Pular para o conteúdo principal

POR UM MOVIMENTO ESPÍRITA SUBVERSIVO





 “A revolução foi proposta por Kardec,
foi ensaiada por esses cientistas
(Crookes, Bozzano, Aksakof, Richet,
Rochas e outros)
mas ainda não foi realizada na civilização
ocidental – onde se enraíza –
e não foi nem mesmo
compreendida pelos espíritas.”
(Dora Incontri, “Para Entender Allan Kardec.”)




Jesus, no Sermão das Montanhas (representação)



            É provável que o leitor esteja intrigado com o título do artigo, pelo uso da palavra subversivo. Não é de se estranhar, até por que é esse o propósito. Entretanto, a etimologia de subversivo, vem do latim (sub=abaixo) e (vertere=dar voltas) + (ivo=efetividade, capacidade). De subverter = verter por baixo; executar atos visando à transformação ou derrubada da ordem estabelecida; revolucionário.
            Se se estudar a semântica histórica ou diacrônica (que estuda as mudanças que as palavras sofreram no tempo e no espaço), vê-se que a palavra subversivo, no período do regime militar assumiu significado pejorativo, marginalizando e criminalizando àqueles que pensavam diferente do governo, quando na realidade esses lutavam para resgatar democracia e a liberdade de expressão. Os “subversivos” foram perseguidos, presos, torturados e muitos mortos. Situação idêntica, sofreu a palavra herege (que ou quem adota ou sustenta ideias, opiniões, doutrinas etc. contrárias às admitidas por um grupo), na idade média, o que motivou o tribunal eclesiástico da igreja católica, que tinha como propósito combater os heresiarcas, e que até nos dias atuais respinga nos espíritas.

Para que se reinvente o movimento espírita de forma subversiva e revolucionária, basta se inspirar em ninguém menos que Jesus. A personalidade de Jesus instiga análises em diversos aspectos, em qualquer situação que se possa conceber. Teorias foram criadas, com formas antagônicas e que se anulam reciprocamente. Todavia, o caráter revolucionário é inquestionável. Não um revolucionário político dos tempos atuais, mas um revolucionário que revolvia as estruturas sociais do seu tempo. Veja-se o que fala John P. Meier (1942-1964), que foi padre católico e professor de cadeira de Novo Testamento na Universidade Católica da América em Washington, D.C , e que foi também presidente da Associação Bíblica católica, em sua robusta obra em cinco volumes, Um Judeu Marginal, vol. I:

“Como a boa sociologia, o Jesus histórico não subverte (grifo nosso) apenas algumas ideologias, mas todas elas, inclusive a teologia da libertação.”

            Analisando-se todo o Cântico das Bem-aventuranças, encontrar-se-ão frases subversivas, como por exemplo: “Felizes (antigamente se dizia “bem-aventurados”), até aos “pobres no espírito (...) ditos no evangelho de Matheus (5:3), onde Jesus radicaliza na necessidade.

Jesus não deixava passar nenhuma situação onde ele pudesse provocar profundas e verdadeiras reflexões às posturas da grei dominante. Promovia ofensiva contra os desequilíbrios sociais, a cobiça e a dureza de coração, sempre a favor dos fracos e oprimidos. Jesus em nenhum momento contemporizava com o erro, a mentira e a corrupção dos costumes.
Em Lc, 18:25 critica os ricos, quando afirma que será mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha que um rico entrar no reino dos Céus. Elabora, em Lc, 22:25, crítica direta, clara contra os tiranos que se fazem chamar de benfeitores do povo. Aplica a Herodes Antipas o apelido abjeto de “raposa” Enfim... Leia-se o que diz Juan Arias (1), em sua obra Jesus, esse grande desconhecido:

“Mas uma coisa é certa. Jesus não foi um homem da ordem, do sistema, conservador do status quo. Quanto a isso não há nenhuma dúvida, e a Igreja nunca deveria tê-las alimentado. O profeta de Nazaré sempre foi um inconformista, um homem de ruptura do sistema estabelecido.”

