Pular para o conteúdo principal

PODE NATAL SEM JESUS?¹





Por Roberto Caldas (*)



         Vivemos uma época de contrastes e dissimulações. Jamais foi tão importante, na história da humanidade, a conquista do raciocínio rápido munido por princípios definidos, para nos prevenirmos das incessantes armadilhas do caminho. O fato ou a lenda que passou para a história como o “Cavalo de Tróia”, quando os romanos conseguiram dominar aquela cidade oferecendo-lhe um presente que escondia uma intenção literalmente perversa, é emblemático para as situações que acontecem em nossa época. As técnicas publicitárias, dependendo dos produtos que representam, são verdadeiros cavalos de tróia, induzindo aos que vacilam na interpretação a colocarem, para dentro de suas vidas verdadeiros venenos para o corpo e para a alma. Na lei do consumo até já existe a felicidade engarrafada, transformada num dos maiores espetáculos em vendas ao redor do mundo.


            Triste, mas compreensível, que nessa perspectiva atual, até mesmo os conceitos mais profundos acabem interpretados superficialmente. Estamos diante de mais um Natal, época em que celebramos a mítica data do nascimento de Jesus, mas curiosamente o aniversariante está ausente e não pode assoprar as velinhas. Nos festejos produzidos há comida, bebida, trocas de presentes, shows pirotécnicos, aglomerações, mas onde está o aniversariante?
            Infelizmente Jesus se tornou também um produto. Há quem tente convencer ao mundo que pode vendê-lo e quem afirme sem sombras de dúvida que o comprou, logo ali na esquina mais próxima. Incrível como há quem deposite suas apostas de espiritualidade na busca de uma caricatura de pseudo-entrega, supostamente baseada na crença de salvação pelo suposto sacrifício de Jesus e da troca daquele sacrifício por valores meramente financeiros.
            Fazendo contraponto a toda essa turvação visual, Allan Kardec em A Gênese, traz uma poética visão de Jesus e de sua missão na Terra, assinalando o seu interesse de Espírito Superior e guardião da mensagem de transformação da humanidade. O Mestre pode ser entendido durante a sua passagem pelo planeta como “o nobre que despe temporariamente suas vestes, para envergar os trajes plebeus, sem deixar por isso de ser nobre”. Jesus esteve entre nós, composto como tal, mas representava a falange do Bem Maior, aquele que não cai hesitante diante das loucuras de um mundo que perdeu a sua identidade porque se esqueceu de Deus e finge segui-lo enquanto faz as honras para Mamon, apesar de ter sido dito que “não se podeis servir simultaneamente a Deus e a Mamon” (Lucas: XVI – 13).
            Celebração significa reverenciar solenemente. Reverenciar nos remete ao ato do mais profundo respeito. Respeitar nos impõe em honrar a memória de quem respeitamos. O Natal é um momento em que é necessário encontrarmos Jesus dentro de nossas vidas para celebrar, reverenciar e respeitar. Natal sem Jesus é um nome sem propósito, palavra sem sentido, busca sem objetivo, queda no vazio. Livremo-nos das armadilhas e das contradições desses novos tempos mantendo o firme propósito de permitir a Jesus um lugar de assento em nossos corações, também nesse Natal.

¹ editorial do programa Antena Espírita de 22.12.2013.
(*) editorialista do programa Antena Espírita e voluntário do C. E. Grão de Mostarda.

            

Comentários

  1. Caro Roberto!
    Parabéns pelo artigo!
    Pesquisando no google uma figura para ilustrar o texto, através da palavra "natal" só encontrei imagens do papai noel e a simbologia natalina. A imagem acima só foi acessada quando postei "nascimento de Jesus". Portanto, não pode haver Natal sem Jesus.
    Feliz Natal a você, extensivo a todos os nossos leitores e seguidores.
    Fraternal abraço!

    ResponderExcluir
  2. Francisco Castro de Sousa24 de dezembro de 2013 às 12:40

    Um belo texto tinha que ter uma bela imagem para ilustrar! Parabéns ao ilustrador e ao autor do texto! Canteiro de Ideias está terminando o ano fazendo sucesso até no Paquistão.
    As boas ideias são assim, se consolidam naturalmente. Feliz Natal a todos os leitores, e não esqueçam Dele, Jesus!

    ResponderExcluir
  3. Valeu Castro! Nossas conversas, que buscamos ser sempre dignificantes ante à causa espírita, renderam frutos.
    Feliz Natal e forte abraço!

    ResponderExcluir
  4. De fato, o texto segue simples e objetivo. Como celebrar Natal sem a figura de Jesus?
    É sempre bom falar sobre Jesus ainda mais nesta época tão linda. :)

    Parabéns a todos pelo blog e.... Feliz Natal Jesus!!

    ResponderExcluir
  5. Estou desconfiando que há um movimento, no mundo, para resgatar o aniversariante que todos comemoram mas não falam nele! Neste natal, vejo muita coisa escrita e falada sobre o fato de Jesus ficar "no canto". O papai Noel tomou de conta e Jesus ficou "no canto" rsrs. Estamos acordando?? Tomara! Sem Jesus, não é natal! Feliz Natal aos amigos queridos deste blog lindo! Grande abraço a vcs!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

A CONTRIBUIÇÃO DE JOSÉ HERCULANO PIRES (1914-1979)

  09.03 - ANIVERSÁRIO DA DESENCARNAÇÃO DE JOSÉ HERCULANO PIRES - NOSSA HOMENAGEM  Por Dora Incontri (*) Ainda poucos no movimento espírita conseguem aquilatar a contribuição única que Herculano dera ao desenvolvimento do espiritismo. A primeira dessas contribuições está na própria compreensão da idéia espírita. Tratando-se de uma revolução conceitual, uma quebra de paradigma, um passo inédito na história do conhecimento – a sua dimensão e o impacto renovador de suas propostas ainda não foram entendidos pelos seus adeptos mesmos, que o tocam apenas superficialmente, carregados dos vícios religiosos do passado, incapazes de singrarem nos mares abertos, descortinados por Kardec.

