A INVERSÃO DO QUERIGMA: BOLSONARISMO E NEOPENTECOSTALISMO COMO ANTÍTESES SOCIOPOLÍTICAS DO JESUS HISTÓRICO
O Escândalo do Banco Master como sintoma da inversão.
Em outro momento defini a relação entre o status político chamando eufemisticamente de extrema-direita, simbolizada aqui como bolsonarismo e o neopentecostalismo, como uma “simbiose promíscua”. O escândalo do Banco Master, oferece uma nova definição, resultante dessa simbiose, que agora defino-a como “escândalo ontológico”, por não se constituir em um mero desvio ético de indivíduos isolados. Para alguns, como Glair Arruda, essa simbiose pode ser interpretada como cristofascismo, fenômeno que não é novo, mas ganhou proeminência nos anos de recrudescimento de uma ideologia de extrema direita especialmente nos Estados Unidos e Brasil (Passos, 2025). A definição de Arruda, ela mesma reforça a conceituação, ao admitir que o líder que se autoproclama como o salvador da pátria, permeando o imaginário popular, de acolhimento das massas, geralmente urbanas e abrangendo em igual potência o imaginário bíblico protestante/evangélico/pentecostal (idem). Aqui, o messianismo encontra a sua contraparte no cristofascismo, numa circularidade onde a religião implícita – o poder religioso – se alterna com a religião explícita – a religião no poder (Arruda, apud Passos, 2024).
O que se pode notar é que no balcão dessa instituição, o Querigma – o anúncio original do cristianismo – sofre uma inversão definitiva, o Banco Master se evidenciou como a catedral da “Confiança em Mamom”.
Se no balcão da instituição o Querigma é invertido, é porque ali se materializa a tese de Walter Benjamin: o capitalismo não é apenas uma economia, mas uma religião puramente cultual, a mais extremada e impiedosa já existente. Trata-se de um culto sans rêve et sans merci (sem sonho e sem piedade), que não conhece 'dias úteis' porque exige a mobilização total e permanente do adorador em torno da mercadoria (2013).
Diferente do cristianismo histórico, este sistema não oferece expiação, mas uma culpabilização universal. É um movimento monstruoso que martela a culpa na consciência do fiel — transmutada em dívida ou insuficiência financeira — para, ao fim, envolver o próprio Deus nesse ciclo de cobrança. No Ocidente, o capitalismo desenvolveu-se como um parasita do cristianismo, alimentando-se de suas estruturas e símbolos até que a história da religião se tornasse, essencialmente, a história de seu próprio parasita. O escândalo do Banco Master é, portanto, a face visível desse parasitismo absoluto, onde a divindade só é invocada no zênite da culpabilização do endividado. Na época da Reforma, diz Benjamim, o cristianismo não favoreceu o surgimento do capitalismo, mas se transformou no capitalismo (2013).
É neste ponto que o “escândalo ontológico” atinge seu estágio mais nefasto. O neopentecostalismo contemporâneo, ao transfigurar-se na religião cultual de Benjamin, deixa de se realizar como experiência de fé para operar como uma seita econômica de demandas criminosas. Amparada pela Teologia da Prosperidade — essa importação ideológica que santifica o lucro —, utiliza o estatuto de religião como um salvo-conduto jurídico diante do Estado. Gozando de um conforto jurídico que beira a cumplicidade institucional, o movimento circula por labirintos financeiros sem o incômodo da lei, uma vez que a política não apenas tolera essa promiscuidade, mas dela se nutre para a manutenção do seu projeto de poder. O Estado, ao proteger o 'sagrado' de fachada, acaba por blindar a fraude ontológica de uma fé que já não serve a Deus, mas aos fluxos de caixa.
O Jesus "Desclericalizado"
A fé, no contexto aqui apresentado, revela-se na passagem em que Jesus adverte — sempre sob o propósito de uma transformação radical — que seus discípulos são o “sal da terra; e, se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens” (Mt 5:13). Chouraqui alerta para as interpretações teológicas que consideram o sal tornar-se insosso, algo quimicamente impossível; outros atribuem o fenômeno às impurezas do sal do Mar Morto. No pensamento de Jesus, atesta Chouraqui, o verdadeiro sentido da frase não reside no mineral, mas na comunidade de seus ouvintes, representantes de Israel, povo de Adonai. Se esse povo enlouquecer, quem executará a missão de transformar o mundo? (1996). E está enlouquecido.
