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ACERTOS E ERROS



Por Alkíndar de Oliveira (*)


A querida educadora Joanna de Angelis diz que nós devemos analisar nossa vida sob o “ponto de vista espiritual”. Na mesma linha de pensamento o eminente médico indiano, Deepak Chopra, diz que nós devemos enxergar nossa vida com os “olhos d’alma”. Seres interexistentes que somos, às vezes nos esquecemos deste fato. Temos por hábito analisarmos nossos problemas sob os “olhos da carne”, como também diz o já citado médico indiano. E aí vem o sentimento de culpa! Sentimento este altamente destruidor. Ensinam os espíritos que o arrependimento produtivo é bem vindo, pois que nos induz à mudança de comportamento. Mas, o sentimento de culpa é estagnante. Por que nos martirizarmos pelos nossos erros se sob olhos de Deus eles não existem? Para Deus tudo é aprendizagem! Caro(a) leitor(a), você pode estar pensando “Como? Quer dizer que eu nunca errei?” E outras indagações podem surgir: “Um ladrão não errou ao roubar?” “Um assassino não errou ao matar?” “Uma pessoa não errou por desejar o cônjuge do próximo?” Estas perguntas, além de sensatas, são carregadas de muita lógica, pois se existem leis que nos induzem aos acertos, é porque, em contrapartida, os erros podem ocorrer. Não questiono sua lógica, caro leitor. No entanto, este artigo está alicerçado num outro ponto de vista. Num ponto de vista mais superior do que nossa simplista lógica terrena. Vamos às explicações: Imagine um cubo colorido com as seguintes características:
a) Ele é enorme. Cada face tem 5m de altura por 5m de largura;
b) Ele está sobre uma imensa mesa de vidro transparente;
c) Cada face do cubo tem uma cor diferente das demais;
d) A face A, amarela, é a base do cubo. Está assentada sobre a mesa;
e) A face B, azul, é a parte superior do cubo. Ocupa posição oposta à face A;
f) As demais faces são de cores branca, preta, vermelha e marrom.


Imagine uma formiga que nasceu na parte B, isto é, na face superior do cubo, e nunca em sua vida saiu dali. Em outras palavras, ela só conhece a face B. Ignora e não conhece as faces A, C, D, E e F. Pergunto: para essa formiga qual é a cor do cubo? Azul? Certo. Outra pergunta: você conseguiria explicar para essa formiga que o cubo tem seis faces e que a face que ela conhece é apenas uma das faces coloridas? Conseguiria explicar que as outras faces têm as cores amarela, branca, preta, vermelha e marrom. Difícil explicar, não é? Impossível, até. Mas é o que de forma simples estou relatando a você: Nós, por estarmos encarnados na Terra, vivemos em uma das faces do cubo e não conseguimos enxergar as demais. A nossa visão de vida, e todas as consequências dessa visão, tem por base a nossa vivência na face B do cubo. Poderia ser diferente, se nos esforçássemos para isto. Poderíamos em cada ação do nosso dia a dia nos visualizarmos como seres encarnados na Terra, mas com dimensão espiritual. Se fossemos autoconscientes da nossa interexistência, melhor estaríamos aproveitando do que o Espiritismo nos ensina. Mas felizmente Deus conhece todas as faces de nossa vida. Sua visão é mais abrangente do que a nossa. Por que estou fazendo essa analogia com o cubo? Explico: Na nossa condição humana, nós erramos sim. Mas aos olhos de Deus não estamos errando, estamos aprendendo.
Meu objetivo neste artigo é ampliar sua visão no campo do tema “erros”. Nosso cérebro foi programado para errar. Essa programação é oriunda de crenças que a vida nos passou através dos dogmas religiosos, da educação e por diversas ocorrências dessa e de vidas passadas. Julgamo-nos falhos, imperfeitos, carregamos remorsos, mágoas, ódios, pois, repito, nosso cérebro foi programado – por nós – para errar. Em contrapartida nossa alma foi programada para acertar. Nossa alma carrega em seu interior nossa essência divina! Nosso cérebro, que nos mostra uma estreita visão de vida, nos diz: “você errou”. Nossa alma, que é essência de Deus em nós, nos diz: “você não errou, você está aprendendo”. Cairbar Schutel que, sob a visão humana, nos diz que o erro existe: “O erro está em ser indulgente consigo e rigoroso com o semelhante.”(*livro 1, item 136), nos consola dizendo que, sob a visão divina, o erro não existe: “Só aquele que tudo vê e tudo sabe não comete enganos, pois tudo conhece. A Justiça Divina tem esse caráter: não erra jamais. Crendo nisso, o encarnado deve pacificar o seu âmago e encarar os fatos do cotidiano com naturalidade. Nada lhe acontece por acaso. Nenhum obstáculo chega à sua frente por engano. Tudo o que o cerca em seu estágio na Crosta terrestre deve ser bem vivido, levando em conta que se trata de um processo para o seu aprendizado e evolução.”(*livro 1, itens 378 e 379). Sob a visão divina, que é a essência de nossa alma, pergunto-lhe: o que quis dizer Cairbar Schutel quando disse “o encarnado deve pacificar o seu âmago e encarar os fatos do cotidiano com naturalidade. Nada lhe acontece por acaso.” ? Você já pensou sobre o abrangente significado da primeira palavra da frase “NADA lhe acontece por acaso.”? Nada é....NADA! Joanna de Ângelis que, sob a visão humana, nos diz que “O ódio é remanescente vigoroso das mais sórdidas paixões do primarismo asselvajado, que permanece em luta com a razão e o sentimento de amor inato em todos os seres.”, onde coloca o ódio como um erro a ser extirpado, portando ainda existente entre nós, acrescenta, sob a visão divina, “O amor de Deus a que se refere Jesus é um sentimento também de compaixão que socorre, mas não se detém em exigência de natureza alguma.”(** livro 2) Você já pensou sobre o abrangente significado da frase “O amor de Deus (...) não se detém em exigência de NATUREZA ALGUMA.”? Natureza alguma é... NATUREZA ALGUMA! Disse ainda Joanna de Ângelis “Esse amor (de Jesus) não censurou a ninguém, porque é feminino, maternal; no entanto advertiu, caracterizando ser também masculino, paternal, em perfeita identidade da anima com o animus, em perfeita harmonia no Homem-Jesus.”(**livro 2) Não importam quais sejam nossos “erros”, diz-nos Joanna de Ângelis:
a) Jesus não nos censura;
b) Deus não se detêm em exigências de natureza alguma.

