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COMO FUNDAR UM CENTRO ESPÍRITA - PARTE II







Por Francisco Castro (*)


  1. – Quais as condições necessárias para a fundação de um CE?

“Em várias localidades solicitaram-me conselhos para a formação de grupos espíritas. Tenho pouco a dizer a esse respeito, além do que está contido, como instruções, no ‘Livro dos Médiuns’. Acrescentarei apenas umas poucas palavras:
A primeira condição é, sem dúvida, constituir um núcleo de pessoas sérias, por mais restrito seja o seu número. Cinco ou seis pessoas, se são esclarecidas, sinceras, imbuídas pelas verdades da Doutrina e unidas pela mesma intenção, valem cem vezes mais do que uma multidão de curiosos e indiferentes. Em seguida devem os seus membros fundadores estabelecer um regulamento que se tornará em lei para os novos aderentes.” (Allan Kardec in Viagens Espíritas em 1862 – Casa Editora O Clarim – 2ª edição em língua portuguesa, p.138) – (Grifamos)
  1. – Quem deve fundar um CE?

Alguém que deseje fundar um Centro Espírita deve, primeiro, procurar conhecer a Doutrina Espírita através da leitura e estudo de O Livro dos Espíritos, Livro dos Médiuns e de O Evangelho Segundo O Espiritismo. Ou, se possível, participar de, pelo menos, três módulos do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita ou de um Curso Básico de Espiritismo.

Deve, também, estar consciente de que a obra de regeneração do homem exige esforço e sacrifício e de que, antes de procurar melhorar os outros é preciso que o indivíduo melhore a si próprio. Como se lê no item 334 de O Livro dos Médiuns:
“O Espiritismo, que apenas acaba de nascer, ainda é diversamente apreciado e muito pouco compreendido em sua essência, por grande número de adeptos, de modo a oferecer um laço forte que prenda entre si os membros do que se possa chamar uma associação, ou sociedade. Impossível é que semelhante laço exista, a não ser entre os que lhe percebem o objetivo moral, o compreendem e o aplicam a si mesmos.” (Grifamos)


3.    – Onde se deve fundar um CE?

Em princípio, em lugares onde não exista um outro Centro Espírita muito próximo. Nos grandes centros urbanos pelo menos um em cada bairro. No interior pelo menos um em cada município.
Antes de partir para a fundação de uma instituição é bom lembrar como surgiu a Sociedade Espírita de Paris e das dificuldades que o Codificador teve que enfrentar, conforme se lê em Obras Póstumas:
“Havia cercas de seis meses, eu realizava, em minha casa, à rua dos Mártires, uma reunião com alguns adeptos, às terças-feiras. A Srta. E. Dufaux era o médium principal. Conquanto o local não comportasse mais de 15 a 20 pessoas, até 30 lá se juntavam às vezes. Apresentavam grande interesse tais reuniões, pelo caráter sério de que se revestiam e pelas questões que ali se tratavam. (...) Nada cômoda pela sua disposição, a sala onde nos reuníamos se tornou em breve muito acanhada. Alguns dos frequentadores deliberaram cotizar-se para alugar uma que mais conviesse. (...) Formada a princípio de elementos pouco homogêneos e de pessoas de boa vontade, que eram aceitas com facilidade um tanto excessiva, a Sociedade se viu sujeita a muitas vicissitudes, que não foram dos menores percalços da minha tarefa.”(Grifamos)

Na mensagem “Unificação”, publicada em Reformador de agosto de 2001, Bezerra de Menezes nos recomenda:

“Mantenhamos o propósito de irmanar, aproximar, confraternizar e compreender, e, se possível, estabeleçamos em cada lugar, onde o nome do Espiritismo apareça por legenda de luz, um grupo de estudo, ainda que reduzido, da Obra Kardequiana, à luz do Cristo de Deus.”(Grifamos)

A experiência tem demonstrado que os Centros Espíritas que começam de forma modesta, com a preocupação de formar um grupo coeso, ainda que pequeno, de pessoas que se conheçam, sinceramente imbuídas do verdadeiro espírito do Espiritismo, têm maiores chances de se tornarem instituições fortes e capazes de enfrentar com sucesso as dificuldades que possam surgir no futuro.

  1. – Como escolher o nome do CE?

