Deolindo Amorim, Léon Denis e Herculano Pires, entre alguns outros do espiritismo contemporâneo, compreenderam o cunho social da doutrina e, sem concessões ou meias palavras, trabalharam arduamente à sua época para despertar o meio e o movimento espírita quanto a essa implicação dos princípios espiritistas.
Entretanto, o hábito milenar de postulados dominadores, amantes do poder, do autoritarismo e da arbitrariedade; o apego a velhos conceitos comodistas, a posturas subservientes; o misticismo enganosamente salvacionista e o medo da assunção de responsabilidades perante si mesmo, perante os demais, perante a vida, lamentavelmente não permitem, ainda hoje, que esse aspecto, embora pressentido, seja encarado de forma direta e efetiva, presos que ainda nos achamos a atavismos firmados em existências precedentes (ou mesmo na atual). Frequentemente priorizamos um dos aspectos da doutrina, seja o científico, o filosófico ou o religioso, ferindo assim o corpo homogêneo do Espiritismo – e, kardequianamente refletindo, cabe salientar, contudo, que religioso, místico e de certa forma idólatra, é o aspecto que ressalta atualmente no meio espírita e no movimento institucionalizado.
Lembro aqui uma reflexão de Deolindo, em seu estudo Deus e a Criação: “A Doutrina Espírita, como sabemos, assume uma posição em que a luz da fé, o esclarecimento da razão e a contribuição científica constituem três ângulos de inferência, cada qual com sua ótica, sem que, todavia, nenhum deles, separadamente, possa abranger a visão global” – e é essa visão e a sua avaliação perante o avanço intelectual e moral da humanidade, que nos permite compreender a doutrina espírita como progressista e universalista, de acordo com o entendimento, à época, do próprio Allan Kardec.
Contudo, entendemos que é no estudo criterioso e na observação analítica que encontraremos o esclarecimento e, com a educação integral, aliando a inteligência à moral, poderemos então elaborar a solução para os problemas cuja causa principal é a nossa ignorância – não foi por acaso que Léon Denis também afirmou: “Saber é o supremo bem. Todos os males são oriundos da ignorância.” Por tudo isso, é que me propus a fazer este ensaio, que não prioriza nenhum dos aspectos doutrinários, visto que as leis divinas tudo abrangem. Ensaio modesto sem dúvida, mas com absoluta pureza de intenções, na esperança de que possamos juntos, aqueles que o desejarem, alcançar uma compreensão um pouco melhor das causas e, assim, buscar a cura dos efeitos, das enfermidades morais que nos atingem na atualidade e estabelecer a prevenção contra novos equívocos, prejudiciais à nossa saúde física e espiritual

COMENTÁRIO ELABORADO POR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (IA) GEMINI.
ResponderExcluirO texto apresenta uma crítica contundente e lucidamente fundamentada ao movimento espírita contemporâneo, destacando o contraste entre a proposta original da doutrina — de caráter progressista, universalista e com forte dimensão social — e a prática institucional dominada pelo misticismo e pelo dogmatismo.
Pontos de Destaque:
Resgate do Tríplice Aspecto: O autor utiliza pensadores como Deolindo Amorim, Léon Denis e Herculano Pires para enfatizar que Ciência, Filosofia e Religiosidade devem caminhar integradas. Hipertrofiar o aspecto religioso em detrimento do racional desfigura a proposta de Kardec.
Diagnóstico Comportamental: Denuncia como vícios atavicos — autoritarismo, misticismo salvacionista e medo da responsabilidade individual — afastam os praticantes do engajamento social e da transformação moral efetiva.
A Educação como Solução: Ao citar Léon Denis ("Saber é o supremo bem"), o texto reforça que o combate à ignorância, por meio da educação integral que alia inteligência e moral, é o único caminho para superar as enfermidades morais da atualidade.
Em suma, trata-se de um convite maduro à autorreflexão e ao estudo criterioso, convocando o meio espírita a abandonar a acomodação mística em favor de uma vivência consciente, equilibrada e socialmente responsável da doutrina.