PARÁBOLA DOS TALENTOS E REENCARNAÇÃO

  A “Pluralidade das Vidas Sucessivas”, o “Nascer de Novo” ou a Doutrina da Reencarnação, anunciada por Jesus e perfeitamente explicada hodiernamente pelo Espiritismo, já era do conhecimento dos apóstolos e ignorada pelo povo em geral, como afirmou o Mestre: “Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido” (1). Disse, igualmente: “Bem-aventurados, porém, os vossos olhos, porque veem; e os vossos ouvidos, porque ouvem. Pois em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não viram; e ouvir o que ouvis e não ouviram (2).

SOCIALISMO E ESPIRITISMO: Uma revista espírita

“O homem é livre na medida em que coloca seus atos em harmonia com as leis universais. Para reinar a ordem social, o Espiritismo, o Socialismo e o Cristianismo devem dar-se nas mãos; do Espiritismo pode nascer o Socialismo idealista.” ( Arthur Conan Doyle) Allan Kardec ao elaborar os princípios da unidade tinha em mente que os espíritas fossem capazes de tecer uma teia social espírita , de base morfológica e que daria suporte doutrinário para as Instituições operarem as transformações necessárias ao homem. A unidade de princípios calcada na filosofia social espírita daria a liga necessária à elasticidade e resistência aos laços que devem unir os espíritas no seio dos ideais do socialismo-cristão. A opção por um “espiritismo religioso” fundado pelo roustainguismo de Bezerra Menezes, através da Federação Espírita Brasileira, e do ranço católico de Luiz de Olympio Telles de Menezes, na Bahia, sufocou no Brasil o vetor socialista-cristão da Doutrina Espírita. Telles, ao ...

CRÔNICAS DO COTIDIANO: O CÃO CUIDADOR

           Em uma cidade no interior do Estado do Ceará, um cachorro atropelado é cuidado por outro durante mais de uma noite até ser socorrido. E mais, o cão cuidador lambia e passava a pata sobre o cão ferido, em tentativas de reanimá-lo. Tão logo o acidentado foi colocado dentro da viatura de socorro, o cuidador pulou para dentro do carro e o acompanhou até a clínica. Pela idade, sugere-se que são irmãos. Cuidador e acidentado estão bem, aguardando interessados para adoção.

CONVICÇÃO OU COAÇÃO?

    Por Doris Gandres           Neste momento em que vivemos, presenciando cotidianamente um bombardeio de informações massacrantes, informações de todo tipo, de origens as mais variadas, inclusive de pessoas e grupos considerados pelo que chamam “massa” como “inquestionáveis”, arquitetadas para doutrinar mentes de tal maneira a seu modo, pensando (?) e agindo conforme seus interesses pessoais de poder e domínio, me pergunto onde se enterrou a liberdade de pensamento, de questionamento, de análise, como a própria criatura se permitiu tal abuso e se entregou?             Terá existido na humanidade, em algum momento, uma convicção espontânea, sincera, nascida em seu íntimo, sem nenhuma influência externa, apenas fruto de observação atenta e crítica? Talvez à época mais rudimentar do ser humano, ainda rude e bruto, somente preocupado em sobreviver nas precárias condições de seu tempo – o que...

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

MORFOGÊNESE DO REINO: O "EN MARCHE!" DE CHOURAQUI E O MANIFESTO DE MYERS

  Imagens de IA   Por Jorge Luiz       O VERBO EM MARCHA: A Exegese de Chouraqui e a Morfogênese do Reino Este capítulo abandona a ideia de Reino como "lugar" e o apresenta como "processo biológico e social".             A polêmica joanina de que o “Verbo se fez carne” – João 1:1-14 –, que faz parecer, implicitamente, que há uma identificação entre Deus e Jesus, mereceu uma atenção especial de Allan Kardec, embora só tenha se tornada pública após a sua desencarnação.             Tão controversa que, somente no IV século uma parte da Igreja a adotou. Vê-se que, a decisão foi dos homens e não uma revelação divina, já que não foi o próprio Jesus que a considerou, tão somente, João, o evangelista.             Carlos Pastorino também a analisou azeitando ainda mais as considerações de Kardec,...

MATERIALIZAÇÃO DE ESPÍRITOS - NOVO TESTAMENTO E ESPIRITISMO

  O aparecimento de seres espirituais, em determinados momentos, sendo vistos por mais de uma pessoa, é um dos mais expressivos fenômenos mediúnicos de efeitos físicos, exemplificados na Bíblia e na Doutrina Espírita. Esse sublime acontecimento não é observado nos templos das religiões dogmáticas. Contudo, nos arraiais espiritistas, além da constatação do fato, há explicação de como ocorre, desde que Jesus prometera que o Consolador que o Pai enviaria em seu nome nos ensinaria todas as coisas, além de nos lembrar de tudo o que ele disse (João 14:25-26).

OS PIORES INIMIGOS – 3ª PARTE: A DUREZA

  Por Marcelo Teixeira                A viagem de Jesus e Pedro entre as cidades de Cafarnaum e Magdala prossegue. Nela, Pedro, tão temeroso em se defrontar com inimigos externos, vai se deparando com os internos e mostrando os conflitos íntimos pelos quais passam todas as pessoas, principalmente as que percebem ser preciso reavaliar condutas, pensamentos e conceitos. Neste terceiro artigo da série (baseada no capítulo 31 do livro Luz Acima ), quem se apresenta para ser colocada no centro da discussão é a dureza.