Pular para o conteúdo principal

REFLEXÕES ESPÍRITAS SOBRE A SELEÇÃO FRANCESA DE FUTEBOL



 
Arte sobre foto de François Xavier Marit AFP

A Terra vive atualmente uma das crises migratórias mais grave da sua história. E esse número de imigrantes sempre está relacionado com guerras, crise econômica, direitos cerceados pelo poder local ou forças dominantes. Segundo dados estatísticos, anualmente, cerca de 200 milhões de pessoas se deslocam de um país para outro.
A seleção francesa, campeã do mundo nesta copa, tem em seu time bi-campeão, 17 jogadores sendo imigrantes e filhos de imigrantes. É uma mensagem muito significativa nesses tempos de xenofobia extrema na Europa e das políticas anti-imigração para aqueles que as defendem. É uma seleção multicultural e multiétnica.

A ideia de Estado-nação surge no final do século XIII e início do século XIX. E foi através da médium Joana d’Arc que irá surgir a noção de pátria. Ela encontra os Estados de Borgonha, a Picardia e a Flandres aliados dos ingleses; a Bretanha e a Saboia se conservam neutras; a Guiana em mãos do inimigo.  Lèon Denis, na obra Joana D’Arc, Médium, registra que o termo pátria não estava muito em voga, mas foi Joana que deu aos franceses a própria pátria. (1) Assim ele se expressa:

“Foi no mundo o primeiro país que se tornou uma nação. Selada com o sangue da heroína, sua unidade não pode mais ser desfeita, ou aniquilada, nem pelas vicissitudes, nem pelos furacões sociais, nem por inúmeros desastres sem exemplo!”

O próprio Denis afirma que para alguns historiadores a intervenção de Joana d’Arc foi mais prejudicial que útil, pois impossibilitou a união da França e Inglaterra, sob a coroa desta, o que as fariam uma nação forte da Europa.
A mensagem espiritual da seleção francesa traz em si a transnacionalidade de pátria, dentro do que estabelece os princípios espíritas. Na questão nº 54 da obra o Consolador, pelo Espírito Emmanuel adverte que a luz espiritual oferecerá aos homens uma nova noção de pátria, onde serão destruídos os canhões e balas homicidas. No momento que isso se verifique,

“(...) o homem aprenderá a valorizar o berço em que renasceu, pelo trabalho e pelo amor, destruindo-se concomitantemente as fronteiras materiais e dando lugar à era da grande família humana, em que as raças serão substituídas pelas almas e em que a pátria será honrada, não com a morte, mas com a vida bem aplicada e bem vivida.”

Ney Lobo, em sua vigorosa obra, em cinco volumes, Filosofia Espírita da Educação, volume 5, define a transnação, como:

“o efeito do cruzamento, no tempo e no espaço físico e espiritual, de quatro transcendentalidades, histórica, espiritual, evolutiva e moral, de uma população em número significativo e substancial de seres espirituais afins, encarnados e desencarnados, solidários entre si, na constância da comunhão de ideias, sentimentos e responsabilidades morais; com um objetivo comum de autosuperação espiritual coletiva, e que se estende ao longo das sucessivas existências físicas desses seres, abrangendo os dois planos de vida, estreitamente vinculados, em constante interação e alternância de posições através dos tempos.”

