Pular para o conteúdo principal

QUESTÃO DE HISTÓRICO

 


A carteira de vacinações, o manual de manutenção de veículos, o prontuário médico ou odontológico, ou os diferentes cadastros em escolas, universidades ou outras iniciativas e instituições de saúde, esportivas, políticas, culturais, religiosas, etc, normalmente mantém anotações dos históricos de atividades, de atendimentos, personalizados ou não, criando históricos de uma pessoa, de uma família, de uma cidade, de uma instituição, da carreira de um artista, de um escritor, etc. e mesmo de uma nação inteira.

A conhecida régua ou tábua de crescimento, normalmente usada por pediatras, acompanha as medidas do bebê, no decorrer dos meses, anotando peso e altura. É fato muito comum, pois, o registro histórico, inclusive para competições esportivas, ou dados de filmes, novelas, peças de teatro, livros, nos rankings de vendas ou apresentações e na linguagem atual, de visualizações ou curtidas.

Com o espírito em evolução no planeta a ocorrência não é diferente. Todos nós temos um histórico registrado em nós mesmos, nas experiências já vivenciadas em incontáveis existências passadas, o que determina a personalidade atual, com a diferença que referido arquivo ainda permanece inacessível ao próprio portador, pelas determinações da Lei de Esquecimento, a fim de não prejudicar a trajetória atual.

Embora os nobres espíritos que dirigem a evolução planetária tenham acesso a esses registros para ajudar os protagonistas sob sua direta proteção – a fim de planejamentos sábios visando o aprimoramento intelecto moral e a superação das dificuldades, causas de traumas variados –, para nós tais registros permanecem guardados e seu acesso será gradativo, quando houver condições e necessidade.

Referido histórico leva-nos à prática do "não julgueis", recomendado por Jesus.

Observamo-nos mutuamente, em diferentes situações, individuais ou coletivas. Vemo-nos, encontramo-nos, falamos, guardamos intensos relacionamentos, afetamos pessoas com nossas ações, reações, decisões e comportamentos e igualmente somos afetados pelos mesmos comportamentos alheios. Esses fatos levam-nos a julgamentos, a posicionamentos e decisões nem sempre saudáveis. Isso por uma simples razão: Não sabemos o histórico com quem nos relacionamos. Nem o nosso lembramos, o que não dizer da outra ou das outras pessoas. Não conhecemos o histórico, não temos acesso para entender reações, posições, comportamentos.

Não sabemos quais os dramas e dificuldades oriundas do passado afetam a personalidade atual.

Igualmente não sabemos os méritos e deméritos de quem está à nossa frente ou observado por nós mesmos. Se na maioria das vezes não sabemos nem os traumas da presente existência, o que não dizer das existências passadas.

Se uma infância sofrida e traumática já projeta muitas vezes um adulto repleto de questionamentos emocionais e psicológicos, na presente existência, há que se pensar em traumas anteriores, influenciado severamente no comportamento atual, apesar do esquecimento imposto por Deus para atenuar as lembranças e deixar que o espírito caminhe novamente, como se tivesse partido do zero.

Tudo é uma questão de histórico. Alguns apontamentos históricos dos relacionamentos atuais são conhecidos e já influenciam decisões nessa ou naquela direção. Pais e educadores conhecem o histórico difícil ou talentoso dos filhos e alunos, por exemplo, orientando decisões. Sobre o passado, escapa-nos completamente. Fica sob supervisão dos benfeitores espirituais que nos orientam e ajudam no planejamento reencarnatório e condução das existências, visando o progresso.

O esquecimento é, pois, uma necessidade, para o espírito encarnado.

Por força dessa ocorrência fundamental, cabe-nos solidariedade e respeito mútuo, diante de quaisquer pessoas ou situações, primeiro porque igualmente estamos enquadrados e segundo porque a Lei de Deus é de amor e cabe-nos o respeito para com todas as criaturas. Não temos ideia das lutas que enfrentam, das memórias que guardam – ainda que latentes – e dos sábios planejamentos espirituais para ajudar a todos nós.

