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CAMINHANDO COM A CIÊNCIA

                 

        

A Federação Espírita do Estado do Ceará (FEEC) publicou Comunicado oficial em fevereiro/2021 e assim se antecipou a um dos inoportunos debates que tomou a cena jurídica brasileira em relação à possibilidade de aglomeração nos templos religiosos em grave período de adoecimentos e óbitos. Lembrou que Allan Kardec alertava quanto à observância da relação do Espiritismo com a ciência ao asseverar de forma convicta: “Se algum dia a ciência provar que o Espiritismo está errado em determinado ponto, abandone esse ponto, e siga com a ciência”. A instituição espírita federativa cearense faz referência à opinião de Kardec em período de epidemia do Cólera, relatada na Revista Espírita de Nov/1865, quando sugeriu respeito às orientações das autoridades sanitárias da época.

            Houvesse discernimento e sensatez e esse tema não precisaria ocupar espaço na mais alta corte do país. Precisaria apenas que fossem consultados os enunciados dos líderes de todas as Religiões vigentes. Brigar por opinião pessoal no plano das doutrinas espiritualistas é virar as costas para aqueles que teriam ditado os pilares a serem seguidos. Jesus, Buda, Maomé, Krishna se questionados certamente orientariam os devidos cuidados com a vida humana comunitária, especialmente daqueles mais vulneráveis, que são os que mais sofrem as consequências dos grandes desastres.

            Felizmente a Doutrina Espírita, com a sua visão dinamizadora dos preceitos cristãos, enxerga o templo de pedra como um excelente espaço para experiências transcendentais, mas acentua que o verdadeiro templo é a consciência de cada um. Jesus assim entendia ao asseverar (Mateus XVI; 18): “E eu digo que você é Pedro, e sobre essa pedra edificarei a minha igreja; e as portas do hades não poderão vencê-la”. Basta substituirmos o nome de Pedro por outro qualquer e veremos que Jesus nos tornou templo de Deus ao usar Pedro como exemplo.

            O espírita sabe que a consciência movimenta o pensamento e que é o pensamento que produz os planos que materializam os campos de lutas humanas. Entende que somos componentes de uma só humanidade. Necessariamente não é o fato de haver diferença em nossas crenças que nos torna mais ou menos merecedores das bênçãos do mundo espiritual. Jesus deu a fórmula de independente das crenças, templos e práticas,  reconhecermo-nos como seus discípulos: “Serão reconhecidos por muito se amarem uns aos outros” (João XIII; 35).

            Chega de discutir-se em torno de temas que fogem das pautas que enobreçam a vida e tornam nebulosa qual a real filosofia espiritual que se afirma seguir. Não há julgamentos marcados para eras apocalípticas. Aliás, não haverá apocalipse, hecatombe definitiva, destruição total das perspectivas humanas. A vida vai seguir.

            A humanidade vai triunfar de mais esse revés que a alcança. Os valores espirituais podem e vão ajudar aos esforços da Ciência em encontrar os caminhos para a solução de tão difícil equação. A espiritualidade nos conclama ao pensamento coletivo e à paciência. A terra é o Templo Divino que nos guarda a todos, templos que somos dos ecos de Deus. Enquanto as respostas não nos chegam da maneira mais clara, que possamos seguir apostando na possibilidade de atuarmos além das paredes de pedra, no espaço em que habita o bem comum e sabermos que o outro merece a proteção contra o perigo da contaminação que pode lhe causar sofrimento e até a possibilidade da morte do corpo físico. Nesse hiato do viver é fundamental deixar que a Ciência seja a norteadora dos nossos passos. A Ciência diz que aglomerar mata. Cuidemos do outro.

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