A escolha é sua: Opção-1: Enxergar-se como um ser que, na escada ascensional da imortalidade, não para de progredir, um ser que nunca foi censurado por Jesus, um ser que jamais recebeu exigências de Deus, enfim, um ser divino (lembra-se do “vós sois deuses.”?). Ou Opção-2: Continuar lamentando os seus “erros”, continuar cultivando seus remorsos, suas mágoas e entrar num labirinto de difícil saída. Quando eu disse acima “A escolha é sua.”, posso ter passado a impressão de que é fácil escolher. Não é. Toda mudança é dolorida. Por isto que as pessoas relutam-se em mudar.
Mudar dói e nós temos medo da dor. Mas, não há desenvolvimento sem dor. Para mudar, para escolher a sua maneira de viver, é preciso ter uma qualidade essencial que chama-se “coragem”. Tenha coragem, escolha a “opção-1”, e viva com intensidade! Importante: quando afirmo que não existem erros, isto não significa que estou procurando eliminar os erros de sua vida humana, pois erros humanos existem, sim. Mas, estou alertando-o que para crescer e ser útil ao próximo e a si mesmo, é preciso enxergar-se como um ser divino que é o seu verdadeiro eu, e sob este ponto de vista não existem erros, pois todas as ocorrências nefastas de nossas diversas encarnações foram APRENDIZAGENS, não erros. É preciso, como diz Joanna de Ângelis, “enxergar as ocorrências de nossa vida sob o ponto de vista espiritual.”

* (1) Livro Fundamentos da reforma íntima, 2ª edição, Cairbar Schutel, Abel Glaser, Casa Editora O Clarim. ** (2) Livro Jesus e o Evangelho à luz da psicologia profunda, 1ª edição, Joanna de Ângelis, Divaldo Pereira Franco, Leal Editora.



Alkindar de Oliveira, Palestrante, Escritor e Consultor de Empresas radicado em São Paulo-SP, profere palestras e ministra treinamentos comportamentais em todo o Brasil. Autor de diversos livros pela editora Truffa

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