Pular para o conteúdo principal

PENSAMENTO LINEAR E PENSAMENTO SISTÊMICO¹




Para o leitor ainda não familiarizado com os termos mundo newtoniano,  pensamento linear, mundo quântico e pensamento sistêmico, exponho a seguir alguns exemplos para que fiquem claros os seus contrastes.
No mundo newtoniano, que se sustenta no pensamento linear a regra era o “eu mando e você obedece”. No mundo quântico, que se sustenta no pensamento sistêmico, a regra é: “utilizemo-nos do diálogo para chegarmos a um consenso”.


Sob a vigência do pensamento linear a regra era o líder preservar o seu poder e controlar seus liderados. Sob a vigência do pensamento sistêmico a regra é: “utilizemo-nos do diálogo para que a liderança seja compartilhada e também para que o poder seja distribuído entre os membros da equipe”. Na atualidade em vez de controlar, cabe ao líder melhorar o relacionamento entre a equipe e criar ambiente que estimule a automotivação, pois não há necessidade de controlar o pessoal em ambiente em que reina a automotivação e o bom relacionamento.

Sob a vigência do pensamento linear a regra era o líder passar tarefas ao seu pessoal e culpá-los caso os resultados não fossem bons. Sob a vigência do pensamento sistêmico a regra é: “utilizemo-nos do diálogo para que os liderados especializem-se em utilizarem-se de processos em vez de executarem tarefas”. Quando os serviços são executados mediante processos, eventuais falhas são mais facilmente identificadas. E, em vez de culpar a pessoa por eventuais falhas, corrige-se o processo. A linguagem linear estimula a cultura do “achar o culpado”; a linguagem sistêmica estimula a cultura de “procurar a solução”.

Sob a vigência do pensamento linear a regra era que as decisões deveriam ser tomadas de cima para baixo. Sob a vigência do pensamento sistêmico descobriu-se que os colaboradores passam a ser mais comprometidos quando se sentem parte integrante das tomadas de decisão. Agora a regra é: “utilizemo-nos do diálogo para que os liderados enxerguem a real extensão dos problemas e dos desafios e os estimulemos a apresentarem estratégias ou soluções”.  Quando os serviços são executados por pessoas que ajudaram a formular suas estratégias, etapas e processos, o comprometimento é de natural consequência, assim como os bons resultados.

Sob a vigência do pensamento linear a regra era a competição pura e simples. Isto é, líderes de uma mesma empresa competiam entre si para provar a si mesmos - e também aos outros - sua superioridade! Sob a vigência do pensamento sistêmico a regra é: “utilizemo-nos do diálogo para que os líderes e também os liderados especializem-se em colaborar entre si, pois no complexo mundo atual descobriu-se que a soma das partes é maior que o todo”. O que em outras palavras significa que uma boa ideia é sempre menor do que soma da ideias de várias pessoas da equipe. Quando os serviços são executados com base na competição pode-se até conseguir bons resultados, no curto prazo. Mas se a organização pensar no longo prazo, a colaboração sempre será a melhor alternativa, pois, dentre outras vantagens, elimina os boicotes entre os trabalhadores da organização ou da instituição.

Em todos os exemplos acima, percebe o leitor que o pensamento sistêmico, produto do mundo quântico, tem o diálogo como sua base de apoio.
A seguir quadro comparativo das situações citadas.

PENSAMENTO LINEAR
PENSAMENTO SISTÊMICO
Liderança controladora sustentada no poder do líder.
Liderança compartilhada sustentada na distribuição do poder entre todos os integrantes da equipe.
O liderado executa tarefas.
O liderado executa processos.
Decisões são tomadas de cima para baixo.
Decisões são tomadas com a participação da equipe.
Competição.
Colaboração.




¹ extraído do trabalho "Como Implantar grupos de diálogos".

Comentários

  1. É um desafio para nós, que participamos de direção de casas espíritas.
    Muito esclarecedora e pertinente.
    Everaldo
    Viçosa do Ceará

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

TELEOLOGIA BIOSSOCIAL: A SOCIOBIOLOGIA DO REINO E A JORNADA DO ESPÍRITO

    Bota de Orwell   Jorge Luiz          A Escala da Consciência na Matéria Social A “bota pisando num rosto humano” é a famosa metáfora de George Orwell para apresentar uma visão sombria, pessimista e de pesadelo sobre o futuro da humanidade. No mundo de Orwell, não haveria emoções, mas tão somente medo, raiva, triunfo e humilhação. É o mundo de hoje. Por trás desse aparente caos, há uma harmonia que governa e se realiza a partir da tríade universal — Deus, Espírito e Matéria — como bem ensinam os Espíritos. Abraçando o elemento material, é necessário ajuntar o Fluido Cósmico Universal (FCU), conforme O Livro dos Espíritos (L.E.), questão nº 27. Do FCU, o Espírito elabora um invólucro semimaterial, vaporoso e sutil, que serve de ligação entre ele e o corpo físico; extraído do fluido universal do ambiente, ele dá forma ao Espírito, permitindo sua ação, percepção de sensações e manifestação (L.E., Q. 94), denominado por Ka...

GUERRA CULTURAL – COMO INVENTAR INIMIGOS E MANIPULAR PESSOAS

     Por Maurício Zanolini        O escritor George Orwell, pouco antes do final da II Guerra Mundial, criou uma fábula para contar a revolução bolchevique que implantou um comunismo na Rússia e seus desdobramentos. No livro A Revolução dos Bichos somos apresentados aos animais da Granja do Solar, que cansados da exploração dos humanos, fazem uma revolução proletária, que começa romântica, igualitária e fraterna, e vai ficando cada vez mais sombria, autoritária e violenta.