Certamente, o que se testemunha no cenário religioso brasileiro contemporâneo é o enlouquecimento daqueles que se afirmam cristãos, fruto de um clericalismo institucional que transmuta a vocação profética em mera gestão de interesses. A engenharia desse enlouquecimento reside na transmutação da fé em forma-mercadoria. No ecossistema desse ”escândalo ontológico” o fetiche substitui a presença: a bênção deixa de ser o anúncio da Beshorá (Boa Nova) para tornar-se um ativo financeiro precificado. É o ápice da antítese: o sacrifício, que na raiz de Chouraqui representava a doação do Ish (o humano) em prol da Tsedacá (justiça), é aqui invertido em investimento.
O fiel, capturado por esse culto “sem sonho e sem piedade”, já não busca a transformação do mundo, mas a liquidez de sua oferta. Sob um clericalismo asfixiante, a igreja deixa de ser o espaço do comum para converter-se no balcão de um banco espiritual, validando a face mais terrível do parasitismo de Benjamin: um sistema onde o Deus oculto é invocado apenas para assinar o contrato da própria alienação. O que se atesta, portanto, não é uma evolução dos conceitos de Jesus na dialética ou na práxis, mas uma ruptura ontológica e conceitual que sequestra a gramática cristã para viabilizar objetivos escusos.
A "Afinidade Eletiva" do Poder e a Seita Econômica
A consolidação do messianismo no imaginário popular e sua subsequente mutação em cristofascismo, estruturam-se através de uma engenharia de dois pontos fundamentais:
A. A Gênese da Expectativa: O fenômeno nasce de uma crise social precedente que evoca a imagem bíblica do "libertador régio". É o anseio por um enviado de Deus que venha restaurar a ordem, criando o cenário ideal para a ascensão do cristofascismo.
- O Método de Domínio: O libertador não se apresenta apenas como líder político, mas como um guerreiro metafísico, o "vencedor do anticristo". Seu poder absoluto não conhece fronteiras, deslocando-se do altar religioso para ocupar a centralidade do poder político (Arruda, 2024).
O que separa esses dois conceitos é a passagem da esperança para a encarnação:
1. Messianismo vs. Cristofascismo: Enquanto o messianismo traduz a expectativa popular alimentada por sucessivos fracassos econômicos, o cristofascismo designa a figura do líder que se apropria dessa dor. Ele se autoatribui o título de libertador, alegando ser o cumprimento vivo das profecias.
2. A Ausência de Projeto: O líder cristofascista é um simulacro: ele não apresenta plano de governo, propostas de liderança ou novas interpretações teológicas. Ele é pura performance de poder, considera algumas regras, costumes morais e símbolos nacionais.
3. A Des-solidarização Meritocrática: Nos cultos neopentecostais, a liturgia é a do triunfo. Celebra-se o "vencedor" enquanto se formata a comunidade para a completa des-solidarização com os "perdedores". Nesse ponto, o cristofascismo encontra sua simbiose perfeita com a meritocracia neoliberal: a fé é usada para validar a exclusão e sacralizar o sucesso individual em detrimento do bem comum (Arruda, apud Moreira, 2024). A fé não foi suficiente e o fiel perdeu a aposta.
A ausência de projeto e a fundamentação na pura performance revelam o que Bertrand Russell define como Poder Nu (Naked Power). Trata-se do estágio onde o poder se despoja de qualquer roupagem de legitimidade tradicional, legal ou moral, sustentando-se exclusivamente na força do domínio psicológico e na obediência incondicional. No contexto do cristofascismo, o poder está "nu" porque não presta contas a um plano de governo ou a uma ética pública; ele se impõe como um fim em si mesmo.
Ao transbordar do espaço religioso para o político sem o anteparo de propostas concretas, esse messianismo opera uma estrutura de poder paralela que ignora as demandas da realidade. O líder não precisa governar; ele precisa apenas exercer o domínio, transformando a máquina do Estado em um prolongamento da sua vontade "divinizada". Assim, o Poder Nu de Russell encontra na simbiose neopentecostal o seu combustível perfeito: o medo do "anticristo" justifica a força, e a unção divina substitui a competência administrativa.