            A partir de Kardec vamos encontrar espíritas que foram pessoas militantes, transformadoras, contestadoras e não conservadoras, a exemplo de muitos que integram o movimento espírita brasileiro em nossos dias. A própria Anália Franco (1853-1919), professora, poetisa e filantropa espírita brasileira, é um exemplo desse universo de espirítas. Feminista, abolicionista, republicana, isso muito antes da abolição da escravatura, fundou mais de setenta escolas com o propósito de resgatar mulheres, “mães solteiras”, marginalizadas pela sociedade de então, como também os seus filhos. Note-se que boa parte dos grandes revolucionários do movimento espírita sempre agiram pelo viés da educação. Cita-se por exemplo: A Liga Francesa de Ensino, criada em 1881, por seis militantes quase todos espíritas, teve em Léon Denis o grande divulgador. No Brasil se encontrará Eurípedes Barsanulfo, Ney Lobo, Dora Incontri, José Herculano Pires, Cairbar Schutel, dentre outros.
            Ora, mas a própria interferência do Mundo dos Espíritos no pensamento humano, através do controle universal e da racionalidade, já não é algo estrondosamente subversivo?
            Fazer com que o indivíduo se torne liberto dos ritos, imagens, sacramentos e acima de tudo, consciente das suas potencialidades íntimas a partir da imortalidade da alma e das vidas sucessivas não é prática evidentemente subversiva?
            O movimento espírita brasileiro por não priorizar o aspecto educacional do Espiritismo, favoreceu a atitudes com característica de rebanhos, o que é extremamente antipedagógico para o que o Espiritismo conceitua como proposta libertadora, subversiva e não salvacionista.
            Rebanho exige naturalmente um pastor. Necessariamente, um bom pastor se caracteriza pela habilidade de conduzir bem o seu rebanho. Função criada, é óbvio que necessita ser preenchida, e “elege-se” naturalmente dirigentes, médiuns, ou qualquer pseudodemiurgo. Consequentemente, criam-se estruturas burocráticas, hierárquicas, uma relação de poder onde a subversividade é substituída pela subversiviência, danosa para uma proposta de regeneração da Humanidade, conforme assinala o Mestre lionês, Allan Kardec. O irmão de jornada agora se autoproclama o “pastor” que se sacrifica por suas ovelhas, cuidando detalhadamente de cada uma delas. A salvação neste mundo está na condição do bem viver do rebanho, impresso pelo pastor. Isso faz com que o ser reate, de maneira atávica, com suas romagens pelas “pradarias romanas”, em vidas pretéritas.
            Resulta desses direcionamentos: Uma plêiade de pedintes de graças dos céus, que se tornam dependentes e manietados pelos Espíritos, formando uma corrente mística, em torno de um profissionalismo religioso, missionarismo de catequese, renunciando-se às obrigações revolucionárias nos contextos sociais e espirituais que o Espiritismo espera de todos os espíritas.
            A Humanidade se defronta com uma crise global sem precedentes em seus sistemas econômicos, políticos e sociais. O Espiritismo apresenta uma revolução pela educação integral, partindo da explicação da própria natureza, origem e destinação do homem. Vê-se, portanto, que a Doutrina Espírita fundando a “Ciência do Espírito”, oferece à humanidade novo paradigma da consciência e da forma de pensar, através de uma escala de valores distinta. Essa é a única via para a solução dos graves problemas que assolam a sociedade terrena.
            Observa-se, ainda, nos dias atuais, dirigentes que abdicam à discussão de temas abrangentes e de interesse de toda a sociedade, simplesmente em razão dos aspectos polêmicos sob os quais se apresentam. A motivação: Receiam ferir suscetibilidades de frequentadores. A própria educação (evangelização) espírita adotada por alguma instituições, assume proposta estritamente catequizante. O Espiritismo no Brasil é conduzido de forma retrógrada ante os conceitos reformadores da Boa Nova e do Consolador Prometido, enquanto projetos revolucionários da Divindade para a regeneração dos mundos.
            O que nós espíritas fazemos diante desse cenário?
            É imperativo entender que as questões aqui levantadas não se constituem uma crítica por si só, implicam, no entanto, em reflexões rigorosas e necessárias para que se busque caminhos que restabeleçam o verdadeiro caráter do Espiritismo, como legado de regeneração moral do Planeta. É bom lembrar que o pensar reflexivo aqui posto é caracterizado pela criatividade. É o pensamento inventivo, que se molda pela busca de alternativas, tanto pelas informações aqui registradas, tanto pelas respostas produzidas por cada um dos envolvidos no processo.
Essa mudança de paradigma é tarefa inadiável, tanto na esfera individual, quanto na coletiva.
           
