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EDUCAÇÃO, ESPÍRITO E SER HUMANO: A EVOLUÇÃO COMO SÍNTESE

 


Se eu quisesse falar de educação hoje, no sentido da transmissão de conhecimento, costumes de valores de uma comunidade para outros, que tipo de mensagem eu transmitiria?

Já foi discutido sobre o mal-estar dos dias atuais, que paralisa a vontade das pessoas, a falta de sentido e um certo pessimismo em relação ao ser humano. Por outro lado, também nesses mesmos canais, houve uma chamada ao trabalho e à esperança e, principalmente, à certeza da natureza transcendente do ser humano.

Se considerarmos o espírito encarnado, podemos dizer que há certo embate: estar encarnado coloca o espírito no jogo da vida material que segue regras de convivência ligadas às estruturas sociais e econômicas criadas pelos espíritos que, ao longo do tempo reencarnam na Terra, os quais transmitiram seus costumes e valores para as gerações seguintes num processo educativo. Mas, o espírito encarnado não deixa sua essência, não deixa de ser espírito e anseia sempre por algo a mais, que não está ligado ao plano terreno – aí está o conceito de interexistência de Herculano Pires. Assim, chegamos onde estamos agora como humanidade. De nômades, vivendo em uma organização tribal, para uma sociedade pós moderna, tempo e espaço por onde os espíritos evoluíram.

A encarnação, conforme se pode verificar na literatura espírita, é um processo educativo para o espírito. As metáforas utilizadas para justificar a necessidade da reencarnação nunca me convenceram por completo. Coloco aqui uma analogia para tentar justificar a necessidade da reencarnação: a tríade de Pestalozzi: coração, mente e mãos. Por meio dessa tríade, Pestalozzi afirmava que se contemplaria a educação integral. A encarnação, nesse contexto, seria a parte mais enfática das mãos, da prática, do trabalho, que instigaria e desenvolveria as duas restantes.

A encarnação, por essa analogia, é um processo dialético entre coração, mente e mãos. Não por acaso, se verificarmos a evolução da humanidade, seguimos por esse mesmo caminho dialético, com conquistas nas três esferas dessa tríade que aos poucos impulsionaram o mundo.

Dessa forma, resgatamos aqui quatro pontos importantes: espírito, ser humano (espírito encarnado), educação, e a constatação das conquistas (evolução) ao longo do tempo. Voltando à pergunta que abre esse texto, a mensagem possível teria que abraçar esses quatro tópicos.

O espírito que habita a carne e que dá forma ao ser humano é interexistente, assim, a educação não pode se centrar exclusivamente num dos lados da interexistência. O equilíbrio entre os dois deve permitir a compreensão das necessidades a serem atendidas em cada lado. O que significa dizer que a vida encarnada divide-se em objetivos para a esfera espiritual e de ser humano, por outras palavras, a vida encarnada é um processo educativo do espírito, onde adquire conhecimento, valores e costumes, que quando absortos completamente, já com status de conquista, geram a síntese de seu momento evolutivo, não como ser humano mas como espírito.

O espírita não deveria então se preocupar com sua condição após morte, se subirá às regiões etéreas do mundo superior ou rastejará pelo umbral. O espírito, dentro de todo esse processo educativo precisa dar conta da vida encarnada, pois quando morrer viverá como viveu na Terra.

Se eu tenho que dar conta de minha vida encarnada, a abordagem à educação deve estar ligada às aspirações do espírito, pois aqui é escola e estágio a ser cumprido, que é se aproximar de Deus, de sua essência e de seu amor. Resta-nos então imaginar o que faria Deus, esse ser supremo em bondade e amor, feliz. Qualquer um imagina que Deus não deve aprovar a fome, a guerra, a violência física e psicológica, a desigualdade, o preconceito racial e de gênero, a pobreza e tudo aquilo que seja negativo quando se coloca sob a perspectiva dessa declaração/convite: ame ao próximo como a si mesmo e a Deus acima de todas as coisas.

A chave da evolução espiritual pode estar no entendimento de que encarnamos para evoluir como espíritos, mas essa evolução só se completa, pelo menos nesse estágio de planeta Terra, quando nos tornarmos seres humanos plenos de coração, mente e mãos.

 

Referências desse texto:

O Espírito e o Tempo – Herculano Pires; Pestalozzi: Educação e Ética – Dora Incontri; O Livro dos Espíritos – Allan Kardec

Comentários

  1. Nós temos um problema em nosso idioma que engloba em uma mesma palavra dois conceitos distintos: a instrução acadêmica e a aquisição de valores ético-morais para a evolução espiritual, que também está relacionada com a convivência em sociedade - de certa forma, também confundida com a etiqueta.

    Creio que precisamos sempre observar isso, já que criar palavras novas ainda é bem difícil, pois corremos risco de misturar conceitos ainda mais.

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