Pular para o conteúdo principal

INFORMAÇÃO, CONSCIENTIZAÇÃO, EDUCAÇÃO

 

Por Doris Gandres

  Escolhi esse título porque penso ser esta a sequência natural e lógica para a conquista do verdadeiro conhecimento, aquele que promove a nossa elevação intelectual e moral e, consequentemente, a nossa libertação do jugo da ignorância, exatamente de acordo com a afirmativa do nosso Mestre Jesus: "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará".

    Léon Denis já afirmava que "Saber é o supremo bem. Todos os males são oriundos da ignorância". Hoje compreendemos a profundidade dessas palavras... Durante muito tempo fomos subjugados pela ignorância, que nos deixava à mercê de toda sorte de infortúnios, em virtude do medo que nos cerceava os atos e embotava nossos pensamentos.

    Contudo, desde os primórdios dos tempos, iniciamos a escalada evolutiva através de INFORMAÇÕES, intuídas ou inspiradas, que nos propiciassem meios para viver com mais comodidade, segurança e abastança – o frio nos obrigou a procurar abrigo; a fome e a sede, a procurar alimentos; a necessidade de proteção e aconchego, a estabelecer grupos, a intuição de "algo superior", a despertar nossa religiosidade, e assim por diante.

    No entanto, inicialmente, não percebíamos o que significavam essas atitudes dentro do contexto de informações, pois ainda não tínhamos atingido a fase da CONSCIENTIZAÇÃO. Éramos ainda regidos puramente pelo instinto de sobrevivência elaborado pelo princípio inteligente no decorrer de sua passagem por diferentes experiências.

    Todavia, ainda que de forma rudimentar, fomos elaborando conjeturas sobre aquilo a que acedíamos e de como aceder a meios ainda mais atrativos; como tornar mais fácil a vivência e a convivência na situação e nas circunstâncias daqueles momentos – a partir desse instante entramos no campo da conscientização, onde analisamos e escolhemos o que já compreendemos, ou pretendemos compreender, como sendo o efetivamente melhor para nós.

    Ermance Dufaux Espírito nos diz em seu livro Mereça Ser Feliz: "A conscientização surge quando aprendemos a utilizar a informação para a transformação" – ou seja, quando passamos a utilizar o que alcançamos como conhecimento para promover a nossa educação moral; é a essa educação que a doutrina se refere quando fala em "reforma íntima".

    E esta irmã, que em uma de suas existências trabalhou com Kardec como médium, ainda nos afirma: "Uma criatura informada poderá realizar amplos voos nas realizações do bem; entretanto, somente os conscientizados saberão como usar essas realizações para sua libertação pessoal (...) Conscientizar-se é tomar contato com os conteúdos velados da mente, estabelecendo conexão com o ser divino que há em nós." Jesus de Nazaré há muito que nos garantiu: "Sois deuses, fareis tudo o que eu faço e muito mais". O problema foi que não acreditamos nele porque o divinizamos, o excluímos da nossa condição de espírito criado simples e ignorante, todavia perfectível mediante esforço e trabalho individual.

    Estamos no mês de abril, mês em que o meio espírita comemora o lançamento, em 18 de abril de 1857, d'O Livro dos Espíritos. E, certamente, para os espíritas, essa é uma data a ser comemorada com muito carinho e respeito – José Herculano Pires, escritor e filósofo espírita conceituado, em sua tradução, quando se comemoravam os cem anos do lançamento, escreveu na sua introdução: "O Livro dos Espíritos é o código de uma nova fase da evolução humana".

    E efetivamente é isso que é o nosso Livro dos Espíritos, porque nos proporciona de forma condensada, porém absolutamente clara a INFORMAÇÃO e a CONSCIENTIZAÇÃO das leis supremas, criadas pela Inteligência Suprema, Deus, e que a tudo e a todos regem harmoniosamente – leis, no entanto, que até então nos eram apresentadas como dogmas indiscutíveis, encerradas nas grades da mística e do mistério divino...

