Pular para o conteúdo principal

O MEDO SOB A ÓTICA ESPÍRITA

 

Imagens da internet

Por Marcelo Henrique

Por que o Espiritismo destrói o medo em nós?

Quem de nós já não sentiu ou sente medo (ou medos)? Medo do escuro; dos mortos; de aranhas ou cobras; de lugares fechados…

De perder; de lutar; de chorar; de perder quem se ama…

De empobrecer; de não ser amado…

De dentista; de sentir dor…

Da violência; de ser vítima de crimes…

Do vestibular; das provas escolares; de novas oportunidades de trabalho ou emprego…

O medo envolve as pessoas e, generalizadamente, as impede de realizar as mínimas obrigações do dia a dia. Ou, de outro modo, as perturba de modo tão profundo, que provoca o desânimo, a prostração, a imobilidade, a depressão…

O certo é que, de uma forma ou de outra, temos de conviver com alguns medos. E evitá-los, muitas vezes, ou esquecê-los…

A própria cultura ou formação religiosa nos incute o medo. Veja-se, por exemplo, a crença do pecado original que a Humanidade, segundo tal entendimento, carrega até hoje. Isto resulta, naturalmente, no medo de Deus e das reprimendas ou represálias que Ele pode lançar sobre as pessoas ou civilizações. Por consequência, a religião incute o medo do futuro, a vida além-morte, já que, segundo o entendimento dominante, a passagem nos levará a uma de três situações: Céu, Inferno e Purgatório. Como raros são os que se consideram habilitados para o Paraíso, não nos considerando criaturas tão evoluídas ou merecedoras assim, dentre as possibilidades possíveis, ou iremos para o Inferno ou – dos males o menor – para o Purgatório. E teremos de suportar mais sofrimentos. Então, tememos por eles…

Restringindo um pouco mais o alcance do entendimento do medo, podemos analisar os chamados medos dos espíritas, ou os medos decorrentes do contato com a filosofia espírita. São eles: Medo da vida; da morte; do futuro; dos relacionamentos; dos outros; de Espíritos; da reencarnação; do destino…

Temos medo da vida, ou seja, do que a vida nos oferece em termos de conjuntura e possibilidades. Na verdade, o medo é de fracassarmos no resgate de erros pretéritos ou da experimentação, por novas provas que poderiam, ambas (provas e expiações), nos garantir o ingresso em melhores condições espirituais futuras.

Medo da morte, porque por mais que possamos ler obras que relatam a vida no Plano Espiritual e os depoimentos daqueles que lá estão, ainda somos céticos em aceitar tais informações como verdades, primeiro porque não temos recordação de nossos “retornos”, segundo porque não nos achamos, muitas vezes, nos mesmos patamares daqueles que nos trazem informações “do lado de lá”.

O medo do futuro acha-se associado à pós-morte, como visto acima, mas também enquadra a extensão dos dias de nossa atual experiência encarnatória, imaginando que haverá, ainda, muitos débitos para serem ajustados e experiências desconhecidas, as quais não temos idéia se conseguiremos ou não administrar e sermos exitosos.

Quanto ao medo dos relacionamentos, tendo em vista o nível comum dos seres que habitam este orbe, temos medo de “nos abrirmos” ao outro, com receio de sermos enganados, machucados, prejudicados. Disto resulta a ausência de plenitude, de envolvimento, de vivência dos sentimentos e das sensações que fazem parte da própria vida, ou seja, é impossível saber o “gosto” das coisas e situações sem experimentá-las.

Então, temos medo dos outros, de que eles nos possam causar mal, em qualquer dos ambientes em que nos inserimos: o colega de trabalho ou estudo, o vizinho, o conhecido, o amigo, o parente… Todos, ou quase, nos representam ameaças vivas àquilo que projetamos ou desejamos para nós. Contudo, de igual forma como o anterior, não é possível antever com certeza absoluta e plena “quem” é o outro, “como” ele se comporta ou “por quê” ele age dessa ou daquela maneira. Somente vivenciando é que saberemos se o outro é companheiro ou inimigo, se quer nos ajudar ou prejudicar…

Curiosamente, de todos os medos antes listados, comuns aos espíritas, o mais intrigante é o medo de Espíritos. Afinal, no cotidiano das instituições espíritas, com seus diversificados trabalhos, o contato e a parceria entre nós e eles, isto é, entre encarnados e desencarnados, é a matéria-prima da atividade espiritista. Como podemos temê-los, se a teoria kardequiana nos explica, detalhadamente, quem são eles, quais suas características e de que modo se processam as relações entre “vivos” e “mortos”? Há espíritas, muitos mesmo, por aí, que se arrepiam ante a perspectiva de travarem qualquer contato com “os Espíritos”, de presenciarem qualquer fenômeno mediúnico. Chegam a ter medo de dormir, de ficar sozinhos, de apagar a luz, na iminência de serem “surpreendidos” por alguém que já está “do outro lado”.

