Por Jorge Luiz O Mito da Identidade Intacta Antes mesmo de pronunciarmos a primeira palavra ou esboçarmos o primeiro pensamento reflexivo, já fomos batizados. O nome próprio — esse signo fundamental que carrega nossa existência jurídica e social — nos é atribuído pela expectativa, pelo gosto e pelas projeções do outro. Somos nomeados no escuro. Para muitos, no entanto, o amadurecimento da consciência traz consigo um estranhamento visceral diante desse rótulo herdado. Descobre-se que a roupagem simbólica recebida no berço não se ajusta à pele de quem nos tornamos, levando um número crescente de pessoas a recorrer ao Direito Civil para alterar aquilo que parecia ser a mais imutável das certezas: a própria alcunha. Talvez houvesse um ganho civilizatório profundo se a consolidação do nome dependesse de uma validação posterior, um ...
Por Wilson Garcia Existe uma verdade diante da qual desaparecem todas as diferenças: a trajetória humana é finita, embora se desenrole dentro da infinitude. Todos passam. Os cantores e os poetas. Os artistas e os artesãos. Os cientistas e os agricultores. Os presidentes e os operários. Os milionários e os pobres. Os anônimos e os famosos. Os homens e as mulheres que ocupam as manchetes dos jornais, assim como aqueles cujos nomes jamais serão registrados pela história. Há democracias construídas pelos homens. Há uma, porém, que independe de governos, leis ou ideologias: a democracia do tempo. Diante dela, todos comparecemos em absoluta igualdade.