Pular para o conteúdo principal

UMA CARTA ABERTA À FEB NUMA FRATERNA ADMOESTAÇÃO









Várias vezes recomendamos, mormente aos líderes do M.E.B. – Movimento EspÍrita Brasileiro, o imperativo da composição dos membros do Conselho Superior da Federação Espírita Brasileira através dos presidentes das federativas estaduais ao lado dos sócios efetivos. Tal proposta mira a possibilidade lógica das federativas estaduais contraírem o direito de VOZ e VOTO em todas as discussões e deliberações relevantes, seja na administração da FEB, seja na coordenação do M.E.B.

Estranhamente, no mês de maio de 2016, a maioria dos sócios efetivos foram colhidos de surpresa ao cientificarem-se, uns casualmente, (pasmem!) que no dia 28/5/2016, ocorreu Assembleia Geral Ordinária da FEB, com eleição dos membros do Conselho Superior da FEB, incluindo alguns poucos representantes do Conselho Federativo Nacional da FEB junto a esse Conselho, além de outros assuntos relativos a modificação estatutária.

Embora o Estatuto em vigor da FEB disponha que a divulgação da convocação para assembleia geral deva ser feita no Diário Oficial e jornal diário de grande circulação do Rio de Janeiro e Brasília (Cap. III, art.17), a praxe e a tradição febiana sempre foi, também, o envio de correspondência individual para todos sócios efetivos. Além do mais, sobre o Diário Oficial é razoável, óbvio e devidamente sabido que o cidadão comum, como é o caso do sócio efetivo, não tem acesso ao Diário Oficial, que é de leitura extensa e cansativa e, em geral, não é assinante de jornais das duas cidades citadas.

Verificamos, ainda, que o Portal da FEB publicou na página “últimas notícias” o Edital de Convocação com apenas três dias de antecedência da referida reunião, no dia 25/5/2016. http://www.febnet.org.br/blog/geral/noticias/ultimas-noticias-noticias/edital-de-convocacao-assembleia-geral-ordinaria-feb/; (acessada no dia 10/6/2016). A pergunta que não quer calar é: Por que a convocação não foi publicada no Portal da FEB pelo menos com 15 dias de antecedência, ora, a FEB tem sócios com domicílio em vários Estados e qualquer providência de comparecimento demandaria o conhecimento prévio de vários dias.

É estranhável e incomum que a Assembleia Geral para definição de importantes assuntos de uma Entidade de caráter nacional não tenha sido prévia e pessoalmente informada aos sócios efetivos, que em sua esmagadora maioria não souberam da referida convocação e dela não tiveram a chance de participar. Ademais, é inteiramente lógico que o envio da carta por correios e outros meios eletrônicos produz maior transparência aos atos de administração e oportunidade de todos os sócios efetivos ficarem cientes deste foro máximo que é a assembleia geral.

Sim! A FEB tem em seus estatutos a figura da Assembleia Geral como órgão máximo da administração e na tradição histórica febiana, as assembleias, foram antecedidas de carta convocatória, além das publicações de praxe previstas no estatuto. Não dar ampla difusão e não enviar as correspondências aludidas é o mesmo que cercear o direito de participar dela todos os sócios efetivos, pois conforme determina os estatutos, em segunda convocação, ela é instalada com qualquer quórum.

Vale ressaltar, outro contra-senso, os membros de Conselho Superior que não foram reeleitos receberam, via e-mail, o Ofício GP-FEB nº 15/2016, datado de 09 de junho de 2016, comunicando que não foram reconduzidos ao cargo e o que causa espécie é que a maioria não recebeu, da mesma maneira, um e-mail avisando-os da data da Assembleia Geral. É importantíssimo ressaltar que TODOS os administradores que antecederam à atual direção, preocuparam-se com a publicidade desses atos de magna importância da FEB com seus sócios efetivos e, ao mesmo tempo convocá-los pessoalmente.

