Pular para o conteúdo principal

DOAÇÃO DE SANGUE

 

Os jornais noticiam a todo o momento a necessidade do ato verdadeiramente cristão da doação de sangue, desde que os hospitais, principalmente os de emergência carecem do precioso líquido imprescindível à vida. Infelizmente, a ação doadora que deveria ser rotineira passou a ser exceção. Por quê? Como explicar sob o ponto de vista espiritual, precisa a comunicação constante da mídia, convocando a população para se engajar na prática grandiosa da doação? Por que o descaso e a inércia diante do sofrimento alheio?

A Doutrina Espírita ensina que vivemos em um planeta denominado de provas e expiações, correspondente a uma estância importantíssima, destinada ao nosso aprimoramento e aprendizado espiritual, desde que nos encontramos em uma fase incipiente na evolução do espírito, transitando essencialmente pelas trilhas da ignorância presa ainda às algemas do desamor, cativos da insensibilidade e subjugados à tirania do egoísmo avassalador.

Prepotentes e orgulhosos, nos julgamos proprietários contumazes do planeta, parecendo desconhecer que a nossa morada se apresenta insignificante diante da grandeza do universo. É importante considerar que a Terra é um ponto minúsculo em nossa galáxia, comparado a um pequeníssimo grão de areia no deserto, sabendo que a Via Láctea contém cerca de 200 bilhões de estrelas.

Ao mesmo tempo a nossa galáxia, igualmente, se revela modesta diante da imensidade cósmica, constituída de 125 bilhões de galáxias.

Em verdade o universo espelha, em sua complexidade, beleza e harmonia, a existência de uma "inteligência" que não pode ser atribuída ao nada, ao acaso. Na realidade, a presença da Divindade Superior é imanente a todos nós, considerando-A  como causa inteligente de todas as coisas.

Um mestre, que já possui a plenitude cósmica, disse que somos também deuses (João, 10:34) e que o Reino de Deus está dentro de Nós (Lucas 17:21).

Denomina Deus de "Meu Pai" e afirma que na casa (universo) de seu Pai há muitas moradas (João 14:2). Portanto, como filhos do altíssimo e co-irmãos de Jesus, somos herdeiros desse grandioso oceano de estrelas, responsáveis pela vida que pulula nos mundos incalculáveis que circulam no espaço infinito.

Como conquistaremos o universo? Pelas vias físicas é impossível, desde que se fosse possível viajar de um extremo a outro de nossa galáxia, na velocidade da luz, levaríamos 100.000 anos para chegarmos apenas à Andrômeda, a galáxia mais próxima da Via Láctea gastaríamos mais de 2 milhões de anos cruzando o espaço sideral.

Jesus disse que o seu reino não é deste mundo (João 18:33). Para compreender e habitar o universo, necessário se torna galgar os degraus da evolução espiritual, através das inúmeras oportunidades que a reencarnação nos proporciona.

O Novo Testamento diz que "Deus é Amor". Para nos elevar espiritualmente, é preciso praticar sempre o bem, cultivando o amor nas terras áridas do nosso interior.

Paulo afirmou com muita propriedade: "Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu tenha tamanha fé ao ponto de transportar montes, se não tiver caridade (amor em ação) nada serei" (1º Co. 13:2).

O Cristo ressaltou que o óbolo da viúva foi ofertado com seu próprio sacrifício, já que sua dádiva foi retirada do seu sustento e ele faria falta (Lucas 21:4).

O Mestre reafirmou que o bem que façamos a outrem deve ser realizado em segredo, isto é, sem ostentação: "Quando derdes esmola, não saiba a vossa mão esquerda o que fez a vossa mão direita (Mateus 6:4)".

Jesus também considerou que, além de amarmos o Pai, deveríamos amar o nosso próximo, assim como a nós mesmos (Mateus 22:38-39).

A doação de sangue está claramente contida nesses ensinamentos críticos. Estaremos ofertando o que realmente possuímos, o que para muitas pessoas erroneamente faria falta a nosso organismo. Certamente os que têm medo de doar seu sangue fariam intenso sacrifício e sua dádiva seria análoga à de pobre viúva, citado no Evangelho. A mesmo tempo o próximo que receberá nosso sangue que talvez seja uma forma de salvá-lo dentro de uma emergência médica, não tornará conhecimento de quem foi  o "samaritano" que lhe doou o precioso líquido, vital para a sua sobrevivência.

Quem sabe estaremos em nosso lar, vivenciando um momento de desânimo e receberemos as vibrações de gratidão da vida, mudando todo o nosso interior.

