Pular para o conteúdo principal

O MOVIMENTO ESPÍRITA BRASILEIRO HEGEMÔNICO FEDERATIVO INSTITUCIONALIZADO E O SILÊNCIO ANTIDEMOCRATICO¹

 


Por Alexandre Júnior

O Movimento Espírita Brasileiro Hegemônico Federativo Institucionalizado é solo fértil para o fundamentalismo religioso, falta de senso crítico, reprodução de conteúdo, e produção de ídolos. Em contraponto, é essencial investir em um movimento pensado e produzido dentro da sociedade de seu tempo para dialogar com as diversas culturas formadoras de nosso povo, ao invés do costumeiro silêncio.

Não é de hoje que assinalamos a necessidade de o Movimento Espírita Brasileiro Hegemônico Federativo Institucionalizado precisar urgentemente tratar das questões político-sociais, sob pena de, além de poder produzir alienação na negação da referida discussão, se tornar omisso, e, em assim sendo, não trabalhar contra a instauração do caos social em nosso país.

Recentemente a Federação Espírita Brasileira (FEB) lançou uma nota se colocando contrário aos atentados terroristas, ocorridos nos prédios dos três poderes de nossa pátria no último dia 8 de janeiro de 2023. Posicionamento importante, porém, sem a contundência exigida para a gravidade do momento, e tardio, já que poderia ter sido feito em relação às ações que o antecederam, posto que serviram de base para o mencionado ataque à sede dos poderes brasileiros!

Encontraremos entre os espíritas aqueles que dirão: “antes tarde do que nunca”. Mas, refletindo sobre este extemporâneo manifesto, especificamente, percebemos as dores, angústias e mortes impostas a uma parcela significativa de nossa sociedade, e, no mesmo período, o silencio perturbador das Federativas Espíritas, inclusive a aqui citada.

Os descalabros promovidos pelo governo Bolsonaro, e, pessoalmente, pelo ex-presidente, foram muitos, durante a gestão, e culminaram, no dia 8 de janeiro de 2023, nos ataques terroristas ao Palácio do Planalto, ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal, (STF). Ou seja, foram direcionados à representação dos três poderes de nossa Pátria, não nos esquecendo de que ela, a Pátria, é de todos os brasileiros, e não dos “patriotas” violentos, negacionistas, truculentos e fascistas.

As desventuras do referido ex-governante também não começaram com a relativização de uma pandemia que ceifou a vida de 700 mil brasileiros, negociando valores superfaturados na compra de vacinas, defendendo remédios ineficazes e prejudiciais à saúde, quando usados de forma inadvertida.

Este infortúnio não começou com a crise humanitária a que foi submetido o povo Yanomami nem, tampouco, quando o já citado ex-presidente decretou autorização para os garimpos ilegais funcionarem. Mas este fato absurdo, aviltante, de comprovada leviandade contra a vida deste povo originário, caracteriza além de degradação moral, crime contra humanidade. Aqui o silêncio novamente se fez!

Este cenário social infame não foi inaugurado com a morte de Bruno Pereira e Dom Phillips, nem de Marielle Franco e Anderson Gomes! Mais silêncios que agrediram os nossos ouvidos e os nossos corações.

Preferem, então, os espíritas do segmento majoritário falar do aborto, distorcendo as leis e complicando a compreensão das pessoas sobre o tema. O aborto é um tema de saúde pública e, como tal, precisa e deve ser tratado como questão de saúde pública, e não a partir de falsos moralismos, que produzem votos ou promovem a manutenção do status quo para qualquer agente governamental ou ente federativo.

Se faz imperioso compreender a necessidade de produzirmos uma pauta sobre o aborto que leve em consideração as Ciências, inclusive as Humanas, e desta maneira, descermos do pedestal da arrogância que caracteriza uma parte significativa do Movimento Espírita Brasileiro Hegemônico Federativo Institucionalizado. Este, mais preocupado em ser a “terceira revelação” e de conferir ao nosso país o dístico de ser o “Brasil coração do mundo e pátria do evangelho”, parece ter perdido completamente a sensibilidade com as questões humanas e sociais e a própria relação com a realidade. Os movimentos intitulados de “pró-vida”, acabam sendo na realidade movimentos “pró-vida intrauterina”. Portanto, após o nascimento, basta apenas continuarmos abastecendo de cestas básicas seus corpos pretos, indígenas, femininos e LGBTQIAP+, sem esquecer do pão e da sopa. Afinal de contas, se ouve constantemente em relação a eles que “boa coisa não foram para passar por isso nesta encarnação”.