Aí o "não julgueis" adquire ainda mais força e expressão. Não temos o histórico para julgamentos precipitados e levianos... E mesmo que tivéssemos não deveríamos porque igualmente somos todos necessitados de compaixão, pela fragilidade que ainda nos caracteriza. Equívocos todos cometemos e estamos todos no "mesmo barco".

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

A INVERSÃO DO QUERIGMA: BOLSONARISMO E NEOPENTECOSTALISMO COMO ANTÍTESES SOCIOPOLÍTICAS DO JESUS HISTÓRICO

    Por Jorge Luiz              O Escândalo do Banco Master como sintoma da inversão.             Em outro momento defini a relação entre o status político chamando eufemisticamente de extrema-direita, simbolizada aqui como bolsonarismo e o neopentecostalismo, como uma “simbiose promíscua”. O escândalo do Banco Master, oferece uma nova definição, resultante dessa simbiose, que agora defino-a como “escândalo ontológico” , por não se constituir em um mero desvio ético de indivíduos isolados. Para alguns, como Glair Arruda, essa simbiose pode ser interpretada como cristofascismo, fenômeno que não é novo, mas ganhou proeminência nos anos de recrudescimento de uma ideologia de extrema direita especialmente nos Estados Unidos e Brasil (Passos, 2025). A definição de Arruda, ela mesma reforça a conceituação, ao admitir que o líder que se autoproclama como o salvador da pát...

AFINAL, QUANDO O ESPIRITISMO SE TORNOU RELIGIÃO? UMA CONVERSA FRANCA SOBRE CULTURA, PODER E TRANSFORMAÇÃO NO ESPIRITISMO BRASILEIRO

  Por Wilson Garcia A Dissertação Espiritismo transnacional: poder, habitus e mitopráxis na configuração religiosa brasileira em décadas de perseguições, defendida na PUC-SP por Adair Ribeiro Júnior em 2026, tenta responder a uma pergunta que há décadas tira o sono de quem estuda ou vive o espiritismo: como e por que o espiritismo se tornou uma religião no Brasil?               A resposta que o autor apresenta é fundamentada, bem documentada, mas não é definitiva. E é justamente aí que mora seu valor. Ela nos obriga a pensar. Quem conhece Allan Kardec sabe: o projeto original não era religioso. Era um tripé — ciência, filosofia e moral — apoiado na investigação metódica dos fenômenos espirituais. Observação, comparação, controle das comunicações: um verdadeiro laboratório do invisível.             Mas aí essa ideia atravessou o Atlântico, desembarcou ...

DEÍSMO OU ATEÍSMO?

                      Entre as muitas escolas do pensamento algumas há que buscam discutir questões, cujas comprovações estão muito longe de ser determinadas pela Matemática ou qualquer ciência exata. Apesar dos esforços para tornar o debate enriquecido pelas equações da Física Moderna, tais temas haverão de trazer a polêmica para o campo de uma filosofia opinativa ou de viés religioso. Assim é quando se trata da discussão quanto a existência de Deus.

SOBRE ATALHOS E O CAMINHO NA CONSTRUÇÃO DE UM MUNDO JUSTO E FELIZ... (1)

  NOVA ARTICULISTA: Klycia Fontenele, é professora de jornalismo, escritora e integrante do Coletivo Girassóis, Fortaleza (CE) “Você me pergunta/aonde eu quero chegar/se há tantos caminhos na vida/e pouca esperança no ar/e até a gaivota que voa/já tem seu caminho no ar...”[Caminhos, Raul Seixas]   Quem vive relativamente tranquilo, mas tem o mínimo de sensibilidade, e olha o mundo ao redor para além do seu cercado se compadece diante das profundas desigualdades sociais que maltratam a alma e a carne de muita gente. E, se porventura, também tenha empatia, deseja no íntimo, e até imagina, uma sociedade que destrua a miséria e qualquer outra forma de opressão que macule nossa vida coletiva. Deseja, sonha e tenta construir esta transformação social que revolucionaria o mundo; que revolucionará o mundo!