E por que, então, têm eles medo da reencarnação? Porque, pela interpretação espírita, quando não aproveitamos as situações de nossa atual existência e continuamos a perseverar no erro, provavelmente teremos de retornar em condições existenciais mais difíceis, com maiores provas e sujeitos à reparação de outros débitos. Então o ser olha para si, para sua vida, para aquilo que considera quase impossível de realizar ou melhorar, e sente enorme receio de ter que retornar a este “vale de lágrimas”.

Por fim, há o medo do “destino”, como se este existisse, como se, a cada um de nós, estivesse “reservado” isso ou aquilo, desse ou daquele modo. Enxergamos a vida como se ela fosse pré-traçada de modo definitivo (ou quase) e que não pudéssemos, nós, alterar-lhe o curso pré-estabelecido.

Assim sendo, caberia a pergunta: – Por que o Espiritismo destrói o medo em nós?

A resposta possui várias vertentes ou condicionantes que, somados e bem compreendidos, podem nos auxiliar a superar os medos que vivenciamos:

   6. Somos Espíritos, logo, somos seres imortais. Não somos aniquilados e a eventual destruição do planeta, pela ação humana, não nos deixará “sem morada”. Daí, Vida e Morte serem etapas da trajetória espiritual a que todos estamos sujeitos;

   7. Reencarnamos porque precisamos. Somente a teoria das vidas sucessivas pode explicar as desigualdades entre os Espíritos (encarnados ou desencarnados). É por ela que todos os Espíritos podem experimentar as diversas contingências da evolução (provas, expiações, missões), de modo que, em cada uma das encarnações, o ser poderá viver sob diferentes condições, entre as quais a riqueza, a pobreza, a fartura, a necessidade, a inteligência privilegiada, a limitação dos sentidos, a beleza, a feiúra, entre outros. Por consequência, o progresso é sempre ascendente, razão pela qual é acertado dizer que, hoje, somos infinitamente melhores do que já fomos.

  8. Não há destino, sorte ou azar. Deus não escolhe (premia ou pune) os indivíduos a seu bel-prazer ou mediante critérios personalísticos e discutíveis. Deus não castiga, nem recompensa. Nós é que recebemos o efeito daquilo que praticamos. Somos, sempre, o resultado de nós mesmos. As lutas que travamos são sempre contra nós mesmos, em relação às nossas imperfeições morais. O resultado, quando exitoso, importa no avanço na escala evolutiva, que representa a vitória sobre nossas limitações e o credenciamento a outras (e melhores) oportunidades.

    9. O passado espiritual de cada um, por certo, é composto por erros, limitações, dívidas. Mas a Justiça e a Contabilidade divinas que administram nossas idas e vindas, sob diferentes roupagens, não são baseadas em automatismos ou abordagens cartesianas (do tipo pagar na mesma moeda o mal causado). A dinâmica das Leis Espirituais comporta um mecanismo perene e perfeito de “dar a cada um segundo suas obras”, isto é, de considerar, a cada passo, em cada evento, tanto o que fizemos de errado quanto o que obramos em acerto, o que deixamos de fazer e a responsabilidade, pessoal e intransferível em relação a cada procedimento (ação ou omissão).

 10. O presente, a vida física nos direciona à necessidade de agirmos como pessoas encarnadas, vivenciando as experiências do ser material, mas com a atenção às questões de natureza espiritual (tal como asseverou Jesus, “viver no mundo sem ser do mundo”). Ou seja, viver do melhor modo possível, aproveitando os capítulos da vida como meios de aprendizado e busca da felicidade, ainda relativa.

  11. O futuro deve ser encarado sob duplo viés: a) a vida no Plano Espiritual, com características bastante similares à vida física, pois continuamos a ser o que somos, com nossas simpatias e antipatias, gostos e pendências, valores e limitações; e, b) o preparo para novas encarnações, nas quais ocorrerá a nossa depuração, até galgarmos os estágios da Escala Espiritual.

A arma para vencer todos os medos (assim como as limitações espirituais) é, sempre, o conhecimento. Conhecimento que deriva da informação acerca das realidades física e espiritual, o primeiro decorrente das pesquisas e experiências científicas e, o segundo, do intercâmbio mediúnico e do desenvolvimento de teses espíritas. O conhecimento, porém, não é só mera teoria. De nada valem as decorebas das questões e máximas espíritas. Isto é somente informação. Esta, para transmudar-se em conhecimento, há que estar aliada à prática, à conduta, que nos qualificará como seres em contínua evolução, superando medos e limitações.

Convidamos você à luta (cotidiana) de superação dos (seus) medos. Vamos?