E assim vamos renunciando a todas as nossas responsabilidades sociais, vivendo uma perspectiva de mundo a partir do mundo espiritual, desprezando a necessidade e importância das relações sociais e criando um mundo desconectado da realidade, alimentando as Colônias Espirituais formadas por “homens de Bem”, brancos, héteros, classe média e “patriotas”.

Este cenário social desolador não principiou com o voto a favor do impeachment de uma presidenta democraticamente eleita, que na verdade era a representação de um golpe jurídico midiático parlamentar. Lembremos que, na sessão legislativa que apreciou o impedimento da governante, o ex-presidente fez destacada homenagem, exaltando a figura de Carlos Alberto Brilhante Ustra, um torturador dos piores que o nosso país produziu. Ou, ainda, bradou que “Precisamos fazer um trabalho que o regime militar não fez, matando uns 30.000”. Também quando o mesmo disse a uma mulher, a Deputada pelo Rio Grande do Sul, Maria do Rosário: “Ela não merece [ser estuprada] porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria. Eu não sou estuprador, mas, se fosse, não iria estuprar, porque não merece”.

A mesma FEB que defende não se falar de política em ambientes espíritas, permaneceu em sepulcral silêncio quando o médium Baiano Divaldo Pereira Franco chamou Sérgio Moro – sabidamente um juiz parcial – de “paladino da justiça”. Manteve-se em igual silêncio quando o referido médium fez descabidas e desinformadas declarações sobre “ideologia de gênero”. O que nos faz pensar: ou a referida federativa assim como o Senhor Divaldo Franco, não entende dos assuntos em destaque, ou concorda com suas análises. Ou, então e ainda, o médium se tornou maior do que o órgão federativo, não podendo desta maneira ser questionado.

Podemos chamar os atos terroristas de 8 de janeiro, como a morte de uma crônica anunciada, porque esta nota de repúdio “febiana”, por mais que seja importante, a partir das análises aqui produzidas, nos leva a crer que veio tarde. O silêncio ensurdecedor produzido, desde a sua fundação em 2 de janeiro de 1884, mas em especial nestes últimos sete anos é no mínimo conivente com tudo que está acontecendo nos dias de hoje.

O Movimento Espírita Brasileiro Hegemônico Federativo Institucionalizado foi e está sendo tomado de assalto por espíritas bolsonaristas, se é que seja possível esta combinação, e a facilitadora (FEB) não vê, finge não ver ou compactua com as mesmas ideologias defendidas pelo ex-mandatário e seus seguidores. Em assim procedendo, torna este referido movimento solo fértil para o fundamentalismo religioso, a falta de senso crítico, a reprodução de conteúdo e a produção de ídolos.

Sendo assim, urge a necessidade de um Movimento Espírita que, pensado e produzido dentro da sociedade de seu tempo, dialogue com as diversas culturas formadoras de nosso povo, interaja com todas elas e seja capaz de propor diálogo ao invés de silêncio; acolhimento ao invés de julgamento; e amor ao invés da política de ódio, considerado este um amor representativo, composto de toda a diversidade que nos forma enquanto brasileiros. Que seja, deste modo, diverso, verdadeiro e pleno, com toda a força que nos for possível sentir!

 

 

¹ publicado originalmente em Espiritismo com Kardec - ECK

Comentários

  1. “boa coisa não foram para passar por isso nesta encarnação”
    Esta é uma frase, ou melhor, uma sentença de condenação. O autor discorre sobre os passos da institucionalização dos Espiritismos no Brasil. Fato que resulta num embotamento da capacidade crítica dos espíritas. Assim, as Casas Espíritas e seus trabalhadores, possuem uma compreensão muito particular do que seja "responsabilidade social". E, a partir disto, assumem as "pautas conservadoras" reinantes e subliminares da Sociedade Brasileira. E a conclusão? Não vejo nestas Instituições, mas no comprometimento, gradativo, por parte dos espíritas, que se conscientizem da real necessidade da atuação política na Sociedade.

    ResponderExcluir
  2. O movimento espírita precisa ser progressista. Não é admissível tanto atraso em relação às pautas sociais.

