Pular para o conteúdo principal

PERGUNTA DE LEITOR

Tabuleiro Ouija
 

Por Oscar P. Carrara

Recebi um e-mail com pergunta de leitor, que julgo de interesse público – razão pela qual respondemos publicamente –, e que trago aos amigos. Eis a pergunta:

"O tabuleiro ouija é um meio completamente seguro e eficaz para se entrar em contato com o mundo espiritual e obter as repostas para nossas dúvidas?"

A pergunta é muito pertinente para o momento de grande divulgação das ideias espíritas pela mídia, notadamente o cinema e a TV que, cada vez mais, tem abordado a questão da imortalidade da alma e da comunicabilidade dos espíritos.

Muito natural, pois, que, com tanta divulgação sobre a existência e influência dos espíritos na vida humana, haja curiosidade e vontade de comunicação com eles, especialmente nos casos em que a saudade bate mais forte, na separação dos entes queridos pelo fenômeno biológico da morte, ou mesmo na ânsia de saber mais. E agora com o estímulo do filme Chico Xavier que retrata a vida, embora timidamente, do maior médium de todos os tempos.

Tais instrumentos, todavia, são totalmente dispensáveis, ineficazes, inseguros e especialmente não recomendáveis. Não há necessidade de qualquer instrumento de natureza material, que se tornaram absolutamente dispensáveis, para entrar em contato com os espíritos.

Velas, incensos, gestos, roupas especiais, compassos, pedras, cristais, tabuleiros, luzes, mãos dadas, colares, flores, cartas, copos, imagens de qualquer espécie, altar, rituais ou quaisquer outros adereços são absolutamente, totalmente dispensáveis, pois que desnecessários. E digo mais: também se incluem nessa relação os ramos de arruda, chás ou bebidas, oferendas, sal grosso e mesmo o pagamento a charlatães, pois que se dispensa também intermediários inescrupulosos e exploradores.

O contato com os espíritos se faz pelo pensamento e pelo sentimento. É preciso prudência e cuidado na busca inconsequente de respostas para curiosidades vãs que, nesse caso, ficam expostas a espíritos brincalhões e irresponsáveis. Claro que existem, e muitos, médiuns sérios – comprometidos com o trabalho do bem e da fraternidade – e, no caso, as comunicações autênticas são sempre espontâneas e trazidas por meio de situações serenas, equilibradas, dispensando-se qualquer tipo de “show” ou curiosidades improdutivas ou revelações surpreendentes e místicas.

É na prece que buscamos o auxílio que precisamos, é no estudo constante e dedicado que encontramos respostas às nossas dúvidas, mas também é claro no convívio e estudo com amigos em grupos que estudam o Espiritismo em nossas instituições, pois são nesses encontros de debates e questionamentos que vamos nos esclarecendo.

Mas se o leitor deseja saber mais, pesquisar realmente, mergulhe seu interesse nos livros da Codificação Espírita, notadamente O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, onde encontrará suas respostas, dispensando objetos e médiuns interesseiros e exploradores da credulidade popular. Médiuns sérios e honestos não “sobem ao palco”, nem tampouco ficam a satisfazer curiosidades. Daí a importância de estudar e compreender para não cair nas armadilhas perigosas da curiosidade vazia.

No caso específico do tabuleiro ouija (superfície plana com letras, números ou outros símbolos em que se coloca um indicador móvel), como em outros casos de reuniões vulgares, o que se atrai com facilidade são espíritos brincalhões, descomprometidos com o bem e a verdade. Afinal, é muito lógico indicar que espíritos sérios não se envolvem com brincadeiras de crianças. Pode ter sido útil num passado de ignorância, mas é objeto dispensável, inútil e, acrescentamos, perigoso, pois que a vulgaridade de seu uso só pode mesmo nos ligar a espíritos que se aproveitam da ingenuidade humana, uma vez que evoluíram os processos de comunicação com o plano espiritual.

