Pular para o conteúdo principal

COMO FUNDAR UM CENTRO ESPÍRITA - PARTE III






Por Francisco Castro (*)

  1. – Que tipos de pessoas frequentam os CE’s?

A grande maioria das pessoas que procura os Centros Espíritas o faz porque sabem que os espíritas têm como lema a prática da caridade.
Mas há aqueles que procuram por simples curiosidade, como nada encontram de maravilhoso ou de sobrenatural logo desistem.
Há, porém, a “grande legião dos descrentes e dos deserdados”, dos que procuram algum tipo de resposta que não encontraram em outros lugares por onde passaram, e que, pelo estudo da Doutrina encontram respostas seguras para suas indagações, ali permanecem e podem se tornar até grandes colaboradores.
Há outro tipo de pessoas que procura as casas espíritas, são os “espíritas sem o saberem”. Esses dois últimos tipos, facilmente apreendem os princípios da Doutrina e se dedicam à sua divulgação com grande entusiasmo: “Convencidos de que a existência terrena é uma prova passageira, tratam de aproveitar os seus breves instantes para avançar pela senda do progresso, única que os pode elevar na hierarquia do mundo dos Espíritos, esforçando-se por fazer o bem e coibir os seus maus pendores.”(Livro dos Médiuns-Nº 28, 3º)- Grifamos.

  1. – Quem deve manter o CE?

Sobre essa questão é bom lembrarmos o que diz o Codificador, em Obras Póstumas, falando sobre as Vias e Meios:

 “Para alguém fazer alguma coisa de sério, tem que se submeter às necessidades impostas pelos costumes da época em que vive e essas necessidades são muito diversas das dos tempos da vida patriarcal. O próprio interesse do Espiritismo exige, pois, que se apreciem os meios de ação, para não ser forçoso parar a meio do caminho. Apreciemo-los, portanto, uma vez que estamos num século em que é preciso calcular tudo.”(Grifamos)

Por menor que seja um Centro Espírita, se não funcionar em sede própria ou em regime de comodato, terá que arcar com despesas de aluguel, IPTU, água e esgoto, energia, material de limpeza e higiene, móveis, copos descartáveis, livros, e outras despesas de manutenção, por isso deve formar um grupo de colaboradores (ou sócios), dispostos ao pagamento de uma mensalidade, calculada com base em um orçamento prévio e pagas adiantadamente, ou seja, o mês vincendo, para evitar que alguns compromissos sejam honrados fora da data de vencimento. O grupo também pode fazer alguns movimentos de arrecadação de fundos, tais como: Feira de livros, bazares, almoços ou jantares em casas de confrades com a venda de convites etc.

  1. – Quais as atividades iniciais que se deve implantar em um CE?

O Conselho Federativo Nacional, órgão da Federação Espírita Brasileira, aprovou um conjunto de sugestões publicadas, pela própria FEB, sob o título ORIENTAÇÃO AO CENTRO ESPÍRITA, e que também se encontra disponível através da internet no site da FEB www.febnet.org.br , de onde destacamos as atividades transcritas abaixo:

I – Orientação
            Reconhecer que a vivência do Evangelho de Jesus-Cristo é o objetivo a ser atingido pela humanidade;
II – Atividades Básicas
a) promover, com vistas ao aprimoramento íntimo de seus frequentadores, o estudo metódico e sistemático e a explanação:
1.      – da Doutrina espírita no seu tríplice aspecto – científico, filosófico e religioso – consubstanciada na Codificação Kardequiana;
2.      – do Evangelho, segundo a Doutrina Espírita;”