Pelas razões expostas a atual direção tem a obrigação de convocar uma  Assembleia Geral Extraordinária,  visando  legitimar a Assembleia Geral Ordinária, desta vez com a imperiosa convocação pessoal (e-mail, SMS, WhatsApp e correspondência pelos correios) de todos os sócios efetivos, além das publicações no Diário Oficial e jornais de Brasília e Rio de Janeiro, e, assim possibilitar a participação de todos os sócios efetivos que queiram  e possam participar concretamente  da referida eleição do Conselho Superior , restabelecendo, desta forma, a salutar praxe, repita-se, adotada por TODAS  as administrações que  antecederam a ATUAL, desde a fundação em 1884, de observar cuidadosamente os princípios da transparência e publicidade dos atos administrativos, o que também promove a união entre os espíritas pela oportunidade de participação da totalidade dos sócios.

Urge advertir ao Presidente da FEB que a instituição poderá sofrer uma Ação Judicial recomendando anulação da Assembléia Geral Ordinária que constituiu e destituiu conselheiros, pois, como já afiançamos , a publicidade é fundamental para as eleições e concorrência a qualquer cargo em entidade de Direito Público e a FEB é uma delas.

Talvez não faltarão profissionais do Direito que deverão judicializar a causa de descomposição legal do Conselho eleito às sombras e às ações escondidas. E mais, todos ou qualquer um dos associados que se sentirem boicotados poderão ou poderá ajuizar ação de nulidade do pleito por descumprimento das regras do concurso legal ali prescrito para as eleições a qualquer cargo da FEB.

(*) Assinam:

(Jorge Hessen, José Passini, Eurípedes Kuhl, José Sola, Roberto Cury – OAB-GO 2421)

Comentários

  1. Francisco Castro de Sousa17 de junho de 2016 às 13:53

    Com relação a essa nota fraterna e admoestadora, sou de opinião que, caso a Administração da FEB não a acate, isso trará um desgaste muito grande para a Instituição o que não é possível se deixar de lamentar.
    Por outro lado, esse tipo de conduta ensejará ações semelhantes por parte das Federativas Estaduais, o que será ainda mais lamentável! Será um efeito bola de neve! Por outro lado, julgo que teria sido de grande valia, se os autores da nota tivessem declarado a sua condição de eleitores!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

PARÁBOLA DOS TALENTOS E REENCARNAÇÃO

  A “Pluralidade das Vidas Sucessivas”, o “Nascer de Novo” ou a Doutrina da Reencarnação, anunciada por Jesus e perfeitamente explicada hodiernamente pelo Espiritismo, já era do conhecimento dos apóstolos e ignorada pelo povo em geral, como afirmou o Mestre: “Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido” (1). Disse, igualmente: “Bem-aventurados, porém, os vossos olhos, porque veem; e os vossos ouvidos, porque ouvem. Pois em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não viram; e ouvir o que ouvis e não ouviram (2).

UMA AMOSTRAGEM DA TESE ESPÍRITA: DOIS CASOS QUE SUGEREM REENCARNAÇÃO (PARTE I)

   Por Jerri Almeida   Introdução A pesquisa científica sobre reencarnação oferece contribuições valiosas para ampliar horizontes de conhecimento sobre o sentido da vida. Não se trata, obviamente, de trilharmos somente o caminho da fé ou da crença, pois estamos diante de uma questão mais complexa, que envolve de forma totalizante o saber humano. Infelizmente, na atualidade, nem sempre as pesquisas nessa área ocorrem com o ritmo e os critérios que as possam alavancar em termos de reconhecimento científico, mesmo porque o mundo acadêmico, em boa parte, ainda se ressente dos preconceitos com tal tipo de temática.

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

ESPIRITISMO SEM ESPÍRITO E CARIDADE SEM ALMA

  Por Wilson Garcia Quando a prática se afasta da essência e a forma sobrevive ao conteúdo Há algo de silenciosamente inquietante no movimento espírita contemporâneo. Não se trata de uma ruptura declarada, nem de um abandono explícito de princípios. Ao contrário: tudo parece funcionar — reuniões, palestras, obras assistenciais, rotinas institucionais. E, no entanto, cresce a sensação de que algo essencial foi sendo deslocado, suavemente, até quase desaparecer. Duas manifestações desse fenômeno merecem atenção urgente: o chamado “Espiritismo sem espírito” e a prática de uma caridade que, ao privilegiar o material, esvazia sua dimensão mais profunda — a espiritual.