O bom pensamento, o bom sentimento, o bem no coração, o desejo de ser útil e bom, esses sim são ingredientes extraordinários para nos proteger e ligar nossas vidas aos bons espíritos que estão sempre a auxiliar os que desejam ser auxiliados e trabalham em si mesmos o bem e a fraternidade.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O AMOR É PARA SEMPRE...

Por Dora Incontri (*) (Escrevi esses pensamentos, muito sentidos, há alguns anos. Pretendia publicá-los num livro, mas antes que ficarem guardados, na memória do computador, melhor partilhar com outros que, como eu, estejam amadurecendo essa que é a maior herança divina em nós: a capacidade de amar.) Parque Nacional da Tijuca - Rio de Janeiro O amor é o oposto da indiferença. O amor nunca tanto faz, com o que o ser amado faz. Por isso se empenha sempre por um fazer de luz. O amor pode curar, salvar, elevar, educar, regenerar. Mas tudo a longo prazo, pois para se mostrar, atuar e agir, precisa muito ter paciência, perseverar, persistir, muitas, infinitas vezes perdoar… Tudo devagar. O amor desgovernado, tumultuado pelas paixões, queima os corações, provoca afastamentos, descontentamentos, dilacerações… Por isso, o amor precisa se asserenar, se suavizar, alimentando-se de eternidade!

O ESPIRITISMO ANTE AS IDEOLOGIAS DE ESQUERDA E DE DIREITA

  Por Elias Moraes O movimento espírita não teve como se furtar ao acirramento das disputas ideológicas no campo político partidário, observadas nas duas últimas décadas; ao contrário, foi fortemente atingido por essas disputas. A princípio, mediante manifestações ostensivas de muitas das suas principais lideranças em defesa das pautas do campo ideológico da Direita, ainda que sob a forma de uma fingida neutralidade. A essas manifestações seguiu-se uma forte reação dos que discordavam dessa postura, e que foram estigmatizados sob o rótulo de "espíritas de Esquerda". Ante o clima de confronto que se estabeleceu, o argumento mais utilizado pelos que adotavam a negação como estratégia de silenciamento das discussões era que o Espiritismo não era nem de Esquerda e nem de Direita, mas "de cima", ou "do alto", como se a doutrina espírita não tivesse posições muito bem definidas a respeito de cada um dos temas colocados em pauta pelos atores de ambos os campos ...

UM PALHAÇO NA MEDIÚNICA

Existe um ponto que reúne o melhor de mim nesta curta jornada pelas estradas pedagógicas da vivência espírita: a mesa mediúnica! Lembro como agora da primeira participação, e como aquilo mudou minha percepção de mundo, com um sentimento de vastidão insondada para tão distante de todos os conceitos construídos pelos setores formais aos quais me ligava.

À MUSA ESTUPRADA

"O Rapto das Sabinas", pintura de Nicolas Poussin           Há indignações tão profundas, que só podem ser expressas em poesia, pelo menos para mim. Nos últimos meses, no meio do espetáculo constrangedor e bizarro em que o país mergulhou, a mulher brasileira foi alvo das mais absurdas violências: uma presidenta que não cometeu nenhum crime afastada do poder por um bando de criminosos, depois de ter sido xingada por uma parte da população, com as maiores baixarias e depois de ter sido ofendida por um Bolsonaro, que invocou seu torturador, num gesto de fascismo e supremo desrespeito humano; a primeira dama do presidente golpista posta como modelo de “beleza, do lar e recato”; um ministério inteiro só de homens (a maioria envolvidos com corrupção); um fundamentalismo religioso avançando no Estado, ameaçando os direitos da mulher; a visita de um ator machista, de filmes pornô, que nada tem a ver com Educação e que se ufana de ter estuprado uma mulher, no ...

COMO SUPERAR A DEPRESSÃO?