É fundamental notar que essa afinidade eletiva entre o cristofascismo e o capital é a antítese radical daquela estudada por Löwy no Cristianismo de Libertação. Se nesta última a fé se aliava ao marxismo para denunciar a opressão e buscar a justiça social (Tsedacá), na simbiose atual ocorre o inverso: a gramática religiosa é sequestrada pelo espírito do capitalismo para sagrar a exclusão. Enquanto o Cristianismo de Libertação buscava 'desclericalizar' o poder para servir à base, o Cristofascismo clericaliza o mercado para dominar a massa. O que se vê no Brasil não é apenas uma nova religião, mas uma contra-revolução teológica que visa anular qualquer resquício de solidariedade profética em favor da adoração ao sucesso individual.
Nesse escopo, a Teologia do Domínio atua como o suporte ideológico que converte a fé em um projeto de ocupação territorial e institucional. Ao pregar que os "eleitos" devem assumir o controle das esferas de poder — política, economia e justiça —, ela oferece a roupagem sagrada para o Poder Nu e justifica o autoritarismo como uma necessidade de "guerra santa". É a negação frontal da ética do Jesus Histórico: enquanto o Mestre afirmava que seu reino não era deste mundo, essa teologia busca fundar um reino de dominação absoluta, onde a estrutura do Estado é sequestrada para servir a uma agenda de exclusão e controle social.
A Bolsonarismo: O Nacionalismo como Idolatria
Aqui, a análise de Bertrand Russell sobre o Poder Nu revela a face política dessa antítese. Quando um movimento propõe uma estrutura de poder que ignora as demandas reais de governo para se sustentar apenas na mobilização do medo e na autoridade absoluta, o poder está 'nu'. O “escândalo ontológico” não apresenta um projeto de nação, mas um projeto de domínio. As propostas para a população são esvaziadas de substância social e preenchidas com o fetiche da ordem armada e da prosperidade mágica, consolidando um poder que, por ser paralelo e sectário, não presta contas à República, mas apenas à sua própria sobrevivência.
O slogan de campanha de Jair Bolsonaro, “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo, 8:32), é uma das passagens mais célebres de Jesus, referindo-se a liberdade dos que comungam com seus ensinamentos, fundamentais para libertação espiritual e intelectual, onde o conhecimento dos seus ensinos liberta as pessoas do engano, do medo e da escravidão do pecado. A partir do seu prenome composto, Messias, encontrado em algumas passagens na Bíblia, associa-o à figura de Jesus, quando um pastor congolês, radicado na França, confirmou que ele representava para o Brasil, comparando-o a Ciro, rei Persa, responsável para retirar o povo de Deus do exílio. Como Ciro, vai surgir a condição de ungido para o ex-presidente. Aliás, essa terminologia vem sendo, recorrentemente, atribuída a determinados indivíduos, inclusive políticos, ficando todas as suas iniciativas inspiradas pelo Todo-poderoso. Enfim, esses e outros condicionantes cristológicos sobre a figura do ex-presidente, fazem-no, ora como messias político religioso, ora como um servo sofredor que governa no calvário, reforça seu projeto de cristofascista brasileiro. O neologismo cristofascista foi cunhado pela teológa alemã, Dotrothee Sölle, conceitua-o como um projeto de “traição aos pobres”, na realidade, uma arma poderosa para a serviço dos poderosos (1).
O que é notável no líder cristofascista, é que ele se utiliza da democracia para alcançar o poder, para em seguida destruí-la, vimos isso no Brasil nos episódios de 8 de janeiro de 2023.
Como a retórica armamentista e a exclusão do "outro" (o inimigo ideológico) colidem com a ética da não-violência e do amor ao inimigo do Jesus Histórico. É fácil, pois, de se constatar que o Jesus do cristofascismo não é uma evolução, mas uma antítese; um simulacro que ultrapassou o Jesus histórico — o servo humilde e esvaziado de poder — para se tornar o capitão de um exército de exclusão (2025).
Ontologia da Mercadoria e o Neopentecostalismo
Nesta estrutura, a fé sofre um processo de reificação, onde o sagrado é reduzido à categoria de mercadoria. O Fetiche da Bênção, lido sob a ótica de Marx, revela que a graça divina, outrora imensurável, foi convertida em capital espiritual passível de negociação. Assim como o fetiche da mercadoria oculta as relações sociais de exploração, o "fetiche da bênção" mascara a anomia e a desigualdade, apresentando o sucesso financeiro como um fenômeno puramente espiritual, desvinculado das estruturas de poder.