BRASIL, O PARAÍSO FISCAL DO SAGRADO

         Por Jorge Luiz   A "Offshore" da Fé: Anatomia do Privilégio Fiscal             A Câmara dos Deputados aprovou recentemente, em 28 de maio de 2026, a proposta que amplia drasticamente a imunidade tributária para entidades e templos religiosos de qualquer culto. O texto, que agora segue para o Senado, estende a vedação de cobrança de impostos para a aquisição de quaisquer bens ou serviços necessários à implantação, manutenção e funcionamento dessas instituições. Trata-se de uma manobra que pode abrir um rombo de até R$ 50 bilhões na arrecadação da União, dos estados e dos municípios.             Pelas regras do novo sistema tributário nacional, qualquer benefício fiscal concedido a um setor precisa ser compensado pelo restante da sociedade. Na prática, isso significa que enquanto as corporações da fé pagarão menos tributos, seus própr...

MORFOGÊNESE DO REINO: O "EN MARCHE!" DE CHOURAQUI E O MANIFESTO DE MYERS

  Imagens de IA   Por Jorge Luiz       O VERBO EM MARCHA: A Exegese de Chouraqui e a Morfogênese do Reino Este capítulo abandona a ideia de Reino como "lugar" e o apresenta como "processo biológico e social".             A polêmica joanina de que o “Verbo se fez carne” – João 1:1-14 –, que faz parecer, implicitamente, que há uma identificação entre Deus e Jesus, mereceu uma atenção especial de Allan Kardec, embora só tenha se tornada pública após a sua desencarnação.             Tão controversa que, somente no IV século uma parte da Igreja a adotou. Vê-se que, a decisão foi dos homens e não uma revelação divina, já que não foi o próprio Jesus que a considerou, tão somente, João, o evangelista.             Carlos Pastorino também a analisou azeitando ainda mais as considerações de Kardec,...

OS PIORES INIMIGOS – 3ª PARTE: A DUREZA

  Por Marcelo Teixeira                A viagem de Jesus e Pedro entre as cidades de Cafarnaum e Magdala prossegue. Nela, Pedro, tão temeroso em se defrontar com inimigos externos, vai se deparando com os internos e mostrando os conflitos íntimos pelos quais passam todas as pessoas, principalmente as que percebem ser preciso reavaliar condutas, pensamentos e conceitos. Neste terceiro artigo da série (baseada no capítulo 31 do livro Luz Acima ), quem se apresenta para ser colocada no centro da discussão é a dureza.

CONVICÇÃO OU COAÇÃO?

    Por Doris Gandres           Neste momento em que vivemos, presenciando cotidianamente um bombardeio de informações massacrantes, informações de todo tipo, de origens as mais variadas, inclusive de pessoas e grupos considerados pelo que chamam “massa” como “inquestionáveis”, arquitetadas para doutrinar mentes de tal maneira a seu modo, pensando (?) e agindo conforme seus interesses pessoais de poder e domínio, me pergunto onde se enterrou a liberdade de pensamento, de questionamento, de análise, como a própria criatura se permitiu tal abuso e se entregou?             Terá existido na humanidade, em algum momento, uma convicção espontânea, sincera, nascida em seu íntimo, sem nenhuma influência externa, apenas fruto de observação atenta e crítica? Talvez à época mais rudimentar do ser humano, ainda rude e bruto, somente preocupado em sobreviver nas precárias condições de seu tempo – o que...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

O ESTUDO DA GLÂNDULA PINEAL NA OBRA MEDIÙNICA DE ANDRÉ LUIZ¹

Alvo de especulações filosóficas e considerada um “órgão sem função” pela Medicina até a década de 1960, a glândula pineal está presente – e com grande riqueza de detalhes – em seis dos treze livros da coleção A Vida no Mundo Espiritual(1), ditada pelo Espírito André Luiz e psicografada por Francisco Cândido Xavier. Dentre os livros, destaque para a obra Missionários da Luz, lançado em 1945, e que traz 16 páginas com informações sobre a glândula pineal que possibilitam correlações com o conhecimento científico, inclusive antecipando algumas descobertas do meio acadêmico. Tal conteúdo mereceu atenção dos pesquisadores Giancarlo Lucchetti, Jorge Cecílio Daher Júnior, Décio Iandoli Júnior, Juliane P. B. Gonçalves e Alessandra L. G. Lucchetti, autores do artigo científico Historical and cultural aspects of the pineal gland: comparison between the theories provided by Spiritism in the 1940s and the current scientific evidence (tradução: “Aspectos históricos e culturais da glândula ...