Pular para o conteúdo principal

DIÁRIO DA MAMA 10 - A CAMINHO DA CURA, COM ANSIEDADE POLÍTICA

 

 


 Por Dora Incontri

Fiquei um tanto de tempo sem escrever, porque melhorei muito e estou trabalhando o quanto posso (será que já poderia? Mas não há como!!). Segundo a avaliação das médicas que me acompanham, o resultado foi brilhante! De fato, de 5 cm que tinha o tumor, reduziu-se à insignificância de 4 mm e esse pedacinho será retirado numa cirurgia, aparentemente tranquila, que farei agora, dia 3 de novembro.

Atribuo esse resultado à competência da equipe do AC Camargo, mas igualmente à quantidade e sinceridade das orações que recebi de toda parte, de todas as religiões e não-religiões, e também às orações que eu mesma fiz. Durante todas as 8 aplicações de químio, estive sempre em estado de prece, meditação e serenidade, ouvindo música e atravessei tudo sem maiores complicações.

Engraçado que quando iniciamos um pedaço difícil, antes de pisar o pé no processo, a ansiedade nos tortura. Depois que pisamos na travessia, a coisa parece mais fácil, apesar dos impactos. Depois que passou, a impressão é que não foi quase nada. Tirei de letra.

No último dia da químio, fiz questão de homenagear a equipe do 12º andar da R. Pires da Mota. Muita competência aliada a muito humanismo. Li em voz alta a poesia abaixo e cantei meu spiritual predileto Swing Low, Sweet Charriot.

 

Agradecimento

Que melhor definição

De competência e eficiência

Do que a perfeita união

Entre o amor e a ciência?

 

Só a técnica não basta

Para cuidar e curar

Quando a doença nefasta

Chega pra nos visitar!

 

E aqui nesse AC Camargo

Humanismo é que não falta

Se a químio dá gosto amargo

Gentileza aos olhos salta!

 

Assim, durante a jornada

Que nos abate e enfraquece

Me senti aconchegada

No afeto que robustece!

 

Só posso dizer, portanto,

Nesse momento final

Muito obrigada por tanto

Me despeço em alto astral!

 

Mas há algo de que não posso me furtar de comentar. Concomitante com meu processo pessoal, há um pesadelo que estamos vivendo há anos no Brasil e que agora se agravou, no momento das eleições: o avanço da extrema-direita, violenta, opressora e que tomou conta de quase 50% da população brasileira.

A multiplicação dos discursos de ódio, de atos de violência, inclusive com mortes, tem deixado muita gente em estado de depressão e ansiedade aguda. A fome que voltou a se instalar que, no governo Lula, havia desaparecido do cenário nacional. O desmatamento maciço da Amazônia que ameaça não só o Brasil, mas o mundo – e por isso (e por outras razões também) artistas, pensadores e políticos de toda parte do planeta estão apoiando Lula para presidente. Os milhares de brasileiros que podiam não ter morrido se o inominável tivesse gerido a pandemia com responsabilidade, empatia e sem negacionismo. E a corrupção maciça que se fez corriqueira, assombrosa, como nunca vista (mas muitos não querem votar no “Lula ladrão”!!! Isso tudo nos atola em desânimo e ansiedade.

Não é possível passar psiquicamente incólume diante de uma situação de tanta gravidade, com o risco de perdermos o que nos resta de democracia e mergulharmos o país numa autocracia, numa teocracia, numa ditadura…

Diante disso, nossos problemas pessoais perdem o peso, porque há tantos sofrendo a injustiça, a violência, a fome e, sobretudo, perdendo os sonhos e a motivação para viver e lutar.

Assim, apesar de ainda me sentir doente, ainda a caminho de uma cura, que certamente virá completa lá por fevereiro de 2023, estou procurando me manifestar nas redes, no contato direto com as pessoas, para garantirmos e retirada desse desgoverno do país. Sei que isso não resolve os imensos problemas que teremos que enfrentar. É apenas um outro recomeço.

Mas tenho meditado muito em como podemos nos próximos anos educar o povo, acabar com o analfabetismo político, que proporciona toda essa manipulação e munir os brasileiros de uma leitura mais lúcida do mundo. Terá de ser um mutirão para desenraizarmos o bolsonarismo, que esse sim, é um câncer que se instalou na alma brasileira, provocando a cisão das famílias, a ruptura entre amigos e a ameaça de morte, o exílio e até o assassinato de quem não aceita esse fascismo tupiniquim.

Assim, quero ficar boa logo, porque a luta continua e jamais desistiremos, insistindo nos ideais de paz, justiça e fraternidade e resistindo aos retrocessos destrutivos que nos ameaçam.

Comentários

  1. Sempre lúcida Dora! Deus a abençoe, fortaleça e ilumine, sempre.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

O ESPIRITISMO E A CIÊNCIA MATERIALISTA¹

Por Roberto Caldas (*)               A ciência humana, considerada um dos grandes avanços da espécie desde o seu aparecimento sobre o planeta, tem sido uma das inequívocas provas do caminho evolutivo pelo qual trilha a humanidade. Descortinando os ditames da Natureza o pesquisador abre perspectivas para o crescimento coletivo e acena para novos patamares de conquistas nos campos da qualidade de vida e da socialização dos grupamentos mundo afora.             Dotada de exigência afinada à compreensão analítica profunda e baseada em resultados objetivos resultantes de estudos e experiências que necessitam ser sérias para então aceitas, a ciência humana estabelece uma ponte entre o imaginário que alimenta a observação e o concreto que estabelece a mudança de paradigma sempre que vencida uma etapa de testes e formulação de teses. Foram as experiências que c...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

O QUE É O ESPÍRITO SANTO?

