Pular para o conteúdo principal

31.03 - 146 ANOS DA DESENCARNAÇÃO DE ALLAN KARDEC


"Não verás, nesta existência, senão a aurora do sucesso de tua obra; será necessário que retornes, reencarnado num outro corpo, para completar o que tiveres começado, e, então, terás a satisfação de ver, em plena frutificação, a semente que tiveres difundido sobre a Terra." (Espírito Zéfiro)


Por Jorge Luiz (*)




            Além da mensagem do Espírito Zéfiro afirmando a necessidade do retorno de Allan Kardec, existe outra do Espírito da Verdade, intitulada “Meu Retorno”, publicada em Obras Póstumas, reproduzida a seguir:


Prossegui o caminho sem medo, e se ele está semeado de espinhos, asseguro-te que terás grandes satisfações antes de retornares "por um pouco" entre nós.

P. Que entendeis por essas palavras "por um pouco"?
R. Não ficarás muito tempo entre nós; é necessário que retornes para terminar a tua missão, que não pode ser rematada nesta existência. Se isso fosse possível, não te irias daí de modo algum, mas é preciso suportar a lei da Natureza.

Estarás ausente durante alguns anos e, quando voltares, isso será em condições que te permitirão trabalhar cedo. No entanto, há trabalhos nos quais é útil que termines antes de partir; é porque te deixaremos o tempo necessário para acabá-los.

            Faz 146 anos de sua desencarnação. Nas últimas décadas, desconhecidos e conhecidos do movimento espírita se autoproclamaram ser a reencarnação de Allan Kardec, como são os casos, apenas para ilustrar, de Alziro Zarur (1914-1979), presidente da Legião da Boa Vontade (LBV) e Osvaldo Polidoro (1910-2000), um dos fundadores da Federação Espírita do Estado de São Paulo, criador do Divinismo e autor de mais de uma centena de obras.

Diversas correntes de espíritas, entretanto, afirmam que Francisco Cândido Xavier é a reencarnação de Allan Kardec, se bem que esse nunca chegou a confirmar, muito pelo contrário, negava peremptoriamente. A professora Dora Incontri escreveu um belíssimo artigo a esse respeito - “Chico Xavier não é Kardec” -, publicado nesse espaço.(leia)
Tudo isso surge devido às conclusões de Allan Kardec, colocada em forma de “nota” no final da mensagem do Espírito da Verdade, que esse retorno dar-se-ia por volta do final do século XIX e início do século XX. É preciso admitir que Kardec analisou a questão temporal no curso da matéria, que é muito diferente da eternidade que é a dimensão do Espírito.
Não há relevância em se discutir tais questões, afinal, ficar-se-á somente em especulações. Entretanto, ficam duas perguntas: por que os espíritas brasileiros são convictos de que Kardec tem necessariamente que reencarnar no Brasil? Será que só pelo simples fato de o Brasil deter hoje o maior número de espíritas do Planeta? Deste ponto nascem reflexões!
O que é relevante na mensagem do Espírito da Verdade é a necessidade de a obra ser complementada. Para que isso ocorresse, far-se-ia necessário que o Espiritismo estivesse trilhado as etapas definidas por Kardec universalmente. Não há motivos para ele reencarnar aqui e em nenhum outro País, ao se considerar o desejo do Espírito da Verdade.
A professora Dora Incontri fortalece mais esse pensamento, no artigo citado logo a seguir, onde ela conclui:

(...) É por isso que meu trabalho tem sido no sentido de resgatar Kardec e seus antecessores diretos: Comenius, Rousseau, Pestalozzi – todas personalidades de vanguarda, com pensamento social avançado, com projetos libertários de Educação. É desse caldo cultural que nasceu o Espiritismo. (...)
(...) E essa raiz é representada por Kardec, que por todas as razões vistas e muitas outras que não é possível comentar aqui, não reencarnou como Chico, não reencarnou ainda, porque teríamos de reconhecê-lo por sua mente poderosa, por sua liderança equilibrada e segura e por trazer uma contribuição muito melhor que a de Chico e mesmo melhor que a do próprio Kardec, pois senão não haveria razão para reencarnar-se.