Referências:

ARIAS, Juan. Jesus, esse grande desconhecido. São Paulo. Objetiva. 2001;
INCONTRI, Dora. Para entender Allan Kardec. São Paulo. Lachâtre. 2004;
MEIER, John P. Um judeu marginal. Rio de Janeiro. Imago. 1991.



(1)  O jornalista e escritor espanhol Juan Arias estudou filosofia, teologia, psicologia, línguas semíticas e jornalismo na Universidade de Roma, Itália. Na Biblioteca Vaticana, descobriu o único códice existente escrito no dialeto de Jesus, procurado há vários séculos. Durante catorze anos, foi correspondente do jornal El País no Vaticano, acompanhando os papas Paulo VI e João Paulo II. É autor de vários livros, publicados em mais de dez idiomas: El Dios en quien no creo, Savater: El arte de vivir, José Saramago: El amor posible, entre outros. No Brasil, publicou Confissões de um Peregrino; Jesus, esse grande desconhecido; A Bíblia e seus segredos, todos pela Objetiva. Atualmente, é correspondente do El País no Brasil.



Comentários

  1. Francisco Castro de Sousa25 de janeiro de 2016 às 19:50

    Jorge amigo,
    Conseguiste falar de um tema crucial com elegância! Não aguardes palmas, muitos acharão que estás ficando louco, mas é um louco que sabe o que está dizendo. Te parabenizo pela coragem e pela maneira de dizeres estas coisas com tanta elegância!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Caro amigo Castro,
      Suas palavras deixam-me lisonjeado. Há a necessidade de construirmos uma ruptura com o estilo organizacional do movimento espírita brasileiro, partindo das orientações de Allan Kardec. Caso contrário, ocorrerá o que nos adverte o Espírito Bezerra de Menezes, através de mensagem psicografa por Francisco C. Xavier, em 20.04.1963, quando ele afirma: "Acontece, porém, que temos necessidade de preservar os fundamentos espíritas, honrá-los e sublimá-los, senão acabaremos estranhos uns aos outros, ou então cadaverizados em arregimentações que nos mutilarão os melhores anseios, convertendo-nos o movimento de libertação numa seita estanque, encarcerada em novas interpretações e teologias, que nos acomodariam nas conveniências do plano inferior e nos afastariam da Verdade." Grato pelas palavras de incentivo. Marchemos!

      Excluir
  2. Só nos resta refletirmos! Porque não existe um partido, direita ou esquerda....quem questiona sabe,a doutrina espírita é bem clara. O próprio homem é que coloca suas algemas.
    Primordiais os argumentos!

    ResponderExcluir
  3. Jesus o revolucionário do amor!É nosso papel como espíritas dar continuidade a revolução do mestre.Excelente texto.

    ResponderExcluir
  4. CARO IRMÃO JORGE LUZ, QUANDO LI ESTE ARTIGO, MIM IDENTIFIQUEI MUITO COM ELE. POIS TENHO ESTA PREOCUPAÇÃO QUE VEM COLOCADO NO ASSUNTO. O MOVIMENTO ESPIRITA BRASILEIRO ATUAL TEM QUE SER MAIS REVOLUCIONÁRIO, OU MELHOR SUBVERSIVO. TEMOS QUE SERMOS ATIVOS NA SOCIEDADE, NÃO FICARMOS NA DEFENSIVA PERANTE AS OUTRA RELIGIÕES, REPENSARMOS O MODO DE EDUCAÇÃO.SOMOS ETERNOS E ETERNAS, PORTANTO NÃO DEVEMOS TER O MEDO DE SER FELIZ E FAZER FELIZ OS NOSSOS IRAMÃOS. GOSTEI DO TEMA, E CONTEM COMIGO NESTA LUTA.



