Por Alexandre Júnior
A justiça não se estabelece por si só. É necessário que a façamos. Quando nos negamos a combater, debater, encarar, perceber e estudar as desigualdades sociais, menos estaremos aptos a produzir, de forma consciente e politicamente, ações de enfrentamento às injustiças, bem como posturas afirmativas de produção de igualdade e justiça social.
Em que pese a insistência nefasta de toda uma estrutura social hegemônica, que, de forma opressora, transforma diversidade em desigualdade.
Esta ação estruturalmente organizada, produzida a partir de uma escolha política, busca não só justificar racismo, LGBTQIAPN+fobia, sexismo, xenofobia, machismo, etarismo e capacitismo, mas procura, fundamentalmente, validação para a violência, seja ela simbólica ou física, esforçando-se, de forma organizada, em busca da naturalização de todas estas opressões.
Importante salientar que o Espiritismo brasileiro tradicional, ao negar-se a combater opressões, violências, desigualdades e injustiças sociais, bem como ao recusar dialogar com as Ciências Humanas, perde a possibilidade de, de maneira pedagógica e sistemática, permutar saberes, sem que nem o Espiritismo nem as Ciências Humanas se descaracterizem. O processo é pedagógico, fomentado a partir de trocas e partilhas. De forma epistemologicamente honesta, é oferecer o que o Espiritismo tem de melhor e sorver o que há de melhor nos Estudos das Humanidades e nos Movimentos Sociais.
De que forma vamos conseguir fazer isso?
Quais as consequências destas ações?
O resultado, realmente, não sabemos!
Contudo, sabemos o efeito de não produzirmos esse debate, este encontro: o dogmatismo.
O esvaziamento da razão.
O religiosismo cego.
Estes efeitos juntos levam à formação de uma multidão que, em algum grau, não vê o mundo
criticamente.
Talvez, e só talvez, esta seja a verdadeira “regeneração” que promove ações afirmativas por
um mundo mais justo e mais igual.
O que Kardec acharia da validação das injustiças enquanto se espera, passivamente, por um
mundo de regeneração que se daria quase que por osmose?

COMENTÁRIO ELABORADO POR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - IA (GEMINI)
ResponderExcluirO texto apresenta uma crítica incisiva à passividade institucional e ao isolamento do Espiritismo tradicional brasileiro diante das opressões e desigualdades estruturais. A análise destaca que a neutralidade social não é isenta, mas sim uma escolha política que acaba por conestar e naturalizar violências como o racismo, o machismo e a LGBTQIAPN+fobia.
Ao propor uma ponte epistemológica entre a doutrina espírita, as Ciências Humanas e os movimentos sociais, o trecho defende a necessidade de um compromisso ativo com a justiça social. A recusa a esse diálogo crítico resulta no esvaziamento da razão e no surgimento de um "religiosismo cego", resgatando o pensamento de Allan Kardec sobre a importância da fé raciocinada e do progresso moral como um processo ativo, e não como uma transformação passiva aguardada por osmose.