Comentários

  1. COMENTÁRIO ELABORADO PELA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - IA (GEMINI)
    O artigo explora a vasta gama de medos que afetam o ser humano, desde os mais comuns (escuro, perda, pobreza, violência) até aqueles que podem ser incutidos por certas visões religiosas (medo de Deus, do futuro pós-morte).

    Em seguida, ele aborda especificamente os "medos do espírita" (da vida, da morte, da reencarnação, dos Espíritos), para então responder à questão central: Por que o Espiritismo destrói o medo em nós?

    A essência da resposta reside nos pilares da Doutrina Espírita:

    Imortalidade e Continuidade da Vida: O conhecimento de que somos Espíritos imortais e que vida e morte são apenas etapas da trajetória evolutiva elimina o medo do aniquilamento e do desconhecido.

    Reencarnação e Progresso: A Lei da Reencarnação explica as desigualdades e garante que o progresso é contínuo e ascendente, retirando o peso de um "destino" fixo e imutável.

    Causa e Efeito (Justiça Divina): A compreensão de que não há destino, sorte ou azar, mas sim que colhemos o efeito de nossas obras, retira o medo de um Deus punitivo e arbitrário. Somos o resultado de nós mesmos, e as lutas são contra nossas próprias imperfeições.

    Conhecimento e Prática: A verdadeira arma contra o medo é o conhecimento (teoria) aliado à prática (conduta moral, conforme o Evangelho de Jesus), transformando a informação em sabedoria que liberta e qualifica o ser para a evolução contínua.

    Em suma, o Espiritismo destrói o medo ao substituir a incerteza e a punição pela certeza da imortalidade, a confiança na Justiça e na mecanismos de evolução constante (reencarnação), incentivando a luta e o aprimoramento moral.

    Gostaria que eu me aprofundasse em algum dos pontos levantados pelo artigo, como a reencarnação ou a visão espírita da Justiça Divina?

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

MARCHA PARA JESUS: ENTRE A FIGUEIRA ESTÉRIL E A FÁBRICA DE LÁZAROS

    Imagem criada por IA, a partir do texto Por Jorge Luiz                  O Chão da Avenida e as Vozes do Povo               Ao estudar a psicologia das multidões, Gustave Le Bon (2022) assegura que, quando o edifício de uma civilização está podre, as massas apressam a sua destruição. É esse o seu papel: por um instante, a força cega do número transforma-se na única filosofia da história.             As entrevistas concedidas pelos fiéis na última Marcha para Jesus, realizada no dia 23 de maio, e veiculadas por um portal de notícias (1) , demonstram com exatidão essa práxis. As declarações, desconexas da realidade, estão desalinhadas à mensagem do paraninfo do evento, “em nome de Jesus”.

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

SOBRE ATALHOS E O CAMINHO NA CONSTRUÇÃO DE UM MUNDO JUSTO E FELIZ... (1)

  NOVA ARTICULISTA: Klycia Fontenele, é professora de jornalismo, escritora e integrante do Coletivo Girassóis, Fortaleza (CE) “Você me pergunta/aonde eu quero chegar/se há tantos caminhos na vida/e pouca esperança no ar/e até a gaivota que voa/já tem seu caminho no ar...”[Caminhos, Raul Seixas]   Quem vive relativamente tranquilo, mas tem o mínimo de sensibilidade, e olha o mundo ao redor para além do seu cercado se compadece diante das profundas desigualdades sociais que maltratam a alma e a carne de muita gente. E, se porventura, também tenha empatia, deseja no íntimo, e até imagina, uma sociedade que destrua a miséria e qualquer outra forma de opressão que macule nossa vida coletiva. Deseja, sonha e tenta construir esta transformação social que revolucionaria o mundo; que revolucionará o mundo!

“BEM AVENTURADOS OS QUE TÊM FOME E SEDE DE JUSTIÇA PORQUE SERÃO SACIADOS...” (Mt 4, 23-25)

  Doris Gandres Essa uma das bem aventuranças proferidas pelo Mestre Jesus em seu Sermão da Montanha, há quase 2 mil anos e da qual bem pouco se fala... Não foi mencionada nem comentada no Evangelho Segundo o Espiritismo por Allan Kardec e os Espíritos que com ele trabalharam, quando tantas outras lhes mereceram a atenção... E de algum tempo me pergunto por que... Julgaram talvez, Kardec e a equipe espiritual, que ainda não tínhamos capacidade de entender o significado dessa afirmativa de Jesus? Que talvez, famintos e sedentos por justiça como estávamos – e ainda continuamos a estar – para nos saciarmos recorreríamos a métodos separatistas e violentos? Afinal, mesmo assim, mesmo relegando essa bem aventurança a segundo plano, praticamente ao ostracismo, povos e nações de todos os tempos, mesmo após o vinda do Cristo e mesmo ainda após o surgimento da doutrina espírita, recorreram ao domínio pela força de todo tipo com a justificativa de estabelecer e implantar justiça.

