Pular para o conteúdo principal

O ABORTO COMO QUESTÃO DE FÉ

 

Por Jorge Luiz

           A questão n.º 344, de O Livro dos Espíritos, afirma que o Espírito, como ser preexistente, une-se ao corpo no momento da concepção, mas não se completa senão no momento do nascimento. O grito, dizem os Espíritos, que então escapa de seus lábios, anuncia que a criança entrou para o número dos vivos e dos servos de Deus. Na questão n.º 358, os Espíritos são enfáticos: “Há crime sempre que transgredis a lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida de uma criança antes do seu nascimento, pois impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando.” Na questão seguinte, os Espíritos acrescentam que na hipótese em que a gestação ponha em risco a vida da mãe, sim, o aborto é admissível, considerando que: “Preferível é que se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe.

            A psicologia pré-natal propicia conhecimentos que atestam a importância das condições ambientais favoráveis, principalmente, na relação mãe e bebê em todo o período gestacional. Joanna Wilheim, psicanalista, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, atesta que essas condições se dão em três níveis: a do comportamento, a da fisiologia e a da via empática. O uso de quaisquer substâncias ingeridas, como álcool, fumo e drogas, afeta nocivamente o bebê. Diz Wilheim: “as perturbações emocionais maternas que nela provocam alterações neuro-hormonais, ou em sua pressão arterial, também irão repercutir sobre o estado neurofisiológico do feto, ou seja, seu estado emocional.”

            Wilheim, citando Edeltrud Meistermann-Seeger, no prefácio da sua obra A Caminho do Nascimento, diz: “A forma de amor dos pais e seu modelo de tensão e solução marcam os sonhos de cada ser humano. (...) sonhos podem trazer novamente esta constelação à tona, pois o sonhador estava presente no momento do encontro de seus pais na procriação, todos participaram do encontro e voltaram a participar dele durante a sua vida pré-natal.”

            Os avanços da ciência já são suficientes para a comprovação acerca da imortalidade da alma e da reencarnação, e, sobejamente, ratificam os postulados espíritas.

            As consequências espirituais do aborto são diversas. Para o Espírito abortado, é uma existência nula que terá a recomeçar. (Q. 357). As mulheres enfrentam consequências psíquicas (depressão, remorso, psicose grave), físicas (frigidez sexual e esterilidade da mulher), espirituais (obsessão, problemas perispirituais). Para o homem, seja estuprador ou não, passa também por consequências espirituais que se reportarão na vida seguinte.

            Roger Woolger (1944-2011), psicólogo junguiano inglês, através do poder terapêutico de regressão a vidas passas, relata vários casos clínicos de estupros e abortos ocorridos em vidas passadas que se refletem no presente com elevado grau de sofisticação moral e psicológica no qual é preciso considerável habilidade e paciência para deslindá-las (...).” Woolger revela que os laços que prendem os atores dessas tramas se replicam por várias encarnações.

            Não sobram dúvidas a respeito da perspectiva do aborto na visão do Espiritismo, obviamente, essa admissibilidade passa pela preexistência do Ser, considerando-se a imortalidade da alma e as vidas sucessivas do Espírito, presentes os avanços das ciências, o que ratifica a fé espírita como fé raciocinada, a qual enfrenta a razão em todas as épocas da Humanidade.

            Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, no ano de 2022, ocorreram no Brasil 73.024 estupros. A maioria das vítimas é menina: de cada caso, 7 foram cometidos contra crianças de até 13 anos. Há uma subnotificação, segundo o mesmo anuário, pois estima-se que o número de casos de estupro no Brasil é da ordem de 822 mil, sendo que 6 de cada 10 vítimas são vulneráveis, com idade de 0 a 13 anos, vítimas de familiares ou conhecidos.

            A gravidez na adolescência já é um problema de saúde pública mundial especialmente relevante nos países em desenvolvimento – já que 95% dos partos adolescentes ocorrem nesses países – devido ao número crescente de jovens despreparados para a maternidade. São graves os próprios problemas que geram no contexto da família, já para os adolescentes, especialmente do sexo feminino, os prejuízos são mais sérios pela própria imaturidade dessas meninas. Quando se considera as gravidezes pelo estupro, essas implicações são muito mais severas.

