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AOS ANIMAIS DE NOSSAS VIDAS

 


Por Roberto Caldas

É uma história bíblica. Certamente não aconteceu como se popularizou, mas traz uma mensagem de espetacular importância para a manutenção da vida no planeta. Supostamente, nessa história, Noé teria o papel de salvar o mundo da destruição e para esse fim, além de arregimentar a sua família, teria a missão de preservar os animais da Terra.

            Sim, os animais. Os seres auxiliares da harmonia ecológica planetária. Das águas, da terra, do ar. A fauna em sua pujança. Sobreviventes dotados de uma biologia que pouco difere dos padrões fisiológicos da espécie humana, apenas provavelmente mais fortes e mais bem adaptados ao enfrentamento das intempéries naturais.

            Constituem uma população de elementos que acabam por auxiliar, de forma ativa, o processo da sobrevivência humana. Se selvagens são fundamentais para a manutenção do equilíbrio da Natureza. Se domesticados são companheiros fiéis e afetuosos agindo como amigos incondicionais que presenteiam com alegria genuína e inocente que só pedem a compensação do carinho com o carinho, sem outras exigências.

            São irmãos evolucionais que, sem o perceberem conscientemente, ensaiam nos afetos dos humanos um senso de cumplicidade e confiança que serve de laboratório para o aprendizado do sentimento que um dia haverá de instrumentar as relações entre as pessoas. O espaço/tempo ora trilhado por esses queridos seres do mundo animal é estrada, cuja memória humana não retém, conquanto a tenha percorrido em longínquas eras.

            Sob as bênçãos da eternidade das origens temos o mesmo ponto de partida e certamente o mesmo ponto de chegada. Eis o que nos diz O Livro dos Espíritos a esse respeito: “q. 606 – De onde tiram os animais o princípio inteligente que constitui a espécie particular de alma de que são dotados? – Do elemento inteligente universal; q. 606 –a) A inteligência do homem e a dos animais emanam, portanto, de um princípio único? – Sem nenhuma dúvida: mas no homem ela passou por uma elaboração que a eleva sobre a dos brutos”.

            Seres da espécie humana e seres da espécie animal são companheiros de romagem que evoluem em trincheiras diferentes, cujo lapso de tempo eterno haverá de um dia unificar, mesmo que nenhum resquício de lembrança possa comprovar tão longo percurso que torna sentimentos aquilo que um dia teria sido apenas instintos.

            Talvez por essa razão, a orientação simbólica atribuída ao personagem Noé tenha sido salvar a humanidade trazendo junto a si todas as espécies animais que diversificam e ampliam as possibilidades de vida na Terra. Não é casual que Francisco de Assis se referisse a eles como “meus irmãos animais” e Jesus ao nascer tivesse a companhia deles em uma estrebaria.

            Vamos concordar numa coisa. A vida fica mais leve quando ao chegar de volta ao lar tem-se a sorte de encontrar um desses amigos deixando transparecer que aguardava cheios de saudade, com uma alegria que só os inocentes transmitem.  Bendito seja o PET que nos ajuda tornando-nos pessoas melhores.

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