Quem sabe se desprendidos do corpo físico, durante o repouso noturno, estaremos presenciando e participando da vitória da caridade sobre o mal, em um leito de dor?

É importante frisar que a doação de sangue é realizada com material descartável, em bancos de sangue idôneos, sem possibilidade de se contrair qualquer enfermidade. Ao mesmo tempo quem doa sofre uma intensiva renovação de seu sangue, tornando-se novos e saudáveis glóbulos sanguíneos. Outra vantagem é de nosso sangue passar por um verdadeiro "check-up" gratuito, onde o laboratório fará inúmeras análises, descartando muitas doenças latentes.

Queridos irmãos, vamos doar sangue!  Em nossos locais de trabalho e em nossas instituições religiosas incentivemos a doação, constando-a em nossos programas caritativos.

No livro "O Profeta", de Gibran Khalil Gibran, encontramos um profundo ensinamento: "Vós pouco dais quando dais de vossas posses. É quando dardes de vós próprios que realmente dais".

E, em nosso íntimo, ressoarão as palavras do nosso querido Mestre Jesus: "Em verdade vos digo, todas as vezes que isso fez a um destes mais pequeninos dos meus irmãos, foi a mim mesmo que o fizeste (Mateus 25:40)".

 

Comentários

  1. Fala-se muito da doação de órgãos, mas pouco de doação de sangue.
    Por conta de uma síndrome reumatológica, não posso doar; de qualquer forma, devido a um dos componentes do sangue, que é o plasma, estou vivo, e agradeço muito a quem doou.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

CANDOMBLÉ, ESPIRITISMO E A LIBERDADE DE SER: O QUE A FALA DE MAJUR NOS ENSINA

  Por Wilson Garcia   A entrevista que a cantora Majur deu ao programa  Desculpa Alguma Coisa , com Tati Bernardi, vai muito além de um papo sobre música ou carreira. O que ela compartilhou ali é uma oportunidade rara para a gente refletir sobre coisas profundas: liberdade de consciência, identidade espiritual, pertencimento e intolerância religiosa.               Quando Majur conta como se aproximou do Candomblé, não está falando só de uma escolha religiosa. Ela fala de um processo de emancipação pessoal. Ao dizer que deixar o ambiente evangélico não significou abandonar Deus, mas sim se libertar de uma prisão, ela expõe algo que muita gente vive: a busca por uma espiritualidade que faça sentido com quem a gente realmente é.

O ESPIRITISMO DE VIDRO: O MEDO DO CONFLITO E A FALSA MANSIDÃO

       Por Jorge Luiz                    A Redoma de Vidro e o Estereótipo Anestesiado             Existe uma coreografia muito bem ensaiada nos salões do espiritismo hegemônico contemporâneo. Ela é composta por tons de voz milimetricamente sussurrados, sorrisos condescendentes que flutuam acima das misérias do mundo e uma gramática da passividade que confunde o torpor com a iluminação. Criou-se uma caricatura de santidade, um verdadeiro "espectro" encenado onde o indivíduo adota uma persona ritualística: distribui abraços, beijos e tapinhas nas costas dentro dos limites do centro espírita, mas desliga o afeto institucionalizado assim que cruza a porta de saída. Esse "bom espírita" tornou-se aquele sujeito plasticamente pacificado, incapaz de se alterar diante da injustiça, que assiste ao desmonte dos direitos sociais mais básicos da janela de seu apartam...

CONSIDERAÇÕES SOBRE A MORAL ESPÍRITA: A AUTONOMIA

                Por Maurício Zanolini               O psicólogo do desenvolvimento Yves de La Taille estuda o o processo de aprendizagem da moral nas sociedades humanas. Ele explica que a moral é a restrição da liberdade dos indivíduos para que possam viver em sociedade e que cada sociedade desenvolve seus próprios códigos de conduta. A família portanto é o núcleo mais básico onde esse código será vivenciado pela criança que está aprendendo a moral. Mas para além da família, a religião, a cultura e as tradições que compõe o que é socialmente aceito para um determinado agrupamento de pessoas, serão as influências responsáveis pela formação moral da criança. Podemos incluir a escola e o Centro Espírita nesse círculo de influências formativas.

