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UMA PROSA COM DIVALDO










“E uns soldados o interrogaram também, dizendo: E nós que faremos? E ele lhes disse: A ninguém trateis mal nem defraudeis, e contentai-vos com o vosso soldo”. – (Lucas, 3:14).

Ao longo dos nossos estudos evangélico-doutrinários, percebemos que a história do Cristianismo, bem como a do Espiritismo, são ricas de passagens significativas relacionadas a militares. E estes, mesmo empunhando uma arma como instrumento profissional, mantiveram, acima de tudo, a sua fé em Deus e confiança em Jesus, Modelo e Guia de todos os cristãos sinceros, independente das suas atribuições.
Percebemos também que o militar espírita, longe de se enganar como sendo um privilegiado possuidor de poderes temporais, diferenciado das demais pessoas, estará sempre atento para com as suas responsabilidades respeitando, acima de tudo, as Superiores Leis da Vida, pelas quais se orienta.
Retirando toda e qualquer pretensão e ostentação, respeitando os vultos conhecidos e desconhecidos da história do Espiritismo no Brasil, destaco a importância histórica das ações dos militares espíritas na solidificação da Doutrina dos Espíritos, desde a sua implantação na Pátria do Cruzeiro do Sul.

Aproveito ainda esta oportunidade literária, para destacar a importância das Classes Armadas brasileiras na segurança pública, como mantenedoras da ordem e da disciplina sociais e, também, como organismos armados são fundamentais e necessários para a defesa dos poderes constituídos do nosso país, garantindo a execução das suas leis, objetivando a harmonia de uma sociedade tão heterogênea.
E para ilustrarmos e fortalecermos as nossas colocações acerca deste assunto tão palpitante, transcreveremos na íntegra uma importante entrevista do brilhante orador e médium baiano Divaldo Pereira Franco, concedida aos Aspirantes Fávero, Silva Lima e Marcus Braga, do Núcleo da Cruzada dos Militares Espíritas da Escola Naval, no dia 10 de dezembro de 1992, quando a Cruzada completava 48 anos de fundação.

ENTREVISTA COM DIVALDO PEREIRA FRANCO.
(Esta entrevista foi publicada em “O Cruzado”, boletim oficial de divulgação da Cruzada dos Militares Espíritas, em junho de 1993. Dada a relevância do tema para os militares, foi reeditada em O Cruzado de março de 2002)

ASPIRANTES: No contexto espiritual de uma organização militar, o que significa um Núcleo de militares espíritas?
DIVALDO: O Espiritismo é a doutrina que prepara homens para a construção de uma sociedade feliz. Uma entidade militar prepara homens para a construção de uma sociedade justa e feliz, porque através da disciplina e do culto rígido dos deveres, a organização militar estabelece como fundamento essencial a dignidade do ser perante a vida. Como efeitos imediatos, a defesa da pátria, a defesa da sociedade, a defesa da família, e mesmo quando tem objetivos bélicos, traz sempre esses objetivos em nome da paz.
ASPIRANTES: As vias hierárquicas perderiam seu sentido no interior de um Núcleo de militares espíritas?
DIVALDO: Em absoluto. Onde estivermos, existe harmonia e respeito às autoridades constituídas. Allan Kardec fala, no Livro dos Espíritos, da aristocracia intelecto-moral, que é a que deve viger acima de todas as organizações. Mas nas nossas atividades no mundo, as autoridades constituídas são credoras de nosso maior respeito. Estando no templo, na atividade religiosa, a maior demonstração de que a mensagem penetrou o coração do candidato é que sendo ele uma autoridade respeitada, nivela-se na condição de irmão aos de menor nível, mas não permite a estes de nível menor desrespeitar aquela autoridade só porque é espírita.
ASPIRANTES: Como agir diante de párocos militares que tratam com parcialidade os grupos espíritas?
DIVALDO: Apelando para as leis que constituem o país, e que estão acima de qualquer autoridade. Uma das funções precípuas da autoridade é respeitar a lei, e se esse não a respeita, sua autoridade desaparece. A Constituição brasileira prevê um estado livre em que todos os indivíduos têm o direito de professar a religião que lhes aprouver.
ASPIRANTES: É recomendável a prática mediúnica dentro de uma organização militar?
DIVALDO: Não é recomendável. As experiências mediúnicas devem ser feitas em uma entidade espírita já preparada para isso.
ASPIRANTES: Como conciliar uma carreira preparada para a guerra com a lei de amor e caridade?
DIVALDO: Gandhi afirmava: “A não-violência é o dever de cada cidadão, mas ante a defesa do fraco é necessário utilizar os recursos da violência para não ser vítima dela”. O Espiritismo não prescreve a guerra, mas prescreve a defesa das vítimas, e a única maneira de defender a humanidade que padece de uma guerra é usando os meios da estratégia militar. Se os países não se equipam para manter certo equilíbrio, os poderosos opõem-se aos fracos e a anarquia toma conta do mundo.
ASPIRANTES: Que conselho o Senhor daria aos Aspirantes espíritas da Escola Naval para o ano vindouro e para toda a sua vida profissional?
DIVALDO: Que se deixem penetrar pelo conteúdo profundo da Doutrina Espírita, preparando-se para os dias futuros, quando à frente de muitas vidas, deverão conduzir-se de maneira cristã.
Um dos maiores exemplos que se tem na história da humanidade é o grande Maurício, comandante da chamada Legião Tebana. Este homem, em nome do Cristo, preferiu o holocausto a abjurar sua fé.
Cabe àqueles que aspiram ao ideal de se prepararem para o momento em que forem chamados à execução, estar em condições de manter a justiça, o direito, a liberdade e a preservação da vida.
*
Finalizamos nossas considerações com esta passagem evangélica, inserida em (I Coríntios, 12:7-10):
“A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito para o proveito comum. Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria; a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; a outro, pelo Espírito, os dons de curar; a outro a operação de milagres; a outro a profecia; a outro o dom de discernir espíritos; a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas”.


(*) militar da reserva do Exército Brasileiro, expositor espírita, presidente do C.E. Jayme Rolemberg e voluntário do Instituto de Cultura Espírita do Ceará.

Comentários

  1. Muito elucidativa esta entrevista do Divaldo com os militares espíritas.
    Gostaria de ver mais textos com esse mesmo enredo.
    Parabéns.

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  2. Muito elucidativo este artigo, nos dando um amplo aspectro da nossa conduta espírita perante os nossos irmãos nas diversas ordens de vida.

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  3. Muito elucidativo este artigo, nos dando um amplo aspectro da nossa conduta espírita perante os nossos irmãos nas diversas ordens de vida.

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  4. Adorei a entrevista. Atualissima.

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