quinta-feira, 27 de junho de 2013

RELIGIÃO: NEUROSE OBSESSIVA?





“(...) retornemos agora à questão das doutrinas religiosas.
Podemos agora repetir que todas elas são ilusões e insuscetíveis
de prova.
(...) Assim, a religião seria a neurose obsessiva
universal da humanidade.(...)”
(Sigmund Freud)


            Por Jorge Luiz (*)



           


Em ensaio publicado com o título “O Futuro de uma Ilusão” Sigmund Freud, pai da psicanálise, tenta demonstrar que a religião não passa de uma ilusão; uma neurose obsessiva da Humanidade.

A publicação provocou questionamentos e levou o pastor e psicanalista Oskar Pfister à discordância, também dentro do âmbito psicanalítico – “A ilusão do futuro”-, que se desenvolveu em um embate amigável, publicado no Brasil sob o título de Cartas entre Freud & Pfister.
         Interessante notar que Freud define ilusão diferente do usual – conotações de engano ou invalidade -, mas da seguinte forma: “Uma ilusão não é a mesma coisa que um erro: tampouco é necessariamente um erro. (...) Podemos, portanto, chamar uma crença de ilusão quando uma realização de desejo constitui fator proeminentemente em sua motivação e, assim procedendo, desprezamos suas relações com a realidade, tal como a própria ilusão não dá valor à verificação.

            Ora, o que Freud condena é a religião apoiada em uma fé cega, que não cogita e aceita tudo como mistério desta fé, o que não deixa de ser uma ilusão. Allan Kardec a este respeito considera: “A fé cega nada examina, aceitando sem controle o falso e o verdadeiro, e, cada passo, se choca com a evidência da razão. Levada ao excesso produz o fanatismo.”
            Os conceitos técnico-mecanicistas freudianos não deixam de ser compreensíveis se considerarmos o período histórico em que surge com a psicanálise, bem como seu contexto social. A psicanálise não deixa de ser um postulado sem dúvida reacionário, visto que hoje muitos dos seus conceitos já se encontram superados.
            A visão da psicanálise é reducionista, vez que se circunscreve à investigação de padrões do funcionamento da mente e do comportamento humano. A conclusão ofertada por Freud resulta de “visão de túnel”, pois não se deteve em questões estruturais da individualidade humana. O que favoreceu a esta conclusão foi a real ruptura entre a cosmovisão de Deus para a cosmovisão científica.
            A partir da década de 80 do século passado o que se tratava como neurose acha-se diluído em outras denominações classificadas como transtornos.
            A sintomatologia da neurose obsessiva passa por pensamentos e comportamentos cheios de superstições mágicas, idéias e condutas que comprometem a sua vida de relação, pois fazem o contrário daquilo que pensam. Por não se saber diferenciar religiosidade de religião, como instituição, ocorre em equívocos da espécie.
            A religiosidade do ser humano é “o selo do Criador” na individualidade espiritual. Resultado de experiências palingenésicas, se expressa em cada Ser de forma diferenciada. Tentar enquadrá-la em normatizações dogmáticas institucionais, forçosamente conduzirá o indivíduo a processos de alienações.
            O prof. Herculano Pires a seu turno afirma: “As aspirações da alma se chocam diferentemente, em cada indivíduo, com as exigências biológicas da espécie. Uns trazem a tendência mística predominante, outros o impulso vital incoercível. Entre esses extremos há numerosas expressões intermediárias. (...) Querer inverter essa estrutura psicobiológica através de votos, juramentos, rituais e outras medidas exteriores é provocar conflitos imprevisíveis, que pode levar o indivíduo a desequilíbrios profundos.”   
            Já o psiquiatra austríaco Viktor Frankl, pai da logoterapia, convergindo para o pensamento espírita, inverte o diagnóstico de Freud ao afirmar que a neurose obsessiva é que seria a religiosidade psiquicamente doente.
            Analisando os conceitos apresentados é fácil de concluir que há religiões que contribuem para o equilíbrio psicossocial do indivíduo, para um crescente encontro do Si consigo próprio, e outras que, ao contrário, produzem fraturas neste aspecto. Portanto, como identificar uma religião sadia, que contribua para a capacidade de pensar e criar, favorecendo ainda a saúde mental do indivíduo?
            Olhando para o passado e presente é fácil de identificar quando a religião é utilizada de forma mortífera e sendo extremamente destrutiva para o ser humano.
            Acredito para que a religião atenda aos seus objetivos sagrados, construindo a solidariedade e a fraternidade universal, deve responder racional e comprovadamente às três indagações básicas do indivíduo: da sua natureza; da sua origem e da sua destinação.
            O Espiritismo atende a todas estas exigências e favorece concepção avançada do Homem ensejando fé racional, investigativa e propicia evolução de todos os conceitos da psique humana, favorecendo ao Ser à compreensão periódica a respeito dos valores reais e aparentes, bem como a meditação dos objetivos da vida, proporcionando a sua harmonia interior.
            A espiritualidade no mundo tem que passar necessariamente pelos postulados espíritas, ou não será genuinamente, espiritualidade.

(*) livre-pensador e voluntário do Instituto de Cultura Espírita - ICE.

Um comentário:

  1. O espiritismo é libertador em qualquer circunstância de nossas vidas.

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