    De posse da informação e da conscientização damos o passo seguinte, a EDUCAÇÃO MORAL, indispensável para nossa felicidade. Deolindo Amorim, outro espírita de grande envergadura doutrinária, no livro A Voz da Experiência, capítulo O Sentido Didático de O Livro dos Espíritos, escreveu com muita propriedade: "O Livro dos Espíritos desenvolve todas as suas proposições fundamentais, permitindo ao homem, antes de tudo, conhecer para compreender e, depois, já na posse do conhecimento, sentir as belezas e os benefícios da Doutrina pela reforma moral (...) Vê-se, por aí, o alto sentido didático de Allan Kardec ao organizar O Livro dos Espíritos, cujos ensinamentos são de procedência espiritual, mas foi o Codificador quem lhes deu ordem e método (...) Ele responde tanto às indagações do filósofo, como às petições do teólogo e às exigências do moralista".

    E não poderíamos enfatizar mais ainda a necessidade do estudo aprofundado desse livro "sobre o qual se ergue todo o edifício da Doutrina Espírita" (J.H.Pires) do que concordando com Deolindo: "Não se pode compreender a Doutrina Espírita sem conhecer O Livro dos Espíritos".

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

É HORA DE ESPERANÇARMOS!

    Pé de mamão rompe concreto e brota em paredão de viaduto no DF (fonte g1)   Por Alexandre Júnior Precisamos realmente compreender o que significa este momento e o quanto é importante refletirmos sobre o resultado das urnas. Não é momento de desespero e sim de validarmos o esperançar! A História do Brasil é feita de invasão, colonização, escravização, exploração e morte. Seria ingenuidade nossa imaginarmos que este tipo de política não exerce influência na formação do nosso povo.

A AUDITORIA DA ALMA: VIDAS PRETÉRITAS, FORMA-MERCADORIA E A ÉTICA DO EU-TU

    Por Jorge Luiz   O Mito da Identidade Intacta             Antes mesmo de pronunciarmos a primeira palavra ou esboçarmos o primeiro pensamento reflexivo, já fomos batizados. O nome próprio — esse signo fundamental que carrega nossa existência jurídica e social — nos é atribuído pela expectativa, pelo gosto e pelas projeções do outro. Somos nomeados no escuro. Para muitos, no entanto, o amadurecimento da consciência traz consigo um estranhamento visceral diante desse rótulo herdado. Descobre-se que a roupagem simbólica recebida no berço não se ajusta à pele de quem nos tornamos, levando um número crescente de pessoas a recorrer ao Direito Civil para alterar aquilo que parecia ser a mais imutável das certezas: a própria alcunha.             Talvez houvesse um ganho civilizatório profundo se a consolidação do nome dependesse de uma validação posterior, um ...

09.10 - O AUTO-DE-FÉ E A REENCARNAÇÃO DO BISPO DE BARCELONA¹ (REPOSTAGEM)

            Por Jorge Luiz     “Espíritas de todos os países! Não esqueçais esta data: 9 de outubro de 1861; será marcada nos fastos do Espiritismo. Que ela seja para vós um dia de festa, e não de luto, porque é a garantia de vosso próximo triunfo!”  (Allan Kardec)                    Cento e sessenta e quatro anos passados do Auto-de-Fé de Barcelona, um dos últimos atos do Santo Ofício, na Espanha.             O episódio culminou com a apreensão e queima de 300 volumes e brochuras sobre o Espiritismo - enviados por Allan Kardec ao livreiro Maurice Lachâtre - por ordem do bispo de Barcelona, D. Antonio Parlau y Termens, que assim sentenciou: “A Igreja católica é universal, e os livros, sendo contrários à fé católica, o governo não pode consentir que eles vão perverter a moral e a religião de outr...

DEUS¹

  No átimo do segundo em que Deus se revela, o coração escorrega no compasso saltando um tom acima de seu ritmo. Emociona-se o ser humano ao se saber seguro por Aquele que é maior e mais pleno. Entoa, então, um cântico de louvor e a oração musicada faz tremer a alma do crente que, sem muito esforço, sente Deus em si.

