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DAS LEIS MORAIS

 


O Espiritismo desde o seu nascedouro trata os problemas da existência humana com naturalidade disponibilizando, àquele que deseje estudá-lo, um importante apoio ao debate de temas que compõem historicamente a pauta de relevantes discussões presentes em todos os tempos.  Traz, sem se abster dos assuntos polêmicos, uma visão destituída de dogmas, uma vez que propõe o exame de princípios universais, os quais são balizadores da ideia espírita.

            Dessa forma a discussão espírita necessariamente, envolvendo qualquer temática, haverá de contemplar a condição de ser deísta, imortalista (neologismo), reencarnacionista, evolucionista, progressista, sem proselitismo e pacifista. A ausência de alguma dessas características nega que se trate de um debate espírita. Os temas que mais acirram ânimos são aqueles que versam em torno de hábitos e costumes, cujas análises tratam das tendências sociais e comportamentais dos grupos que compõem a sociedade.

            Na terceira parte de O Livro dos Espíritos, num conteúdo que abrange 305 questões (q.614 a q.919) formuladas aos Espíritos auxiliares à Codificação, Allan Kardec traz à lume a discussão das Leis Morais (Adoração; Trabalho; Reprodução; Conservação; Destruição; Sociedade; Progresso; Igualdade; Liberdade; Justiça, Amor e Caridade). Junta-se a essa lista dois capítulos que ampliam os questionamentos, no início a Lei Divina ou Natural e conclui com Perfeição Moral. Esse denso material necessita de avaliação séria e circunspecta.

            A apreciação de temas tão amplos exige estudo e reflexão cuidadosa sob a rígida plataforma de características ancoradas nos princípios elencados pela Universalidade do Ensino dos Espíritos gerando o pensamento unificador, diferente de uniformizado, do Movimento Espírita a respeito dos assuntos em pauta. Esse cuidado evitaria o choque de divergências que apenas consegue desinformar as pessoas que, em não sendo espíritas, acabam por ficar confusas diante das diferenças significativas de interpretações exaladas.

            Detidamente estudadas as Leis Morais estabelecem os critérios para o entendimento da Doutrina Espírita no âmago das questões sociais e na discussão necessária das mudanças que a sociedade humana vem sofrendo pelo movimento natural dos processos progressivos de aprendizados obrigatórios à evolução do planeta. Certamente um convite declarado a prática da eloquente proposição de Jesus ao declarar a real meta de sua vinda ao mundo (Marcos 2:17): “E Jesus tendo ouvido isto, disse-lhes: Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes, eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento”. Nesse caso, o que Jesus ouvira teriam sido críticas por comer com publicanos e pecadores.

            O Espiritismo possui elenco de informações com o poder de auxiliar a humanidade em sua trajetória de aventuras pelo conhecimento da mecânica do mundo espiritual e as relações daquelas com os fatos do mundo dos encarnados. Sob os conceitos presentes em seu corpo doutrinário tantas injustiças, tantas dores e contratempos seriam evitáveis. Doutrina libertária, posta em prática na devida medida de suas prerrogativas, pode contribuir com a pacificação de homens e mulheres pela força de sua doutrina de respeito humano e justiça social. 

 

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