daquele que nos gerou, e tornou-se dessa forma o nosso genitor, tendo em seguida a coragem de receber-nos e amparar-nos... Tornando-se assim nosso pai. A figura do genitor, de extrema importância para a origem da nossa encarnação, se mistura com a luz essencial da amizade e o genitor amigo se transforma em PAI. Há genitores que não conseguem se transmudar em pai e isso é triste, mas há pais que não foram os genitores e isso é magnífico porque transcende ao amor inicial da procriação.
            Quando se fala da amizade, daquela que se guarda no lado esquerdo do peito, a lembrança do papel do pai dimensiona a importância de alguém que ofereceu a sua força de trabalho e superação em favor dos nossos dias de total dependência do aconchego afetivo e das necessidades básicas da sobrevivência, enquanto ainda não éramos competentes para nos cuidar sozinhos.
Aos nossos pais um tributo de respeito, carinho e também de saudade para aqueles que partiram de nossas vidas para o mundo espiritual. Obrigado pela bênção da existência e pelo zelo que nos permitiu chegar até aqui. Jamais os esqueceremos.

¹ editorial do programa Antena Espírita de 14.08.2016.




Comentários

  1. Francisco Castro de Sousa14 de agosto de 2016 às 12:16

    Roberto, você termina esse belo texto falando sobre os pais que já se foram, é o seu caso e o meu, mas nós também somos pais e fazemos tudo o que você conseguiu enumerar pelos nossos filhos e nos sentimos imensamente felizes por isso. Parabéns pela oportunidade e pelo belo texto em homenagen aos PAIS!

    ResponderExcluir
  2. "Apesar de tão raro, não há nada melhor do que um grande amigo", diz a sabedoria da canção.

    Amizade + Paternidade é melhor ainda. Quanto a esse útil escrito, além de claro e objetivo, concito os autores e este canal a continuarem nos presenteando com reflexões sensatas e necessárias com essa.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

DARWINISMO ESPIRITUAL E A SOCIOBIOLOGIA DO REINO: A LUTA DE IDEIAS COMO MOTOR DA TRANSIÇÃO

           Por Jorge Luiz                    A Espiral da Transição e o Equívoco do Evento                 Uma celeuma existente no movimento espírita acerca de leituras literais de transições planetárias desviou aquilo que é um processo profundo de adaptação biossocial para a transição vista como um mero evento cronológico. A evolução não se opera em uma constante, mas sim em uma espiral de eventos. A evolução dos mundos está atrelada à evolução dos Espíritos vinculados a eles.             Para compreender esse mecanismo na escala macro, é imperativo analisar o microcosmo das relações humanas. No livro Missionários da Luz (Cap. 13), psicografado por Francisco C. Xavier, o espírito André Luiz relata o grave trauma sofrido por um núcleo familiar em virtude das atitudes predatória...

É HORA DE ESPERANÇARMOS!

    Pé de mamão rompe concreto e brota em paredão de viaduto no DF (fonte g1)   Por Alexandre Júnior Precisamos realmente compreender o que significa este momento e o quanto é importante refletirmos sobre o resultado das urnas. Não é momento de desespero e sim de validarmos o esperançar! A História do Brasil é feita de invasão, colonização, escravização, exploração e morte. Seria ingenuidade nossa imaginarmos que este tipo de política não exerce influência na formação do nosso povo.

UM TAL SR. M...

                                                Anos atrás o pesquisador espírita Clóvis Nunes falou de um suposto encontro entre Allan Kardec e Karl Marx. Ele se escorou em duas mensagens insertas em Obras Póstumas , de 30 de abril de 1856  (saiba mais) e de 12 de maio de 1856 (saiba mais) . Leia-se um trecho da primeira, em que o Espírito se refere a um dos presentes, que para Nunes seria Marx: “A você, Rivail, sua missão está aí (livre, a cesta virou fortemente para meu lado, como o teria feito uma pessoa que me indicasse com o dedo). A você, M..., compete a espada que não fere, mas que mata. Contra tudo o que existe, será você que virá primeiro. Ele, Rivail, virá em segundo lugar, é o trabalhador que reconstrói o que foi destruído”.   ...

