Pular para o conteúdo principal

APRENDENDO COM OS PRÓPRIOS ERROS







Ambrósio recebeu o assistente Rogério, que se fazia acompanhar de um visitante.
– Este é Dagoberto, velho amigo, pai de Mariana, que reencarnou sob orientação de nossa casa.
O diretor da respeitável instituição, no Plano Espiritual, contemplou com simpatia o recém-chegado.
– Temos acompanhado a trajetória de Mariana, amparando-a na medida do possível. Conhecemos seus problemas atuais.
– Sabe, então, que minha filha casou-se há duas se­manas, em virtude de inesperada gravidez... Estou preocupado. Ela tem apenas 17 anos e o ma­rido 20. Ambos abandonaram os estudos por força da nova situação, assumindo atividades profissionais. Sinto-os apreensivos e perturbados. Venho pedir-lhe um favor...

Observando que o amigo vacilava, Rogério adian­tou-se:
– Dagoberto gostaria de examinar o planejamento reencarnatório de Mariana, a fim de verificar se sua situação atual faz parte das experiências que programou.
Considerando que a solicitação não se inspirava em mera curiosidade, partindo do coração angustiado de um pai, Ambrósio solicitou a uma auxiliar que providen­ciasse o dossiê da jovem.
Em breves momentos puderam tomar contato com os eventos mais significativos do planejamento de Mariana:
Profissão: Médica. Casamento: Por volta dos trinta anos encontraria Rubens, companheiro de pretéritas existências, que a antecedera em dez anos na experiência física. Filhos: Receberia três Espíritos, Magda, Flávia e Alberto. Objetivos principais da reencarnação: Consoli­dação de ligações afetivas, encaminhamento dos filhos, desenvolvimento de tarefas em favor da saúde huma­na. Tempo aproximado de vida: Setenta anos.
Dagoberto não se conteve:
– Meu Deus! Estamos diante de um desvio!
– Sem dúvida. Mariana casou-se com o homem erra­do, na hora errada, pelo motivo errado.
– E agora?
– Bem, a partir do momento em que se afastou do planejamento feito, é difícil prever o futuro. Podemos, entretanto, adiantar algo a respeito. Mariana não será fe­liz no casamento. Passados os tempos de euforia sexual, experimentará indefinível angústia, sentindo que algo saiu errado em sua vida. A vocação para a Medicina a fará sentir-se lesada em suas aspirações. O filho não lhe satis­fará os anseios maternos. No tempo previsto o compa­nheiro que lhe está destinado aparecerá em seu cami­nho, impondo-lhe a amargura de um amor impossível. Se ceder às solicitações do coração, assumirá novos com­promissos cármicos relacionados com a infidelidade e a deserção dos deveres conjugais.
– Minha pobre filha! Não é um preço muito alto pa­ra simples engano sentimental?
Ambrósio suspirou:
– É o ônus da liberdade. A evolução social implica na expan­são do livre-arbítrio. As pessoas hoje são mais livres para decidir suas próprias vidas. Ocorre que raros dão-se ao trabalho de avaliar as consequências de seus atos, cul­tivando comedimento.
– Mariana perdeu, então, a existência?
Absolutamente. Embora o desvio em que se envolveu, ela colherá proveito. Aprenderá quanto à im­portância da reflexão, habilitando-se, em experiências futuras, a cumprir seus compromissos sem desvios. As frustrações do presente serão, em última instância, uma vacina contra equívocos semelhantes.
– Aprenderá com os próprios erros...
– Exatamente. E os sofrimentos decorrentes a toma­rão mais receptiva à ajuda espiritual. Como seu pai você terá maior acesso ao seu coração, amparando-a.
Despedindo-se do visitante, Ambrósio abraçou-o, acentuando:
– Não se deixe dominar pelo desalento. Sua filha precisa de você mais do que nunca. E lembre-se: uma existência na Terra é apenas um elo na imensa cadeia de reencarnações, um segundo na eternidade. Tudo passa, menos o Reino de Deus, a meta suprema. Mariana está a caminho, como todos nós.




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

FÉ INABALÁVEL E RAZÃO - O SIGNIFICADO DE RELIGIÃO PARA ALLAN KARDEC

Com esse artigo, iniciaremos SÉRIE ESPECIAL com origem no artigo científico elaborado por Brasil Fernandes de Barros, Mestre e Doutorando em Ciências da Religião pelo Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC MINAS. E-mail: brasil@netinfor.com.br , publicado originalmente na Revista Interações , Belo Horizonte, Brasil, jan./jun. 2019. Reputamos de importância significativa para os espírita, considerando que o tema ainda divide o movimento espírita. Para possibilitar melhor comodidade à leitura, as postagens serão em dia sim, dia não. Boa leitura!  