    BRUNO FILHO
    MEMBRO DA SOCIEDADE ESPIRITA DR. ANTONIO JUSTA- SEDAJ

    ResponderExcluir
  5. Amigo Jorge, esse artigo tinha passado despercebido e só pelo seu alerta que pude resgatá-lo, o que seria uma perda irreparável para mim ficar sem essas reflexões. Quando vejo formulações desse porte sinto uma espécie de "inveja branca" por não ter sido o autor. Assumo o compromisso espiritual de tais palavras. A postura que a Doutrina Espírita nos propõe (ou quem sabe até imponha) é necessariamente libertária, sem cumpadrismo(perdoem o neologismo) nem concessões que privilegiem uma falsa política de boa vizinhança, seja nos relacionamentos com os congeneres ou com as diversas formas de pensar. Evitar enxergar o outro como adversário não é a mesma coisa que calar a polêmica, sem a qual jamais poderemos encontrar o caminho da convicção. Tratar a mensagem espírita sem a antevisão de que ela é revolucionária é no mínimo falta de conhecimento de sua natureza. Roberto Caldas

    ResponderExcluir
  6. Agora o artigo está completo. Valeu, Roberto!

    ResponderExcluir
  7. Caro amigo Jorge, revisitei o artigo e não é que é isso mesmo meu companheiro. Ninguém larga a mão do outro. Roberto Caldas

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

CANDOMBLÉ, ESPIRITISMO E A LIBERDADE DE SER: O QUE A FALA DE MAJUR NOS ENSINA

  Por Wilson Garcia   A entrevista que a cantora Majur deu ao programa  Desculpa Alguma Coisa , com Tati Bernardi, vai muito além de um papo sobre música ou carreira. O que ela compartilhou ali é uma oportunidade rara para a gente refletir sobre coisas profundas: liberdade de consciência, identidade espiritual, pertencimento e intolerância religiosa.               Quando Majur conta como se aproximou do Candomblé, não está falando só de uma escolha religiosa. Ela fala de um processo de emancipação pessoal. Ao dizer que deixar o ambiente evangélico não significou abandonar Deus, mas sim se libertar de uma prisão, ela expõe algo que muita gente vive: a busca por uma espiritualidade que faça sentido com quem a gente realmente é.

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

CROMOTERAPIA NA CASA ESPÍRITA: UM SISTEMA SEM AMPARO NA CODIFICAÇÃO KARDEQUIANA

    Sala de cromoterapia no Colônia Fraternal Bom Jesus - Centro Espírita no Ipiranga (SP)   Por Jorge Hessen                Periodicamente ressurge no movimento espírita a tentativa de justificar a implantação da cromoterapia nas atividades da Casa Espírita, apoiando-se em referências de Joanna de Ângelis, especialmente na obra  Plenitude . Entretanto, essa interpretação não encontra respaldo na Codificação e desconsidera o método científico-doutrinário estabelecido por Allan Kardec.             Em  Plenitude , Joanna de Ângelis menciona a helioterapia e faz alusões à cromoterapia no contexto da preservação da saúde física e psíquica. Em nenhum momento, porém, recomenda sua adoção como prática institucional do Espiritismo. Há profunda diferença entre reconhecer a existência de um recurso terapêutico e convertê-lo em atividade da Casa Espírita.

O ESPIRITISMO DE VIDRO: O MEDO DO CONFLITO E A FALSA MANSIDÃO

       Por Jorge Luiz                    A Redoma de Vidro e o Estereótipo Anestesiado             Existe uma coreografia muito bem ensaiada nos salões do espiritismo hegemônico contemporâneo. Ela é composta por tons de voz milimetricamente sussurrados, sorrisos condescendentes que flutuam acima das misérias do mundo e uma gramática da passividade que confunde o torpor com a iluminação. Criou-se uma caricatura de santidade, um verdadeiro "espectro" encenado onde o indivíduo adota uma persona ritualística: distribui abraços, beijos e tapinhas nas costas dentro dos limites do centro espírita, mas desliga o afeto institucionalizado assim que cruza a porta de saída. Esse "bom espírita" tornou-se aquele sujeito plasticamente pacificado, incapaz de se alterar diante da injustiça, que assiste ao desmonte dos direitos sociais mais básicos da janela de seu apartam...