    ResponderExcluir
  3. O movimento Espírita Brasileiro, não é de hoje, tornou-se um campo fértil para uma mensagem alienante e alienada. Com um discurso fácil, com o lema "Fora da caridade não a salvação", fechou-se para as urgências sociais e a demanda cada vez mais premente de uma política socialista.
    Fechada em seu castelo, as federadas tornou-se um criadoro de espíritas fundamentalistas e mediuns que não podem ser contestados, e muito menos submetidos às orientações do próprio Allan Kardec.
    Quero parabenizar ao amigo Alexandre por este texto de imensa lucidez.

    ResponderExcluir
  4. Mais um excelente texto. Mais uma excelente reflexão. Parabéns, Alexandre Júnior!

    ResponderExcluir
  5. Excelente provocação! Precisamos pra ontem pensar pelas nossas próprias cabeças, sair da bolha alienante que nós permitimos colocar e pensar convergente com a DE de forma livre e isentos de dogmas. Obrigada Alexandre. Eurilene - Gurupi TO

    ResponderExcluir
  6. Parabéns! Alexandre Jr, pelo seu empenho e preciosa dedicação.

    ResponderExcluir
  7. Excelente !!! Precisamos SEMPRE nos posicionar contra todos os males!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

REFORMA ÍNTIMA OU ÍNFIMA?

  Por Marcelo Teixeira Quando resolvi que iria escrever sobre a tão incensada reforma íntima, um dos assuntos que figuram nos “trend topics” do movimento espírita conservador (só deve perder para o bônus-hora), fiquei pensando por qual caminho iria. Afinal, tudo que se fala acerca do assunto está nos moldes convencionais. Com o passar dos dias, no entanto, percebi que seria viável começar justamente pelo que dizem os autores e palestrantes tradicionais. Encontrei, então, num artigo publicado no site “Amigo espírita” e assinado por “o redator espírita”, os subsídios que procurava para o pontapé inicial. O artigo se chama “Autoconhecimento e reforma íntima no contexto espírita: um caminho de transformação espiritual”. Ele argumenta que a dita reforma passa antes pelo autoconhecimento, ou seja, precisamos conhecer nossas fraquezas, virtudes, tendências e desejos e, gradualmente, substituindo vícios por virtudes. Nas palavras do autor, “um processo contínuo e dinâmico, que exige esfo...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

MOINHOS DE GASTAR GENTE: DO DIAGNÓSTICO DO BURNOUT AO "CRISTO MÁGICO" DAS MULTIDÕES

  Panorâmica do evento que reuniu 2.500 homens na Paróquia da Glória - Fortaleza CE.   Jorge Luiz   O Diagnóstico da Falência: A Mutilação em Números             Os dados do Ministério da Previdência Social e do Ministério Público do Trabalho (MPT) revelam um cenário de terra arrasada: um aumento alarmante de 823% nos afastamentos por Burnout e um salto de 438% nas denúncias relacionadas à saúde mental. Entretanto, esses números são apenas a ponta de um iceberg vinculado ao emprego formal; a realidade nacional é ainda mais perversa se olharmos para as periferias, onde multidões sitiadas pela privação e pela ausência de esperança acabam cooptadas pelo apelo à misericórdia divina das igrejas. Diante desse quadro, a recente atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) pelo Governo Federal surge como uma confissão oficial de que o ambiente corporativo se tornou patogênico. Contudo, as novas punições por ris...

O APLAUSO NAS INSTITUIÇÕES ESPÍRITAS

  “O aplauso é tão oportuno quanto o silêncio em outros momentos, de concentração e atividade mediúnica, ou o aperto de mãos sincero, o abraço, o beijo, o “muito obrigado”, o “Deus lhe pague”, o “até logo”… ***  Por Marcelo Henrique Curioso este título, não? O que tem a ver o aplauso com as instituições espíritas? Será que teremos que aplaudir os palestrantes (após suas exposições) ou os médiuns (após alguma atividade)? Nada disso! Não se trata do “elogio à vaidade”, nem o “afago de egos”. Referimo-nos, isto sim, ao reconhecimento do público aos bons trabalhos de natureza artística que tenham como palco nossos centros. O quê? Não há apresentações artísticas e literárias, de natureza cultural espírita, na “sua” instituição? Que pena!