            O projeto de Lei 1904/2024, de forma açodada no Parlamento brasileiro, não discute a descriminalização do aborto, mas sim a criminalização das vítimas – mulheres e meninas – e dos médicos. Para um País com desigualdade social profunda, por falta de acesso à moradia, à educação, com baixos salários, concentração de terra e renda, até pelo próprio processo de colonização e escravidão, isso é de um simplismo oportunista.

            O ponto principal nesse questionamento é que ele tem em sua gênese o fundamentalismo religioso, expresso em seu autor que é o deputado Sóstenes Cavalcante, pastor evangélico, teólogo e político brasileiro filiado ao Partido Liberal, um dos integrantes da Frente Parlamentar Evangélica (FPE) no Congresso Nacional, aliás, frente que só defende pautas de hábitos e costumes, de preferência, apoiadas no Antigo Testamento. A entrevista do deputado Cezinha (PSD-SP), que é pastor evangélico e contestou os dados estatísticos oriundos de pesquisas da jornalista que o entrevistava, respondeu que a “pesquisa dele é da Bíblia, da igreja evangélica.”

            Como o exposto até aqui é de enorme transversalidade de pensares e têm de ter uma agenda da sociedade para aprofundar essas decisões, não pode ser tratada de forma simplista como a que aborda esse projeto. Criminalizar as vítimas de um ato hediondo como o estupro é desumano; fundamentar o projeto na Bíblia é um delírio, ou mesmo insanidade, por isso fiz questão de, na qualificação dos deputados, inserir a condição de pastor. Fanatismo religioso, negacionismo, obscurantismo e  perversidade tomaram conta do Brasil. O pior está  por vir.

            Allan Kardec elabora, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, um verdadeiro tratado da fé; no seu capítulo XIX, ele o classifica em: fé religiosa, humana e divina. A que irá nos interessar é a religiosa, que ele classifica como raciocinada e cega.

            Sobre a fé cega, diz Allan Kardec: “A fé cega nada examina, aceitando sem controle o falso e o verdadeiro, e a cada passo se choca com a evidência da razão. Levada ao excesso, produz o fanatismo. Kardec reforça seu ponto de vista: “A fé necessita de uma base, e essa base é a perfeita compreensão daquilo em que se deve crer. Para crer, não basta ver, é necessário sobretudo compreender. A fé cega não é mais deste século (XIX).”

            O pentecostalismo de nossos dias não está no século XXI. É pautado no Antigo Testamento, e de forma pontual, naquilo que é claramente desaconselhado por Paulo, o apóstolo dos Gentios, que é a linguagem dos anjos, (dons de línguas) expresso naquele maravilhoso poema de Amor, ao escrever aos Coríntios (13:1 e 13), que sugiro a leitura integral: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.(...). Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.” Recentemente, postei um artigo sobre a glossolalia, os dons de línguas disseminados pelos pentecostalistas.

            Os dons de línguas (glossolalia), apregoando que as palavras desconexas proferidas pelo crente, “sob transe”, são a “presença do Espírito Santo”, para os pentecostais, é o fundamento maior para o encaminhamento a fim de que o profitente acesse a condição de pastor, em sua maioria. A partir daí o que se tem é uma interpretação enviesada da Bíblia, provocando o que os pentecostais denominam de “abusos espirituais”. Esse cenário é assustador diante da FPE e suas pautas fundamentadas em uma fé cega, tirana, obscurantista, que tem como pano de fundo um projeto de poder.

            Depois da fé, que se desencaminhou, sobram para os brasileiros a esperança e o amor (caridade), segundo Paulo.  A esperança brotou com a mobilização das mulheres que foram às ruas, em várias capitais do Brasil, protestar contra a criminalização das vítimas de estupro e dos profissionais de saúde praticantes de aborto, após 22 semanas de gestação, pautada pelo PL 1904.

            O Brasil chegou a um ponto sem retorno no quesito fanatismo religioso. Atrás deste fanatismo está um projeto de poder defendido por certas lideranças religiosas que, se concretizado, levará a sociedade brasileira a dias de trevas.

