Pular para o conteúdo principal

FORÇA, SANTA MARIA!




“Bem aventurados os que sofrem,
porque eles serão consolados” (Jesus - Mt 5:4)


Por Jorge Luiz (*)


            Um dos principais fenômenos da era da informação é a globalização da dor. A tragédia na boite Kiss em Santa Maria é o mais recente exemplo. Não importam as idades, etnias, nacionalidades, crenças religiosas, nossos corações ficam sempre confrangidos. Choque, dor e luto. Sentimo-nos: pais; mães; tios; irmãos; avôs; avós; parentes; amigos.
            Acompanho na mídia, nessas ocasiões, as entrevistas constantes dos chamados “especialistas” tentando encontrar explicações factíveis. Essas tentativas ocultam, na realidade, a busca frêmita do homem em querer “vencer a morte”.
            O Espírito da Verdade, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, atesta que não adianta procurarmos explicações no mundo, pois ele é impotente para isso. Na sequência, ele é enfático quando afirma que Deus nos dirige apelo supremo através do Espiritismo. Escutai-o!
            O paradigma materialista da ciência e o dogmatismo religioso têm impedido ao homem de dar voos gloriosos ante a sua real essência imortal. A conformação do Espírito dentro da Física e da Metafísica proporcionará a paz ampla no mundo.

            A insistência em negarem a existência de princípio imortal, que através da esteira no tempo é viajante das vivências sucessivas; ponto de partida para a ignorância ante esses traumas coletivos. Utilizando-se do livre-arbítrio, o Espírito encarnado constrói o porvir de felicidade ou desventura. No entanto, o ponto de partida, o de chegada e as potencialidades para se alcançar esse propósito são as mesmas para todos.
            Partindo do axioma “para todo efeito há uma causa”, O Espiritismo demonstra que tragédias da espécie não sejam castigos da Divindade, pois assim Ele seria injusto.
            Não há fatalidade e o acaso não existe.
            Vida e morte é produção da dialética do Espírito. A morte não existe. A morte é renovação da vida. Morre-se para a vida corpórea, nasce-se para a vida espiritual. Morre-se para a vida espiritual, renasce-se para a vida material.
            Na questão 964 de “O Livro dos Espíritos”, os Reveladores Celestes assim se posicionam: “Deus tem as suas leis que regulam vossas ações. Se as violardes a culpa é vossa.(...) Mas ele traçou um limite, as doenças e morte são consequências dos excessos. Eis a punição : ela resulta da infração da lei: assim se passa em tudo.”
            A lei de Causa e Efeito ou lei da renovação, não é lei de “olho por olho; dente por dente” como alguns pensam. É uma lei de dinâmica universal, onde se entrelaçam nossos impulsos, desejos, motivo, ato e intenção. Regulados pelo centro de força coronário, este automaticamente fixa - como bem noticia o Espírito André Luiz – a natureza da responsabilidade que lhe diz respeito marcando no próprio ser as consequências felizes e infelizes de sua movimentação consciencial no campo do destino.
            No entanto, ao longo dessa movimentação, o Espírito pode alterar os registros infelizes pela dinâmica do amor, através da Lei de Amor, Justiça e Caridade, a mais importante de todas as dez leis morais, segundo os Espíritos Reveladores.
            Como diz a canção de Geraldo Azevedo: “E ai, Jesus, são seus “uis”, meus “ais” e “ãos”  É chegado o tempo do reajustamento de todo os valores humanos. Se as dolorosas expiações coletivas preludiam à época dos últimos “ais” do apocalipse, a espiritualidade tem de penetrar as realizações do homem físico, conduzindo-as para o bem de toda a Humanidade, assevera o Espírito Emmanuel.
            O Espiritismo, na condição de o Consolador Prometido por Jesus, esclarece consolando e consola esclarecendo, revelando que a causa das nossas dores está nas existências anteriores, e na própria destinação na Terra, onde o homem expia o seu passado, aprendendo.
            Venho ensinar e consolar os pobres deserdados. Venho dizer-lhes que elevem sua resignação ao nível de suas provas; que chorem; porque a dor foi consagrada no Jardim das Oliveiras; mas que esperem, porque os anjos consoladores virão enxugar suas lágrimas, ensina o Espírito da Verdade.
            Meu jugo é suave e o meu fardo é leve! ; asseverou Jesus
            Oremos e dediquemos vibrações e pensamentos para os irmãos desencarnados e as almas enlutadas.
            Que todos extraíamos da tragédia o aprendizado necessário para o aprimoramento dos condicionamentos morais e espirituais.