MORFOGÊNESE DO REINO: O "EN MARCHE!" DE CHOURAQUI E O MANIFESTO DE MYERS

  Imagens de IA   Por Jorge Luiz       O VERBO EM MARCHA: A Exegese de Chouraqui e a Morfogênese do Reino Este capítulo abandona a ideia de Reino como "lugar" e o apresenta como "processo biológico e social".             A polêmica joanina de que o “Verbo se fez carne” – João 1:1-14 –, que faz parecer, implicitamente, que há uma identificação entre Deus e Jesus, mereceu uma atenção especial de Allan Kardec, embora só tenha se tornada pública após a sua desencarnação.             Tão controversa que, somente no IV século uma parte da Igreja a adotou. Vê-se que, a decisão foi dos homens e não uma revelação divina, já que não foi o próprio Jesus que a considerou, tão somente, João, o evangelista.             Carlos Pastorino também a analisou azeitando ainda mais as considerações de Kardec,...

CONVICÇÃO OU COAÇÃO?

    Por Doris Gandres           Neste momento em que vivemos, presenciando cotidianamente um bombardeio de informações massacrantes, informações de todo tipo, de origens as mais variadas, inclusive de pessoas e grupos considerados pelo que chamam “massa” como “inquestionáveis”, arquitetadas para doutrinar mentes de tal maneira a seu modo, pensando (?) e agindo conforme seus interesses pessoais de poder e domínio, me pergunto onde se enterrou a liberdade de pensamento, de questionamento, de análise, como a própria criatura se permitiu tal abuso e se entregou?             Terá existido na humanidade, em algum momento, uma convicção espontânea, sincera, nascida em seu íntimo, sem nenhuma influência externa, apenas fruto de observação atenta e crítica? Talvez à época mais rudimentar do ser humano, ainda rude e bruto, somente preocupado em sobreviver nas precárias condições de seu tempo – o que...

O CENTRO ESPÍRITA: O QUE PENSOU KARDEC

                         Representação gráfica de uma sessão na SPEE (créditos: CCDPE-ECM ) Por Jorge Luiz                  Em Salvador, 1865, foi fundado o primeiro centro espírita no Brasil, por Luis Olímpio Teles de Menezes, denominado Grupo Familiar do Espiritismo. Teles ficou conhecido pelas polêmicas travadas pelos representantes locais da Igreja Católica. Em 1866, Teles publicou O Espiritismo – Introdução ao estudo da doutrina espirítica, a partir de extratos de O Livro dos Espíritos. Somente sete anos depois (1873) irá surgir no Rio de Janeiro a segunda instituição espírita – O Grupo Confúcio, que foi o responsável pela primeira tradução das obras de Allan Kardec.

É HORA DE ESPERANÇARMOS!

    Pé de mamão rompe concreto e brota em paredão de viaduto no DF (fonte g1)   Por Alexandre Júnior Precisamos realmente compreender o que significa este momento e o quanto é importante refletirmos sobre o resultado das urnas. Não é momento de desespero e sim de validarmos o esperançar! A História do Brasil é feita de invasão, colonização, escravização, exploração e morte. Seria ingenuidade nossa imaginarmos que este tipo de política não exerce influência na formação do nosso povo.

O FUNDAMENTALISMO E A EXTREMA DIREITA¹

  Por Dora Incontri A breve entrevista com as senhoras apoiadoras de Bolsonaro no domingo, publicada e comentada por meio mundo, e que teve a incrível fala – “apoio Israel porque sou cristã” – diz muito sobre a extrema direita e o fundamentalismo religioso. Tal fundamentalismo – que é sinônimo de fanatismo – tem algumas características constantes, presentes em todas as religiões. O seu apego à letra e não ao espírito, de uma tradição espiritual, portanto, leitura literal, sem interpretação de texto, sem contextualização, acrítica. A escolha e até a adaptação dessa leitura ao que há de mais opressor, conservador e por isso destoante de uma visão aberta, acolhedora, fraterna, compassiva. O fundamentalismo é alimentado por líderes perversos, interesseiros e hipócritas e aceito e multiplicado por pessoas simplórias, emocionalmente vulneráreis, sem base cultural – como essas senhorinhas da citada entrevista. Oportunismo e perversidade de um lado, ingenuidade e ignorância de outro.

PACTO ÁUREO?

Por  Jorge Hessen (*)   Outubro de 2014 - 65 anos do Pacto Áureo Os primórdios do “espiritismo” De conformidade com as fontes compulsadas, identificamos os primórdios do movimento “pré-espírita” brasileiro nas experiências dos partidários do mesmerismo (1). Dentre os seus adeptos, encontramos os médicos homeopatas Benoît Jules Mure (francês) e João Vicente Martins (português). Ambos chegaram ao Brasil em 1840. Havia mais apaixonados pela técnica de Mesmer, a exemplo de José Bonifácio de Andrada e Silva (o “Patriarca da Independência”), igualmente adepto à homeopatia, e Mariano José Pereira da Fonseca (Marquês de Maricá), este último publicou um livro de essência “pré-Codificação espírita, em 1844. O “Espírito” Humberto de Campos explanou em “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho” (*) que Benoît Jules Mure e João Vicente Martins “fariam da medicina homeopática verdadeiro apostolado. Muito antes da codificação espírita já conheciam os tran...