            Mais importante que a e a esperança é o amor, segundo Paulo; que ele (o amor) possa inspirar a sociedade brasileira a construir uma Nação crítica e que tenha um Parlamento que seja realmente a voz do povo e não as vozes da Bíblia, da bala, do agro e da indústria.

 

 

Referências:

KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. São Paulo: Lake, 2000.

_____________. O evangelho segundo o espiritismo. São Paulo: Lake, 2007.

WILHEIM, Joanna. O que é psicologia pré-natal. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1997.

_____________. A caminho do nascimento. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003.

WOOLGER, Roger. As várias vidas da alma. São Paulo: Cultrix, 1987.

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

ESPIRITISMO LIBERTADOR(*) E JUSTIÇA SOCIAL: O DESAFIO DE UMA CARIDADE QUE LIBERTA

    Por Jorge Luiz   “A caridade que não questiona o sistema que produz a miséria, é apenas colonialismo com boas maneiras” . (Aimé Césaire) O Espiritismo e a Caridade em ‘Vozes da Seca’. “Seu doutor, os nordestinos têm muita gratidão/Pelo auxílio dos sulistas nessa seca do sertão/Mas, doutor, uma esmola para um homem que é são/Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”. Os versos da música Vozes da Seca , de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, inspirada no prosaico, no simples e no repetitivo do dia a dia, é de uma riqueza exuberante quanto à realização da caridade na dinâmica da vida real. A composição é de 1953, isso é importante para se ter a dimensão da realidade naqueles tempos. Apesar disso, os compositores captam na poesia, que apesar dos sofrimentos prementes, ainda assim, revela a dignidade de um povo, que apesar das dificuldades, não quer viver de esmolas. A “esmola” é apresentada como uma faca de dois gumes: pode destruir a autoestima, “matando de vergonha”,...

UM POUCO DE CHICO XAVIER POR SUELY CALDAS SCHUBERT - PARTE II

  6. Sobre o livro Testemunhos de Chico Xavier, quando e como a senhora contou para ele do que estava escrevendo sobre as cartas?   Quando em 1980, eu lancei o meu livro Obsessão/Desobsessão, pela FEB, o presidente era Francisco Thiesen, e nós ficamos muito amigos. Como a FEB aprovou o meu primeiro livro, Thiesen teve a ideia de me convidar para escrever os comentários da correspondência do Chico. O Thiesen me convidou para ir à FEB para me apresentar uma proposta. Era uma pequena reunião, na qual estavam presentes, além dele, o Juvanir de Souza e o Zeus Wantuil. Fiquei ciente que me convidavam para escrever um livro com os comentários da correspondência entre Chico Xavier e o então presidente da FEB, Wantuil de Freitas 5, desencarnado há bem tempo, pai do Zeus Wantuil, que ali estava presente. Zeus, cuidadosamente, catalogou aquelas cartas e conseguiu fazer delas um conjunto bem completo no formato de uma apostila, que, então, me entregaram.

FANÁTICOS, MANÍACOS E LOUCOS

  Orson P. Carrara Observa-se com frequência os prejuízos e constrangimentos trazidos pelo fanatismo e pelas manias que extrapolam o bom senso. Mas também os desequilíbrios mentais por eles trazidos. Estão em todos os segmentos da vida social. Quando prevalece a falta de discernimento, surgem as loucuras próprias pelos estudos da matemática, da medicina, da música, da filosofia entre outros, comparecendo também nos esportes e nas artes em geral, fruto do fanatismo por determinada área ou manias ao conduzir as próprias atividades.

COMPULSÃO SEXUAL E ESPIRITISMO

  Certamente, na quase totalidade dos distúrbios na área da sexualidade, a presença da espiritualidade refratária à luz está presente ativamente, participando como causa ou mesmo coadjuvante do processo. O Livro dos Espíritos, na questão 567, é bem claro, ensinando-nos que espíritos vulgares se imiscuem em nossos prazeres porquanto estão incessantemente ao nosso redor, tomando parte ativamente naquilo que fazemos, segundo a faixa vibratória na qual nos encontramos. Realmente, na compulsão sexual ou ninfomania, a atuação deletéria de seres espirituais não esclarecidos é atuante, apresentando-se como verdadeiros vampiros, sugando as energias vitais dos doentes. O excelso sistematizador da Doutrina Espírita, Allan Kardec, em A Gênese, capítulo 14, define a obsessão como "(...) a ação persistente que um mau espírito exerce sobre um indivíduo". Diz, igualmente, que "ela apresenta características muito diferentes, que vão desde a simples influência moral, sem sin...