CORRIDA DESABALADA POR MAIS POSSUIR

  Por Orson P. Carrara                O significado da palavra desabalada , entre outros, é: o que parece não ter freios ou limites , ou o que se mostra excessivo e mesmo o que é desmedido, como uma paixão gigantesca, desenfreada, indicando falta de moderação e reflexão . Daí adjetivar a palavra corrida .             E referida corrida não fica restrita apenas ao mais possuir , pode ser ampliada ou enquadrada também para ser mais reconhecido, ser mais famoso, por mais aparecer, por ser mais destacado socialmente, mais seguido ou curtido , como se diria na linguagem das redes sociais, atualmente.

“BEM AVENTURADOS OS QUE TÊM FOME E SEDE DE JUSTIÇA PORQUE SERÃO SACIADOS...” (Mt 4, 23-25)

  Doris Gandres Essa uma das bem aventuranças proferidas pelo Mestre Jesus em seu Sermão da Montanha, há quase 2 mil anos e da qual bem pouco se fala... Não foi mencionada nem comentada no Evangelho Segundo o Espiritismo por Allan Kardec e os Espíritos que com ele trabalharam, quando tantas outras lhes mereceram a atenção... E de algum tempo me pergunto por que... Julgaram talvez, Kardec e a equipe espiritual, que ainda não tínhamos capacidade de entender o significado dessa afirmativa de Jesus? Que talvez, famintos e sedentos por justiça como estávamos – e ainda continuamos a estar – para nos saciarmos recorreríamos a métodos separatistas e violentos? Afinal, mesmo assim, mesmo relegando essa bem aventurança a segundo plano, praticamente ao ostracismo, povos e nações de todos os tempos, mesmo após o vinda do Cristo e mesmo ainda após o surgimento da doutrina espírita, recorreram ao domínio pela força de todo tipo com a justificativa de estabelecer e implantar justiça.

OS ESPÍRITAS E OS GASPARETTOS

“Não tenho a menor pretensão de falar para quem não quer me ouvir. Não vou perder meu tempo. Não vou dar pérolas aos porcos.” (Zíbia Gaspareto) “Às vezes estamos tão separados, ao ponto de uma autoridade religiosa, de um outro culto dizer: “Os espíritas do Brasil conseguiram um prodígio:   conseguiram ser inimigos íntimos.” ¹ (Chico Xavier )                            Li com interesse a reportagem publicada na revista Isto É , de 30 de maio de 2013, sobre a matéria de capa intitulada “O Império Espírita de Zíbia Gasparetto”. (leia matéria na íntegra)             A começar pelo título inapropriado já que a entrevistada confessou não ter religião e autodenominou-se ex-espírita , a matéria trouxe poucas novidades dos eventos anteriores. Afora o movimento financeiro e ...

MARCHA PARA JESUS: ENTRE A FIGUEIRA ESTÉRIL E A FÁBRICA DE LÁZAROS

    Imagem criada por IA, a partir do texto Por Jorge Luiz                  O Chão da Avenida e as Vozes do Povo               Ao estudar a psicologia das multidões, Gustave Le Bon (2022) assegura que, quando o edifício de uma civilização está podre, as massas apressam a sua destruição. É esse o seu papel: por um instante, a força cega do número transforma-se na única filosofia da história.             As entrevistas concedidas pelos fiéis na última Marcha para Jesus, realizada no dia 23 de maio, e veiculadas por um portal de notícias (1) , demonstram com exatidão essa práxis. As declarações, desconexas da realidade, estão desalinhadas à mensagem do paraninfo do evento, “em nome de Jesus”.