Esse conceito de transnação, nada mais é que o Reino de Deus anunciado por Jesus Cristo. Esse dilema que a sociedade aturdida enfrenta, exige um novo conceito de humanidade que somente a cosmossociologia espírita oferece, tendo como um fato social a se desdobrar nas duas latitudes: material e espiritual. E esse reino está acima das sociedades de classes, mas se integra à escala espírita, na questão nº 100 de O Livro dos Espíritos. Está acima do mundo de ricos e pobres e das competições políticas e econômicas. A implantação do Reino de Deus, através do amor e da solidariedade, romperá as fronteiras geográficas.
Cairbar Schutel, como se antevendo o fato social significativo da copa com os imigrantes na seleção campeã, adverte em sua obra Interpretação Sintética do Apocalipse, que as subversões sociais abalarão o mundo “até que a palavra do Alto se pronuncie com poder.” Nada é por acaso. O acaso não existe. Ora, na questão nº 519 de O Livro dos Espíritos, os Reveladores Celestes advertem que as nações têm também seus Espíritos protetores espirituais. E são esses Espíritos, que cuidadosamente enviam mensagens todo-educativa, diz Lobo, tendo por destinatário todo um povo lançando oportuna e cáusticas advertências aos transviados detentores do poder e, diretamente à consciência deles.
E foi na França que surgiram os ideais de igualdade, liberdade e fraternidade. Ainda na França, nasce Allan Kardec, que através da sua dedicação hercúlea organiza e sistematiza a Doutrina dos Espíritos.
Nelson Rodrigues, em sua obra A Pátria de Chuteiras, termo-título utilizado por ele para homenagear a seleção brasileira de futebol campeã em 1958, assim se expressa:

“Amigos, há um momento, na vida dos povos, em que o país tem de ser anunciado, promovido e profetizado.”

Parafraseando-o, dir-se-á:

A seleção francesa de futebol, em 2018, é o Plano Social de Deus de chuteiras!

Eis, novamente, a França!


(1)        Denis em nota de rodapé, fala de pesquisas que demonstraram que João Chartier foi o primeiro a usar da palavra pátria, em sua obra História de Carlos VII.

Referências:
DENIS, Léon. Joana D’arc. FEB. Brasília. 1999;
___________ Interpretação sintética do apocalipse. 1918. bvespírita.com
KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. LAKE. São Paulo. 2000;
LOBO, Ney. O plano social de Deus e as classes sociais. EDICEL. Distrito Federal;
_________   Filosofia espírita da educação. Vol.5. FEB. Brasília. 1990;









Comentários

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. Achei muito interessante essa reflexão ao relacionar a seleção francesa campeã do mundo com a questão migratória e os valores espirituais. O fato de grande parte do elenco ser formada por imigrantes e filhos de imigrantes reforça a ideia de que talento, esforço e identidade vão além de fronteiras geográficas. Em tempos de xenofobia e discursos de exclusão, o futebol acaba servindo como símbolo de união e mostrando que a diversidade pode ser uma força coletiva. Essa mistura de culturas que resulta em vitória também lembra como diferentes perfis de jogadores participam de um cassino online, onde cada um faz suas apostas de acordo com sua estratégia e busca seu próprio ganho dentro das regras estabelecidas. Para quem gosta de futebol e também acompanha o universo das apostas esportivas, existem plataformas como ginga bet que oferecem opções de cassino e apostas em um ambiente digital estruturado. No fim, seja discutindo identidade nacional, celebrando um título mundial ou participando de apostas em cassino, tudo gira em torno de escolhas, convivência e responsabilidade diante das próprias decisões.

    ResponderExcluir
  3. A seleção francesa de futebol, campeã mundial, é um verdadeiro reflexo da diversidade e multiculturalismo, com 17 jogadores sendo imigrantes ou filhos de imigrantes. Isso é especialmente significativo no contexto atual de crise migratória e crescente xenofobia na Europa. A composição do time envia uma mensagem poderosa de integração e convivência entre diferentes culturas, desafiando as políticas anti-imigração. Para quem deseja acompanhar os jogos e se aprofundar nas apostas, uma plataforma excelente é a https://betano-brasil.br.com/, que oferece uma experiência segura e diversas promoções para os fãs do esporte.