b) promover a evangelização da criança, à luz da Doutrina Espírita;
c) incentivar e orientar o jovem para o estudo e a prática da Doutrina Espírita e favorecer-lhe a integração nas tarefas do Centro Espírita;
d) promover a divulgação da Doutrina Espírita, também através do Livro;
e) promover o estudo da mediunidade, visando oferecer orientação segura para as atividades mediúnicas;
f) realizar atividades de assistência espiritual, mediante a utilização dos recursos oferecidos pela Doutrina Espírita, inclusive reuniões mediúnicas privativas de desobsessão;
g) manter um trabalho de atendimento fraterno, através do diálogo, com orientação e esclarecimento às pessoas que buscam o Centro Espírita;
h) promover o serviço de assistência social espírita, assegurando as características beneficentes, preventivas e promocionais, conjugando a ajuda material e espiritual, fazendo com que este serviço se desenvolva concomitantemente com o atendimento às necessidades de evangelização;
i) incentivar e orientar a instituição do Culto do Evangelho no Lar.
III - Atividades Administrativas (Ver a publicação Manual de Orientação ao Centro Espírita)
IV - Atividades de Comunicação (Ver o Manual...)
V – Atividades de Unificação (Ver o Manual...)

Essa publicação ORIENTAÇÃO AO CENTRO ESPÍRITA contém todo um conjunto de orientações de reuniões que podem ser adotadas pelo CE à medida que for adquirindo as condições para sua implantação.
  1. – Com que objetivo devem ser realizadas as atividades de um CE?

“O Centro Espírita deve proporcionar aos seus frequentadores oportunidade de exercitar o seu aprimoramento íntimo pela vivência do Evangelho em seus trabalhos, tais como os de estudo, de orientação, esclarecimento, ajuda e consolação;” (Orientação Ao Centro Espírita – ed. FEB, p.14 )-Grifamos.

  1. – Como o CE pode atender às suas finalidades?

“Para bem atender às suas finalidades, o Centro Espírita deve ser núcleo de estudo, de fraternidade, de oração e de trabalho, com base no Evangelho de Jesus, à luz da Doutrina Espírita;”(Orientação Ao Centro Espírita – ed. FEB, p.13) – Grifamos.

  1. – Qual a importância de um CE?

“Os Centros Espíritas como escolas de formação espiritual e moral que devem ser, desempenham papel relevante na divulgação do Espiritismo e no atendimento a todos que nele buscam orientação e amparo;” (Orientação Ao Centro Espírita – ed. FEB, p.13)- Grifamos.

Receberemos com prazer os comentários e/ou sugestões do leitor, que poderão nos auxiliar no desenvolvimento e aperfeiçoamento desse trabalho.


Na próxima semana daremos continuidade com a Parte IV.

(*) Voluntário do Centro Espírita Grão de Mostarda, do Programa de Rádio Antena Espírita e do Blog Canteiro de Ideias.

Comentários

  1. Está tudo muito bem pontuado, irretocável. Creio que deveríamos reler essas finalidades no centro com frequência, como o motorista que consulta o roteiro a cada lance do Caminho percorrido... Porque é comum e até compreensível que nos equivoquemos com a sinalização e tomemos vias que levam a outros destinos, indesejáveis. Quando nos damos conta e voltamos atrás, perdemos apenas o tempo; se ganhamos experiência, já não é tão mau. Complicado é quando andamos tanto por rotas estranhas, a ponto de tornar-se impraticável e desmotivador o retorno ao Caminho. Aí a gente pode chamar, efetivamente, de des-Caminho. Empreguei Caminho com maiúscula de propósito, em seu sentido simbólico (por lembrar de Jesus, o homem do Caminho, ele também Caminho, Verdade e Vida). Penso que a tarefa de Unificação seja a mais difícil, por ter que exemplificar o Caminho, identificar o des-Caminho e propiciar a correção de rumos, com inteligência e bondade, para que a desmotivação e os acidentes de percurso tornem-se menos sofríveis. Sugiro que o autor, em seu próximo texto (ou mais à frente), trabalhe os seguintes motes:
    a) O QUE FARIA ALLAN ALLAN KARDEC ASSUMISSE A LIDERANÇA DO MOVIMENTO ESPÍRITA BRASILEIRO NOS DIAS DE HOJE... POR ONDE COMEÇARIA? COMO FARIA A CORREÇÃO DE RUMOS?

    b) POSTURAS DO TRABALHADOR E DOS ÓRGÃOS DA UNIFICAÇÃO ESPÍRITA (o que não deve faltar neles).