O ESPIRITISMO É PROGRESSISTA

  “O Espiritismo conduz precisamente ao fim que se propõe todos os homens de progresso. É, pois, impossível que, mesmo sem se conhecer, eles não se encontrem em certos pontos e que, quando se conhecerem, não se deem - a mão para marchar, na mesma rota ao encontro de seus inimigos comuns: os preconceitos sociais, a rotina, o fanatismo, a intolerância e a ignorância.”   Revista Espírita – junho de 1868, (Kardec, 2018), p.174   Viver o Espiritismo sem uma perspectiva social, seria desprezar aquilo que de mais rico e produtivo por ele nos é ofertado. As relações que a Doutrina Espírita estabelece com as questões sociais e as ciências humanas, nos faculta, nos muni de conhecimentos, condições e recursos para atravessarmos as nossas encarnações como Espíritos mais atuantes com o mundo social ao qual fazemos parte.

ILUMINANDO A CAVERNA (*)

Por Roberto Caldas (*) Platão (Atenas – 428 a 347 AC) numa de suas mais lidas obras, A República, transcreve um diálogo socrático que passou para a história como A alegoria da Caverna. Nesse diálogo o filósofo Sócrates (469 a 399 AC) conversa com Glauco a respeito da forma como se pode ver o mundo a partir das posições adotadas em determinadas circunstâncias. Ele fantasia uma caverna onde homens presos pelos pés e pela cabeça se encontram de costas para a abertura da mesma e só podem ver o mundo através das sombras projetadas em uma parede à frente criadas por uma fogueira que se encontra às suas costas. Daí eles nada vêem ou sabem além do que aquelas sombras projetam e a compreensão do mundo não passa senão das percepções que têm daquelas imagens. Então, uma daquelas pessoas é solta e levada para conhecer além das sombras projetadas, conhece o fogo que tinha às costas, vê as pessoas que passavam e tinham as suas imagens projetadas, alcança a abertura da caverna e e...

16.11 - DIA INTERNACIONAL DA TOLERÂNCIA

“Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” (Jesus, Mt, 22:34-40)                            John Locke (1632-1704), filósofo inglês, com o propósito de apaziguar católicos e protestantes, escreveu em 1689, Cartas sobre a Tolerância. Voltaire (1694-1778), filósofo iluminista francês, impactado com o episódio ocorrido em 1562, conhecido como Massacre da Noite de São Bartolomeu , marcado pelos assassinatos de milhares de protestantes, por fiéis católicos, talvez inspirado por Locke, em 1763, escreveu o Tratado sobre a Tolerância.             Por meio da  UNESCO¹, em sua 28ª Conferência Geral, realizada de 25.10 a 16.11.1995, com apoio da Carta das Nações Unidas que “declara a necessidade de preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra,...a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e...

OS ESPÍRITAS FAZEM PROSELITISMO?

  Por Francisco Castro (*) Se entendermos que fazer proselitismo é montar barracas em praça pública, fazer pessoas assinar fichinha, ou ter que fazer promessa de aceitar essa ou aquela religião? Por outro lado, se entendermos que fazer proselitismo significa fazer visitação porta a porta no sentido de convencer alguém, ou de fazer com que uma pessoa tenha que aceitar essa ou aquela religião? Ou, ainda, de dizer que essa ou aquela religião é a verdadeira, ou de que essa ou aquela religião está errada? Não. Não, os Espíritas não fazem proselitismo! Mas, se entendermos que fazer divulgação da existência da alma, da reencarnação, da comunicabilidade dos Espíritos, da Doutrina dos Espíritos, do Ensino Moral de Jesus e de que ele é modelo e guia da humanidade e não de certa parcela de uma nacionalidade ou de uma religião? A resposta é sim! Os Espíritas fazem proselitismo sim! Qual seria então a razão de termos essa grande quantidade de jornais e revistas espírita...

LOBISOMEM: MITO OU REALIDADE?

    Por Americo N. Domingos Filho   Na tradição oral, em âmbito mundial, há o relato fantástico de um ser que se converte em lobo, em noites de lua cheia, e, sedento de sangue, sai em busca de suas vítimas para sugá-las. Ao amanhecer, assume de novo as características de uma pessoa comum. Essa lenda revela um ser amaldiçoado, que se torna parte homem e parte lobo, produzindo muito temor, principalmente nas crianças e, igualmente, em muitos adultos, especialmente os moradores de áreas rurais.