    ResponderExcluir
  4. As reflexões espíritas sobre a seleção brasileira e o papel dos atletas como exemplos de superação me fazem lembrar de como o esporte pode ser uma jornada de evolução pessoal e coletiva, onde derrotas e vitórias moldam o caráter, e é incrível como a fé e a espiritualidade podem ajudar jogadores a lidar com a pressão de uma Copa do Mundo. A mecânica de preparação mental, equilíbrio emocional e resiliência mostra que você não precisa ser atleta profissional para aplicar esses princípios na sua vida cotidiana. Enquanto pesquisava um pouco mais sobre ferramentas úteis para acompanhar notícias e análises de esportes e entretenimento digital, descobri que no site https://mma-bet.br.com/ você pode ler um resumo completo de como a plataforma funciona para análises esportivas e simulações interativas, o que me pareceu um recurso interessante para se manter informado sobre tendências em estatísticas e simulações. Concluindo, seja refletindo sobre o papel da seleção ou explorando plataformas digitais, a espiritualidade e a informação podem andar juntas em busca do equilíbrio.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

INTERDEPENDÊNCIA E LIBERDADE INDIVIDUAL

      Por Doris Gandres   “A liberdade individual e a interdependência são essenciais para a vida em sociedade.” Mahatma Gandhi (1)               Hoje ainda, em geral, imaginamos que temos liberdade para realizar tudo aquilo que nos agradar, tudo que atender aos nossos interesses, independentemente de estarmos atingindo ou não a liberdade alheia. Muito frequentemente ignoramos o limite para o exercício da nossa liberdade.             Usualmente somos muito cônscios dos nossos direitos, porém muito relapsos quanto aos nossos deveres. Léon Denis nos recomenda “considerar a vida e suas responsabilidades sob um aspecto mais grave, a submeter mais estritamente nossos atos à regra austera do dever” (2).             No Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap.XVII, item 7, Lázaro Espírito transmite ...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

O ESPIRITISMO ANTE AS IDEOLOGIAS DE ESQUERDA E DE DIREITA

  Por Elias Moraes O movimento espírita não teve como se furtar ao acirramento das disputas ideológicas no campo político partidário, observadas nas duas últimas décadas; ao contrário, foi fortemente atingido por essas disputas. A princípio, mediante manifestações ostensivas de muitas das suas principais lideranças em defesa das pautas do campo ideológico da Direita, ainda que sob a forma de uma fingida neutralidade. A essas manifestações seguiu-se uma forte reação dos que discordavam dessa postura, e que foram estigmatizados sob o rótulo de "espíritas de Esquerda". Ante o clima de confronto que se estabeleceu, o argumento mais utilizado pelos que adotavam a negação como estratégia de silenciamento das discussões era que o Espiritismo não era nem de Esquerda e nem de Direita, mas "de cima", ou "do alto", como se a doutrina espírita não tivesse posições muito bem definidas a respeito de cada um dos temas colocados em pauta pelos atores de ambos os campos ...

DA QUIMERA HUMANA AO VOTO ANÔMICO

        Por Jorge Luiz                   A Contradição como Condição Ontológica             A paisagem político-social contemporânea expõe com crudeza o colapso dos filtros ético-morais no exercício da cidadania, revelando um fenômeno ainda mais perverso: a eleição consagradora de indivíduos formalmente denunciados por crimes gravíssimos, impulsionada justamente pelas parcelas mais vulneráveis da população. Desprovidos de amparo social e desarmados de senso crítico por um histórico de exclusão, esses grupos tornam-se alvos prioritários de apelos religiosos instrumentalizados, em que a fé é dobrada para anestesiar o discernimento ético e sacralizar a barbárie. Ao converter a transgressão em capital político com a chancela dos próprios espoliados, o corpo social escancara a sua contradição ontológica e o ponto cego do Brasil anômico — aquele em que a desori...