            Força, Santa Maria! Força, Nação Brasileira!

(*) livre-pensador, blogueiro e voluntário do Instituto de Cultura Espírita.

Comentários

  1. Esclarecimento e consolo espírita oportunos, ante essa dor vivenciada por todos brasileiros e compartilhada pelo mundo. Que Jesus possa trazer o bálsamo a todos os envolvidos nessa grande dor.Um abraço frateno e de pesar a todos esses irmãos.

    Fernando Bezerra

    ResponderExcluir
  2. Excelente bálsamo consolador amigo Jorge Luiz!
    Parabéns!!!

    ResponderExcluir
  3. (Jorge) Reflexão que conforta a todos, mesmo os que não estão envolvidos diretamente com o acontecimento.
    Deuga

    ResponderExcluir
  4. Excelente reflexão Jô. Sua mensagem gera consolo e aprendizado. Parabéns!

    Muita paz!

    Clodoaldo

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

INTERDEPENDÊNCIA E LIBERDADE INDIVIDUAL

      Por Doris Gandres   “A liberdade individual e a interdependência são essenciais para a vida em sociedade.” Mahatma Gandhi (1)               Hoje ainda, em geral, imaginamos que temos liberdade para realizar tudo aquilo que nos agradar, tudo que atender aos nossos interesses, independentemente de estarmos atingindo ou não a liberdade alheia. Muito frequentemente ignoramos o limite para o exercício da nossa liberdade.             Usualmente somos muito cônscios dos nossos direitos, porém muito relapsos quanto aos nossos deveres. Léon Denis nos recomenda “considerar a vida e suas responsabilidades sob um aspecto mais grave, a submeter mais estritamente nossos atos à regra austera do dever” (2).             No Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap.XVII, item 7, Lázaro Espírito transmite ...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

SOCIALISMO E ESPIRITISMO: Uma revista espírita

“O homem é livre na medida em que coloca seus atos em harmonia com as leis universais. Para reinar a ordem social, o Espiritismo, o Socialismo e o Cristianismo devem dar-se nas mãos; do Espiritismo pode nascer o Socialismo idealista.” ( Arthur Conan Doyle) Allan Kardec ao elaborar os princípios da unidade tinha em mente que os espíritas fossem capazes de tecer uma teia social espírita , de base morfológica e que daria suporte doutrinário para as Instituições operarem as transformações necessárias ao homem. A unidade de princípios calcada na filosofia social espírita daria a liga necessária à elasticidade e resistência aos laços que devem unir os espíritas no seio dos ideais do socialismo-cristão. A opção por um “espiritismo religioso” fundado pelo roustainguismo de Bezerra Menezes, através da Federação Espírita Brasileira, e do ranço católico de Luiz de Olympio Telles de Menezes, na Bahia, sufocou no Brasil o vetor socialista-cristão da Doutrina Espírita. Telles, ao ...

AS DEFORMIDADES COGNITIVAS PRETENSOS “HERCULANISTAS”

  Por Jorge Hessen O livre-pensamento, a liberdade de consciência e a fraternidade são princípios kardecianos que não combinam com patrulhamento doutrinário, condenações sistemáticas e apropriações ideológicas do Espiritismo. Há uma contradição curiosa entre alguns atuais admiradores de José Herculano Pires: proclamam fidelidade absoluta a Allan Kardec, mas adotam posturas que merecem ser confrontadas com os próprios fundamentos da Codificação.

