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PENSAMENTO E LIBERDADE

 

 

Por Roberto Caldas

A complexidade subjetiva de uma pessoa é uma plataforma de estudos que desafia a inteligência humana desde as mais antigas civilizações, essas se constituindo em um caminho que intenta combater a barbárie e assim elevar a condição de um grupo social à prática do respeito mútuo e da coexistência pacífica.

            Buscando conceitos que norteiem o equilíbrio entre o Pensamento (ato, faculdade de pensar) e Liberdade (direito de um indivíduo proceder conforme lhe pareça, desde que esse direito não vá contrário o direito de outrem e esteja dentro dos limites da lei) foi importante a consulta ao Dicionário Priberam da Língua Portuguesa.

            Capturando a opinião dos Espíritos que auxiliaram na Codificação a respeito desse binômio, O Livro dos Espíritos (q. 833) vem em socorro à discussão na pergunta e resposta que se seguem: “Há no homem qualquer coisa que escape a todo constrangimento, e pela qual ele goze de uma liberdade absoluta? - É pelo pensamento que o homem goza de uma liberdade sem limites, porque o pensamento não conhece entraves. Pode-se impedir a sua manifestação, mas não aniquilá-lo”.

            A Declaração Universal dos Direitos Humanos (Assembleia Geral das nações Unidas – em 10/dezembro/1948) traz a sua inestimável contribuição ao asseverar em seu Artigo 18: “toda pessoa tem o direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos”.

Nos ensinamentos de grandes mestres da humanidade também é possível encontrar orientações que tratam dessas variáveis. Buda fala em verso sobre os dilemas de cada individualidade (Buda Dhammapada – verso 228): “Não há, nunca houve, nem nunca haverá um homem que seja sempre censurado, ou um homem que seja sempre louvado”.  Jesus eleva o debate quando deduz um patamar de pensamento que trafega em consciência ampliada e expõe (João 8:32): “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

Apesar de todas as dificuldades enfrentadas por homens e mulheres (ambos Espíritos encarnados) na defesa de suas posições científicas e filosóficas diante dos debates do mundo é uma necessidade dos novos tempos que se crie um ambiente favorável ao florescimento de uma cultura de Paz e Inclusão, numa fusão de mentes que busquem tornar o mundo mais adequado ao convívio de diferentes que conspiram com o bem estar comum. Na 1ª Epístola de Pedro (2:16) há uma conclamação que sugere essa possibilidade: “Vivam como pessoas livres, mas não usem a liberdade como desculpa para fazer o mal; vivam como servos de Deus”. 

Impossível negar-se a quem quer que seja a liberdade do pensar, mas o propósito de gerar uma onda de renovação no mundo passa pelo cultivo do pensamento construtivo e da liberdade que respeita os limites da individualidade sem transgredir a condição de terceiros. Essa a lição da verdadeira fraternidade para aqueles que desejam transformar a Terra num espaço de convivência harmoniosa a partir pensamentos e atitudes saudáveis. 

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