AS ESTRUTURAS FEDERATIVAS ESPÍRITAS NO BRASIL - DIANTE DE UM MOVIMENTO DOUTRINÁRIO CAPENGA

  Por Jorge Hessen As dinâmicas federativas no movimento espírita brasileiro, especialmente aquelas intensificadas e reformuladas na era da internet, revelam-se progressivamente antiquadas, ineficazes e supérfluas. Há muitos anos temos lembrado que tais   estruturas, concebidas em um contexto histórico de desunião,   escassez de informação e limites de comunicação, perderam sua função original diante do amplo acesso contemporâneo às fontes primárias ou secundárias da Doutrina Espírita.

A FARSA DA HISTÓRIA NO CENTRO DO CAPITAL: "ONDE DORMIRÃO OS POBRES?"

    Por Jorge Luiz OS RECENTES EVENTOS NA VENEZUELA ANTECIPARAM A POSTAGEM DESTE ARTIGO, QUE JÁ ESTAVA CONCLUÍDO, MAS QUE AGORA SE TORNA AINDA MAIS NECESSÁRIO.   De Reagan a Leão XIV: A Batalha pelo Cristianismo de Libertação Espero que Karl Marx esteja enganado quando afirmou que a história se repete “duas vezes” ao filósofo alemão Hegel, mas adicionou a sua própria conclusão sobre o caráter da repetição. A tragédia é o evento original, a farsa é a sua repetição, mas com uma diferença. A primeira versão é um evento dramático, enquanto a segunda é uma imitação que, apesar de ridícula, pode não ser menos prejudicial. A frase é a chave para analisar a crise social e geopolítica contemporânea.             A questão que se repete nos tempos atuais é o Império Americano e o Cristianismo de Libertação, cunhado por Michael Lövi, que antes chamava Teologia de Libertação. A arena escolhida é a América Latina, hoje ma...

JESUS PARA O ESPIRITISMO

  Imagem de Chil Vera por Pixabay    Por Marcelo Henrique Jesus foi um homem “normal” e “comum”, em relação às suas características físicas, isto é, materiais-corporais. Sua distinção em relação aos demais homens (daquele tempo e até hoje), evidentemente, pertence ao plano moral, das virtudes e das características egressas de sua progressividade espiritual. *** Toda tentativa de analisar o personagem Jesus sob a ótica espírita principia pelo questionamento de Kardec aos Espíritos, aposto no item 625, de “O livro dos Espíritos”, sobre o modelo ou guia para a Humanidade planetária. A resposta, na competente tradução do Professor Herculano Pires é “Vede Jesus”. Obviamente, não estamos falando de Jesus Cristo, o mito inventado pela religião cristã oficial (Catolicismo) e reproduzido por todas as que lhe sucederam no tempo, um ser meio homem meio divino, filho único (?) de Deus ou integrante do dogma da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), como apregoam...

"FOGO FÁTUO" E "DUPLO ETÉRICO" - O QUE É ISSO?

  Um amigo indagou-me o que era “fogo fátuo” e “duplo etérico”. Respondi-lhe que uma das opiniões que se defende sobre o “fogo fátuo”, acena para a emanação “ectoplásmica” de um cadáver que, à noite ou no escuro, é visível, pela luminosidade provocada com a queima do fósforo “ectoplásmico” em presença do oxigênio atmosférico. Essa tese tenta demonstrar que um “cadáver” de um animal pode liberar “ectoplasma”. Outra explicação encontramos no dicionarista laico, definindo o “fogo fátuo” como uma fosforescência produzida por emanações de gases dos cadáveres em putrefação[1], ou uma labareda tênue e fugidia produzida pela combustão espontânea do metano e de outros gases inflamáveis que se evola dos pântanos e dos lugares onde se encontram matérias animais em decomposição. Ou, ainda, a inflamação espontânea do gás dos pântanos (fosfina), resultante da decomposição de seres vivos: plantas e animais típicos do ambiente.