13.05. ANIVERSÁRIO DE CRIAÇÃO DO CANTEIRO DE IDEIAS

SOBRE ATALHOS E O CAMINHO NA CONSTRUÇÃO DE UM MUNDO JUSTO E FELIZ... (1)

  NOVA ARTICULISTA: Klycia Fontenele, é professora de jornalismo, escritora e integrante do Coletivo Girassóis, Fortaleza (CE) “Você me pergunta/aonde eu quero chegar/se há tantos caminhos na vida/e pouca esperança no ar/e até a gaivota que voa/já tem seu caminho no ar...”[Caminhos, Raul Seixas]   Quem vive relativamente tranquilo, mas tem o mínimo de sensibilidade, e olha o mundo ao redor para além do seu cercado se compadece diante das profundas desigualdades sociais que maltratam a alma e a carne de muita gente. E, se porventura, também tenha empatia, deseja no íntimo, e até imagina, uma sociedade que destrua a miséria e qualquer outra forma de opressão que macule nossa vida coletiva. Deseja, sonha e tenta construir esta transformação social que revolucionaria o mundo; que revolucionará o mundo!

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

09.10 - O AUTO-DE-FÉ E A REENCARNAÇÃO DO BISPO DE BARCELONA¹ (REPOSTAGEM)

            Por Jorge Luiz     “Espíritas de todos os países! Não esqueçais esta data: 9 de outubro de 1861; será marcada nos fastos do Espiritismo. Que ela seja para vós um dia de festa, e não de luto, porque é a garantia de vosso próximo triunfo!”  (Allan Kardec)                    Cento e sessenta e quatro anos passados do Auto-de-Fé de Barcelona, um dos últimos atos do Santo Ofício, na Espanha.             O episódio culminou com a apreensão e queima de 300 volumes e brochuras sobre o Espiritismo - enviados por Allan Kardec ao livreiro Maurice Lachâtre - por ordem do bispo de Barcelona, D. Antonio Parlau y Termens, que assim sentenciou: “A Igreja católica é universal, e os livros, sendo contrários à fé católica, o governo não pode consentir que eles vão perverter a moral e a religião de outr...

DESCAMINHOS DA DIVULGAÇÃO ESPÍRITA

“Mais vale um inimigo confesso do que um amigo desajeitado.” (Allan Kardec)             Por Jorge Luiz (*)             Recebi e-mail com programação de evento dito espírita, que será realizado aqui em Fortaleza. Fiquei perplexo pela escolha do tema central, mais apropriado para programas televisivos transmitidos na madrugada: “ Por que está dando “tudo errado” para mim?” Ou, quem sabe, para aqueles cartazes colados em postes de iluminação pública para anúncios de consulta, os conhecidos ledores de buena-dicha.             A grade de programação traz como subtemas: Por que não consigo me resolver sexualmente? Drogas resolve? Depressão: causa ou consequência? Estou na família certa?  Em nenhum momento assinala-se que o evento é espírita ou que as abordagens serão espíritas. Aliás, só se encontra a p...

QUANDO O ESPIRITISMO VIRA ARENA DE PRÁTICAS “DIFERENTONAS”

  Sala para realização de cirurgia espiritual no C.E.Casa de Oração Espírito de Luz Por Jorge Hessen Entre a codificação e a fantasia mediúnica, alguns parecem ter escolhido a segunda Há algo profundamente preocupante no movimento espírita brasileiro: a crescente transformação da mediunidade em laboratório de novidades. Cada grupo inventa sua fórmula, cada dirigente anuncia seu método, cada médium apresenta uma experiência particular, como se representasse a evolução da Doutrina. E, quando alguém pergunta onde está Kardec, responde-se com a palavra mágica: “caridade”. Não. Caridade não é salvo-conduto para a improvisação “diferentona”.

O CRISTIANISMO E A TEOLOGIA DO DOMÍNIO

  Por Jorge Luiz           As últimas eleições ao cargo principal do Brasil fizeram emergir um fenômeno   sociopolítico que, até então, desenvolvia-se de forma sub-reptícia e tendo como pano de fundo o cristianismo. Estou me referindo à Teologia do Domínio, que teoriza a tomada do espaço público pela Igreja, defendida por algumas das principais lideranças neopentecostais, até então sem muito aprofundamento para o vulgo.             O que vem a ser a Teologia do Domínio?