Opera-se aqui a Antítese do Sacrifício: enquanto o cristianismo histórico — fundamentado no Jesus de Nazaré — propõe o sacrifício do "eu" (a kénosis) em prol da alteridade e da justiça social (Tsedacá), o neopentecostalismo de mercado exige o sacrifício financeiro (a oferta) como combustível para o sucesso individual. É a vitória definitiva da ontologia do ter sobre a ontologia do ser. O fiel, capturado por esse animismo do capital, não mais busca a comunhão ou a transformação íntima, mas a liquidez espiritual necessária para realizar seus desejos materiais. O "sacrifício" no altar não é mais uma entrega de amor, mas um investimento de risco em uma corretora de valores metafísica.
O neopentecostalismo, ao transfigurar-se em seita econômica, revela-se como a manifestação histórica da advertência do apóstolo João: os anticristos que "surgiram do nosso meio". Ao sequestrarem o nome de Jesus para validar o Poder Nu, a exclusão meritocrática e o parasitismo financeiro do Banco Master, esses movimentos provam que, embora usem a veste cristã, não pertencem à essência do Jesus Histórico. O cristofascismo é, portanto, a antítese definitiva; é o sal que, ao enlouquecer, não apenas perdeu o sabor, mas tornou-se o instrumento de opressão da última hora.
1. A Anatomia do Anticristo: O Simulacro no Altar
O realce necessário à figura do Anticristo reside na compreensão de que ele não é um invasor, mas um usurpador. Ao contrário do que propaga a retórica neopentecostal — que gasta energias projetando essa sombra em figuras externas ou instituições históricas —, o texto joanino é implacável: o Anticristo "sai do nosso meio".
- 1.1. O Anticristo como Negação da Ética na Afirmação do Nome: O maior triunfo do Anticristo contemporâneo é o uso obsessivo do nome de Jesus para validar a negação absoluta do seu Evangelho. Ele é, por definição, o Simulacro. Enquanto o Jesus Histórico desclericaliza o acesso ao Pai e personifica a Tsedacá (justiça), o Anticristo clericaliza o mercado e personifica o lucro. Ele não nega a existência de Cristo; ele nega a Vontade de Cristo, substituindo o "Caminho" por um balcão de negócios.
- 1.2. A Inversão do Querigma: Da Vida à Forma-Mercadoria: O realce aqui é profundo: o Anticristo opera uma alquimia invertida. Ele pega o Querigma — o anúncio da vida abundante e da liberdade espiritual — e o transfigura em forma-mercadoria. Nesse processo, a fé deixa de ser uma experiência de libertação da alma para se tornar um ativo financeiro. O "pedágio para o céu" é a marca visível dessa operação: a salvação não é mais um estado de consciência alcançado pela evolução (como ensina a Cosmossociologia Espírita), mas um produto com preço de etiqueta, vendido na "Catedral da Confiança em Mamom".
- 1.3. O Espantalho do Inimigo Externo: Para ocultar sua própria face, o Anticristo neopentecostal precisa do "inimigo externo". Ele aponta para o Papa, para o secularismo ou para as ideologias, criando uma cortina de fumaça moralista. Esse medo fabricado é o combustível do Poder Nu de Russell: um povo aterrorizado pelo "Anticristo imaginário" não percebe que está sendo governado pelo Anticristo real — aquele que substituiu a solidariedade cristã pela meritocracia cruel do fluxo de caixa.
Dessa forma, o slogan 'Deus, Pátria e Família' ressurge não como uma expressão de fé, mas como um eco sombrio de movimentos como o Integralismo brasileiro e o Nazismo de Hitler, que historicamente esvaziaram esses conceitos de qualquer ética humanista para transformá-los em ferramentas de segregação e propaganda. Sob o domínio do 'Anticristo real', o slogan é sequestrado para servir como um selo de exclusão: Deus é reduzido ao garantidor do fluxo de caixa; a Pátria, transfigurada em reduto de um nacionalismo idólatra; e a Família, utilizada como escudo moralista para proteger uma estrutura de privilégios que ignora a fraternidade universal e a justiça do Jesus Histórico.
O Retorno à Raiz
Em última análise, o que se testemunha não é uma disputa de narrativas políticas, mas uma profunda anomalia social e religiosa. Como anteviu Peter Drucker, o futuro da humanidade depende da capacidade de conferir sentido às sociedades através da compreensão da origem, natureza e destinação do ser — uma ciência que encontra eco na Doutrina Espírita, mas que é violentada pela anomia contemporânea.