CROMOTERAPIA NA CASA ESPÍRITA: UM SISTEMA SEM AMPARO NA CODIFICAÇÃO KARDEQUIANA

    Sala de cromoterapia no Colônia Fraternal Bom Jesus - Centro Espírita no Ipiranga (SP)   Por Jorge Hessen                Periodicamente ressurge no movimento espírita a tentativa de justificar a implantação da cromoterapia nas atividades da Casa Espírita, apoiando-se em referências de Joanna de Ângelis, especialmente na obra  Plenitude . Entretanto, essa interpretação não encontra respaldo na Codificação e desconsidera o método científico-doutrinário estabelecido por Allan Kardec.             Em  Plenitude , Joanna de Ângelis menciona a helioterapia e faz alusões à cromoterapia no contexto da preservação da saúde física e psíquica. Em nenhum momento, porém, recomenda sua adoção como prática institucional do Espiritismo. Há profunda diferença entre reconhecer a existência de um recurso terapêutico e convertê-lo em atividade da Casa Espírita.

16.11 - DIA INTERNACIONAL DA TOLERÂNCIA

“Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” (Jesus, Mt, 22:34-40)                            John Locke (1632-1704), filósofo inglês, com o propósito de apaziguar católicos e protestantes, escreveu em 1689, Cartas sobre a Tolerância. Voltaire (1694-1778), filósofo iluminista francês, impactado com o episódio ocorrido em 1562, conhecido como Massacre da Noite de São Bartolomeu , marcado pelos assassinatos de milhares de protestantes, por fiéis católicos, talvez inspirado por Locke, em 1763, escreveu o Tratado sobre a Tolerância.             Por meio da  UNESCO¹, em sua 28ª Conferência Geral, realizada de 25.10 a 16.11.1995, com apoio da Carta das Nações Unidas que “declara a necessidade de preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra,...a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e...

ILUMINANDO A CAVERNA (*)

Por Roberto Caldas (*) Platão (Atenas – 428 a 347 AC) numa de suas mais lidas obras, A República, transcreve um diálogo socrático que passou para a história como A alegoria da Caverna. Nesse diálogo o filósofo Sócrates (469 a 399 AC) conversa com Glauco a respeito da forma como se pode ver o mundo a partir das posições adotadas em determinadas circunstâncias. Ele fantasia uma caverna onde homens presos pelos pés e pela cabeça se encontram de costas para a abertura da mesma e só podem ver o mundo através das sombras projetadas em uma parede à frente criadas por uma fogueira que se encontra às suas costas. Daí eles nada vêem ou sabem além do que aquelas sombras projetam e a compreensão do mundo não passa senão das percepções que têm daquelas imagens. Então, uma daquelas pessoas é solta e levada para conhecer além das sombras projetadas, conhece o fogo que tinha às costas, vê as pessoas que passavam e tinham as suas imagens projetadas, alcança a abertura da caverna e e...

OS ESPÍRITAS FAZEM PROSELITISMO?

  Por Francisco Castro (*) Se entendermos que fazer proselitismo é montar barracas em praça pública, fazer pessoas assinar fichinha, ou ter que fazer promessa de aceitar essa ou aquela religião? Por outro lado, se entendermos que fazer proselitismo significa fazer visitação porta a porta no sentido de convencer alguém, ou de fazer com que uma pessoa tenha que aceitar essa ou aquela religião? Ou, ainda, de dizer que essa ou aquela religião é a verdadeira, ou de que essa ou aquela religião está errada? Não. Não, os Espíritas não fazem proselitismo! Mas, se entendermos que fazer divulgação da existência da alma, da reencarnação, da comunicabilidade dos Espíritos, da Doutrina dos Espíritos, do Ensino Moral de Jesus e de que ele é modelo e guia da humanidade e não de certa parcela de uma nacionalidade ou de uma religião? A resposta é sim! Os Espíritas fazem proselitismo sim! Qual seria então a razão de termos essa grande quantidade de jornais e revistas espírita...

UNIFICAÇÃO OU ECUMENISMO?

“Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco; é preciso também a essas eu conduza; elas escutarão a minha voz e haverá um só rebanho e um único pastor. Jesus ( Jo, 10:16)             A Ilíada de Homero (750 a. C.), uma das epopéias da literatura grega, oferece-nos o episódio do cerco a que foi submetido os troianos, e que durou cerca de 10 anos, somente vencidos em decorrência da astúcia do herói Ulisses, que constrói grande cavalo de madeira, abandonado às portas de Tróia, após fingir retirada. Apesar dos presságios de Cassandra, o cavalo é introduzido na cidade que trazia em seu ventre os guerreiros de Ulisses. Aberta as portas, os gregos investem sendo Tróia completamente saqueada e destruída.           Classifico o episódio de suma importância para nos incitar a reflexões profundas acerca do momento que atravessa o Movimento Espírita.   ...