terça-feira, 9 de junho de 2015

À REGENERAÇÃO, ANTES QUE DESTRUIÇÃO



Por Francisco Barbosa (*)



Há uma lei da Natureza, segundo a qual nos é feita a advertência: “É preciso que tudo se destrua para renascer e se regenerar, porque o que chamais destruição não é senão uma transformação que tem por objetivo a renovação e melhoramento dos seres vivos (LE, A. Kardec - Lei de Destruição - Q. 728).
Impossível não perceber o esgotamento cada vez mais acentuado do Planeta Terra, dos seus recursos e de suas próprias criaturas, animadas e inanimadas.   A degradação se tem verificado pelos próprios fenômenos naturais, terremotos, maremotos, vulcões, entre outros, mas, sobretudo pela ação do homem, em sua ânsia de conquistas, em seu insaciável interesse no ter e se sobrepor a qualquer custo.
A ação nefasta do homem abreviará a extinção deste Mundo que, como parte da Natureza, por princípio, “embora necessária para regeneração dos seres, foi cercada de meios de preservação e de conservação, para que a extinção não chegue antes da época necessária, porque toda destruição antecipada entrava o desenvolvimento do princípio inteligente e por isso, Deus deu a cada ser a necessidade de viver e de se reproduzir ( LE, A. Kardec – Lei de Destruição – Q. 729).

