domingo, 16 de setembro de 2012

ADVERSÁRIOS E JUÍZ... QUEM SÃO?



“Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão. Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil”. Mateus (5:25-26)

 Por Roberto Caldas  (*)



                A Doutrina Espírita nos inspira a identificar nas palavras de Jesus uma mensagem que não ficou estagnada à época em que foi proferida. Ele próprio nos chama a atenção para essa verdade quando assevera que o Céu e a Terra haverão de passar, mas NÃO AS SUAS PALAVRAS. Cabe-nos como os cristãos modernos, enriquecidos pela luz esclarecedora do Espiritismo, o aprendizado de avaliarmos as suas assertivas em um contexto que faça justiça aos conhecimentos absolutamente superiores que nortearam todas as sentenças que porventura tenha expressado.
Nesse contexto é possível considerar que jamais houve em Jesus qualquer intenção de colocar em mãos alheias o controle sobre as nossas vidas e destinações. Os seus ensinamentos buscavam incansavelmente o ajuste individual para fazer frente às responsabilidades diante dos próprios atos, conforme se encontra descrito em Mateus 16:27. A lógica se contrapõe a entendermos ao pé da letra que Jesus tenha se referido aos termos adversários e juiz dentro da compreensão trivial que fazemos delas.
Segundo a Doutrina Espírita quem os nossos adversários são as pessoas que caminham ao nosso lado?  E ainda sob o mesmo prisma há um juiz para nos condenar a qualquer destino? A resposta para ambas as perguntas é NÃO, a Doutrina Espírita nos provê de conhecimentos tais que nos impele de considerar que os adversários que o Evangelho propõe não são senão os próprios enganos que cometemos quando estamos a caminho de nossas finalidades espirituais, enquanto o juiz é a concepção ampliada do TEMPO.
Dispondo em nossas mãos a concepção da Reencarnação como uma sucessão de experiências que nos associa ao comprometimento com as próprias atitudes, em qualquer época da nossa existência, o Espiritismo ensina que o Tempo é o maior bem que temos em nossas mãos. A associação do Tempo com os nossos erros e acertos é que nos permite a confecção do caminho mais ou menos longo que escolhemos para realizar a trajetória da ignorância à angelitude, ou como disseram os Espíritos na questão 540 de O Livro dos Espíritos (“...desde o átomo primitivo até o arcanjo que começou pelo átomo”).
A encarnação é uma nova oportunidade que temos em mãos para olharmos frente a frente os nossos adversários interiores representados pelas dificuldades de entendimento e aceitação dos processos que implicam o aprendizado indutor da renovação de atitudes. Não sabemos quanto anos de caminhada em cada existência está reservado para o corpo que nos serve de morada, escola e às vezes até de prisão. Aí surge o Tempo como o juiz implacável que nos trata com rigor e imparcialidade, de forma equânime, sem jamais cometer nenhum tipo de injustiça nem abrir precedente a quem quer que seja passando de forma igual para todas as pessoas.
Segundo nos ensina a Doutrina Espírita, em minha modesta opinião pessoal em Mateus (5:25-26), Jesus nos adverte a tomar cuidado com os próprios erros para que não suceda o malogro da encarnação que temos em mãos na presente caminhada.       

(*) Roberto Caldas é voluntário do Centro Espírita Grão de Mostarda

3 comentários:

  1. Orai e Vigiai. Nossa reforma íntima! Muito Obrigado. Até a próxima!

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  2. Excelente artigo, pois, que vem a nos lembrar porque estamos por aqui. A terra nos oferece a escola que precisamos.

    Muita paz a todos!

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