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A ESPIRITUALIDADE EM PAUTA

 

Por Roberto Caldas

            Tudo indica que a humanidade se encontra numa encruzilhada, aliás, a frase teria sido dita por Gandhi, com o arremate que eleva em muito a importância desse entendimento: “tem de escolher entre a lei da selva e a lei da humanidade”.

            O cenário é de um frenesi de mudanças que trazem um grupo de exigências de adaptação e apontam para um redimensionamento da compreensão. Por outro lado, levanta-se um padrão de resistência característica da falta de condições de aceitação das múltiplas ondas que movimentam o tumultuado oceano das disputas sociais.

            Essa acepção é justamente aquela que coroa o significado do viver-se numa Civilização – resultado dos progressos da humanidade em sua evolução social e intelectual (Dic. Priberam). A questão 783 de O Livro dos Espíritos clareia a discussão: “O aperfeiçoamento da Humanidade segue sempre uma marcha progressiva e lenta? – Há o progresso regular e lento que resulta da força das coisas; mas quando um povo não avança bastante rápido, Deus lhe provoca, de tempos em tempos, um abalo físico ou moral que o transforma”.

            Há duas realidades que se tocam intimamente em todo processo de transformação dos destinos humanos e da evolução das condições de vida sobre a terra. A realidade do mundo encarnado que se debate nas lutas acerbas pela sobrevivência e ensaia práticas, entre erros e acertos, que ampliam os aprendizados e transformam as leis do mundo objetivo. A realidade do mundo espiritual que permite o redesenho das possibilidades, porque possui o elo que liga a lógica de todos os períodos da evolução humana, espaço de reflexão e refazimento sempre que encerrada a experiência no corpo.

            Há dúvidas se trafegamos numa pista que gira em torno de um epicentro repetindo comportamentos que traduzem as mazelas morais que seguem surdas aos avanços das ciências sociais quando propõem conciliação, gentileza e correção das desigualdades. A evolução da tecnologia e do conhecimento não parece corresponder paritariamente ao crescimento dos valores da solidariedade.

            Apesar do conturbado ambiente de disputas extravagantes e lesivas, a Civilização se transforma paulatinamente, também como resultado daquelas. A fase espiritual da existência é responsável pelo crescente reajuste que se impõe de uma para outra encarnação. Paulatinamente. Pela necessidade da movimentação de enorme aglomerado de Espíritos para encontrar uma mediana de despertar de consciências, além das visões meramente egóicas.

            O vislumbre das realidades espirituais é uma exigência que o estágio fora do corpo praticamente impõe, pois destrói as ilusões e estabelece responsabilidades auxiliando na formulação de um novo programa de ação no contexto de uma nova imersão no corpo. Enquanto a humanidade ainda é joguete dos personalismos que degeneram as relações humanas há uma onda, que induz pessoas e grupos cada dia mais numerosos que optaram pela construção de um novo tempo, pautados nos aprendizados provenientes da realidade espiritual. Essa onda une sutil e imperceptivelmente multidões que haverão de trazer ao mundo dos encarnados a semente da renovação que o planeta anseia e merece.        

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