domingo, 2 de novembro de 2014

MORTE E VIDA






Por Francisco Cajazeiras (*)


Cena da novela "Amor Eterno Amor"
Respeitar os despojos mortais do ente querido que atravessou os portais da morte é atitude aceitável, saudável e até elogiável;
Mas tomá-los pela consciência imortal, paralisando-se em sintonia e preocupação demasiadas com eles é comportamento incompatível com a razão, na realidade última e vera da vida.

Pensar no familiar ou no companheiro que partiu no cumprimento vital do fenômeno biológico da morte como um finado, somente é admissível no sentido de epílogo de sua experiência carnal, jamais como seu aniquilamento, sua nadificação ou sua ausência eterna e irremissível.


Prantear e entristecer-se com a separação e a saudade inexoráveis e decorrentes do advento do túmulo que se manifesta por símbolo de morte e ruptura dos laços familiares e sociais desta vida ilusória e efêmera é atitude humana, compreensível, aceitável e até desejável.

Mas desesperar-se e desequilibrar-se na vida que se segue, enveredando pela estrada inditosa do luto patológico, da descrença inconsolável e da negação da vida, em isolamento permanente e abandono da lida existencial, costuma refletir estado psíquico regressivo e adoecimento a requererem terapia.

A vida é muito mais que um corpo perecível.
O amor é bem mais forte e permanente que uma separação.
Os laços de afeto têm o dom de nos manter unidos para sempre.
A morte é só fenômeno do corpo, roupagem temporária da alma.
O desespero reflete enfermidade d'alma, a clamar consolo na fé.

Deus é vida e não geraria a morte, senão como relatividade e promoção para a vida maior e plena. Morrer é simplesmente superar as injunções existenciais, na comprovação do sentimento inato de sobrevivência, inscrito indelevelmente no imo mais profundo de cada criatura.

*****

Faze da dor, da saudade e da tristeza apenas tributo momentâneo aos que te antecederam na grande viagem; mas transforma-as viris em tributo eterno de vida e de certeza, de amor e de renovação para o encontro futuro, ofertando-o ao ser amado como reconhecimento de sua vitalidade post-mortem.


(*) escritor e orador espírita, presidente do Instituto de Cultura Espírita do Ceará e da AME-Ceará, autor das obras: Valor Terapêutico do Perdão, Eutanásia (Enfoque Espírita), Bioética, Existe Vida depois do casamento....?, dentre outras.


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