A depressão é a segunda causa de incapacidade no trabalho (a projeção é que, até 2020, seja a primeira da lista) e apenas 10% das pessoas deprimidas recebem tratamento adequado, conforme a Organização Mundial de Saúde. Infelizmente, muitas pessoas não buscam tratamento para Depressão por confundi-la com uma tristeza profunda. A causa da depressão é tida como multifatorial, isto é: converge vários fatores como o estilo de vida, o tipo de personalidade, a história pessoal e a predisposição genética. Não há um momento único ou específico em que a depressão comece. A depressão tem características neuroquímicas importantes e não depende necessariamente de um evento gatilho para se manifestar. Muitas pessoas apresentam sintomas depressivos na infância ou na adolescência. Tenho pacientes que após uma sequência de eventos traumáticos na idade adulta manifestaram a depressão. 

UM TAL SR. M...

                                                Anos atrás o pesquisador espírita Clóvis Nunes falou de um suposto encontro entre Allan Kardec e Karl Marx. Ele se escorou em duas mensagens insertas em Obras Póstumas , de 30 de abril de 1856  (saiba mais) e de 12 de maio de 1856 (saiba mais) . Leia-se um trecho da primeira, em que o Espírito se refere a um dos presentes, que para Nunes seria Marx: “A você, Rivail, sua missão está aí (livre, a cesta virou fortemente para meu lado, como o teria feito uma pessoa que me indicasse com o dedo). A você, M..., compete a espada que não fere, mas que mata. Contra tudo o que existe, será você que virá primeiro. Ele, Rivail, virá em segundo lugar, é o trabalhador que reconstrói o que foi destruído”.   ...

INTERDEPENDÊNCIA E LIBERDADE INDIVIDUAL

      Por Doris Gandres   “A liberdade individual e a interdependência são essenciais para a vida em sociedade.” Mahatma Gandhi (1)               Hoje ainda, em geral, imaginamos que temos liberdade para realizar tudo aquilo que nos agradar, tudo que atender aos nossos interesses, independentemente de estarmos atingindo ou não a liberdade alheia. Muito frequentemente ignoramos o limite para o exercício da nossa liberdade.             Usualmente somos muito cônscios dos nossos direitos, porém muito relapsos quanto aos nossos deveres. Léon Denis nos recomenda “considerar a vida e suas responsabilidades sob um aspecto mais grave, a submeter mais estritamente nossos atos à regra austera do dever” (2).             No Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap.XVII, item 7, Lázaro Espírito transmite ...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

ENLATADOS NO TEMPO

  Por Marcelo Teixeira Uma das partes mais interessantes da língua portuguesa é aquela destinada às figuras de linguagem. Entre elas, a metáfora, que consiste numa comparação implícita, muitas vezes apelando ao sentido figurado. Como exemplo, cito a expressão ‘coração de pedra’. Quando digo que alguém tem essa característica, refiro-me ao fato de a falta de compaixão ser tão forte a ponto de parecer que essa pessoa tem uma pedra no lugar do coração. A metáfora pode ser também utilizada em poesia, música ou literatura para tornar o texto mais elegante ou expressivo. É o caso do livro “Iracema”, em que o autor, José de Alencar, se refere à personagem-título como “a virgem dos lábios de mel”.

DA QUIMERA HUMANA AO VOTO ANÔMICO

        Por Jorge Luiz                   A Contradição como Condição Ontológica             A paisagem político-social contemporânea expõe com crudeza o colapso dos filtros ético-morais no exercício da cidadania, revelando um fenômeno ainda mais perverso: a eleição consagradora de indivíduos formalmente denunciados por crimes gravíssimos, impulsionada justamente pelas parcelas mais vulneráveis da população. Desprovidos de amparo social e desarmados de senso crítico por um histórico de exclusão, esses grupos tornam-se alvos prioritários de apelos religiosos instrumentalizados, em que a fé é dobrada para anestesiar o discernimento ético e sacralizar a barbárie. Ao converter a transgressão em capital político com a chancela dos próprios espoliados, o corpo social escancara a sua contradição ontológica e o ponto cego do Brasil anômico — aquele em que a desori...