O Manual de Administração das Instituições Espíritas (Publicado pela FEB – Federação Espírita Brasileira), no número 9, traz as recomendações que transcrevemos abaixo a título de sugestão:

“Os Centros Espíritas, em organização ou reorganização, deverão tomar as seguintes providências quanto à denominação do Centro:
a) evitar a adoção de nomes complicados ou exóticos, que não traduzem a idéia espírita e que possam provocar o ridículo ou o descrédito;
b) não adotar a denominação de igreja, templo, tenda, cabana  e congêneres;
c) fazer com que a denominação de uma instituição espírita de caráter doutrinário, educacional ou assistencial, seja discreta, expressiva, curta, em boa linguagem e não se preste a trocadilhos, cacofonia e outros elementos de ridículo, aconselhando-se observar:     
c.1) quando se tratar de instituição de caráter doutrinário, usar sempre a designação de Centro, seguida do vocábulo Espírita, e não espiritualista;
c.2) quando se tratar de instituição de caráter educacional, empregar as denominações de escola, instituto e congêneres; e
c.3) quando se tratar de instituição de caráter assistencial, utilizar as denominações de casa, lar e congêneres;
d) não deturpar a grafia e a pronúncia dos nomes que venham a adotar as instituições espíritas, notadamente em se tratando de nomes estrangeiros;
e) não tomar por patronos:
e.1) os nomes de pessoas ainda encarnadas, ou desencarnadas recentemente, por maior que seja ou tenha sido a sua projeção social;
e.2) os nomes de parentes desencarnados dos iniciadores  ou dirigentes das instituições, cuja situação espiritual ainda não seja definida; e .
e.3} os nomes de arcanjo, anjo, pai, caboclo, santo e congêneres.
f) evitar a adoção do nome fundação, tendo em vista que este tipo de organização é disciplinado por legislação específica, com obrigações decorrentes perante os poderes públicos.”(Grifamos)
  1. – Onde conseguir orientações para a fundação de um CE?

Quem desejar fundar um Centro Espírita deve procurar as Casas Federativas Estaduais, onde poderá receber ajuda. Essas instituições mantém cursos para Dirigentes Espíritas, Monitores de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita – ESDE, Evangelizadores da Infância e Juventude e outros, que são oferecidos, gratuitamente, àqueles que solicitam a sua realização.
A Federação Espírita Brasileira tem, à disposição dos que desejarem, além de um modelo de estatuto, o Manual de Administração das Instituições Espíritas que se encontra disponível através da internet – www.febnet.org.br
Essa publicação contém todas as orientações necessárias não só à fundação como à administração de uma instituição espírita.

Receberemos com prazer os comentários e/ou sugestões do leitor, que poderão nos auxiliar no desenvolvimento e aperfeiçoamento desse trabalho.

Na próxima semana daremos continuidade com a Parte III.

(*) Voluntário do Centro Espírita Grão de Mostarda, do Programa de Rádio Antena Espírita e do Blog Canteiro de Ideias.

Comentários

  1. Considero de suma importância todas as recomendações aqui explicitadas para a jornada de criação de um Centro Espírita. Somos levados sempre pela nossa boa vontade em divulgar a Doutrina Espírita, e esse sentimento em si já é um grande sustentáculo para que sejamos abençoados em qualquer que seja a nossa empleitada no bem. Mas sabemos ser necessários o estudo constante e sério da Doutrina, que a priori se sustenta nas obras da Codificação por Allan Kardec, a postura moral e doutrinária irrepreensível, aplicada primeiramente a nós mesmos e, por consequência natural, estendida às pessoas que, a partir do nosso exemplo, sentem-se seguras de que estamos realizando um trabalho sério. Nada pode ser mais convincente e tornar-se objeto de transformação do que o próprio exemplo, a própria vivência daquilo que se prega e se toma como verdade. É a partir do exemplo que plantamos a semente em cada coração sequioso. As dificuldades são inumeráveis, contudo o Bem que se propaga, embora não se aperceba em grandes proporções no dia a dia (porque somos incrédulos e, portanto, necessitados sempre de renovarmos e reafirmarmos a nossa fé) tornam-se pontos de Luz e estrada infinita de bênçãos para nós que caminhamos penosamente, vencendo passo a passo nossas deficiências e equívocos de toda natureza e para aqueles que nos acompanham nessa estrada. Considero um ponto de grande importância o que o nosso querido irmão Francisco Castro salientou sobre haver uma unidade de pensamento e postura doutrinária entre os integrantes da Casa Espírita. Pois o trabalho só pode prosperar quando todos comungam de uma mesma base e postura doutrinárias. Ainda encontramos muitos Centros Espíritas carentes de orientação e direcionamento apropriados à prática verdadeira dos postulados espíritas, tais como foram revelados pelo seu Codificador Alan Kardec, que por sua vez, também foi orientado pela Espiritualidade Superior. Todos estamos em caminhada evolutiva e, a alguns, é dada uma missão mais complexa e dificultosa, que exige muita dedicação e equilíbrio constante entre o que precisa ser realizado e a nossa própria vontade. Somos instrumentos de Deus e, portanto, nosso foco deve ser sempre a divulgação e sedimentação dos ensinamentos do Cristo, nosso maior exemplo, reunidos na Codificação Espírita. Que se possa favorecer a expansão de instituições espíritas em cada canto do mundo, mas que sejam, sobretudo, alicerçadas em base sólida e verdadeira. Muito bom poder contar com essas orientações!!!