O Espiritismo hoje está presente em mais de 30 países, em sua maioria, através de iniciativas da Federação Espírita Brasileira (FEB), da Associação Médico-Espírita do Brasil (AME-BRASIL) e do médium e tribuno baiano Divaldo Franco. Indiscutivelmente, há uma tendência de brasilinialização do movimento espírita internacional. Bom ou ruim? São três formas bem distintas de transnacionalização do Espiritismo.

Federação Espírita Brasileira (FEB)
Apesar da hegemonia que o movimento espírita brasileiro goza, a dinâmica federativa implementada pela FEB, a sua organização e funcionamento das casas espíritas não a legitimam no contexto desse movimento, o que tem gerado críticas e discussões. Apesar desse cenário, é desse modelo que os outros países dependem para construção de uma identidade e se afirmarem “universais”.
É preciso entender que a experiência histórica do Espiritismo no Brasil, via FEB, é um caldo sincrético, que resultou em um religiosismo igrejeiro, nascido do rustanismo-católico instituído por Dr. Bezerra de Menezes, quando do seu segundo mandato como presidente da FEB. O tríplice aspecto, emblemático no triângulo de Emmanuel – ciência, filosofia e religião -, atropelou a Doutrina Filosófica-Moral de Kardec, fazendo prevalecer o Espiritismo como uma nova religião cristã, sepultando a sua força primordial que é o aspecto filosófico, como afirma Allan Kardec em O Livro dos Espíritos. Para um país sem tradição científica-filosófica, foi fácil adaptar o Espiritismo como religião.
A tradição científica-filosófica e pedagógica, somente alcançada por alguns pensadores espíritas, é que subverte essa ordem, e que pode ser o prenúncio de novos tempos. É dessa heterogeneidade de ordem interna, fruto da falta da unidade de princípios, que também surgem de ordem externas, resultando resistências de alguns países em acolher totalmente o modelo febiano, como é o caso específico da França, como afirma Berard Lewgoy¹ em seu estudo “A Transnacionalização do Espiritismo Kardecista Brasileiro: Uma Discussão Inicial”:

É mister indicar que se trata do Espiritismo mais cioso da manutenção de uma independência em relação ao Espiritismo brasileiro, perceptível pela tímida introdução da bibliografia brasileira nos documentos, jornais e sites do movimento.

Associação Médico-Espírita do Brasil (AME-BRASIL)
Apoiada no paradigma médico-espírita, a AME-Brasil, em parceria com a AME-Internacional, divulgam o Espiritismo no contexto medicina-espiritualidade, realizando vários congressos, seminários, entrevistas, livros, pesquisas, projetando estratégias de restruturação e validação do movimento espírita, e, consequentemente, o Espiritismo, pela via da credibilidade acadêmica.
Portanto, a AME-Brasil através de um discurso científico-psicológico, associado às teorias espíritas das doenças, distancia-se da identitária religiosa-igrejeira do movimento espírita brasileiro, até por exigências das coordenações de eventos das espécies no exterior, o que sinaliza novos caminhos para o Espiritismo.

Divaldo Franco
Divaldo Franco tem sido fundamental para a construção de redes espíritas no exterior entre brasileiros e estrangeiros. A divulgação realizada pelo médium e tribuno baiano, Divaldo Franco, é centrada no carisma do médium, aliada à vasta obra psicografada por ele. É conhecido por “Paulo de Tarso do Espiritismo”. Ao contrário do Brasil, afirma Lewgoy:

Os franceses que escrevem livros espíritas são pesquisadores que abordam temas e não médiuns que psicografam mensagens de grandes personagens ou romances, como é comum entre os brasileiros, a despeito da grande importância da psicografia na história do Espiritismo francês.