QUANDO O ESPIRITISMO VIRA ARENA DE PRÁTICAS “DIFERENTONAS”

  Sala para realização de cirurgia espiritual no C.E.Casa de Oração Espírito de Luz Por Jorge Hessen Entre a codificação e a fantasia mediúnica, alguns parecem ter escolhido a segunda Há algo profundamente preocupante no movimento espírita brasileiro: a crescente transformação da mediunidade em laboratório de novidades. Cada grupo inventa sua fórmula, cada dirigente anuncia seu método, cada médium apresenta uma experiência particular, como se representasse a evolução da Doutrina. E, quando alguém pergunta onde está Kardec, responde-se com a palavra mágica: “caridade”. Não. Caridade não é salvo-conduto para a improvisação “diferentona”.

A DEMOCRACIA DO TEMPO: A ÚNICA IGUALDADE QUE NINGUÉM PODE EVITAR

  Por Wilson Garcia Existe uma verdade diante da qual desaparecem todas as diferenças: a trajetória humana é finita, embora se desenrole dentro da infinitude.   Todos passam. Os cantores e os poetas. Os artistas e os artesãos. Os cientistas e os agricultores. Os presidentes e os operários. Os milionários e os pobres. Os anônimos e os famosos. Os homens e as mulheres que ocupam as manchetes dos jornais, assim como aqueles cujos nomes jamais serão registrados pela história. Há democracias construídas pelos homens. Há uma, porém, que independe de governos, leis ou ideologias: a democracia do tempo. Diante dela, todos comparecemos em absoluta igualdade.

CARPE DIEM!

“Deus pede hoje estrita conta do meu tempo E eu vou, do meu tempo dar-lhe conta. Mas como dar, sem tempo, tanto conta Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo? Frei Antonio das Chagas (1631-1682) Por Jorge Luiz (*)               O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulgou no dia 18 último, resultado de pesquisa que revela que em uma escala de 0 a 10, os brasileiros dão em média 7,1 para suas vidas. Esse nível colocaria o Brasil em 16º entre os 147 países pesquisados pela Gallup World Poll, que apontava uma felicidade média de 6,8 no Brasil em 2010.             O Nordeste é a região mais feliz do Brasil, com nota média de 7,38. Se fosse considerado um país, nós nordestinos ficaríamos em 9º na classificação global, entre belgas e finlandeses. Apesar de ser considerada a região mais rica do Brasil, o Sudoeste foi con...

É ASSIM!

  Por Alexandre Júnior É assim que transborda! A música ecoa no litoral da alma, mansamente avança pelos recôncavos mais íntimos de nossos convexos, é assim que a alma treme, a sensibilidade pulula festejando o encontro do eu com a arte! É assim que conseguimos de alguma forma avançarmos vivendo, sentindo o efeito do tempo, que implacável, interroga todas as nossas certezas, nada esta estabelecido, não há mais convicções imortais, o tempo se encarrega de fazer ruir as mais concretas das arrogâncias.

SOCIALISMO E ESPIRITISMO: Uma revista espírita

“O homem é livre na medida em que coloca seus atos em harmonia com as leis universais. Para reinar a ordem social, o Espiritismo, o Socialismo e o Cristianismo devem dar-se nas mãos; do Espiritismo pode nascer o Socialismo idealista.” ( Arthur Conan Doyle) Allan Kardec ao elaborar os princípios da unidade tinha em mente que os espíritas fossem capazes de tecer uma teia social espírita , de base morfológica e que daria suporte doutrinário para as Instituições operarem as transformações necessárias ao homem. A unidade de princípios calcada na filosofia social espírita daria a liga necessária à elasticidade e resistência aos laços que devem unir os espíritas no seio dos ideais do socialismo-cristão. A opção por um “espiritismo religioso” fundado pelo roustainguismo de Bezerra Menezes, através da Federação Espírita Brasileira, e do ranço católico de Luiz de Olympio Telles de Menezes, na Bahia, sufocou no Brasil o vetor socialista-cristão da Doutrina Espírita. Telles, ao ...