    Quem se defronta com os textos bíblicos sem os subsídios proporcionados pela Doutrina Espírita, fica confuso, em muitas situações, como, por exemplo, no entendimento da identidade do chamado “Espírito Santo”. Em verdade, o Mestre Jesus, sabendo que suas instruções seriam falseadas, esquecidas e mal compreendidas, prometeu enviar, e assim o fez, o Consolador, a excelsa Doutrina Espírita que faz lembrar os seus sublimes ensinamentos. Ao mesmo tempo, revelou que todos os esclarecimentos seriam ofertados (“vos ensinará todas as coisas”), deixando evidente à posteridade que não pode dizer tudo devido ao intenso atraso evolutivo das criaturas daquela época (João XIV: 15-26).

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

MARCHA PARA JESUS: ENTRE A FIGUEIRA ESTÉRIL E A FÁBRICA DE LÁZAROS

    Imagem criada por IA, a partir do texto Por Jorge Luiz                  O Chão da Avenida e as Vozes do Povo               Ao estudar a psicologia das multidões, Gustave Le Bon (2022) assegura que, quando o edifício de uma civilização está podre, as massas apressam a sua destruição. É esse o seu papel: por um instante, a força cega do número transforma-se na única filosofia da história.             As entrevistas concedidas pelos fiéis na última Marcha para Jesus, realizada no dia 23 de maio, e veiculadas por um portal de notícias (1) , demonstram com exatidão essa práxis. As declarações, desconexas da realidade, estão desalinhadas à mensagem do paraninfo do evento, “em nome de Jesus”.

A DOR É NOSSA AMIGA E AGE COMO CINZEL DIVINO PARA NOSSA EVOLUÇÃO

       Por Jorge Hessen   A humanidade foge da dor desde os tempos mais antigos. Busca-se o prazer, o conforto, a estabilidade e a ausência de dor como se isso representasse a verdadeira felicidade. Entretanto, a experiência humana demonstra exatamente o contrário:  são as grandes dores que frequentemente transformam as criaturas, despertam consciências e renovam destinos .             À luz da Doutrina Espírita,  a dor não é punição arbitrária de Deus.  Ela possui finalidade educativa. Allan Kardec ensina que Deus, sendo soberanamente justo e bom, não cria dores inúteis. Toda aflição possui causa, objetivo e valor moral. Em muitos casos, a dor é o instrumento através do qual o espírito corrige excessos, aprende limites e reconstrói a própria caminhada.

DEUS¹

  No átimo do segundo em que Deus se revela, o coração escorrega no compasso saltando um tom acima de seu ritmo. Emociona-se o ser humano ao se saber seguro por Aquele que é maior e mais pleno. Entoa, então, um cântico de louvor e a oração musicada faz tremer a alma do crente que, sem muito esforço, sente Deus em si.

SOBRE ATALHOS E O CAMINHO NA CONSTRUÇÃO DE UM MUNDO JUSTO E FELIZ... (1)

  NOVA ARTICULISTA: Klycia Fontenele, é professora de jornalismo, escritora e integrante do Coletivo Girassóis, Fortaleza (CE) “Você me pergunta/aonde eu quero chegar/se há tantos caminhos na vida/e pouca esperança no ar/e até a gaivota que voa/já tem seu caminho no ar...”[Caminhos, Raul Seixas]   Quem vive relativamente tranquilo, mas tem o mínimo de sensibilidade, e olha o mundo ao redor para além do seu cercado se compadece diante das profundas desigualdades sociais que maltratam a alma e a carne de muita gente. E, se porventura, também tenha empatia, deseja no íntimo, e até imagina, uma sociedade que destrua a miséria e qualquer outra forma de opressão que macule nossa vida coletiva. Deseja, sonha e tenta construir esta transformação social que revolucionaria o mundo; que revolucionará o mundo!

A RELIGIÃO DO CAPITAL: O ENRIQUECIMENTO DOS PASTORES E A ESTERILIDADE DA FÉ INSTITUCIONAL.

      Por Jorge Luiz   A “Teocracia do Capital”: A Ascensão das Organizações Religiosas no Brasil Moderno             Os números denunciam. Segundo o Censo de 2022, o Brasil tem mais estabelecimentos religiosos que superam a soma de hospitais e escolas. O número de organizações religiosas criadas por dia no Brasil varia de 17 a 25. Essas mesmas instituições movimentam mais de R$ 21 bilhões por ano, riqueza cujo retorno social institucionalizado é questionável. Esse montante, contudo, carece de um vetor social direto, uma vez que goza de imunidade tributária e não se reverte em investimentos em saúde ou educação. Tamanha pujança econômica permitiu, inclusive, que diversos pastores brasileiros figurassem na revista Forbes como detentores de fortunas bilionárias.             Em contrapartida a isso tudo, o Brasil vive uma anomia moral. Os escândalos de ...

O PERÍODO DOS "GRANDES MÉDIUNS" JÁ PASSOU!

    Por Jerri Almeida   Allan Kardec foi sempre muito cuidadoso na preservação dos médiuns com os quais manteve contato, e que colaboraram em suas investigações. Poucas são as citações ou referências aos nomes desses médiuns no conjunto de sua obra. Parece evidente, que Kardec se preocupava muito mais com o conteúdo das informações e das ideias apresentadas do que, propriamente, com os médiuns e Espíritos que as comunicavam.