Divaldo tem como hábito fortalecer as posições federativas estaduais e nacional. No exterior, ele expressa esse mesmo paradigma, apoiando o caráter expansionista da FEB, articulando uma brasilianização do Espiritismo, sem a perda identitária com Allan Kardec.
O movimento espírita como um todo, portanto, encontra-se em uma encruzilhada: se existe uma França que zela pela sua autoctonia, tem-se um movimento espírita internacional que concorda, embora de maneira tácita, com a hegemonia brasileira.
Não será provável que se esteja transitando o período considerado de intermediário, que Allan Kardec afirma que na época própria receberia denominação característica? A comprovação da reencarnação como Lei Biológica, dentro do primado da consciência, esse período poderá se chamar de período científico, consolidando o Espiritismo como ciência do Espírito, inaugurando a cultura espírita, fundamental para a transformação moral da Humanidade, como afirma o Dr. Décio Iandoli Júnior, em sua obra A Reencarnação como Lei Biológica:

Poderíamos apresentar duas categorias principais de mudanças decorrentes da aceitação da reencarnação como lei biológica: modificações conceituais e estruturais das ciências da vida e mudanças filosóficas e morais.

A conclusão de Iandoli é de fundamental importância para entendermos Allan Kardec, quando afirma em “A Gênese”, no capítulo XVIII, Sinais dos Tempos:

Não é o Espiritismo que cria a renovação social, é a madureza da humanidade que faz de tal renovação uma necessidade.
                       
Diante desse cenário, embora se mostre necessária, Kardec dificilmente reencarnará, pelo menos até que se cumpra a profecia do Espírito Massilon, em a Revista Espírita, de abril de 1861:

 (...) Esta criança não tem pátria; percorre toda a Terra, procurando o povo que há de ser o primeiro a arvorar a sua bandeira, e esse povo será o mais poderoso entre os povos, pois tal é a vontade de Deus.



(¹ ) Bernard Lewgoy possui graduação em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, mestrado em Antropologia Social pela mesma universidade e doutorado em Ciência Social pela Universidade de São Paulo – USP. É professor do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É vice-presidente da Câmara de Pesquisa da UFRGS, membro do Conselho Deliberativo do Instituto Latino Americano de Estudos Avançados dessa instituição e membro do Núcleo de Estudos da Religião. É especialista em espiritismo e autor, entre outros, de O Grande Mediador. Chico Xavier e a cultura brasileira (Bauru: EDUSC - PRONEX/CNPQ/Movimentos Religiosos no Mundo Contemporâneo, 2004).


Referências

IANDOLI JÚNIOR, Décio. A reencarnação como lei biológica. São Paulo: FE ED. Jornalística, 2004.
INCONTRI, Dora. Chico Xavier não é Kardec. Canteiro de Ideias. Fortaleza, 2012.
KARDEC, Allan. Obras póstumas. 13. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1973.
KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 1994.
KARDEC, Allan, A gênese.  Rio de Janeiro. FEB. 2010.
LEWGOY, Bernardo. A transnacionalização do Espiritismo kardecista brasileiro: uma discussão inicial. Religião & Sociedade (Impresso), v. 28, p. 84-104, 2008.
                     _______. Revista espírita 1861. Araras, SP: IDE, 1999.



(*) blogueiro e expositor espírita.

Comentários

  1. Francisco Castro de Sousa30 de março de 2015 às 19:05

    Meu Caro Jorge, Excelente maneira de homenagear o Codificador da Doutrina Espírita. Penso na mesma direção que apontas em teu artigo, se aqui no Brasil onde, supostamente, a Doutrina encontrou terreno mais fértil e acabou acontecendo o que retratas em teu texto, imagine em outras partes do mundo! Parabéns! Belo trabalho!

    ResponderExcluir
  2. Caro amigo,
    Grato pelas palavras de estímulo. Há a necessidade urgente de reconstruirmos o movimento espírita brasileiro pois corremos o risco de se perder a identidade espírita, diante dos atalhos e desvios que ele trilha. Levantarmos discussões é salutar para esse intento.
    Abraços

    ResponderExcluir
  3. O retorno de Kardec, se é ou não coincidência, foi lançado neste fim de mês de Junho, o livro, "A PROVA QUE DEUS EXISTE COM BASE CIENTÍFICA" na Livraria "LEITURA" do BH Shopping, em Belo Horizonte. É o primeiro livro de uma trilogia, marcando o retorno á fisicalidade de Kardec, que veio completar o que faltava ainda ele fazer. Pois sabemos que Kardec, através do fenômeno das mesas girantes, provou a existência dos Espíritos, mas faltava ele provar, pela ciência, a existência de Deus.
    Agora ficou muito claro, principalmente, para nós Espíritas, o que era que faltou a Kardec fazer, e o porquê ele teria que retornar!

