Pular para o conteúdo principal

SERÁ LEGÍTIMO PENSARMOS O FUTURO?

“Pode o Espírito proceder à escolha de suas provas, enquanto encarnado?”
( Q. 267 – O Livro dos Espíritos – Allan Kardec.)

    Expressão muito comum que usamos nos dias de hoje é a de que o futuro a Deus pertence. Será que não podemos fazer algum tipo de planejamento a partir do conhecimento espírita que já adquirimos nessa atual existência? 
    
        Será que é racional utilizarmos aquela expressão do cancioneiro popular de que “deixo a vida me levar” ou devo fazer algum tipo de planejamento utilizando do “livre arbítrio”?

      No Capítulo VI de O Livro dos Espíritos, que trata da vida espírita, há uma seção que trata justamente da Escolha das Provas, da qual destacamos a questão 267, acima transcrita, em que, através da resposta, ficamos sabendo que podemos fazê-las mesmo na vida material, donde podemos concluir que podemos orientar melhor as nossas escolhas, ainda nessa atual existência física, com base nisso é que desenvolvemos esse texto, não no sentido de planejar a próxima encarnação, mas no sentido de tudo  fazermos para reorientar as nossas ações nessa atual existência física e dela tirarmos o melhor resultado possível em termos progresso espiritual futuro.

     Imaginei um exercício simplório o bastante para facilitar nosso raciocínio, adotando como exemplo a minha hipotética permanência ainda nessa atual existência. Imaginemos que a minha expectativa de vida seja bastante otimista e corresponda a um terço dos anos que já vivi o que me daria hoje uma expectativa de viver algo em torno de vinte a vinte e três anos.
       
       Nesse cenário tão otimista, eu poderia imaginar que o meu neto mais novo, que hoje tem quase três anos, já teria concluído o curso universitário e, possivelmente, já estaria fazendo uma pós-graduação em alguma área de sua preferência; seus pais, hoje na faixa dos quarenta anos, já estariam sexagenários e na expectativa de verem seu filho mais novo brilhando na carreira profissional escolhida.

       Em outro cenário, ainda de certa forma otimista, mas não tanto quanto o primeiro, imaginemos que eu dispusesse de apenas um quarto dos anos já vividos, o que me daria uma expectativa de vida em torno de dezessete anos, nessa expectativa eu ainda poderia esperar ver o meu neto mais novo concluindo um curso universitário na área por ele escolhida, seus pais estariam orgulhosos vendo o filho mais novo prestes a iniciar-se profissionalmente.

       Imaginemos outro cenário, não tão otimista como os anteriores, mas ainda com certa dose de probabilidade de se concretizar, em que a minha expectativa de vida corresponda a um quinto dos anos já vividos, isso me daria algo em torno de quatorze anos, e eu ainda poderia esperar ver o meu neto mais novo ingressar na universidade.

       Agora pensando um cenário mais provável, em que eu já não tenha uma expectativa de vida tão alongada, o que me levaria a estabelecer objetivos mais realistas, de não perder oportunidades de curtir o seu crescimento, de poder responder às suas indagações e de ainda dispor de memória para contar-lhe as minhas experiências e lembranças de quando eu tinha a idade dele, e dos sonhos que eu acalentava realizar quando me tornasse adulto!

      Ocorre que não nos é permitido fazer previsões seguras de como será o nosso dia de amanhã, imagine dispor de elementos que nos permitam, com segurança, imaginar como serão dias tão distantes e horizontes tão longos como os acima enumerados?

        Embora não tenhamos elementos para projetar horizontes tão longos, temos, contudo, uma visão clara de que precisamos aproveitar o momento presente, especialmente deixar para os que nos sucederão um exemplo de vida digna, capaz de motivá-los a seguir adiante, de se tornarem pessoas de bem, capazes de contribuir para tornar esse um mundo melhor para se viver e não se deixando abater pelo pessimismo circundante, nem se amedrontarem ao ponto de não tomarem decisões ousadas em suas próprias vidas, ou se deixarem envolver pelo medo e pelo pessimismo de que não vale a pena ser bom, dignos e honestos consigo mesmos e com os outros.

        Escrevo essas ideias com o fim de registrar minhas preocupações com o futuro e o meu desejo de contribuir para a construção de um mundo melhor para todos nós vivermos e tornar essa atual existência o mais produtiva possível, capaz de deixar lembranças positivas como as que a minha mãe e o meu avô materno me deixaram, já que não foi possível uma convivência mais alongada com o meu pai, uma pessoa simples e do qual não chegamos a tomar conhecimento de seus desejos e ambições.

(*) escritor espírita, integrante da equipe do programa Antena Espírita e voluntário do C.E.Grão de Mostarda.

Comentários

  1. Caro amigo Castro,
    Óbvio que sim, a resposta da sua pergunta-título!Muito interessante as suas reflexões. Tenho buscado isso desde que me tornei avô. Doutrina Espírita nos abre possibilidades quanto a esse futuro, considerando que a partir das nossas escolhas hoje, usufruiremos da humanidade futura pelas concessões dividas através da reencarnação.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

A HISTÓRIA DE JERÔNIMO

  Por Jerri Almeida A história de Jerônimo é comovente. Nasceu no dia 1º de novembro de 1939 em Ituiutaba, Minas Gerais. Narra-se que sua infância foi a de uma criança normal. Frequentou escola até o início do ginasial antigo. Todavia, já na adolescência, começou a sentir os primeiros sinais de sua doença, através de dores nas articulações, especialmente nos joelhos e tornozelos, que passaram a inchar e, aos dezoitos anos, já andava com dificuldade.

