Pular para o conteúdo principal

TVP E ESPIRITISMO











O que a Terapia de Vida Passada (TVP) e o Espiritismo têm em comum?

Como espírita e terapeuta de vida passada, poderia afirmar algumas coisas. Em primeiro lugar, a TVP é uma linha de psicoterapia que trabalha com a hipótese científica da reencarnação, e partindo desse pressuposto, cremos que tudo que somos hoje, nossas qualidades, nossos defeitos, pontos fracos, pontos fortes, enfim, nosso temperamento e, principalmente nosso caráter, seria a somatória de todas as experiências agradáveis e desagradáveis que passamos desde a nossa criação, passando por todas as nossas vivências até o minuto que acabou de passar.  Então, como reencarnacionista, parece que nada acontece à toa, fatos felizes e infelizes que passamos têm uma causa anterior.

Porém, essa terapia não é um privilégio de quem é espírita, pois ninguém é dono da verdade, não é mesmo? Afinal de contas, um trabalhador cumpridor de seus deveres pode realizar, em termos espirituais, muito mais do que aquele que reza, e só reza o dia inteiro... Sabemos que não se pode dar futilidade a esta terapia, visto que nosso inconsciente, este pequeno grande gravador de fatos da vida (de todas elas), não se abre à toa, pois ele mesmo tem seu mecanismo de defesa.  É claro, que parece, às vezes, no consultório, aquele tipo de paciente, que gostaria de se submeter à TVP, para saber se foi algum rei ou rainha de nossa rica história (em tempo, ninguém vai para quere saber se já poderia ter sido um escravo ou um mendigo, por exemplo).
Mas, o que vemos mesmo, é que nossos personagens do passado são pessoas comuns e normais como exatamente somos hoje. Outro motivo de grande procura é a curiosidade de se reconhecer parentes atuais em nossas vidas passadas, outro engano, pois não há o reconhecimento de ninguém. Nosso inconsciente e a própria espiritualidade não permite que isso aconteça. Só se vai saber o que for estritamente o necessário, porém nem sempre o que vem de conteúdo é aquilo que gostaríamos de ter conhecimento.
A TVP, desde que praticada seriamente e com conceitos éticos, pode oferecer resultados muito bons ao paciente.
E, como tudo isso é feito? É claro que procuramos a TVP é porque estamos sofrendo de alguma maneira, por exemplo: depressão, fobias, síndrome do pânico, etc. Porém se não houver um abrandamento de nosso caráter, nosso jeitinho de ser que parece que vem se repetindo por vidas sucessivas, não existe a cura para nada.
Qual de nós, em algum momento não deu uma rateada por nosso orgulho, egoísmo ou pela nossa prepotência? Coisas como paciência, tolerância, fé e resignação não estão escritas em nenhum livro de psicologia ou psiquiatria. E é exatamente isso que a TVP vem alertar aos pacientes, que, por exemplo, quisermos nos livrar de nossa depressão recorrente de anos de tratamento, com trocas mensais de medicamentos, caros por sinal, se eu continuo querendo tudo do meu jeito ou sou ranzinza, por exemplo.
A TVP vem para quebrar o círculo vicioso de nosso passado. Ou seja, se não houver uma reforma íntima, uma mudança de nosso padrão de comportamento não há cura.

Comentários

  1. A palestra que ele fez no 6º ENCONTR'AME foi excelente!

    ResponderExcluir
  2. Olá, Vera!
    Com certeza! Necessitamos socializar o ENCONTR'AME para que o tornemos um evento do movimento espírita cearense, e não só para profissionais da área médica como muitos pensam.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

“BEM AVENTURADOS OS QUE TÊM FOME E SEDE DE JUSTIÇA PORQUE SERÃO SACIADOS...” (Mt 4, 23-25)

  Doris Gandres Essa uma das bem aventuranças proferidas pelo Mestre Jesus em seu Sermão da Montanha, há quase 2 mil anos e da qual bem pouco se fala... Não foi mencionada nem comentada no Evangelho Segundo o Espiritismo por Allan Kardec e os Espíritos que com ele trabalharam, quando tantas outras lhes mereceram a atenção... E de algum tempo me pergunto por que... Julgaram talvez, Kardec e a equipe espiritual, que ainda não tínhamos capacidade de entender o significado dessa afirmativa de Jesus? Que talvez, famintos e sedentos por justiça como estávamos – e ainda continuamos a estar – para nos saciarmos recorreríamos a métodos separatistas e violentos? Afinal, mesmo assim, mesmo relegando essa bem aventurança a segundo plano, praticamente ao ostracismo, povos e nações de todos os tempos, mesmo após o vinda do Cristo e mesmo ainda após o surgimento da doutrina espírita, recorreram ao domínio pela força de todo tipo com a justificativa de estabelecer e implantar justiça.

SOBRE ATALHOS E O CAMINHO NA CONSTRUÇÃO DE UM MUNDO JUSTO E FELIZ... (1)

  NOVA ARTICULISTA: Klycia Fontenele, é professora de jornalismo, escritora e integrante do Coletivo Girassóis, Fortaleza (CE) “Você me pergunta/aonde eu quero chegar/se há tantos caminhos na vida/e pouca esperança no ar/e até a gaivota que voa/já tem seu caminho no ar...”[Caminhos, Raul Seixas]   Quem vive relativamente tranquilo, mas tem o mínimo de sensibilidade, e olha o mundo ao redor para além do seu cercado se compadece diante das profundas desigualdades sociais que maltratam a alma e a carne de muita gente. E, se porventura, também tenha empatia, deseja no íntimo, e até imagina, uma sociedade que destrua a miséria e qualquer outra forma de opressão que macule nossa vida coletiva. Deseja, sonha e tenta construir esta transformação social que revolucionaria o mundo; que revolucionará o mundo!