    "Não verás, nesta existência, senão a aurora do sucesso de tua obra; será necessário que retornes, reencarnado num outro corpo, para completar o que tiveres começado, e, então, terás a satisfação de ver, em plena frutificação, a semente que tiveres difundido sobre a Terra." (Espírito Zéfiro)
    Além da mensagem do Espírito Zéfiro afirmando a necessidade do retorno de Allan Kardec, existe outra do Espírito da Verdade, intitulada “Meu Retorno”, publicada em Obras Póstumas, reproduzida a seguir:

    Prossegui o caminho sem medo, e se ele está semeado de espinhos, asseguro-te que terás grandes satisfações antes de retornares "por um pouco" entre nós.

    P. Que entendeis por essas palavras "por um pouco"?
    R. Não ficarás muito tempo entre nós; é necessário que retornes para terminar a tua missão, que não pode ser rematada nesta existência. Se isso fosse possível, não te irias daí de modo algum, mas é preciso suportar a lei da Natureza.

    Estarás ausente durante alguns anos e, quando voltares, isso será em condições que te permitirão trabalhar cedo. No entanto, há trabalhos nos quais é útil que termines antes de partir; é porque te deixaremos o tempo necessário para acabá-los.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

TELEOLOGIA BIOSSOCIAL: A SOCIOBIOLOGIA DO REINO E A JORNADA DO ESPÍRITO

    Bota de Orwell   Jorge Luiz          A Escala da Consciência na Matéria Social A “bota pisando num rosto humano” é a famosa metáfora de George Orwell para apresentar uma visão sombria, pessimista e de pesadelo sobre o futuro da humanidade. No mundo de Orwell, não haveria emoções, mas tão somente medo, raiva, triunfo e humilhação. É o mundo de hoje. Por trás desse aparente caos, há uma harmonia que governa e se realiza a partir da tríade universal — Deus, Espírito e Matéria — como bem ensinam os Espíritos. Abraçando o elemento material, é necessário ajuntar o Fluido Cósmico Universal (FCU), conforme O Livro dos Espíritos (L.E.), questão nº 27. Do FCU, o Espírito elabora um invólucro semimaterial, vaporoso e sutil, que serve de ligação entre ele e o corpo físico; extraído do fluido universal do ambiente, ele dá forma ao Espírito, permitindo sua ação, percepção de sensações e manifestação (L.E., Q. 94), denominado por Ka...

GUERRA CULTURAL – COMO INVENTAR INIMIGOS E MANIPULAR PESSOAS

     Por Maurício Zanolini        O escritor George Orwell, pouco antes do final da II Guerra Mundial, criou uma fábula para contar a revolução bolchevique que implantou um comunismo na Rússia e seus desdobramentos. No livro A Revolução dos Bichos somos apresentados aos animais da Granja do Solar, que cansados da exploração dos humanos, fazem uma revolução proletária, que começa romântica, igualitária e fraterna, e vai ficando cada vez mais sombria, autoritária e violenta.

MORFOGÊNESE DO REINO: O "EN MARCHE!" DE CHOURAQUI E O MANIFESTO DE MYERS

  Imagens de IA   Por Jorge Luiz       O VERBO EM MARCHA: A Exegese de Chouraqui e a Morfogênese do Reino Este capítulo abandona a ideia de Reino como "lugar" e o apresenta como "processo biológico e social".             A polêmica joanina de que o “Verbo se fez carne” – João 1:1-14 –, que faz parecer, implicitamente, que há uma identificação entre Deus e Jesus, mereceu uma atenção especial de Allan Kardec, embora só tenha se tornada pública após a sua desencarnação.             Tão controversa que, somente no IV século uma parte da Igreja a adotou. Vê-se que, a decisão foi dos homens e não uma revelação divina, já que não foi o próprio Jesus que a considerou, tão somente, João, o evangelista.             Carlos Pastorino também a analisou azeitando ainda mais as considerações de Kardec,...