O CAMBURÃO E A FORMA-MERCADORIA: A ANATOMIA DE UMA EXCLUSÃO ÉTICA

      Por Jorge Luiz   A Estética do Terror O racismo estrutural não é um ato isolado, mas uma relação social que estrutura o Brasil. Quando a sociedade aceita que "bandido bom é bandido morto" , ela está, na verdade, validando que a vida de um homem negro periférico tem menos valor. Pesquisas indicam que, apesar de a maioria dos brasileiros reconhecer o racismo, a aplicação da frase seletiva perpetua desigualdades históricas de raça e classe, com a mídia e o sistema de segurança muitas vezes reforçando essa lógica. Um caso chamou a atenção da sociedade brasileira, vista nos órgãos de imprensa e redes sociais, de D. Jussaara, uma diarista que foi presa e contida de forma violenta pela Polícia Militar na Avenida Paulista, em São Paulo, após ir ao local cobrar diárias de trabalho que não haviam sido pagas por antigos patrões. O caso gerou grande indignação nas redes sociais. A trabalhadora recebeu apoio e foi recebida no Palácio do Planalto após o ocorrido.

ALLAN KARDEC, O DRUIDA REENCARNADO

Das reencarnações atribuídas ao Espírito Hipollyte Léon Denizard Rivail, a mais reconhecida é a de ter sido um sacerdote druida chamado Allan Kardec. A prova irrefutável dessa realidade é a adoção desse nome, como pseudônimo, utilizado por Rivail para autenticar as obras espíritas, objeto de suas pesquisas. Os registros acerca dessa encarnação estão na magnífica obra “O Livro dos Espíritos e sua Tradição História e Lendária” do Dr. Canuto de Abreu, obra que não deve faltar na estante do espírita que deseja bem conhecer o Espiritismo.

SILÊNCIO, PODER E RESPONSABILIDADE MORAL: A JUSTIÇA ESPÍRITA E A ÉTICA DA PALAVRA NÃO DITA

  Por Wilson Garcia   Há silêncios que protegem. Há silêncios que ferem. E há silêncios que governam. No senso comum, o ditado “quem se cala consente” traduz uma expectativa moral básica: diante de uma interpelação legítima, o silêncio sugere concordância, incapacidade de resposta ou aceitação tácita. O direito moderno, por sua vez, introduziu uma correção necessária a essa leitura, ao reconhecer o silêncio como garantia individual — ninguém é obrigado a produzir provas contra si. Trata-se de um avanço civilizatório, pensado para proteger o indivíduo vulnerável frente ao poder punitivo do Estado. O problema começa quando esse direito — concebido para a assimetria frágil — é apropriado por indivíduos ou instituições fortes, que não se encontram em situação de coerção, mas de conforto simbólico. Nesse contexto, o silêncio deixa de ser defesa e passa a ser estratégia. Não responde, não esclarece, não corrige — apenas espera. E, ao esperar, produz efeitos.

NEM SÓ DE PÃO VIVE O HOMEM¹

Devidamente documentada em Lucas (IV; 04) a ocasião em que Jesus adverte aos circunstantes: “nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus”. Há de se intuir das palavras do Mensageiro da Paz a importância do alimento do corpo sem que perdesse a oportunidade para ressaltar a essencialidade da nutrição para a alma. À parte a questão da manutenção do corpo, assaz importante, compete que se considerem os caminhos que conduzem à descoberta dos nutrientes que saciam o apetite de espiritualidade presente em cada elemento humano, o qual se apresenta de forma diversificada entre os que creem e os que buscam algo para crer. Justamente em Genesis (II: 17) se encontra a indicação dessa fonte: “... Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás”.

09.10 - O AUTO-DE-FÉ E A REENCARNAÇÃO DO BISPO DE BARCELONA¹ (REPOSTAGEM)

            Por Jorge Luiz     “Espíritas de todos os países! Não esqueçais esta data: 9 de outubro de 1861; será marcada nos fastos do Espiritismo. Que ela seja para vós um dia de festa, e não de luto, porque é a garantia de vosso próximo triunfo!”  (Allan Kardec)                    Cento e sessenta e quatro anos passados do Auto-de-Fé de Barcelona, um dos últimos atos do Santo Ofício, na Espanha.             O episódio culminou com a apreensão e queima de 300 volumes e brochuras sobre o Espiritismo - enviados por Allan Kardec ao livreiro Maurice Lachâtre - por ordem do bispo de Barcelona, D. Antonio Parlau y Termens, que assim sentenciou: “A Igreja católica é universal, e os livros, sendo contrários à fé católica, o governo não pode consentir que eles vão perverter a moral e a religião de outr...