SOCIALISMO E ESPIRITISMO: Uma revista espírita

“O homem é livre na medida em que coloca seus atos em harmonia com as leis universais. Para reinar a ordem social, o Espiritismo, o Socialismo e o Cristianismo devem dar-se nas mãos; do Espiritismo pode nascer o Socialismo idealista.” ( Arthur Conan Doyle) Allan Kardec ao elaborar os princípios da unidade tinha em mente que os espíritas fossem capazes de tecer uma teia social espírita , de base morfológica e que daria suporte doutrinário para as Instituições operarem as transformações necessárias ao homem. A unidade de princípios calcada na filosofia social espírita daria a liga necessária à elasticidade e resistência aos laços que devem unir os espíritas no seio dos ideais do socialismo-cristão. A opção por um “espiritismo religioso” fundado pelo roustainguismo de Bezerra Menezes, através da Federação Espírita Brasileira, e do ranço católico de Luiz de Olympio Telles de Menezes, na Bahia, sufocou no Brasil o vetor socialista-cristão da Doutrina Espírita. Telles, ao ...

AFINAL, QUANDO O ESPIRITISMO SE TORNOU RELIGIÃO? UMA CONVERSA FRANCA SOBRE CULTURA, PODER E TRANSFORMAÇÃO NO ESPIRITISMO BRASILEIRO

  Por Wilson Garcia A Dissertação Espiritismo transnacional: poder, habitus e mitopráxis na configuração religiosa brasileira em décadas de perseguições, defendida na PUC-SP por Adair Ribeiro Júnior em 2026, tenta responder a uma pergunta que há décadas tira o sono de quem estuda ou vive o espiritismo: como e por que o espiritismo se tornou uma religião no Brasil?               A resposta que o autor apresenta é fundamentada, bem documentada, mas não é definitiva. E é justamente aí que mora seu valor. Ela nos obriga a pensar. Quem conhece Allan Kardec sabe: o projeto original não era religioso. Era um tripé — ciência, filosofia e moral — apoiado na investigação metódica dos fenômenos espirituais. Observação, comparação, controle das comunicações: um verdadeiro laboratório do invisível.             Mas aí essa ideia atravessou o Atlântico, desembarcou ...

O ESPIRITISMO É PROGRESSISTA

  “O Espiritismo conduz precisamente ao fim que se propõe todos os homens de progresso. É, pois, impossível que, mesmo sem se conhecer, eles não se encontrem em certos pontos e que, quando se conhecerem, não se deem - a mão para marchar, na mesma rota ao encontro de seus inimigos comuns: os preconceitos sociais, a rotina, o fanatismo, a intolerância e a ignorância.”   Revista Espírita – junho de 1868, (Kardec, 2018), p.174   Viver o Espiritismo sem uma perspectiva social, seria desprezar aquilo que de mais rico e produtivo por ele nos é ofertado. As relações que a Doutrina Espírita estabelece com as questões sociais e as ciências humanas, nos faculta, nos muni de conhecimentos, condições e recursos para atravessarmos as nossas encarnações como Espíritos mais atuantes com o mundo social ao qual fazemos parte.

MARCHA PARA JESUS: ENTRE A FIGUEIRA ESTÉRIL E A FÁBRICA DE LÁZAROS

    Imagem criada por IA, a partir do texto Por Jorge Luiz                  O Chão da Avenida e as Vozes do Povo               Ao estudar a psicologia das multidões, Gustave Le Bon (2022) assegura que, quando o edifício de uma civilização está podre, as massas apressam a sua destruição. É esse o seu papel: por um instante, a força cega do número transforma-se na única filosofia da história.             As entrevistas concedidas pelos fiéis na última Marcha para Jesus, realizada no dia 23 de maio, e veiculadas por um portal de notícias (1) , demonstram com exatidão essa práxis. As declarações, desconexas da realidade, estão desalinhadas à mensagem do paraninfo do evento, “em nome de Jesus”.

A HISTÓRIA DA ÁRVORE GENEROSA

                                                    Para os que acham a árvore masoquista Ontem, em nossa oficina de educação para a vida e para a morte, com o tema A Criança diante da Morte, com Franklin Santana Santos e eu, no Espaço Pampédia, houve uma discussão fecunda sobre um livro famoso e belo: A Árvore Generosa, de Shel Silverstein (Editora Cosac Naify). Bons livros infantis são assim: têm múltiplos alcances, significados, atingem de 8 a 80 anos, porque falam de coisas essenciais e profundas. Houve intensa discordância quanto à mensagem dessa história, sobre a qual já queria escrever há muito. Para situar o leitor que não leu (mas recomendo ler), repasso aqui a sinopse do livro: “’...

JESUS: BANDIDO SOCIAL?

            Como se estabelecer no imaginário a personalidade de Jesus, na condição de guia e modelo da Humanidade – questão nº 625, de O Livro dos Espíritos (O L. E.)? O padrão de moral de Jesus deve ser, necessariamente, a mansidão e o assistencialismo, assim como de Francisco C. Xavier, Irmã Dulce e Madre Teresa de Calcutá? Ou estaria mais próximo de Gandhi ou Allan Kardec? Quem sabe integrava grupo que hoje é conhecido como Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)?