O CENTRO ESPÍRITA: O QUE PENSOU KARDEC

                         Representação gráfica de uma sessão na SPEE (créditos: CCDPE-ECM ) Por Jorge Luiz                  Em Salvador, 1865, foi fundado o primeiro centro espírita no Brasil, por Luis Olímpio Teles de Menezes, denominado Grupo Familiar do Espiritismo. Teles ficou conhecido pelas polêmicas travadas pelos representantes locais da Igreja Católica. Em 1866, Teles publicou O Espiritismo – Introdução ao estudo da doutrina espirítica, a partir de extratos de O Livro dos Espíritos. Somente sete anos depois (1873) irá surgir no Rio de Janeiro a segunda instituição espírita – O Grupo Confúcio, que foi o responsável pela primeira tradução das obras de Allan Kardec.

É HORA DE ESPERANÇARMOS!

    Pé de mamão rompe concreto e brota em paredão de viaduto no DF (fonte g1)   Por Alexandre Júnior Precisamos realmente compreender o que significa este momento e o quanto é importante refletirmos sobre o resultado das urnas. Não é momento de desespero e sim de validarmos o esperançar! A História do Brasil é feita de invasão, colonização, escravização, exploração e morte. Seria ingenuidade nossa imaginarmos que este tipo de política não exerce influência na formação do nosso povo.

O FUNDAMENTALISMO E A EXTREMA DIREITA¹

  Por Dora Incontri A breve entrevista com as senhoras apoiadoras de Bolsonaro no domingo, publicada e comentada por meio mundo, e que teve a incrível fala – “apoio Israel porque sou cristã” – diz muito sobre a extrema direita e o fundamentalismo religioso. Tal fundamentalismo – que é sinônimo de fanatismo – tem algumas características constantes, presentes em todas as religiões. O seu apego à letra e não ao espírito, de uma tradição espiritual, portanto, leitura literal, sem interpretação de texto, sem contextualização, acrítica. A escolha e até a adaptação dessa leitura ao que há de mais opressor, conservador e por isso destoante de uma visão aberta, acolhedora, fraterna, compassiva. O fundamentalismo é alimentado por líderes perversos, interesseiros e hipócritas e aceito e multiplicado por pessoas simplórias, emocionalmente vulneráreis, sem base cultural – como essas senhorinhas da citada entrevista. Oportunismo e perversidade de um lado, ingenuidade e ignorância de outro.

PACTO ÁUREO?

Por  Jorge Hessen (*)   Outubro de 2014 - 65 anos do Pacto Áureo Os primórdios do “espiritismo” De conformidade com as fontes compulsadas, identificamos os primórdios do movimento “pré-espírita” brasileiro nas experiências dos partidários do mesmerismo (1). Dentre os seus adeptos, encontramos os médicos homeopatas Benoît Jules Mure (francês) e João Vicente Martins (português). Ambos chegaram ao Brasil em 1840. Havia mais apaixonados pela técnica de Mesmer, a exemplo de José Bonifácio de Andrada e Silva (o “Patriarca da Independência”), igualmente adepto à homeopatia, e Mariano José Pereira da Fonseca (Marquês de Maricá), este último publicou um livro de essência “pré-Codificação espírita, em 1844. O “Espírito” Humberto de Campos explanou em “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho” (*) que Benoît Jules Mure e João Vicente Martins “fariam da medicina homeopática verdadeiro apostolado. Muito antes da codificação espírita já conheciam os tran...

DESUMANIZAÇÃO NO MOVIMENTO ESPÍRITA¹

  O assunto é pesado, mas não podemos nos omitir em tecer algumas reflexões em torno de um episódio ocorrido na Federação Espírita do Estado de São Paulo (07/2017). Chequei a informação em diversas fontes, antes escrever esse texto. Resumindo, para quem não soube ou não leu nas redes sociais, um companheiro espírita, Claudio Arouca, ficou desaparecido mais de 48 horas e a última notícia que se tinha dele era de que ele estava na FEESP. A família, depois de algumas horas do desaparecimento, desesperada, procurou a instituição e, pelo que narraram, não foi acolhida, não lhe foram fornecidas as gravações das câmeras e ninguém procurou pelo desaparecido. Apenas 48 horas depois, receberam da própria FEESP um telefonema dizendo que o corpo tinha sido encontrado no banheiro. Mas nem assim, foram melhor tratados. Não puderam ter acesso imediato ao familiar que havia morrido de um enfarte, porque estava havendo uma festa na Federação.