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08.03 - DIA INTERNACIONAL DA MULHER




A força faz o direito nas relações humanas, de maneira inversamente proporcional ao avanço moral de um povo. Assim, também, nas relações entre o homem e a mulher.

Observam-se, infelizmente ainda, em nossa sociedade, traços marcantes do preconceito, dos maus-tratos e da violência contra a mulher, no que pese seu indiscutível e crescente processo de emancipação.
Por conta desse estado de coisas é que se faz necessário o emprego de dispositivos legais como a “Lei Maria da Penha”, das delegacias das mulheres e das demais instituições que se determinam em assegurar à mulher proteção e bem-estar.

Homem e mulher são iguais diante de Deus e devem ter os mesmos direitos, asseveram-nos os Espíritos Reveladores, em O Livro dos Espíritos, respondendo às questões 817 a 822 (e é importante realçar ter sido este livro escrito há 151 anos atrás!).

“O homem e a mulher são iguais perante Deus?
– Deus não deu a ambos a inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir?”

Em verdade, os Espíritos não têm sexo (pelo menos, não da forma como o concebemos em nossa maneira grosseira de pensar!) e, assim, aquele que ocupa hoje um corpo somático masculino deverá utilizar-se amanhã e já se haver utilizado ontem, em outras experiências reencarnatórias, de indumentária feminina, dando-se o mesmo para aqueles Espíritos atualmente em polaridade feminina.

Cada ser haverá de experienciar ambas as situações para que possa exercitar e fortalecer em si todas as virtudes características de cada identidade social, facilitadas pela anatomia e a fisiologia que lhes são peculiares. Somente, assim, dá-se o desenvolvimento completo dos potenciais divinos que temos em nós.

Hoje, as pesquisas científicas destacam marcantes diferenças anatômicas e funcionais não apenas da expressão genital e dos caracteres sexuais secundários, mas também da organização do sistema nervoso, fazendo-nos concluir haver um cérebro masculino e um cérebro feminino, semelhantes, no geral, mas com peculiaridades próprias, ambos notáveis e facilitadores da vivência do Espírito, com o maior proveito, na polaridade em que se manifesta na vida terrena.

Homens e mulheres somos, pois, espíritos imortais e, por esta razão, devemos compartilhar dos mesmos direitos, não obstante nossas diferenças funcionais, que devem ser preservadas. Que a mulher cultive seus dons feminis, tanto quanto o homem seu caráter viril, para o crescimento antropológico, social e espiritual de ambos, sob os auspícios da regra áurea ensinada por Jesus: “Só fazei aos outros o que gostaríeis que vos fizessem”.

Estamos homens ou mulheres nos diversos momentos reencarnatórios, não havendo, por conseqüência, os estados de inferior e de superior, no que tange à polaridade sexual, mas unicamente em relação aos valores espirituais, adstritos à nossa vontade e ao nosso esforço ao longo do tempo, ao longo das existências terrenas que agem como educandários para a alma.

A família não é uma instituição a se extinguir, mas uma sociedade em transformação, onde os valores se fortalecem, os direitos se estabelecem e as responsabilidades se dividem fraternalmente. Não haverá mais escravos em sua contextura: nem os filhos o serão dos pais, nem a mulher do esposo, nem o marido e pai dos demais. Companheiros e amigos interagindo com os melhores propósitos e vivenciando o amor: esta a família do mundo regenerado, a família “terceiromilenista”.

Tendo em vista a situação que atravessamos, no momento, de desrespeito aos direitos e de violência contra os Espíritos domiciliados em corpos femininos, é que se faz necessário estabelecer um dia no ano que leva-nos à reflexão e se faz referência para as lutas a empreender: o Dia Internacional da Mulher, com o fito de assegurar à mulher o exercício de sua cidadania plena. Mas isso é bastante para tomarmos consciência das necessidades de mudança pela forma diferente de tratamento social e trabalhista que sofre a figura feminina em nossa sociedade.

Há, por tudo isso, que se comemorar o “Dia Internacional da Mulher”, até que se consolide, por completo, a sua emancipação e se reconheçam os seus direitos.

Mas, em breve, quando os níveis de moralidade e ética se elevarem, a fraternidade, a educação e o respeito mútuo hão de conduzir-nos à nossa destinação: companheiros fraternos e conscientes da própria condição, que se entreajudam e se intercomplementam nas tarefas terrenas, em viagem conjunta rumo à liberdade e à felicidade eternas.

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