AS BETS E O JOGO DA VIDA

      Por Jorge Luiz                     A Encomenda da Esperança: A Captura do Imaginário             Muito recentemente, os símbolos da Pátria foram sequestrados por uma corrente partidária de extrema-direita. De repente, o imaginário do brasileiro foi dilacerado: o que era símbolo de pertencimento e brasilidade transmutou-se em sentimento de aversão por aqueles alinhados a ideologias progressistas. Com a camisa da Seleção Brasileira, o fenômeno não foi diferente. Esse episódio escancara algo fundamental: o imaginário é o campo onde se travam as disputas centrais da nossa época.             O imaginário, para Castoriadis (2012), não significa o fictício, o ilusório ou o especulativo, mas o elemento determinante — e não determinado — de novas formas e significações; uma criação autônoma que não se ...

QUANDO O ESPIRITISMO VIRA ARENA DE PRÁTICAS “DIFERENTONAS”

  Sala para realização de cirurgia espiritual no C.E.Casa de Oração Espírito de Luz Por Jorge Hessen Entre a codificação e a fantasia mediúnica, alguns parecem ter escolhido a segunda Há algo profundamente preocupante no movimento espírita brasileiro: a crescente transformação da mediunidade em laboratório de novidades. Cada grupo inventa sua fórmula, cada dirigente anuncia seu método, cada médium apresenta uma experiência particular, como se representasse a evolução da Doutrina. E, quando alguém pergunta onde está Kardec, responde-se com a palavra mágica: “caridade”. Não. Caridade não é salvo-conduto para a improvisação “diferentona”.

UM HOMEM, UMA HISTÓRIA RESIGNIFICANDO O VÍNCULO SOLIDÁRIO

  Objetivando transmitir uma mensagem de “alento” e “esperança” a pessoas em desespero, John Edwards, de 61 anos, um ex-dependente de drogas e ex-alcóolatra (sóbrio há mais de duas décadas) inexplicavelmente se voluntariou deitar em um caixão que foi fechado e enterrado no terreno de uma igreja de Belfast, na Irlanda do Norte. Obviamente o ataúde foi especialmente adaptado para que Edwards “sobrevivesse” por três dias (quando fosse desenterrado) e pudesse transmitir a experiência ao vivo pelas redes sociais. No passado Edwards enfrentou abuso sexual, viveu na rua, recebeu tratamentos para distúrbios mentais, sobreviveu a várias overdoses e “perdeu” mais de 20 amigos por conta de abuso de drogas, álcool e suicídios. Sobreviveu a dois cânceres e a um transplante de fígado após desenvolver hepatite C por causa de uma agulha contaminada.

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

É HORA DE ESPERANÇARMOS!

    Pé de mamão rompe concreto e brota em paredão de viaduto no DF (fonte g1)   Por Alexandre Júnior Precisamos realmente compreender o que significa este momento e o quanto é importante refletirmos sobre o resultado das urnas. Não é momento de desespero e sim de validarmos o esperançar! A História do Brasil é feita de invasão, colonização, escravização, exploração e morte. Seria ingenuidade nossa imaginarmos que este tipo de política não exerce influência na formação do nosso povo.

LOBISOMEM: MITO OU REALIDADE?

    Por Americo N. Domingos Filho   Na tradição oral, em âmbito mundial, há o relato fantástico de um ser que se converte em lobo, em noites de lua cheia, e, sedento de sangue, sai em busca de suas vítimas para sugá-las. Ao amanhecer, assume de novo as características de uma pessoa comum. Essa lenda revela um ser amaldiçoado, que se torna parte homem e parte lobo, produzindo muito temor, principalmente nas crianças e, igualmente, em muitos adultos, especialmente os moradores de áreas rurais.

SEMANA MAURÍCIA

Cap. Maurício - Patrono da CME CAPITÃO MAURÍCIO era o comandante da Legião Tebana. Essa legião era originária do Egito e seus soldados eram todos cristãos. No ano (286 d.C.), o Império Romano convocou a Legião Tebana para debelar a Revolta dos Bagaudos . Era costume do Exército romano, antes de entrar em combate, realizar os “sacrifícios propiciatórios aos deuses pagãos” para sucesso da batalha. Capitão Maurício e toda a sua Legião, por serem cristãos, recusam-se a participarem daqueles rituais. A mentalidade cristã não poderia, naturalmente, coincidir com a pagã. Embora respeitando as leis e sendo leais ao Império, não colocavam a pátria terrena acima de tudo.

A AUDITORIA DA ALMA: VIDAS PRETÉRITAS, FORMA-MERCADORIA E A ÉTICA DO EU-TU

    Por Jorge Luiz   O Mito da Identidade Intacta             Antes mesmo de pronunciarmos a primeira palavra ou esboçarmos o primeiro pensamento reflexivo, já fomos batizados. O nome próprio — esse signo fundamental que carrega nossa existência jurídica e social — nos é atribuído pela expectativa, pelo gosto e pelas projeções do outro. Somos nomeados no escuro. Para muitos, no entanto, o amadurecimento da consciência traz consigo um estranhamento visceral diante desse rótulo herdado. Descobre-se que a roupagem simbólica recebida no berço não se ajusta à pele de quem nos tornamos, levando um número crescente de pessoas a recorrer ao Direito Civil para alterar aquilo que parecia ser a mais imutável das certezas: a própria alcunha.             Talvez houvesse um ganho civilizatório profundo se a consolidação do nome dependesse de uma validação posterior, um ...