SOCIALISMO E ESPIRITISMO: Uma revista espírita

“O homem é livre na medida em que coloca seus atos em harmonia com as leis universais. Para reinar a ordem social, o Espiritismo, o Socialismo e o Cristianismo devem dar-se nas mãos; do Espiritismo pode nascer o Socialismo idealista.” ( Arthur Conan Doyle) Allan Kardec ao elaborar os princípios da unidade tinha em mente que os espíritas fossem capazes de tecer uma teia social espírita , de base morfológica e que daria suporte doutrinário para as Instituições operarem as transformações necessárias ao homem. A unidade de princípios calcada na filosofia social espírita daria a liga necessária à elasticidade e resistência aos laços que devem unir os espíritas no seio dos ideais do socialismo-cristão. A opção por um “espiritismo religioso” fundado pelo roustainguismo de Bezerra Menezes, através da Federação Espírita Brasileira, e do ranço católico de Luiz de Olympio Telles de Menezes, na Bahia, sufocou no Brasil o vetor socialista-cristão da Doutrina Espírita. Telles, ao ...

AS DEFORMIDADES COGNITIVAS PRETENSOS “HERCULANISTAS”

  Por Jorge Hessen O livre-pensamento, a liberdade de consciência e a fraternidade são princípios kardecianos que não combinam com patrulhamento doutrinário, condenações sistemáticas e apropriações ideológicas do Espiritismo. Há uma contradição curiosa entre alguns atuais admiradores de José Herculano Pires: proclamam fidelidade absoluta a Allan Kardec, mas adotam posturas que merecem ser confrontadas com os próprios fundamentos da Codificação.

RÉQUIEM

 Por Paulo Eduardo (*) O ofício dos mortos em música sublime. Réquiem significando repouso. Pausa na vida física a fim de enfrentar novos rumos. Retorno à pátria espiritual sendo relembrado neste segundo dia de novembro. Dia de Finados a alegria paradoxalmente triste de uma festa realmente com melodia em surdina. O palco desse momento de velada despedida ou de comunicação interna é o cemitério. Jazigo é sepultura e os espíritos são livres da vestimenta física quando partem em busca dos planos etéreos da vida plena. Ninguém fica residente em catacumba. Uma verdade inconteste. Convém destacar o crescimento da cremação de corpos e nem por isso leva-se ao esquecimento dos nossos cujos despojos tornaram-se pó. Nos réquiens pelo Dia de Finados vamos orquestrar a saudade no seu patamar de harmonia e certeza da perpetuação da vida. A Doutrina Espírita repercute na sua forma belíssima de reverenciar quem parte através do evento morte. Somos imortais na natureza divina...

ENLATADOS NO TEMPO

  Por Marcelo Teixeira Uma das partes mais interessantes da língua portuguesa é aquela destinada às figuras de linguagem. Entre elas, a metáfora, que consiste numa comparação implícita, muitas vezes apelando ao sentido figurado. Como exemplo, cito a expressão ‘coração de pedra’. Quando digo que alguém tem essa característica, refiro-me ao fato de a falta de compaixão ser tão forte a ponto de parecer que essa pessoa tem uma pedra no lugar do coração. A metáfora pode ser também utilizada em poesia, música ou literatura para tornar o texto mais elegante ou expressivo. É o caso do livro “Iracema”, em que o autor, José de Alencar, se refere à personagem-título como “a virgem dos lábios de mel”.

ASSOMBRAÇÃO

                 "Noiva de Furquim", Mariana (MG) - Ilustração                Contou-me um confrade que certa feita regressava ao lar, por volta de meia-noite, após uma festa.             Estava sozinho em seu automóvel. Numa curva, perdeu a direção do veículo, que se precipitou numa ribanceira. Desceu sacolejando e tombou dez metros abaixo.             A custo saiu do carro, rodas para cima. Repleto de escoriações, começou a subir, retornando à estrada. Já no alto olhou para o automóvel. Ficou estarrecido. Estava destruído. Impossível sair com vida dali.             Espírita estudioso, apavorou-se. Certamente morrera! Pensou em descer para confirmar o trágico acontecimento com a visão de seu corpo sem vida, entre as ferr...

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...