Por Doris Gandres
A mim me admira como a filosofia espiritista ainda hoje, passados cerca de 160 anos de seu lançamento a público como corpo de doutrina organizada com base na pesquisa e no bom senso, se aplica a situações e condições contemporâneas.
Ao afirmar que nos julgamos “civilizados” devido a grandes descobertas e invenções, por estarmos melhor instalados e vestidos e alimentados do que há alguns séculos, milênios até – o que hoje sabemos estar restrito a uma minoria dentro da humanidade – percebemos o quanto de verdade encerra essa afirmativa ao nos chamar a atenção de como estamos iludidos.
Como classificar de “civilizada” uma criatura que atira seu carro contra animais na rua e calçada? E isso para falar de uma infração que, diante das praticadas contra o ser humano, é considerada como de menor importância...
Como considerar como civilizadas criaturas que ateiam fogo ou espancam pessoas em situação de rua? Que elegem a corrupção como meio de enriquecimento ilícito e a qualquer custo a ponto de desviarem verba da merenda infantil? De usar drogas as mais variadas para viciar e subjugar ?
Como crer civilizadas pessoas que se utilizam de seus conhecimentos científicos avançados para criar armas cada vez mais letais? Que se servem de seus títulos e cargos para oprimir e explorar seus semelhantes? Pessoas que sob a cobertura da religião submetem crentes sofridos, que buscam junto a elas consolo, reconforto, amparo e esclarecimento, para enriquecimento à custa de seus anseios?
Como poder aceitar como civilizadas nações que, na ânsia de mais poder e maior extensão territorial e maior quantidade de bens e riquezas da terra, se prestam a reduzir drasticamente o fornecimento de água a uma região já destruída, a seres humanos dizimados, vitimados, cometendo essas nações claramente crime de genocídio, não só pelas armas. Mas também pela fome e sede, gerando desnutrição e consequentes doenças?
Há muitos outros fatos a citar em detrimento do que atualmente denominamos civilização, porém vamos adiante, na análise e avaliação dos esclarecimentos que nos fornece Allan Kardec.
Há uma citação bem específica, a de que ainda necessitamos do excesso do mal para compreender a necessidade do bem e das reformas; e que os povos cuja grandeza não se funda senão na força e na extensão territorial crescem e desaparecem mais cedo ou mais tarde – e realmente a História já nos mostrou essa verdade.
É certo que o progresso intelectual realizado até hoje nas mais vastas proporções é um grande passo, porém sozinho é impotente para realizar a regeneração moral das criaturas.
Verdadeiramente, a civilização só se depurará um dia quando a moral estiver tão desenvolvida quanto a inteligência. E moral é a regra para bem conduzir-se: o ser humano se conduz bem quando faz tudo em vista e para o bem de todos.
Entretanto, nos alenta a perspectiva da aspiração por uma ordem de coisas melhor do que a atual por ser um indício de que lá chegaremos; e que cabe aos amantes do progresso ativar esse movimento pelo entendimento e prática dos meios julgados mais eficazes.
E termino concordando com Deolindo Amorim quando afirma que se a doutrina nos predispõe ao trabalho de ajuda moral e material, sem qualquer discriminação, está visto que se interessa pelo mundo, pelo homem e suas condições terrenas, seu bem estar humano e pelo aperfeiçoamento de suas instituições sociais.
Por isso, e mais outros pontos, iniciei o texto falando sobre o quanto a filosofia de vida do espiritismo ainda é aplicável aos nossos tempos atuais, com seus alertas para o nosso despertamento no sentido de lutarmos o tanto que nos for possível, por meios diretos e materiais, desejavelmente pacíficos, e construirmos um breve futuro melhor, mais sadio física, mental e espiritualmente para todos nós, a fim de nos tornarmos verdadeiramente civilizados, vivenciando em verdade o ensinamento chave do nosso irmão maior Jesus de Nazaré: amar a Deus e ao próximo como a si mesmo.
Referências: de Allan Kardec: O Livro dos Espíritos, A Gênese; de Deolindo Amorim, livros O Espiritismo e os Problemas Humanos e Análises Espíritas.

COMENTÁRIO ELABORADO POR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - IA (GEMINI)
ResponderExcluirEste é um texto reflexivo e provocador que utiliza a base doutrinária do Espiritismo para questionar o conceito contemporâneo de "civilização".
Em síntese, o artigo destaca:
O Descompasso entre Intelecto e Moral: O autor argumenta que o progresso tecnológico e científico, embora avançado, não é sinônimo de progresso moral. A persistência da violência, do egoísmo e de crimes contra a humanidade prova que ainda vivemos em uma "falsa civilização".
A Atualidade de Kardec: Ressalta que os apontamentos feitos há 160 anos permanecem vigentes, especialmente a ideia de que a verdadeira civilização só existirá quando a caridade e a ética orientarem as relações humanas tanto quanto a inteligência orienta a ciência.
Responsabilidade Social: O texto afasta a visão de um Espiritismo puramente contemplativo, citando Deolindo Amorim para enfatizar que a doutrina exige o engajamento na melhoria das instituições sociais e das condições de vida terrenas.
Esperança e Ação: Conclui que a insatisfação com o estado atual do mundo é um motor para o progresso, incentivando a prática do "amor ao próximo" como a única via real para a regeneração da sociedade.
É um comentário sóbrio que convida o leitor a sair da passividade, sugerindo que o despertar espiritual deve se refletir em ações concretas por um futuro mais humano e pacífico.