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"NÃO SE PODE TIRAR DE UMA MÃE O DIREITO DE SER MÃE", DIZ PATRÍCIA

 


Não tenho sido enfática com as febres desse tempo que para lutar pelo conjunto tem proposto mais separação, e como vejo esse florescer impensado de guetificação das lutas sociais ganhar maior termo, com rugir espantoso – em silêncio me afasto para os terrenos da irmandade chamada Pátria Grande, latinoamérica irmã em desditas e forte na mesma luta.

Nos caminhos da América Latina encontrei Pavitra Garado, ou Patrícia García. Irmã paraguaia. Irmã de história nascida no seio Guaraní.

Em meu coração há espaço para irmanar com a luta de Patrícia por seu filho Sama; afastado de sua maternagem pelos desígnios de um corpo jurídico que atua em anomalia desde seu fundamento, mas tem reforçado o caráter distópico desde que o ar fascista do governo Bolsonaro ocupou a cadeira indevida no topo da República no país Brasil, hoje um lamento continental.

As acusações contra a mãe paraguaia foram levadas a termo no lado de cá da Ponte da Amizade, pelo genitor da criança, que após ter estabelecido um relacionamento afetivo com uma mulher índia que não suportou maus tratos e desfez o relacionamento a viver uma gestação solo, tendo o filho sob os desafios da sobrevivência que abraçava  – utilizou o modo de vida não-hegemônico da mãe para lhe ferir com a retirada brusca do infante.

O judiciário brasileiro lhe serviu de pronto!

A mãe teve acusações de maus tratos por ser vegana, naturalista, professar um credo religioso de conexão com as energias puras da vida e principalmente, por não ter submetido seu corpo ao domínio violento do patriarca paranaense.

Não sabemos quantas mulheres neste país vivem situações semelhantes, mas a história de Patrícia é representativa da parcialidade do sistema judiciário brasileiro e nos causa indignação, enquanto nos tornamos solidárias com sua luta diária por Sama, ao qual só tem hoje acesso por três horas diárias no intuito da amamentação partida.

O texto abaixo foi escrito por ela, e o blog Livre Pensadora reproduz com um nó no estômago e um brilho de solidariedade no olhar.

“Nesta sociedade quem tem direito a ter direitos? Vemos como o poder judiciário escolhe a quem ouvir e a quem nem considerar?!

Não é uma questão de ódio ou de guerra, é uma questão de dor, tortura, por vivenciar uma espécie de feminicídio na carne viva.

Morrer todos os dias nas mãos de uma estrutura que só existe(segundo a minha experiência de vivência de violência doméstica e agora as violações de meus direitos básicos – tanto quanto meu e de meu bebê) para se defender a si próprio, para oprimir com arbitrariedade, crueldade, injustiça, ouvindo só aos intolerantes, racistas, preconceituosos, que perseguem as diferentes ideologias ou formas de vidas em respeito com o todo.

Eu não quero conflitos eu só quero o Direito Humano universal a maternidade pra mim e pra todas as mães torturadas!

Só quero o Direito Humano fundamental universal e natural inviolável à lactância materna do meu bebê e de todas as crias!

O direito básico à defesa ampla antes de tomarem uma decisão tão mais tão drástica de torturar uma mãe e seu bebê aos serem separados! Da forma mais cruel, desumana e inatural.

O coração Sangra neste dia em que meu bebê nas 18.40 faria 17 meses que saiu do ventre materno e foi pro seio materno continuar sua extero gestação! Tanto de mãe e bebê!

Estás pessoas deveriam ser mestres e doutores verdadeiros no assunto ao que se refere ao cuidado de uma vida de um ser mamífero humano, bebê!

Escrevo estas palavras com meu coração de mãe sangrando por passar mais uma lua de teu nascimento sem meu bebê Sama Ñamandu!

Estes que nos julgam por acreditar na força e completitude da natureza, por segurarmos firme e forte e com muita coragem na espiritualidade do respeito! Na diversidade! Na essência! Minha alma de mãe sangra devido a ignorância e egoísmo neste momento ser mais forte que a natureza do ser, do respeito. Mas se nos unirmos na força (verdadeira) da verdade, do amor, DA JUSTIÇA VERDADEIRA! Isto será revertido! Tem que ser!

E será que só o direito “HUMANO” basta?

Este humano que nem nos representa, deveria ser direito a diversidade da vida!

Toda espécie de vida tem que ter direito a ter direito a vida!

Direito ao respeito dos nossos corpos independente da espécie, direito a natureza da vida diversa como ela é! Direito a diversas formas de vidas! Direito a diversas formas de ver o mundo! A Luta não é só pelo direito “humano”(diga-se homem branco europeu, ou minimamente descendente europeu), a luta é pelo respeito a vida!

Já faz quase 4 meses que Sama e eu tivemos direitos violentados!

Eu como pessoa humana até agora não tive meu direito mínimo a ser ouvida!

Porquê? Por ser mulher? Por não ser branca? Por ser migrante? Por ser isto? Por ser aquilo? Sendo que Eu não sou isso! Sou alma espiritual eterna.

Respeito a vida diversa como ela é! Basta de privilégios e opressão e possessões de nossos corpos! Devolvam a Sama seus direitos universais naturais inviolável ! Devolvam a mim meus direitos! Não se pode tirar de uma mãe seu direito de ser mãe!”

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