    ResponderExcluir
  2. Francisco Castro de Sousa30 de junho de 2015 às 23:44

    Meu Caro Anônimo, obrigado por seus comentários que muito acrescentam aos que faço sobre o assunto. Os leitores, com certeza, aproveitarão bastante das suas ideias. Quanto às suas perguntas, penso resumir a minha resposta da seguinte forma: Não precisa Kardec assumir a condução do Movimento Espírita, basta que os espíritas sigam as suas ideias e tudo o cabedal de orientações que ele recebeu da espiritualidade e que se encontra de forma tão clara na Codificação Espírita, também chamada de Codificação Kardeciana!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

MORFOGÊNESE DO REINO: O "EN MARCHE!" DE CHOURAQUI E O MANIFESTO DE MYERS

  Imagens de IA   Por Jorge Luiz       O VERBO EM MARCHA: A Exegese de Chouraqui e a Morfogênese do Reino Este capítulo abandona a ideia de Reino como "lugar" e o apresenta como "processo biológico e social".             A polêmica joanina de que o “Verbo se fez carne” – João 1:1-14 –, que faz parecer, implicitamente, que há uma identificação entre Deus e Jesus, mereceu uma atenção especial de Allan Kardec, embora só tenha se tornada pública após a sua desencarnação.             Tão controversa que, somente no IV século uma parte da Igreja a adotou. Vê-se que, a decisão foi dos homens e não uma revelação divina, já que não foi o próprio Jesus que a considerou, tão somente, João, o evangelista.             Carlos Pastorino também a analisou azeitando ainda mais as considerações de Kardec,...

CONVICÇÃO OU COAÇÃO?

    Por Doris Gandres           Neste momento em que vivemos, presenciando cotidianamente um bombardeio de informações massacrantes, informações de todo tipo, de origens as mais variadas, inclusive de pessoas e grupos considerados pelo que chamam “massa” como “inquestionáveis”, arquitetadas para doutrinar mentes de tal maneira a seu modo, pensando (?) e agindo conforme seus interesses pessoais de poder e domínio, me pergunto onde se enterrou a liberdade de pensamento, de questionamento, de análise, como a própria criatura se permitiu tal abuso e se entregou?             Terá existido na humanidade, em algum momento, uma convicção espontânea, sincera, nascida em seu íntimo, sem nenhuma influência externa, apenas fruto de observação atenta e crítica? Talvez à época mais rudimentar do ser humano, ainda rude e bruto, somente preocupado em sobreviver nas precárias condições de seu tempo – o que...

TELEOLOGIA BIOSSOCIAL: A SOCIOBIOLOGIA DO REINO E A JORNADA DO ESPÍRITO

    Bota de Orwell   Jorge Luiz          A Escala da Consciência na Matéria Social A “bota pisando num rosto humano” é a famosa metáfora de George Orwell para apresentar uma visão sombria, pessimista e de pesadelo sobre o futuro da humanidade. No mundo de Orwell, não haveria emoções, mas tão somente medo, raiva, triunfo e humilhação. É o mundo de hoje. Por trás desse aparente caos, há uma harmonia que governa e se realiza a partir da tríade universal — Deus, Espírito e Matéria — como bem ensinam os Espíritos. Abraçando o elemento material, é necessário ajuntar o Fluido Cósmico Universal (FCU), conforme O Livro dos Espíritos (L.E.), questão nº 27. Do FCU, o Espírito elabora um invólucro semimaterial, vaporoso e sutil, que serve de ligação entre ele e o corpo físico; extraído do fluido universal do ambiente, ele dá forma ao Espírito, permitindo sua ação, percepção de sensações e manifestação (L.E., Q. 94), denominado por Ka...