O COTIDIANO DO TRATAMENTO DO HOSPITAL ESPÍRITA ANDRÉ LUIZ - HEAL

O presente trabalho apresenta a realidade da assistência numa instituição psiquiátrica que se utiliza também dos recursos terapêuticos espíritas no tratamento dos seus pacientes, quando estes solicitam os mesmos. Primeiramente, há um breve histórico do Hospital Espírita André Luiz (HEAL), acompanhado da descrição dos recursos terapêuticos espíritas, seguido, posteriormente, do atendimento bio-psico-sócio-espiritual, dando ênfase neste último aspecto.         Histórico     O HEAL foi fundado em 25/12/1949, por um grupo de idealistas espíritas, sob orientação direta dos espíritos, em reuniões de materialização, preocupados com a assistência psiquiátrica aos mais carentes daquela região, além de oferecer o tratamento espiritual para os atendidos, por acreditarem na conjunção das patologias psiquiátricas com os processos obsessivos (ação maléfica dos espíritos).     O serviço de internação foi inaugura...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

CIVILIZAÇÃO

  Por Doris Gandres A mim me admira como a filosofia espiritista ainda hoje, passados cerca de 160 anos de seu lançamento a público como corpo de doutrina organizada com base na pesquisa e no bom senso, se aplica a situações e condições contemporâneas. Ao afirmar que nos julgamos “civilizados” devido a grandes descobertas e invenções, por estarmos melhor instalados e vestidos e alimentados do que há alguns séculos, milênios até – o que hoje sabemos estar restrito a uma minoria dentro da humanidade – percebemos o quanto de verdade encerra essa afirmativa ao nos chamar a atenção de como estamos iludidos.

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

FRONTEIRAS ENTRE O REAL E O IMAGINÁRIO

  Por Jerri Almeida                A produção literária, desde a Grécia Antiga, vem moldando seus enredos e suas tramas utilizando-se de contextos e fatos históricos. Os romances épicos, que em muitos casos terminam virando, contemporaneamente, filmes ou novelas de grandes sucessos, exploram os aspectos de época, muitas vezes, adicionando elementos mentais e culturais de nosso tempo. Essa é uma questão perigosa, pois pode gerar os famosos anacronismos históricos. Seria algo como um romance que se passa no Egito, na época de um faraó qualquer, falar em “burguesia egípcia”. Ora, “burguesia” é um conceito que começa a ser construído por volta dos séculos XII-XIII, no Ocidente Medieval. Portanto, romances onde conceitos ou ideias são usados fora de seu contexto histórico, tornam-se anacrônicos.

O ESTUDO DA GLÂNDULA PINEAL NA OBRA MEDIÙNICA DE ANDRÉ LUIZ¹

Alvo de especulações filosóficas e considerada um “órgão sem função” pela Medicina até a década de 1960, a glândula pineal está presente – e com grande riqueza de detalhes – em seis dos treze livros da coleção A Vida no Mundo Espiritual(1), ditada pelo Espírito André Luiz e psicografada por Francisco Cândido Xavier. Dentre os livros, destaque para a obra Missionários da Luz, lançado em 1945, e que traz 16 páginas com informações sobre a glândula pineal que possibilitam correlações com o conhecimento científico, inclusive antecipando algumas descobertas do meio acadêmico. Tal conteúdo mereceu atenção dos pesquisadores Giancarlo Lucchetti, Jorge Cecílio Daher Júnior, Décio Iandoli Júnior, Juliane P. B. Gonçalves e Alessandra L. G. Lucchetti, autores do artigo científico Historical and cultural aspects of the pineal gland: comparison between the theories provided by Spiritism in the 1940s and the current scientific evidence (tradução: “Aspectos históricos e culturais da glândula ...

OPINIÕES PESSOAIS APRESENTADAS COMO VERDADES ABSOLUTAS

  Por Orson P. Carrara                Sim, os Espíritos nem tudo podem revelar. Seja por não saberem, seja por não terem permissão. As expectativas que se formam tentando obter informações espirituais são muito danosas para o bom entendimento doutrinário e vivência plena dos ensinos espíritas.             É extraordinário o que Kardec traz no item 300 de O Livro dos Médiuns, no capítulo XXVII – Das contradições e das mistificações . O Codificador inicia o item referindo-se ao critério da preferência de aceitação que se deve dar às informações trazidas por encarnados e desencarnados, desde que dentro dos parâmetros da clareza, do discernimento e do bom senso e especialmente daquelas desprovidas de paixões, que deturpam sempre.

DEPRESSÃO

  1 – Fala-se que a depressão é o mal do século. Estamos diante de um distúrbio próprio dos tempos atuais, uma síndrome da modernidade? Mais apropriado considerar que é um mal antigo com nome novo. Se falarmos em melancolia, perceberemos que ela sempre esteve presente na vida humana. Os melancólicos de ontem são os deprimidos de hoje. Hipócrates (460 a.C-370 a.C.) definia assim a melancolia: Uma afecção sem febre, na qual o Espírito, triste, permanece sem razão fixado em uma mesma ideia, constantemente abatido. É mais ou menos isso o que sente o indivíduo em depressão, com a impressão de que a vida perdeu a graça.

MOINHOS DE GASTAR GENTE: DO DIAGNÓSTICO DO BURNOUT AO "CRISTO MÁGICO" DAS MULTIDÕES

  Panorâmica do evento que reuniu 2.500 homens na Paróquia da Glória - Fortaleza CE.   Jorge Luiz   O Diagnóstico da Falência: A Mutilação em Números             Os dados do Ministério da Previdência Social e do Ministério Público do Trabalho (MPT) revelam um cenário de terra arrasada: um aumento alarmante de 823% nos afastamentos por Burnout e um salto de 438% nas denúncias relacionadas à saúde mental. Entretanto, esses números são apenas a ponta de um iceberg vinculado ao emprego formal; a realidade nacional é ainda mais perversa se olharmos para as periferias, onde multidões sitiadas pela privação e pela ausência de esperança acabam cooptadas pelo apelo à misericórdia divina das igrejas. Diante desse quadro, a recente atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) pelo Governo Federal surge como uma confissão oficial de que o ambiente corporativo se tornou patogênico. Contudo, as novas punições por ris...