SOCIALISMO E ESPIRITISMO: Uma revista espírita

“O homem é livre na medida em que coloca seus atos em harmonia com as leis universais. Para reinar a ordem social, o Espiritismo, o Socialismo e o Cristianismo devem dar-se nas mãos; do Espiritismo pode nascer o Socialismo idealista.” ( Arthur Conan Doyle) Allan Kardec ao elaborar os princípios da unidade tinha em mente que os espíritas fossem capazes de tecer uma teia social espírita , de base morfológica e que daria suporte doutrinário para as Instituições operarem as transformações necessárias ao homem. A unidade de princípios calcada na filosofia social espírita daria a liga necessária à elasticidade e resistência aos laços que devem unir os espíritas no seio dos ideais do socialismo-cristão. A opção por um “espiritismo religioso” fundado pelo roustainguismo de Bezerra Menezes, através da Federação Espírita Brasileira, e do ranço católico de Luiz de Olympio Telles de Menezes, na Bahia, sufocou no Brasil o vetor socialista-cristão da Doutrina Espírita. Telles, ao ...

O ESPIRITISMO É PROGRESSISTA

  “O Espiritismo conduz precisamente ao fim que se propõe todos os homens de progresso. É, pois, impossível que, mesmo sem se conhecer, eles não se encontrem em certos pontos e que, quando se conhecerem, não se deem - a mão para marchar, na mesma rota ao encontro de seus inimigos comuns: os preconceitos sociais, a rotina, o fanatismo, a intolerância e a ignorância.”   Revista Espírita – junho de 1868, (Kardec, 2018), p.174   Viver o Espiritismo sem uma perspectiva social, seria desprezar aquilo que de mais rico e produtivo por ele nos é ofertado. As relações que a Doutrina Espírita estabelece com as questões sociais e as ciências humanas, nos faculta, nos muni de conhecimentos, condições e recursos para atravessarmos as nossas encarnações como Espíritos mais atuantes com o mundo social ao qual fazemos parte.

REFLEXÕES PARA O ANO QUE SE ANUNCIA...

  Sinta, chega o tempo de enxugar o pranto dos homens. Se fazendo irmão e estendendo a mão... Venha, já é hora de acender a chama da vida e fazer a Terra inteira feliz! (A Paz. Homenagem a Paulinho/Roupa Nova)   É bem comum, a cada final de ano, pensarmos sobre o ano que finda e projetarmos expectativas, sonhos e planos para o ano vindouro. Fazer isso é bom! Afinal, pensar sobre o que fizemos, avaliar o que houve de bom e o que precisa ser melhorado pode nos ajudar a depurar nossas ações, para tentarmos ser melhores e, consequentemente, fazer um ano melhor. Santo Agostinho nos ensinou esse exame de consciência. Toda noite, ele passava o dia a limpo, observando seus atos e pensando a melhor maneira de corrigir seus erros e chegar mais perto de Deus.

A HISTÓRIA DA ÁRVORE GENEROSA

                                                    Para os que acham a árvore masoquista Ontem, em nossa oficina de educação para a vida e para a morte, com o tema A Criança diante da Morte, com Franklin Santana Santos e eu, no Espaço Pampédia, houve uma discussão fecunda sobre um livro famoso e belo: A Árvore Generosa, de Shel Silverstein (Editora Cosac Naify). Bons livros infantis são assim: têm múltiplos alcances, significados, atingem de 8 a 80 anos, porque falam de coisas essenciais e profundas. Houve intensa discordância quanto à mensagem dessa história, sobre a qual já queria escrever há muito. Para situar o leitor que não leu (mas recomendo ler), repasso aqui a sinopse do livro: “’...

O AMOR NOS TEMPOS DE WEB¹

É tudo diferente nesses tempos atuais. Os saudosistas haverão de dar suspiros ao lembrarem os tempos passados. Aproximar-se da garota pretendida poderia render meses de cobiça e olhares. Havia barreiras começando pelo pai da moça, cuja chance de encontro dependia do humor daquele. Permitida aproximação, essa jamais ocorreria na condição do ‘a sós’, alguém estaria muito próximo para avaliar as intenções e os gestos do pretenso intruso que estava querendo ciscar em terreiro alheio. Pegar na mão, depois de alguns dias, falar ao ouvido era pretensão de longo prazo, beijo na boca só depois de ensaiar tímidos tocar de faces, mão além dos ombros era ultraje a ser repreendido. Havia olhares não disfarçados que comunicava claramente: estamos vendo tudo, não se atrevam. Não fosse confortável, parece que ajudava no lirismo e no romantismo. Gastava-se mais tempo na sedução e se estabelecia uma espécie de seleção natural que acabava por eleger aquele que fosse mais persistente. ...