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A OMISSÃO DOS BONS



A PARTIR DE HOJE, OS LEITORES DESTE BLOG CONTARÃO COM A COLABORAÇÃO DO ESCRITOR E PALESTRANTE ESPÍRITA RICHARD SIMONETTI, AUTOR DE VÁRIOS LIVROS.


          Por que, no mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons?

          Por fraqueza destes. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão.

Livro dos Espíritos, questão 932

          Potencialmente todo homem é bom. Somos filhos de Deus, criados, segundo a expressão bíblica, à Sua imagem e semelhança. Intuitivamente pressentimos que nossa realização como filhos de Deus, habilitando-nos à harmonia e ao bem-estar, está condicionada ao empenho do Bem. Aristóteles define com simplicidade o assunto: A Felicidade consiste em fazer o Bem.

          Não obstante, com frequência nos compromete­mos com o mal. Esta é, talvez, a maior contradição humana, inspi­rando a sábia observação de Paulo, na Epístola aos Romanos (7;19): Porque não faço o Bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço.

          É uma tendência tão entranhada que as pessoas parecem não perceber que agem com maldade. Os piores facínoras encontram amplas justificativas para seus crimes. Al Capone, considerado o inimigo público número um, nos Estados Unidos, afirmava não saber por que era perseguido pelas autoridades, porquanto ajudava o povo a divertir-se. Tiranos cometem atrocidades proclamando defender o bem-estar social e o progresso da nação.

          Mesmo os que gostariam de cogitar apenas do Bem, convivem pacificamente com o mal e até se envolvem com ele.

          São frequentes os escândalos em empresas públicas. Funcionários desonestos apropriam-se de vultosos valores que não lhes pertencem. Ao serem descobertos constata-se que tais irregularidades ocorreram por relaxamento de normas de segurança não observadas pelos demais servidores. Aproveitam-se alguns da desídia de muitos.

          A volúpia de ganhar dinheiro induz indústrias a ignorar elementares medidas de preservação do meio ambiente, por dispendiosas. Poluem a atmosfera, destroem florestas, matam rios, intoxicam a população e semeiam enfermidades. Os progressos do movimento ecológico, que visa defender a Natureza, são lentos, porquanto pouca gente se dá ao trabalho de participar, em absoluta indiferença.

          O culto religioso favorece a paz e o equilíbrio nos corações, repercutindo beneficamente na socieda­de. No entanto, por comodismo, raros participam.

          A transição entre o Bem e o mal, a vitória das potencialidades divinas em nós, opera-se a partir de um ideal superior, algo em que o possamos empenhar nossa vida. O idealista legítimo, capaz de esquecer-se de si mesmo em favor de uma causa nobre, está sempre desperto, ativo, consciente, disposto ao sacrifício, imune ao acomodamento, pronto a trilhar os mais difíceis caminhos. O ideal o conduz, aquece, ilumina, sustenta… As grandes vidas, inspiradoras e inesquecíveis, foram marcadas por idealistas.

          Por ideal de seguir Jesus, milhares de cristãos enfrentaram destemidamente as feras famintas no Circo Romano, regando com seu suor e lágrimas a árvore nascente do Cristianismo.

          Por ideal de libertar o pensamento religioso do dogmatismo asfixiante, Giordano Bruno e João Huss se deixaram queimar em fogueiras inquisitoriais, situando-se como precursores da fé apoiada na razão, proclamada por Allan Kardec.

          Pessoas assim valorizam a existência, enobrecendo o gênero humano. Com suas iniciativas fecundam o Bem, inspiram o progresso, ajudam a construir um mundo melhor. Não estão sozinhos. Seguindo esses vanguardeiros há uma heroica retaguarda de servidores ativos e conscientes, sejam médicos, professores, operários, administradores ─ gente que está lutando, que está enfrentando os problemas do Mundo, procurando fazer o melhor, tentando realizar o Bem, trabalhando com denodo e perseverança.

          É preciso que suas fileiras se ampliem. Que esses milhares sejam milhões. Que o ideal do Bem conquiste os corações! Que se semeie tanta luz que as sombras se retraiam! Que se exemplifique tanto a fraternidade que o egoísmo não encontre onde se apoiar! Que se exercite tanto a bondade que não haja espaço para a maldade! Então, sim, superando a omissão dos bons, o Bem preponderará.

(*) participa do movimento espírita desde 1957, quando integrou-se no Centro Espírita "Amor e Caridade", que desenvolve largo trabalho no campo doutrinário de assistência e promoção social.
Articulou o movimento inicial de instalação dos Clubes do Livro Espírita, que prestam relevantes serviços de divulgação em dezenas de cidades. É colaborador assíduo de jornais e revistas espíritas, notadamente "O Reformador", "O Clarim" e "Folha Espírita".
Funcionário aposentado do Banco do Brasil, vem percorrendo todos os Estados brasileiros, em palestras de divulgação da Doutrina Espírita.
Algumas de suas obras:   Abaixo a Depressão!,  Antes que o Galo Cante, Mediunidade - Tudo o que Você Precisa Saber, Para Rir e Refletir, Quem Tem Medo da Morte? Reencarnação, Tudo o que Você Precisa Saber, Rindo e Refletindo com Chico Xavier, Setenta Vezes Sete, Suicídio Tudo o Que Você Precisa Saber!,Trinta Segundos

Comentários

  1. Garimpou muito bem, o blog "Canteiro de Ideias".
    Os escritos do Richard cabem em qualquer lugar.
    Parabéns!

    ResponderExcluir
  2. Francisco Castro de Sousa20 de abril de 2016 às 19:55

    Estou de acordo com o anônimo, Richard Simonetti é um nome muito respeitado como escritor. Seus artigos são lidos nos principais veículos de divulgação da Doutrina Espírita no Brasil. Parabéns ao Blog Canteiro de Ideias por mais este tento!

    ResponderExcluir
  3. Realmente, fortalece o caráter dos propósitos maiores que moveram a criação desse espaço. Estamos todos de parabéns!

    ResponderExcluir

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