GUERRA CULTURAL – COMO INVENTAR INIMIGOS E MANIPULAR PESSOAS

     Por Maurício Zanolini        O escritor George Orwell, pouco antes do final da II Guerra Mundial, criou uma fábula para contar a revolução bolchevique que implantou um comunismo na Rússia e seus desdobramentos. No livro A Revolução dos Bichos somos apresentados aos animais da Granja do Solar, que cansados da exploração dos humanos, fazem uma revolução proletária, que começa romântica, igualitária e fraterna, e vai ficando cada vez mais sombria, autoritária e violenta.

O CENTRO ESPÍRITA: O QUE PENSOU KARDEC

                         Representação gráfica de uma sessão na SPEE (créditos: CCDPE-ECM ) Por Jorge Luiz                  Em Salvador, 1865, foi fundado o primeiro centro espírita no Brasil, por Luis Olímpio Teles de Menezes, denominado Grupo Familiar do Espiritismo. Teles ficou conhecido pelas polêmicas travadas pelos representantes locais da Igreja Católica. Em 1866, Teles publicou O Espiritismo – Introdução ao estudo da doutrina espirítica, a partir de extratos de O Livro dos Espíritos. Somente sete anos depois (1873) irá surgir no Rio de Janeiro a segunda instituição espírita – O Grupo Confúcio, que foi o responsável pela primeira tradução das obras de Allan Kardec.

O FUNDAMENTALISMO E A EXTREMA DIREITA¹

  Por Dora Incontri A breve entrevista com as senhoras apoiadoras de Bolsonaro no domingo, publicada e comentada por meio mundo, e que teve a incrível fala – “apoio Israel porque sou cristã” – diz muito sobre a extrema direita e o fundamentalismo religioso. Tal fundamentalismo – que é sinônimo de fanatismo – tem algumas características constantes, presentes em todas as religiões. O seu apego à letra e não ao espírito, de uma tradição espiritual, portanto, leitura literal, sem interpretação de texto, sem contextualização, acrítica. A escolha e até a adaptação dessa leitura ao que há de mais opressor, conservador e por isso destoante de uma visão aberta, acolhedora, fraterna, compassiva. O fundamentalismo é alimentado por líderes perversos, interesseiros e hipócritas e aceito e multiplicado por pessoas simplórias, emocionalmente vulneráreis, sem base cultural – como essas senhorinhas da citada entrevista. Oportunismo e perversidade de um lado, ingenuidade e ignorância de outro.

PACTO ÁUREO?

Por  Jorge Hessen (*)   Outubro de 2014 - 65 anos do Pacto Áureo Os primórdios do “espiritismo” De conformidade com as fontes compulsadas, identificamos os primórdios do movimento “pré-espírita” brasileiro nas experiências dos partidários do mesmerismo (1). Dentre os seus adeptos, encontramos os médicos homeopatas Benoît Jules Mure (francês) e João Vicente Martins (português). Ambos chegaram ao Brasil em 1840. Havia mais apaixonados pela técnica de Mesmer, a exemplo de José Bonifácio de Andrada e Silva (o “Patriarca da Independência”), igualmente adepto à homeopatia, e Mariano José Pereira da Fonseca (Marquês de Maricá), este último publicou um livro de essência “pré-Codificação espírita, em 1844. O “Espírito” Humberto de Campos explanou em “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho” (*) que Benoît Jules Mure e João Vicente Martins “fariam da medicina homeopática verdadeiro apostolado. Muito antes da codificação espírita já conheciam os tran...

É HORA DE ESPERANÇARMOS!

    Pé de mamão rompe concreto e brota em paredão de viaduto no DF (fonte g1)   Por Alexandre Júnior Precisamos realmente compreender o que significa este momento e o quanto é importante refletirmos sobre o resultado das urnas. Não é momento de desespero e sim de validarmos o esperançar! A História do Brasil é feita de invasão, colonização, escravização, exploração e morte. Seria ingenuidade nossa imaginarmos que este tipo de política não exerce influência na formação do nosso povo.