sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

UM OÁSIS DE AMOR





O começo - 1992 - Uma das primeiras turmas da Educação Espírita

Com a aproximação do final do ano de 2015, meus filhos propuseram um programa diferente, ao invés da orla marítima de Fortaleza, com o tradicional show musical e queima de fogos, desfrutarmos do clima serrano na cidade de Viçosa do Ceará. O programa foi aceito pela maioria, apenas um, dos quatro filhos, não concordou em ir, por ter um programa mais ao gosto de seus três filhos menores e preferiu uma colônia de férias próxima de Fortaleza.
Alugamos duas casas em um sítio próximo à cidade, muito confortáveis, com piscina e cercadas de uma vista linda e verdejante. Mas não dava para abrigar todos, por isso nossa filha mais velha, o marido e as filhas, conseguiram acomodação em um hotel na cidade de Tianguá, distando aproximadamente 30 km de Viçosa, o que permitia em pouco menos de meia hora estarmos todos juntos.

Fachada atual da Oficina Frederico Figner
Há mais ou menos 25 anos eu não visitava Viçosa, lá estive no início da década de 1990, mais ou menos nos primeiros dias da fundação de uma casa espírita que veio a se chamar Centro Espírita O Pobre de Deus, em homenagem a Francisco de Assis, por isso fiz contato com o confrade e amigo Everaldo Mapurunga, o qual já nos instou a visitarmos as instalações da entidade, que fica localizada na Vila Oiticicas, distrito Lambedouro, distante aproximadamente 13 Km de Viçosa, quando teríamos a oportunidade de falar sobre o nosso livro publicado recentemente sob o título: Um Mundo das Pessoas Sem Corpo, contendo interpretações sobre alguns pontos da Doutrina Espírita.
Crianças em atividade pedagógico no Sítio Caminho de Damasco

Chegamos no dia 30 de dezembro em Viçosa e no dia 31 pela manhã, eu e Expedita, em companhia de Everaldo, fomos conhecer o Sítio Caminho de Damasco, que é um dos instrumentos de sustentação econômico-financeira do trabalho. Visitamos as instalações onde funciona o Centro Espírita O Pobre de Deus e ficamos maravilhados com a estrutura do trabalho, a organização, o asseio e com a disposição das pessoas que colaboram nas atividades. Ficou acertado que à noite lá voltaríamos para participar da solenidade festiva que se realizaria na quadra esportiva, quando teríamos oportunidade de falar alguns minutos sobre a temática do livro, para as famílias presentes.
Crianças em frente ao Pão da Vida - Dez/2013
Ao longo do trajeto, Everaldo nos foi falando sobre o desenvolvimento das atividades e das dificuldades enfrentadas ao longo de aproximadamente 25 anos de atividade espírita naquela localidade, resistências políticas e religiosas, mas que não conseguiram obstar o prosseguimento do trabalho, hoje de grande alcance social e profissional para a comunidade.
À noite, tive a grata surpresa de encontrar um grande amigo, Dr. Olinto Franklin Gadelha, a quem há décadas não tinha oportunidade de ver, ele a quem conheci ainda adolescente, quando ingressamos na Escola Industrial de Fortaleza na década de 1960, hoje ele é um magistrado aposentado, exercendo a advocacia na cidade de Viçosa.  Revi também o confrade Pedro Nogueira, nosso conhecido do CRE - Circulo de Renovação Espiritual, de Fortaleza, mais conhecido como o centro da D. Milena, já desencarnada.
Fachada da escola Allan Kardec

Em seguida fomos brindados pela amostra de cultura e habilidade instrumental das crianças e jovens, especialmente da apresentação de canto e das peças musicais executadas por uma bandinha composta por menores instrumentistas, merecendo destaque a habilidade e disciplina musical daqueles jovens músicos. Ao final foi apresentado um vídeo elaborado por um jovem integrante do projeto, no qual foi contada em fotografias a história do trabalho ali realizado.
Posteriormente visitamos o “Pão da Vida”, que é uma espécie de empório localizado na zona central da cidade, onde funciona uma padaria, restaurante a  la carte e self service, com instalações muito bem cuidadas. Importante ressaltar o “Baú do Tesouro”, que é um cantinho no Pão da Vida, onde o visitante encontra o tesouro que é o Evangelho de Jesus à luz da Doutrina Espírita e pode lê-lo à vontade. Importante ressaltar que a sustentabilidade financeira do trabalho realizado pelo C. E. O Pobre de Deus é viabilizada pelo sítio Caminho de Damasco e pelo que eu chamei de empório, a Padaria Pão da Vida.
Oficinas vista do fundo - O prédio do meio é a atual sede do C.E. Pobre de Deus
O Trabalho realizado pelo Centro Espírita O Pobre de Deus tem ensejado a publicação de trabalhos acadêmicos em nível de graduação e até uma tese de mestrado do Curso de Educação do Programa de Pós Graduação em Educação Brasileira, da Universidade Federal do Ceará, de Francisco Jahannes dos Santos Rodrigues, sob o título “EDUCAÇÃO, JUVENTUDE E ESPERANÇA NO SERTÃO DE OITICICAS – VIÇOSA DO CEARÁ: AS APRENDIZAGENS EXPERIENCIAIS REALIZADAS NO CENTRO ESPÍRITA O POBRE DE DEUS”, tendo como orientadora a Professora Doutora Ercília Maria Braga de Olinda, de onde, na p.35, colhemos a delicada expressão “Uma flor brota no sertão” ao se referir ao Centro Espírita o pobre de Deus.

O Boletim SEI nº 2128, publicação do Lar Fabiano de Cristo, edição de 10.01.2009, deu a “O POBRE DE DEUS” o título “UMA FLOR EM MEIO AO DESERTO”. A Tese de Mestrado de Francisco Jahanes dos Santos Rodrigues utilizou a expressão “UMA FLOR BROTA NO SERTÃO”. Daí, na mesma linha, termos escolhido para titular esse texto uma expressão carinhosa e bem apropriada para, em nossa modesta opinião, designar o trabalho realizado pelo Centro Espírita O Pobre de Deus: “UM OÁSIS DE AMOR”.


(*) escritor espírita, membro da AMLEF, integrante da equipe do programa Antena Espírita, e voluntário do C.E. Grão de Mostarda.

3 comentários:

  1. Olá, Castro,
    Não tens noção, mas estás criando um roteiro turístico espírita. Quem for a Serra da Ibiapaba, necessariamente tem que conhecer as atividades do C.E. "O Pobre de Deus" e conhecer o confrade, colega irmão e amigo Everaldo Mapurunga. Parabéns, conseguiste descrever de forma poética o que é "O Pobre de Deus".

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  2. Francisco Castro de Sousa15 de janeiro de 2016 14:26

    Jorge Luiz, a poesia que você enxerga, vai por conta das fotografias que você acrescentou ao meu texto, obrigado pelo carinho das suas palavras. Tenho certeza que os trabalhadores do C.E. O Pobre de Deus também gostaram da sua interpretação do texto. Penso que podemos, qualquer dia desses, marcar uma visita lá. Forte abraço. Castro

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  3. Lindo texto com sensibilidade para registrar em palavras e imagens um trabalho tão lindo e edificante. Parabéns!

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