DA QUIMERA HUMANA AO VOTO ANÔMICO

        Por Jorge Luiz                   A Contradição como Condição Ontológica             A paisagem político-social contemporânea expõe com crudeza o colapso dos filtros ético-morais no exercício da cidadania, revelando um fenômeno ainda mais perverso: a eleição consagradora de indivíduos formalmente denunciados por crimes gravíssimos, impulsionada justamente pelas parcelas mais vulneráveis da população. Desprovidos de amparo social e desarmados de senso crítico por um histórico de exclusão, esses grupos tornam-se alvos prioritários de apelos religiosos instrumentalizados, em que a fé é dobrada para anestesiar o discernimento ético e sacralizar a barbárie. Ao converter a transgressão em capital político com a chancela dos próprios espoliados, o corpo social escancara a sua contradição ontológica e o ponto cego do Brasil anômico — aquele em que a desori...

ENLATADOS NO TEMPO

  Por Marcelo Teixeira Uma das partes mais interessantes da língua portuguesa é aquela destinada às figuras de linguagem. Entre elas, a metáfora, que consiste numa comparação implícita, muitas vezes apelando ao sentido figurado. Como exemplo, cito a expressão ‘coração de pedra’. Quando digo que alguém tem essa característica, refiro-me ao fato de a falta de compaixão ser tão forte a ponto de parecer que essa pessoa tem uma pedra no lugar do coração. A metáfora pode ser também utilizada em poesia, música ou literatura para tornar o texto mais elegante ou expressivo. É o caso do livro “Iracema”, em que o autor, José de Alencar, se refere à personagem-título como “a virgem dos lábios de mel”.

ASSOMBRAÇÃO

                 "Noiva de Furquim", Mariana (MG) - Ilustração                Contou-me um confrade que certa feita regressava ao lar, por volta de meia-noite, após uma festa.             Estava sozinho em seu automóvel. Numa curva, perdeu a direção do veículo, que se precipitou numa ribanceira. Desceu sacolejando e tombou dez metros abaixo.             A custo saiu do carro, rodas para cima. Repleto de escoriações, começou a subir, retornando à estrada. Já no alto olhou para o automóvel. Ficou estarrecido. Estava destruído. Impossível sair com vida dali.             Espírita estudioso, apavorou-se. Certamente morrera! Pensou em descer para confirmar o trágico acontecimento com a visão de seu corpo sem vida, entre as ferr...

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

RÉQUIEM

 Por Paulo Eduardo (*) O ofício dos mortos em música sublime. Réquiem significando repouso. Pausa na vida física a fim de enfrentar novos rumos. Retorno à pátria espiritual sendo relembrado neste segundo dia de novembro. Dia de Finados a alegria paradoxalmente triste de uma festa realmente com melodia em surdina. O palco desse momento de velada despedida ou de comunicação interna é o cemitério. Jazigo é sepultura e os espíritos são livres da vestimenta física quando partem em busca dos planos etéreos da vida plena. Ninguém fica residente em catacumba. Uma verdade inconteste. Convém destacar o crescimento da cremação de corpos e nem por isso leva-se ao esquecimento dos nossos cujos despojos tornaram-se pó. Nos réquiens pelo Dia de Finados vamos orquestrar a saudade no seu patamar de harmonia e certeza da perpetuação da vida. A Doutrina Espírita repercute na sua forma belíssima de reverenciar quem parte através do evento morte. Somos imortais na natureza divina...

O ESPIRITISMO ANTE AS IDEOLOGIAS DE ESQUERDA E DE DIREITA

  Por Elias Moraes O movimento espírita não teve como se furtar ao acirramento das disputas ideológicas no campo político partidário, observadas nas duas últimas décadas; ao contrário, foi fortemente atingido por essas disputas. A princípio, mediante manifestações ostensivas de muitas das suas principais lideranças em defesa das pautas do campo ideológico da Direita, ainda que sob a forma de uma fingida neutralidade. A essas manifestações seguiu-se uma forte reação dos que discordavam dessa postura, e que foram estigmatizados sob o rótulo de "espíritas de Esquerda". Ante o clima de confronto que se estabeleceu, o argumento mais utilizado pelos que adotavam a negação como estratégia de silenciamento das discussões era que o Espiritismo não era nem de Esquerda e nem de Direita, mas "de cima", ou "do alto", como se a doutrina espírita não tivesse posições muito bem definidas a respeito de cada um dos temas colocados em pauta pelos atores de ambos os campos ...