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  2. Francisco Castro de Sousa16 de junho de 2015 às 10:58

    Cara Ana Luiza, seus comentários serão de grande valia para quem estiver pretendendo fundar um Centro Espírita, pois reforçam as ideias esboçadas nos textos que levam a minha assinatura. Se até as críticas ácidas são bem vindas, imagine comentários estimulantes como os que você postou acima. Que o seu comentário sirva de incentivo para que outros irmãos postem os seus, também, ainda que não concordem com as ideias expostas, mas que comentem porque é da discussão que surge a luz. Obrigado Ana Luiza Costa!

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  3. Obrigada Seu Castro. Vejo muitas distorções acontecendo no Movimento Espírita e isso é preocupante. Não podemos deixar que a Doutrina Espírita fique à mercê da vaidade de alguns dirigentes mal-orientados. Alan Kardec não foi o Codificador por acaso. A Espiritualidade Superior sabia de sua seriedade e isenção como cientista e pedagogo. Ele soube investigar e interpretar os fenômenos mediúnicos sem as paixões inerentes à vaidade e sem a mera curiosidade pelo fantástico e maravilhoso. Sua negação, à princípio, de que houvesse algo maior nos fenômenos das mesas girantes, serviu, ao contrário, como pontapé inicial à sua investigação mais profunda a respeito dos fatos. Novos acontecimentos, agora em vários lugares ao mesmo tempo, foram confirmando de que se tratava de algo bem mais complexo e com um sentido bem definido dentro daquelas manifestações mediúnicas. Então, pela sua seriedade e dedicação, com a ajuda da espiritualidade superior, a Doutrina dos Espíritos foi pouco a pouco sendo-lhe revelada e por ele codificada tal qual exigia o compromisso com a divulgação da verdade. Esses módulos de orientação divulgados aqui no Blog são muito esclarecedores. Arrisco sugerir, inclusive, que possam ter uma futura formatação de "curso" ou algo similar. Seria de grande valia para evitar que as distorções doutrinárias se propagassem cada vez mais. Boa vontade, como disse anteriormente, é primordial, mas o Estudo e o esclarecimento são os alicerces principais, sobretudo para desmistificar certos entendimentos e evitar equívocos que mais afastam do que aproximam as pessoas. Obrigada pelo carinho!

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  4. Caro amigo,
    Essa série de orientações que estás a publicar, é de uma serventia sem tamanho. O significado, funções e objetivo de um Centro Espírita na sua acepção espiritual, ainda é muito pouco compreendida. Os leitores do Canteiro de Ideias louvam a sua iniciativa.
    Abração

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  5. Amigo Francisco, quase 4 anos depois me encontro com esse texto importante de sua lavra. Estou sentindo falta de suas intervenções tão importantes no Canteiro. Faça-nos o favor de retornar. Roberto Caldas

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  6. É necessário que a pessoa que queira criar um grupo esteja engajado em alguma casa espírita? Por exemplo, participei de uma casa no bairro que moro, mais me afastei, eu poderia criar um grupo? Gostaria do contato direto com alguém que pudesse me esclarecer algumas dúvidas. Obrigado!

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