Nesse horizonte, a Sociologia Espírita, como preconizada por J. Herculano Pires, revela-se como a chave para a superação desse caos. Diferente das sociologias puramente horizontais, a visão espírita entranha-se na própria ordem cósmica, compreendendo o ser humano não como um átomo isolado, mas como um cidadão do universo em processo de evolução. Esse entrosamento fundamenta-se no binômio da paligenesia e da mediunidade: enquanto a reencarnação estabelece a justiça sucessiva e a continuidade do aprendizado, a mediunidade restaura o intercâmbio orgânico com o invisível, quebrando o monopólio dos atravessadores da fé. Sem essa compreensão da lei biossocial que rege a imortalidade, qualquer tentativa de reconstrução social permanecerá refém do imediatismo e das fraudes do espírito.
O neopentecostalismo, ao transfigurar-se em seita econômica, revela-se como a manifestação histórica da advertência do apóstolo João: os anticristos que "surgiram do nosso meio". Ao sequestrarem o nome de Jesus para validar o Poder Nu, a exclusão meritocrática e o parasitismo financeiro do Banco Master, esses movimentos provam que, embora usem a veste cristã, não pertencem à essência do Jesus Histórico. O cristofascismo é, portanto, a antítese definitiva; é o sal que, ao enlouquecer, não apenas perdeu o sabor, mas tornou-se o instrumento de opressão da última hora.
O que testemunhamos é o encontro trágico entre uma política sem ética, uma religião sem Querigma e uma sociedade sem bússola ontológica. O triunfo do cristofascismo é, em última análise, a vitória da anomia sobre o Ser. Somente o resgate da compreensão cósmica da vida — onde a reencarnação restabelece a justiça e a mediunidade restaura o diálogo com a Verdade — poderá devolver ao 'sal' a sua capacidade de salgar, libertando o homem do simulacro para devolvê-lo à sua real destinação.
Referências:
BENJAMIN, Walter. O Capitalismo como religião. São Paulo; Boitempo. 2013.
CHOURAQUI, André. A Bíblia – matyah – o evangelho segundo mateus. Rio de Janeiro; Imago, 1996.
LÖWI, Michael. Cristianismo de libertação – religião e política na américa latina. São Paulo; Expressão Popular, 2016.
PASSOS, João D. Teologia do domínio e usos de deus na política. São Paulo; Ideias & Letras, 2025).
Notas:
(1)https://www.ihu.unisinos.br/categorias/589884-cristologia-cristofascista-de-bolsonaro

COMENTÁRIO ELABORADO POR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - IA (GEMINI)
ResponderExcluirO texto propõe que o escândalo financeiro do Banco Master não é um mero desvio de conduta individual, mas um "escândalo ontológico" — a manifestação visível de uma fusão profunda e promíscua entre a extrema-direita política (bolsonarismo) e o neopentecostalismo de mercado.
O autor constrói sua crítica sobre três pilares principais:
A Inversão do Sagrado (Capitalismo como Religião): Apoiando-se em Walter Benjamin, o artigo argumenta que o ecossistema neopentecostal e a Teologia da Prosperidade transformaram a fé em "forma-mercadoria". O Querigma (a boa-nova cristã) é invertido: o templo vira banco, a bênção vira ativo financeiro e o Deus histórico é substituído pelo culto a Mamom (o dinheiro), onde o sucesso é divinizado e o endividado é culpabilizado.
O Cristofascismo e o "Poder Nu": Utilizando conceitos de Dorothee Sölle e Bertrand Russell, o texto aponta para a ascensão de um "simulacro de Messias". Esse líder político-religioso utiliza a estrutura de fé para exercer um "Poder Nu" — sem projeto real de governo ou ética pública, sustentando-se na performance, no medo de um inimigo imaginário e na blindagem jurídica dada pelo estatuto religioso. É a antítese do Jesus Histórico.
A Saída Ontológica (A Perspectiva Espírita): Na conclusão, o texto recorre à Sociologia Espírita (Herculano Pires) e a Peter Drucker para diagnosticar uma "anomia" (ausência de bússola moral e social). Propõe que a superação desse "enlouquecimento" coletivo e a retomada da verdadeira solidariedade profética dependem de uma compreensão cósmica do ser, fundamentada na reencarnação (justiça sucessiva) e na mediunidade como forma de quebrar o monopólio dos "atravessadores da fé".
Em suma: O artigo diagnostica o cenário atual como uma "contra-revolução teológica", onde o mercado foi clericalizado para dominar as massas. Ao sequestrar a gramática cristã para validar a exclusão meritocrática e o poder político, o movimento se desvincula da essência evangélica, tornando-se o "sal que perdeu o sabor" e virou instrumento de opressão.