A deterioração moral, no princípio, devida à nossa ignorância, quando os instintos, inclusive de subsistência e conservação, em dadas ocasiões, se sobrepunham à razão, levando-nos a atitudes semirracionais, máxime em relação ao semelhante, mas também aos animais e outros seres, com a evolução da inteligência e gradual conquista da razão mais esclarecida, este desgaste, paradoxalmente, seguiu alimentado, agora pelo orgulho e egoísmo, desenvolvidos com alicerce nos interesses pessoais ou de grupos, à medida que as propriedades se nos tornaram ao alcance, dentro da ocupação do espaço disponível.
Na disputa pela presa, as garras foram dando lugar a instrumentos mais elaborados e a Inteligência mais desenvolvida foi descobrindo um mundo mais amplo, onde outras utilidades e mesmo futilidades, despertaram a ambição e a inveja, causadores dos grandes conflitos.
Ao sedentarizar-se e constituir-se em sociedade, o homem, mais frequentemente, passou a se atritar em vista dos interesses mais imediatos, surgindo desde então os conflitos que têm marcado a história universal e que tanto prejuízo tem causado não somente ao próprio homem, mas igualmente à Natureza.
As guerras, segundo um princípio de grande sabedoria, são causadas pela “predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e satisfação das paixões. E que no estado de barbárie, os povos não conhecem senão o direito do mais forte (LE, A. Kardec – Q. 742).
Na mesma linha de raciocínio, a violência urbana e rural se instalou desde os primórdios da Humanidade, tomando proporções cada vez maiores, na medida do desenvolvimento das possessões humanas.
A ocupação dos espaços terrenos, além dos transtornos urbanos e rurais, com os consequentes delitos deles resultantes, tem sido causa da degradação de áreas consideráveis de florestas virgens, em flagrante prejuízo à Natureza e à própria Humanidade.
Consequência direta e imediata dessa agressão é a diminuição da água em todo o Planeta, mesmo naquelas áreas onde abundava o precioso líquido, mercê da natural proteção florestal.
Sabemos que a água potável é um recurso cada vez mais escasso no Planeta. Em 2007 a ONU (Organização das Nações Unidas) declarou que cerca de 1,1 bilhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso à água potável e estima-se que dois milhões de crianças morrem todos os anos pela falta dela ou de saneamento básico.
Parece controverso que o planeta terra, que é constituído por dois terços de água, não possa abastecer sua população que já ultrapassou os sete (7) bilhões de indivíduos. Teoricamente, ela não deveria faltar. O problema é que quase toda essa água encontra-se distribuída sob a forma de gelo ou água salgada, o que impede seu consumo imediato pelo homem. E para piorar, sua distribuição pela superfície do planeta é desigual.
Também o suprimento de alimentos é preocupação universal e de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), a população mundial deverá chegar a 9 bilhões em 2050. O órgão faz um alerta: para atingir essa demanda, os países deverão investir aproximadamente US$ 44 bilhões por ano na produção e distribuição de alimentos, cinco vezes mais do que os US$ 7,9 bilhões que são investidos atualmente (Globo.com – Globo Ecologia, 29/06/2013).
 A FAO aponta que fatores como mudanças climáticas podem interferir na produção de alimentos no futuro. As mudanças nos ciclos de chuva, por exemplo, podem alterar a composição química do solo. Como ainda não existe consenso sobre as mudanças climáticas que poderão ocorrer nas próximas décadas, é difícil prever o impacto que elas trarão sobre a produção mundial de alimentos (Globo Ecologia, 29/06/2013).
A auto eliminação dos seres humanos, movida pelos vícios, pelas paixões, pelas disputas de poder econômico, político e social, são outro meio de destruição do Planeta e razão da preocupação de organismos mundiais, como registra o site BBC Brasil.com, já em 3 de outubro de 2003: A violência mata mais de 1,6 milhão de pessoas no mundo a cada ano, segundo um relatório divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A OMS afirma que outros milhões de pessoas são mutiladas por ataques. A violência é hoje a principal causa das mortes de pessoas com idades entre 15 e 44 anos. Ao divulgar o relatório, a OMS pediu aos governos em todo o mundo que adotem medidas urgentes para diminuir índices de assassinatos, violência doméstica e conflitos armados.
Considerando uma única existência para o ser humano, nada disso deveria preocupar à grande maioria dos que hoje habitam a Terra, pela certeza de que daqui a muitas décadas, séculos, milênios, ainda, a situação será plenamente sustentável. Nem mesmo o futuro dos descendentes mais diretos seria objeto de lamentação.
A Terra, segundo teorias, deixará de existir completamente como planeta ou tornar-se-á inabitável para a vida. De acordo com astrônomos, a Terra deverá durar por pelo menos mais 5 bilhões (5 × 109) de anos antes do sol tornar-se uma gigante vermelha. Devido à perda de massa do sol, a Terra sairá de sua órbita, distanciando-se do mesmo. O imenso calor evaporará os oceanos, transformando a Terra num deserto poeirento, bastante parecido com o planeta Marte, mas com um clima semelhante ao de Vênus. O sol posteriormente se transformará numa anã branca, incapaz de fornecer uma quantidade mínima de calor necessária à manutenção da vida. Outros dizem que a atmosfera irá perder seu vapor d'água dentro de 1,1 bilhão (1,1 × 109) de anos, porque o sol se tornará 10% mais quente, e que os oceanos irão evaporar dentro de 3,5 bilhões (3,5 × 109) de anos, quando o sol estiver 40% mais quente. Em 3,5 bilhões (3,5 × 109) de anos, a galáxia de Andrômeda pode colidir com a nossa, podendo desorganizar alguns sistemas solares. Muitos cientistas, entretanto, acreditam que nosso Sistema Solar escapará ileso, embora exista uma chance de que ele seja ejetado da fusão das duas galáxias. Muitos cenários concordam que o derradeiro destino do Universo subsequentemente destruiria a Terra (Wikipédia –  “pt.wikipédia.org/wiki/Fim_ do_ Planeta_ Terra).
Crendo na pluralidade das existências, sabe o homem que não se livrará tão cedo das misérias que assolam e assolarão a Terra nos milênios vindouros, durante o que estaremos de volta, em repetidas e abençoadas oportunidades, até nos regenerarmos.
Daí porque não descuidar-se da conservação, própria, naturalmente, e obediente ao próprio instinto, dos meios de sobrevivência, sem negligenciar os cuidados com a Terra em que vive, onde o egoísmo, muitas vezes, faz com que falte a alguns o necessário, enquanto outros têm em abundância, usar os bens da Terra como o direito que é a consequência da necessidade de viver, sem abusar, mas como o sábio, conhecer o seu limite, para que não tenha de fazê-lo por experiência ou às suas custas, como soe acontecer.

Sendo, por fim, inexorável a destruição deste Mundo, como de resto a pluralidade deles, que não sejamos os seus causadores, mas agentes naturais da sua transformação, para que, regenerado, permaneça como o lar dos obedientes filhos de Deus.

(*) escritor e poeta, membro da Academia Maçônica de Letras do Estado do Ceará, e voluntário do Grupo Espírita Casa do Caminho, em Aquiraz.



Um comentário:

  1. Parabéns pelo ótimo artigo sr. Barbosa
    Uma verdade, somos responsáveis pelo bem e mal da terra, isso nos livra do papel de vítimas.
    Lei de ação e reação.
    Vanessa.

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